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Enviado por admin, 02/07/12 9:35:00 AM

O bônus e o ônus da máquina de Ducci

O prefeito Luciano Ducci (PSB) terá de fazer uma campanha para reeleição atípica neste ano. Como não tem vice (ele assumiu após a candidatura de Beto Richa a governador, em 2010), não poderá se licenciar do cargo. Pedir votos, só fora do expediente ou no horário eleitoral.

É um pequeno ônus perto do bônus de ter a máquina administrativa na mão. E não se trata de uma estrutura qualquer – Curitiba tem um invejável orçamento que supera os R$ 5 bilhões ao ano e um calendário de obras grandiosas cuja conclusão curiosamente desemboca nos próximos meses.

Além disso, há o combustível extra do apoio irrestrito do governo do estado.
Apesar disso, o fato de permanecer amarrado ao trabalho de gabinete enquanto a campanha pega fogo nas ruas pesou na escolha de Rubens Bueno (PPS) como vice. A ideia é que o deputado federal percorra a cidade de dia, enquanto Ducci faz o contraturno. O problema é que Bueno também afirmou que não vai pedir licença da Câmara.

Na prática, o segundo semestre de anos com disputas eleitorais costuma ser um marasmo no Congresso Nacional. Há apenas votações esparsas, enquanto candidatos e não candidatos dedicam-se às suas “bases”. Mas nenhum parlamentar deixa de receber o salário no fim do mês.

A situação gera um subgênero do financiamento público de campanha. Você paga o congressista para elaborar leis e fiscalizar o governo, mas ele está preocupado em ganhar uma nova eleição, que não tem qualquer ligação com o Parlamento. Justiça seja feita, não foi Bueno quem inventou o costume.

Principal rival de Ducci, Gustavo Fruet (PDT) também não se licenciou do mandato de deputado federal em 2010, quando concorreu ao Senado. Outro nome forte no páreo curitibano, Ratinho Júnior (PSC) até cogitou afastar-se da Câmara dos Deputados a partir deste mês, mas ainda não formalizou a decisão.

Quanto ao uso da máquina para fazer campanha, Lula talvez tenha sido o maior exemplo de como fazer isso na cara-de-pau sem se dar mal. Entre 2008 e 2010, toda e qualquer inauguração serviu de palanque para promover a pouco carismática ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff. O sucesso de Lula fez escola.

Em suas defesas, políticos vão sempre dizer que é impossível dissociar o exercício do mandato da prática política. Parlamentares também vão alegar que distanciar-se do cargo é uma traição aos seus eleitores. São meias-verdades.

Em primeiro lugar, porque também é perfeitamente possível interpretar como traição eleger-se para um cargo e logo depois candidatar-se a outro. Os eleitores de Campo Mourão que votaram em Bueno para deputado federal, por exemplo, não ganham absolutamente nada caso ele seja eleito vice-prefeito da capital. Está aí mais uma deturpação do sistema, que só poderia ser resolvida via reforma política (e como a reforma é um conto da carochinha, melhor esperar sentado).

Cobrar que os eleitos cumpram as atribuições para as quais foram escolhidos deveria ser uma tarefa básica dos eleitores. Pode parecer chato, mas é só um pequeno exercício de reflexão. Sem falso moralismo, fazer política não é o problema – o errado é fazer campanha eleitoral o tempo inteiro.

***

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      Gabriel Dallagrana | 03/07/2012 | 11:30

      Sempre achei que o mandato do político tinha que ser cumprido na íntegra, até o final, sem possibilidade de abandonar para concorrer a outro cargo no meio do caminho. Quer ser vereador? Vai ser vereador até o final (4 anos). Se quiser virar deputado tem que esperar os 4 anos como vereador, se afastar e ficar mais 2 sem cargo aguardando a nova eleição para deputado. Acho mais justo e honesto com os eleitores.

      wposnik | 02/07/2012 | 14:50

      Concordo em parte, com a formulação do blogueiro. O exercício de um mandato, de forma permanentemente republicana, não exige dedicação especial de 'campanha'. A deformação toda está no fato de que 'fazer campanha', envolve um momento artificial, de falsas promessas, acusações a adversários, mentiras, mistificações e coisas tais. E claro que a mídia contribuí para isso, tratando em geral, todos os políticos com escracho, na sua pauta do tipo, quanto mais grotesco, mais audiência.

      Marcos A. | 02/07/2012 | 11:08

      Asfaltos novos, calçadas novas, tudo em ritmo de tartaruga, porque acontece em inúmeros pontos diferentes, causando transtorno geral na cidade. Ao invés de concentrar as obras, para que possam ir sendo concluídas mais rapidamente e ai sim partir para outro ponto. O cronograma do final das obras bate direitinho com o começo da campanha eleitoral. Pura coincidência.

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