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Rafael Greca declara apoio a projetos da bancada evangélica para a educação

Com informações de João Frey:

O prefeito Rafael Greca disse nesta quarta-feira na Câmara de Curitiba que irá apoiar as propostas da bancada evangélica para que as crianças da cidade sejam educadas “na inocência cristã”.

“Vamos garantir a escola pública eficiente para os 140 mil alunos, para os 14 mil professores, insistindo na tese do vereador Thiago Ferro e de outros companheiros nossos, de uma escola que ensine dentro da inocência cristã”, disse Greca, em visita surpresa à Câmara.

O pastor Thiago Ferro, vereador pelo PSDB, é autor e coautor de dois projetos polêmicos sobre a educação infantil municipal. O pastor está no primeiro mandato e representa a igreja Sara Nossa Terra.

Um deles, assinado com mais uma dezena de vereadores, pede a “Escola sem Partido”. Ou seja: a colocação de cartazes nas escolas públicas e privadas deixando claro que os professores não podem “doutrinar” os alunos.

Sexualidade

O outro projeto é mais radical. Protocolado no mês passado, proíbe os professores da rede pública de tratarem de qualquer tema ligado à sexualidade (sem que se fale especificamente de reprodução) sem autorização expressa de todos os pais, que teriam direito a conhecer com antecedência aos materiais. Isso para alunos de até 16 anos.

Greca não havia se pronunciado antes sobre o tema. Agora, não chegou a dizer que trabalhará ativamente para a aprovação dos projetos, mas seu aval pode ter influência no debate.

Megaculto cacifou vereadores. Foto: Maicon J. Gomes/Gazeta do Povo

Segundo os vereadores, Thiago Ferro e a bancada evangélica em geral estão cacifados em boa parte devido ao sucesso do megaculto realizado na Arena do Atlético neste fim de semana: o evento atraiu nada menos do que 42 mil pessoas de várias igrejas protestantes.

Vila Guaíra

Nesta semana, a bancada também fez uma reunião com a Secretaria Municipal de Educação para reclamar de uma professora da Vila Guaíra que teria pedido que crianças de pré-escola fossem em um dia sem uniforme, de roupas coloridas, para falar de diversidade.

Os vereadores, alertados por uma mãe, chegaram à conclusão de que se tratava de uma tentativa de falar de diversidade sexual para crianças de pré-escola e resolveram intervir.

A prefeitura nega que a atividade tivesse qualquer relação com gênero. Em nota, afirmou que “foi esclarecido que o bilhete enviado pela professora do pré da Escola Itacelina Bittencourt refere-se a uma atividade sem qualquer relação com ideologia de gênero”.

“As roupas coloridas pedidas pela professora indicam que as crianças não precisarão ir de uniforme. A proposta irá trabalhar Diversidade (…). O projeto utiliza personagens da turma da Mônica.”

Em entrevista à rádio Banda B, o vereador Thiago Ferro falou que “uma foto da agenda da criança mostra um recado da professora pedindo para que todos os alunos fossem de roupas coloridas para uma apresentação. Nós já temos um histórico de docentes solicitando que os meninos usem saia”, disse.

Moradias Corbélia

Após a reunião de ontem, a secretaria, no entanto, disse que teria sido de fato detectado um problema em outra escola de Curitiba.

“Quanto ao plano de ação do Centro Municipal de Educação Infantil Moradias Corbélia, ele não está adequado às orientações da Secretaria Municipal da Educação, que trata o tema igualdade de gênero de acordo com as Diretrizes Curriculares Nacionais de Educação Infantil. A equipe pedagógica da unidade já está sendo orientada para que faça os ajustes necessários no plano de ação.”

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