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Enviado por admin, 12/07/12 10:14:00 AM

Demóstenes, a mulher vagabunda e o cão sarnento

Demóstenes Torres usou a tribuna do Senado quase diariamente para se defender nas duas últimas semanas. Na maioria das vezes falou para um plenário vazio. Ontem, na oportunidade derradeira de defesa, escolheu palavras pesadas para tentar sensibilizar os 80 colegas que compareceram à sessão – o único ausente foi Clóvis Fecury (DEM-MA).

De cara, disse que as denúncias contra ele eram como acusar uma mulher de “vagabunda”. “Como ela se defende disso?” Depois, disse que foi perseguido como um “cão sarnento”. Os termos resumem bem os bastidores do dia de sua cassação.

Demóstenes foi o primeiro a chegar ao plenário, sete minutos antes do horário previsto para o início da sessão, às 10 horas. Estava acompanhado do advogado Antonio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, que sentou-se em uma cadeira improvisada ao lado do cliente. Ao redor deles, um clarão de poltronas vazias.

Os demais senadores foram chegando aos poucos. Raros cumprimentaram o acusado. Entre eles, Renan Calheiros (PMDB-AL), que escapou de dois processos de cassação em 2007, suspeito de ter as contas pagas por um lobista. Na época, Demóstenes disse abertamente que havia votado pela cassação de Renan.

O isolamento de Demóstenes tinha um sentido “midiático”. Como a sessão foi aberta à imprensa, cada expressão do senador goiano foi fartamente fotografada e filmada, já que o espaço destinado aos jornalistas fica a menos de dez metros do assento dele. A marcação foi cerrada até quando o acusado deixou a sessão para ir ao banheiro.

Pelo menos 15 jornalistas, parte deles de celular com câmera em punho, partiram atrás dele. Demóstenes conseguiu aliviar-se graças a um segurança que ficou plantado na porta do banheiro. Na saída, cumprimentou parte dos repórteres. “Será que ele não lavou a mão?”, disse um deles (famoso, por sinal).

Enquanto isso os discursos se sucediam para uma plateia angustiada. Um dia antes, o presidente José Sarney havia alertado os senadores para serem sucintos para que o julgamento não extrapolasse três horas – o que realmente aconteceu.

Todos tinham o direito de falar por dez minutos. Quinze dos 81 se inscreveram, mas dez acabaram desistindo. Nenhum dos dez oradores finais falou em defesa do Demóstenes, além dele mesmo e de Kakay.
O número não faria muita diferença, já que poucos se dedicaram a prestar atenção no que os colegas diziam – preferiam o papo em rodinhas bem no meio do plenário. O único que conseguiu atrair o foco e silenciar o ambiente foi Demóstenes. E após a proclamação do resultado, foi ele quem não quis companhia.

Em passos rápidos, levou menos de um minuto para cair fora. Não era mais um cão sarnento. Nem um senador da República.

***

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      Antonio Carlos Wanderley | 12/07/2012 | 15:48

      Seguindo os acontecimentos e o desfecho cheguei a conclusão que o Demostetens foi o "boi de piranha". Usado para que as investigações parem por aí. É bem provável que o Demostentes não tenha cedido às pressões do Cachoeira e ele tenha armado tudo isto. Para quem leu a entrevista do suplente do Demostenes, isto parece claro. O Cachoeira "assumiu" a cadeira do Demostenes.

      Orlando Silva | 12/07/2012 | 15:30

      É, senhor senador Demóstenes, você me fez lembrar daquele filme da disney "a Dama eo Vagabundo" você foi a Dama e o Cachoeira o vagabundo que o levou à derrocada.

      Fernando | 12/07/2012 | 14:58

      Após a leitura dessa matéria, me bateu uma dúvida profunda: Até onde esse tal Demosteres é culpado realmente e até onde isso tudo poderia ser uma armação em forma de vingança ou o usando como bode expiatório? Isso me vem, não tão raramente, pelo fato de saber que o presidente do Senado ainda é Jose Sarney, ou seja, é tão claro que este e um punhado de senadores "faltam com a verdade e a ética", por que um que sempre foi "considerado rígido, moral e ético" do dia p/ noite vira o pior senador?

      Rodiney Carneiro | 12/07/2012 | 13:06

      É... isso é o BRASIL da Copa do Mundo, das Olimpíadas e das falcatruas !

      Claudio Marcio Araujo da Gama | 12/07/2012 | 10:57

      Este foi um julgamento diferente. Apesar de ter sido um julgamento político (feito por políticos e por razões políticas), foi baseados em provas produzidas pela polícia (com princípios policiais e jurídicos de devido processo legal e qualidade da prova). O que fica de saldo negativo são as tentativas da revista Veja em converter o reu em "mosqueteiro da ética" e ver a liberdade de imprensa ser envergonhada em "grande" estilo...

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