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Reitor da UFPR prevê mais dificuldades em 2018 e reclama de “campanha” contra federais

Ricardo Marcelo Fonseca, reitor da UFPR. Foto: Antonio More/Arquivo Gazeta do Povo.
Ricardo Marcelo Fonseca, reitor da UFPR. Foto: Antonio More/Arquivo Gazeta do Povo.

Ricardo Marcelo Fonseca começou seu período de reitor da UFPR com um orçamento apertado. Quase não conseguiu fechar as contas: no fim do ano, parecia que ia ser preciso interromper atividades, já que o governo Temer demorou demais para repassar os recursos.

Para 2018, a realidade não deve ser muito diferente. O dinheiro não aumentou e as contas não param de subir. Além de tudo, é preciso enfrentar “uma onda (muito ideológica e falseadora, aliás) que busca demonstrar que somos caros e ineficientes”.

O ano de 2017 foi de cintos apertados na UFPR. Foi possível fechar as contas? O que precisou ser feito para isso?

Sim, 2017 teve fortes cortes e contingenciamentos, sobretudo no dinheiro destinado a investimentos (que são os recursos para obras, equipamentos, etc). Mas apesar do cenário pior do que nos anos anteriores, conseguimos fechar as contas. Praticamente nenhuma despesa do custeio geral da Universidade ficou para 2018. Pra isso, tivemos que fazer cortes em alguns contratos, racionalizar serviços e contar com mais planejamento e eficiência na gestão de nossas unidades. Mas ao final deu certo.

O governo demorou para fazer os repasses, complicando a situação das universidades. Há previsão de que 2018 seja melhor?

Não temos previsão sobre como as coisas vão acontecer em 2018 do ponto de vista dos repasses dos recursos. O orçamento do custeio da Universidade (que é destinado às nossas despesas correntes) se manteve o mesmo do ano passado. Mas como a universidade ainda está em expansão e como nossas despesas e serviços (luz, água, contratos, etc.) serão reajustadas, isso significa que nesse ano teremos dificuldades maiores do que em 2017 para fechar as contas. Isso exigirá de nós continuar a apertar os cintos e buscar continuamente mais eficiência de gestão. Já o orçamento dos investimentos foi reduzido ainda mais. Temos que, a cada dia, aprender a fazer mais com menos.

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Quais os principais desafios da universidade para este ano?

Apesar das dificuldades que passamos agora, somos uma universidade centenária e de excelência. A UFPR é líder no nosso Estado e a 8ª Universidade do Brasil, de acordo com o Ranking da Folha de São Paulo. A nossa qualidade ficou bem demonstrada na última avaliação da pós-graduação divulgada pelo MEC/CAPES há poucos meses. A grande tarefa de 2018 é que continuemos a manter essa excelência (aumentando onde for possível) ao mesmo tempo em que nos aperfeiçoemos como foco de cidadania e inclusão, que é uma das funções mais importantes e necessárias de uma universidade pública. Como a fase da expansão das universidades públicas parece não ser mais prioritária nesse momento do nosso país, temos que apostar em verticalizar na qualidade e na promoção da cidadania.

O sr. ainda está no começo de um mandato. O que imagina que será possível fazer no período como reitor dada a situação financeira grave?

Claro que para promover ciência, tecnologia e ensino superior de qualidade são necessários recursos – que nunca devem ser vistos como “gastos”, mas sim como investimentos. E a grande maioria dos países avançados entendeu isso, mantendo o alto financiamento público das universidades. É indubitável que não há salto econômico e nem salto civilizacional em qualquer lugar sem esse investimento. E no caso brasileiro, o “locus” da ciência e tecnologia é sem dúvida a Universidade pública. Se ela parar de ser financiada adequadamente, o país implode suas pontes com o futuro.

Mas quando faltam recursos na Universidade, o que fazer? Primeiro, demonstrar com mais competência à sociedade a nossa imprescindibilidade, pois hoje parece haver uma onda (muito ideológica e falseadora, aliás) que busca demonstrar que somos caros e ineficientes. Segundo, fazer a nossa lição de casa, melhorando nossa transparência, nossos mecanismos de controle interno e de eficiência para minimizar desperdícios e descaminhos, como uma forma de prestação de contas necessária para a sociedade. Essa é uma tarefa nada simples, dada a nossa dimensão e os entraves internos que sempre existem, mas é uma tarefa necessária.

Terceiro, intensificar o diálogo com essa mesma sociedade: seja aproveitando as possibilidades do novo marco legal de ciência, tecnologia e inovação (uma lei recente que permite novas possibilidades), sobretudo para aproveitar o potencial inovação que possuímos; seja buscando se articular com a sociedade no âmbito da extensão e da educação continuada, de preferência de um modo socialmente referenciado e cidadão.

Acredito que na época de grandes dificuldades e desafios, temos que buscar colocar à disposição aquilo que uma universidade tem de melhor: criatividade, inteligência e inovação. E disso o Brasil precisa com urgência. Se ao final do mandato tivermos conseguido melhorar com eficiência nossos índices de pesquisa e inovação, incrementarmos nosso ensino (inclusive aproveitando melhor as novas tecnologias), aperfeiçoarmos os mecanismos e estratégias de nossa relação com a sociedade, tudo isso tendo como pano de fundo o papel inclusivo e promotor da cidadania que devemos assumir, me dou por satisfeito.

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