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Agora querem banir livros: conservadores no RS pedem retirada de “obras de mau gosto” de bibliotecas

Não bastou fecharem a exposição. Agora, grupos de conservadores trabalham também para banir o livro da mostra QueerMuseu de uma biblioteca pública no Rio Grande do Sul. Tudo em nome da moral e dos bons costumes.

Os vereadores de Uruguaiana decidiram aderir à proposta de um dos seus colegas. A ideia é retirar o catálogo da exposição da biblioteca municipal e devolvê-lo, com uma nota de repúdio, ao Santander Cultural.

De acordo com notícia publicada no Correio do Povo, jornal gaúcho afiliado à Igreja Universal do Reino de Deus, os vereadores fazem isso para lutar contra uma “crise moral” que estaria assolando o país.

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Os vereadores pretendem combater manifestações artísticas “de gosto duvidoso”. Na nota de repúdio, explicam ao Santander que as obras contidas nos livros são “de mau gosto, com conteúdo que passa pelo grotesco, pela lascívia distorcida e pela desnecessidade, além da falta de talento camuflada e eclipsada pela pretensa tentativa de chocar a sociedade”.

Mais obras

E os vereadores não pretendem parar por aí. Um vereador já anunciou que solicitará ao Executivo análise de mais livros para que, aqueles com “conteúdo similar, sejam retirados por atentarem contra a moralidade”.

“O vereador está fazendo um chamamento nas redes sociais para que os colegas dos outros municípios do Estado também devolvam o livro da exposição com moção de repúdio”, informa o jornal.

A ação dos vereadores levou a Associação Riograndense de Bibliotecários a reagir. Em nota pública, a associação defende os preceitos constitucionais de liberdade de expressão e afirma que a ingerência política e moral na formação de bibliotecas públicas é inaceitável.

“É inadmissível a ingerência dos vereadores, e de qualquer outro ente político, no desenvolvimento da coleção de uma biblioteca pública. (…) O desenvolvimento de coleções de bibliotecas deve ser estabelecido em uma política de desenvolvimento de coleções que siga critérios claros, públicos e baseados em um estudo de comunidade e usuários.”

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