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Enviado por Célio Martins, 21/01/14 5:39:48 PM

Gastos públicos com a Copa chegam ao absurdo e atentam contra a sociedade

Escolas Fifa
No mundo democrático, pelo menos teoricamente, as pessoas têm liberdade de escolha. Enquanto uns vão aos estádios no domingo, outros preferem ir ao restaurante, ao jogo de vôlei, ao show musical ou ao shopping fazer compras.

Poucos concordariam que o poder público utilizasse o dinheiro dos contribuintes – que deveria ser investido em educação, saúde e saneamento básico – para bancar a construção de restaurantes, casas de show privadas ou shoppings. São empreendimentos particulares, que buscam lucro. Assim funciona o capitalismo. Se fosse diferente não seria capitalismo, seria comunismo ou outra forma de organizar a sociedade.

Da mesma forma, não justifica tirar recursos de áreas de primeira necessidade – o país não tem ensino integral, creches suficientes, hospitais, escolas públicas de qualidade – para construir estádios particulares e outras obras privadas só para atrair uma Copa do Mundo.

E nesse quesito, de gastos públicos com um Mundial de Futebol, o Brasil já é um exemplo, e um mau exemplo. Os números mostram claramente os exageros para um país pobre e atolado em problemas sociais.

A Prefeitura de Curitiba revelou ter gastado R$ 219,7 milhões com a Arena da Baixada e obras diretamente relacionadas ao estádio do Atlético. Com todas as obras ligadas à competição, que só terá jogos desinteressantes na capital paranaense, o município torrou R$ 572 milhões. Isso sem contar os R$ 8,5 milhões de despesas que eram de responsabilidade da Fifa e a prefeitura diz ter assumido.

Quando somados outros recursos do governo do estado e da União, que evitam vir a público fazer uma prestação de contas, os números ampliam o absurdo. E há ainda falta de clareza nos gastos, conforme um relatório de indicadores de transparência apresentado pelo Instituto Ethos.

Dos 12 municípios que sediarão a Copa, nove receberam mais repasses federais para seus estádios do que recursos para a educação no período entre 2010 e setembro de 2013. O levantamento é da Agência Pública a partir de dados da Controladoria-Geral da União (CGU). E Curitiba está entre essas cidades.

A realidade é que o Mundial será caro e bancado quase exclusivamente pelo contribuinte. Dos R$ 8 bilhões investidos em estádios, apenas R$ 133,2 milhões não envolvem os cofres públicos.
Uma matéria publicada no jornal espanhol El Pais destaca que o Brasil chegará à Copa de 2014 como campeão de gastos em estádios. A matéria informa que no mundial da Alemanha (2006) foram gastos R$ 3,6 bilhões de reais para o mesmo número de estádios. Na África do Sul (2010) o valor aproximado foi de R$ 3,27 bilhões para 10 estádios.

Quando começou-se a falar em gastos com a competição no Brasil, o governo federal estimava em pouco mais de R$ 20 bilhões. Hoje beira os R$ 30 bilhões. E os cálculos mais realistas preveem um teto de R$ 35 bilhões. Desse total, pouco mais de 10% virá da iniciativa privada.

Os absurdos não param aí. O plano de segurança da Copa vai custar R$ 1,17 bilhão ao governo federal. Enquanto isso, mais e mais brasileiros morrem todos os dias não só nas cidades-sedes da Copa vítimas da falta de segurança. A cada minuto residências e estabelecimentos são assaltados e carros são roubados. As pessoas de baixa renda sucumbem por falta de atendimento médico-hospitalar.

Depois do Mundial deveria haver uma apuração rigorosa, de poderes independentes do Executivo, de todos os descaminhos com o Mundial (com a palavra o Ministério Público, em todas as suas instâncias). E, se confirmadas irregularidades, os governantes e outros responsáveis deveriam ser punidos com todo o rigor da lei.

Se metade do que está sendo gasto com a Copa fosse para educação, saúde, moradia, estímulo à produção e exportação, tecnologia e outras áreas, o país certamente estaria em melhor situação.

Este é um espaço público de debate de idéias. A Gazeta do Povo não se responsabiliza pelos artigos e comentários aqui colocados pelos autores e usuários do blog. O conteúdo das mensagens é de única e exclusiva responsabilidade de seus respectivos autores.
    • Panis et circens - mais circens do que panis! Como diz o jornalista Prates: povo burro! - Carlos Tadeu - 31/12/1969 21:00:00
    • É bem isso Célio. Atualizando, só estádios 10 bilhoes - Cesar Soares - 31/12/1969 21:00:00
    • O Assunto sobre os gastos com a Copa do Mundo no Brasil extrapola qualquer princípio da razoabilidade e da justiça social. Espera-se que haja manifestações maiores ainda, em cada sede, pois isso que a FIFA e os dirigentes políticos estão fazendo merece uma resposta da sociedade. E tudo o que está sendo comentado é apenas o começo da história, vamos ver o que acontecerá pós Copa. Ingressos caros, aumento de tarifas e preços de mercadorias, etc etc, a sociedade terá que pagar essa conta.. - ELI DE ABREU PASSOS - 31/12/1969 21:00:00
    • Célio, não discordo de uma linha do seu texto, simplesmente perfeito. - DANIEL VENTURI - 31/12/1969 21:00:00
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    A Copa constrange - Dinheiro Público | 22/01/2014 | 17:22

    [...] Não era, e não sou, favorável à Copa no Brasil. Porém, hoje, tanto faz. Minha opinião não mais importa. Como esperava mesmo muito antes de se iniciarem as obras, o erário suportaria grande parte, quiçá a maioria, das despesas. Em outras palavras, eu e você, gostemos ou não de futebol, pagaremos pela festa. [...] Rodrigo Kanayama - http://www.gazetadopovo.com.br/blogs/dinheiro-publico/a-copa-constrange/

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