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Diário de Antonio

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Enviado por Celi Anizelli, 06/04/14 5:26:16 PM

 

SACOLA BOTI-ANTONIO

“Educar não é cortar as asas, e sim orientar o voo.” (Paulo Freire)


O dia era 06/10/2010 – Antonio (com 8 anos) e eu…

 Pão a quatro mãos…

Pela manhã, enquanto preparava a massa do pão…

“- Mãe, já sei o que eu vou ser quando crescer!” Disse meu filho.

“- Padeiro, como você!”

 Precisei conter o riso pela graça que acabava de ouvir e claro, sem contar minha corujice toda, que colocada à prova, fez-me segurar a vontade de dar um amasso nele!

Colocou-se todo solícito para ajudar-me com os ingredientes e experimentar as texturas vindas da mistura que estávamos prestes a fazer. 

Expressões desde:

“- Que legal que é o fermento!”

Até outras como:

“- Ai que melequento que é o ovo!”

Foram ouvidas e acompanhadas das caretas mais diversas.

E a conversa prosseguia:

“- Mãe, agora posso por o leite?”

No que eu respondia:

“- Espere, meu filho, vou esquentar…”

E foi mexendo.

Dissolvia o fermento no açúcar e achava o máximo a nova experiência.

 “- Mãe, posso quebrar o ovo, deixa mãe?”

“- Vai, filho, mas quebra numa tigelinha antes porque se cair casquinha na massa vai quebrar o dente de alguém.”

Aqueci o leite e coloquei na mistura, depois pedi ao Antonio que, com as mãos bem limpas a mexesse…

Com cara de quem não estava muito a fim de “melecar” as mãos disse:

“-Mas mãe, eu mexo com a colher mesmo, olha só!”

“- Não, filho, com a colher a gente não percebe se o açúcar derreteu todo antes de adicionar o resto dos ingredientes, entendeu?”

“-Entendi, mãe!”

 Colocou as mãos na mistura e começou a relatar sobre a temperatura do leite, sobre o açúcar que ainda não estava todo dissolvido, pediu para que eu adicionasse todos os outros ingredientes enquanto o quadro acima das bocas e caretas acontecia.

 Colocamos os ovos, o óleo, e a cada novo ingrediente tinha sempre uma nova observação, quente, frio, gosmento, melequento, grudento e todos os outros “entos” possíveis.

Comentei sobre a farinha integral explicando que a massa fica um pouco mais pesada que o outro pão feito com a farinha branca.

E ele ali, firme e forte misturava e conversava comigo sobre a “filosofia” do pão!

Amassamos juntos o pão, apertamos, batemos a massa com punhos fechados para que ela ficasse bem misturada. Enrolamos os pães, esperamos crescer e os colocamos para assar…

Pão  a quatro mãos! Pão feito com o coração.

 mini sirios coracao

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A proposta do DIÁRIO DE ANTONIO é a de um livro virtual.
Você poderá ler os assuntos alternadamente ou acompanhar desde o início capítulo por capítulo.

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sal de açúcar

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Enviado por Celi Anizelli, 30/03/14 9:38:08 PM

 

 

 

De nada adianta termos inteligência, se somos pobres em moral.

A INTELIGÊNCIA E A MORAL

” Os deveres dos pais em relação aos filhos estão inscritos na consciência.” (Joanna de Ângelis)

 

Para pegarmos o fio da meada e não confundir meus leitores…

Este ano optamos por colocar o Antonio em outra escola.

De comum acordo, feito alguns dias de vivência, Antonio  experienciou e gostou do novo espaço.

A Escola do Bosque Mananciais,  apresentou um projeto educativo que me deixou segura e confiante para dar continuidade aos estudos do meu filho.( www.escoladobosque.org.br)

Alexandre e eu sabíamos que uma nova etapa na vida do Antonio estaria por começar e decidimos passar pela experiência junto com nosso filho.

Até que a adaptação neste novo ambiente fosse feita, o ritmo de período integral fosse internalizado e a quantidade de conteúdo pudesse ser apreendida, nós estávamos cientes e já esperávamos uma queda nos seus resultados, o que, naturalmente, exigiria tanto de nós quanto dele, maior esforço e empenho…

Na noite de sexta-feira, anterior ao meu relato, enquanto Alexandre e eu fomos ao mercado, Antonio combinou com alguns amigos da classe para fazerem uma vídeo conferência e estudarem a matéria da prova que teriam na segunda-feira. Eram mais de 30 páginas de conteúdo. Penso não termos demorado mais que uma hora fora de casa,  tempo que Antonio achou ser suficiente para ter passado todos os pontos e  dar-se por satisfeito com isto. Quando chegamos, ele estava distraído jogando vídeogame online com seus colegas…

E assim, vamos aos fatos…

Antonio, eu e nossas divergências…

Sábado de manhã acordei com o propósito de deixar em ordem a minha cozinha. Ela estava cheia de assadeiras de todos os tamanhos por conta dos muitos pães que eu havia feito.  Levantei cedo, deixei Alexandre dormir mais um pouquinho. A casa começava a acordar também. Antonio já estava desperto na sala de TV. Dei-lhe um beijinho de bom dia e segui caminho.

Ernesto, lá fora, arranhava a porta e num uivo manhoso pedia para entrar, no que eu concedi. Entrou de mansinho num gostoso espreguiçar e eu disse:

“- Bom dia, meu amigo, entra!”

E lá foi ele disparado casa adentro procurar o Antonio.

O dia parecia começar bem. Então, comecei a organizar a louça que me esperava para a “árdua” tarefa de lavá-la. Passados uns 20 minutos, Alexandre também levantou. Deu-me bom dia, voltou para a sala de TV, veio de volta e perguntou-me:

“- Você deixou o Antonio jogar play?”

Respondi que não, e que achava que ele estava assistindo alguma coisa na TV. Ele foi até o  quarto do Antonio e deu o recado para não brincar… Mais do que depressa, Antonio veio todo empertigado perguntando-me:

“- Mãe, você não falou que eu podia? Hoje é sábado! “

Respondi-lhe, em tom não muito amistoso, que precisava estudar. Que precisava melhorar suas notas e quando ele conseguisse melhorar seu score, ele poderia voltar a jogar playstation…

 Virou-se nos calcanhares, fechou a cara e foi pisando duro até o seu quarto.

Eu, lavava a louça e remoía meu descontrole… Deixei o que estava fazendo e fui atrás dele… Passei pela cozinha em direção ao quarto, olhei para o Alexandre que arrumava a mesa para o nosso café e me fazia sinais para ter calma, para não interferir e que o deixasse remoer sua atitude mal educada. Mas, meu filho não me obedeceu, observei-o de soslaio: estava nervoso, com raiva, continuava com o jogo na mão e fazia  cara de paisagem.

Pedi ao Alexandre que saísse com Antonio para cortar o cabelo, assim, pensei: ” os ânimos se acalmam…”

Trocaram-se, saíram e ainda quando voltaram eu continuava com minha tarefa.

Sim, havia muita louça para lavar, assadeiras em pilhas… Eu havia produzido 30 pães no dia anterior, usei tudo o que podia usar da minha pequena oficina e mais ainda o que se juntou da louça de casa…

Antonio entrou no seu quarto e, como se nada tivesse acontecido, voltou para o videogame.

A minha tensão continuou sem tréguas… Não me contive  e pedi, num tom ainda mais áspero, que parasse com aquilo naquele momento porque ele precisava estudar. Ele me olhava entre tons de desdém e arrogância e respondeu que já havia estudado. Ainda sob efeito da ira, puxei os fios do computador e desliguei qualquer coisa que ele pudesse retomar. Ouvi um grito:

“-Não, mãe, nãããoooo!”

Com o dedo em riste bem no seu nariz, pedi que se calasse e repeti mais uma vez, que ele precisava estudar e que aquela matéria era a sua prioridade! Por causa do grito, Alexandre apareceu no quarto e com ele também revidei dizendo para não se intrometer naquele assunto!

Foi a minha vez de rodopiar nos calcanhares e voltar para o que eu estava fazendo, deixando Antonio chorando, sentado na cama e com a apostila na mão.

Voltei para a louça e no meu maior desajuste, joguei, com força, três pratos no chão! Ali, fez-se o estardalhaço! Pisando nos cacos, fiz daquela louça o meu momento de olodum! Bati travessas, assadeiras e tudo o mais que eu pudesse fazer barulho e “extravasar” naquele instante eu fiz. Pobres vizinhos ouvindo o destempero da vizinha doida!

Enfim… para encurtar…

Senti-me a pior das mães na face da terra. Gritar e esbravejar somente me tirou a razão. Em meio ao meu tumulto emocional refleti que meu filho não conseguiria assimilar nada naquele estado. E pus-me a avaliar os prós e os contras de toda aquela situação. Terminei minha tarefa e de novo fui ao seu quarto. Ele, cabisbaixo, choramingando tentando estudar o “instudável”, e eu, do outro lado precisando ser firme…

Sentei-me ao seu lado, e agora muito mais calma lhe disse:

 ”- Filho, acho que precisamos repensar nossas atitudes…”

Abracei-o e Antonio irrompeu em choro… Esperei alguns minutos, até que percebi que já respirava melhor… Perguntei se também estava mais calmo, respondeu-me um “sim” ainda em espaçados soluços… Consegui manter-me firme, sem o choro que muitas vezes me aplacaria em situações assim.

Para me certificar e não iniciar outra contenda, perguntei-lhe:

 ” – Filho, todo este choro foi porque a mãe arrancou os fios do computador?”

E, Antonio, balançando a cabeça e chorando baixinho me respondeu:

“- Não, mãe, eu não gosto de brigar com você.”

Respirei fundo, disse-lhe que também sentia-me muito mal por minha atitude, e que ele e eu deveríamos nos desculpar um com o outro pelos nossos destemperos. Disse-lhe que me preocupava com ele nesta sua nova empreitada escolar e gostaria muito que ele entendesse isto. Repeti mais uma vez que entendia que a escola era nova, os horários diferentes, o conteúdo de qualquer disciplina seria mais difícil e que ele teria sim, um período para se adaptar e que nós dois juntos poderíamos superar este momento.

Antonio encostou sua cabeça de novo no meu peito e disse:

“- Sinto muito pela minha atitude, mãe!”

Eu, por minha vez, abracei-o e repeti a mesma coisa:

” – Eu também sinto muito, meu filho.”

 Refeitos, e junto com ele, estudamos quase toda a matéria e no domingo, ele mesmo ao voltar do acampamento do escotismo, chamou-me para finalizar o conteúdo que faltava para estudar.

Lições que aprendi…

De nada adianta termos inteligência, se somos pobres em moral. O ideal é que ambas caminhem juntas em mesmo nível de igualdade. Quando uma é descompensada pela outra há excessos e prejuízos de toda ordem: psicológica, emocional, material…

Estudar, fazer cursos e obter diplomas nas melhores escolas, não justificará em nada se a educação moral estiver com baixas notas em atitudes e ações. Haja visto os desmandos pelo mundo, as guerras, as questões mais vis de desrespeito ao ser humano noticiadas e escancaradas pela mídia e redes sociais.

Se quero um filho melhor, preciso começar de mim mesma, estar atenta às minhas atitudes e corrigir em tempo os meus deslizes.

Do contrário, estarei contribuindo para torná-lo um adulto emocionalmente doente, onde mal resolvido e mal amado colocará a culpa na mãe, no pai e no mundo por sua incúria!

Quantos adultos, jovens ou não, já vemos assim, não é mesmo? Busque a causa e descobrirá que nas suas relações afetivas, iniciadas em tenra infância, residem as suas maiores e mais problemáticas questões.

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Enviado por Celi Anizelli, 21/12/13 12:18:35 AM
porto seguro ou ancora

Fotografia: Alexandre Mazzo

Conversando com meu filho…

Esta semana, Antonio foi comigo entregar algumas encomendas de mini panetones no Hospital do Idoso. Moro no Bom Retiro e de saída, sabíamos que levaríamos mais de 40 minutos para chegar ao nosso destino…

 

Como mãe, gosto muito da companhia do meu filho. Como amiga, sinto-me como se ele fosse meu conhecido de velhos tempos…

No percurso, surgiram muitos assuntos relacionados ao nosso meio familiar. E nestes momentos, tenho a feliz oportunidade de ajudar Antonio a entender melhor como nossa família funciona. A melhor hora para falar, a melhor hora para ouvir, o respeito por nossas diferenças e a paciência para os nossos ajustes. Tudo pontuado por considerações dele e minhas, recheadas de humor, brincadeiras e muitas risadas.

Antonio é um excelente companheiro de viagem, das mais curtas às mais longas. Entre os risos e conversas mais sérias vamos construindo nossa amizade, nossa parceria e cumplicidade em alguns assuntos que dizemos ser só nossos.

Lições que aprendi…

Escrevi um texto parecido no meu blog Sal de Açúcar  e que adapto aqui para este nosso contexto… http://www.saldeacucar.blogspot.com.br/

Se quiser ser, seja um pai ou uma mãe “porto seguro” para o seu filho, mas nunca a mãe ou o pai “âncora” a impedi-lo de crescer, navegar e descobrir outros mares.

Neste mundo tão carente de valores, nossos adolescentes precisam de mais apoiadores e menos julgadores. De mais carinho, respeito, reconhecimento e amor. Mais generosidade, mais gratidão, mais perdão.

Nossos filhos precisam de menos sermões e mais pausas para as conversas.

Procurar ouvir e entender com os ouvidos e olhos destes pequenos adolescentes, a maneira como eles começam a sentir e ver o mundo sempre baseado em referências passadas por você, mãe e você, pai.

Pais porto seguro são aqueles que recebem e acolhem seus filhos como bons e velhos amigos.

Dividem histórias, compartilham alegrias, solidarizam-se com as tristezas que porventura os filhos venham a ter e os  ajudam a amadurecer.

Pais âncora adoecem seus filhos pelo peso dos excessos de toda ordem e acabam por  amargar e estagnar a vida dos seus pequenos como fizeram com as deles… São egoístas, mal amados e mal resolvidos. São ácidos, são extremamente críticos e negativos, são quase cegos e surdos pois tem visão e audição limitadas apenas para o que julgam certo sem abrir precedentes para um diálogo.

Pai e mãe porto seguro são aqueles que quando estão juntos com seus filhos, tornam-se mágicos do tempo porque nem o deixam perceber passar, são equilibristas dos assuntos de toda hora desde os que fazem rir e até os que podem  fazer chorar. São mestres na mediação  e sábios para aconselhar.

São pais tecelões de elã.

São pais que em qualquer oportunidade arranjam um jeitinho de valorizar o filho sem afetações e conseguem, no meio da prosa, demonstrar um amor genuíno por ele.

São aqueles que um filho sentirá muito quando precisar deixá-los para ir navegar.

Então, desejo que você seja um pai e uma mãe porto seguro e tenham coragem de desamarrar-se das muitas âncoras (inclusive as suas próprias) impedindo-os de ser alguém melhor para vocês mesmos e impedindo que o seu filho tenha autonomia e seja feliz.

 

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Enviado por Celi Anizelli, 05/11/13 6:02:05 PM

Se meu fusca falasse…

“Nunca deixe que alguém te diga que não pode fazer algo. Nem mesmo eu. Se você tem um sonho, tem que protegê-lo. As pessoas que não podem fazer por si mesmas, dirão que você não consegue. Se quer alguma coisa, vá e lute por ela. Ponto final.”  (do filme: “À Procura da Felicidade”)

 

Indignada… Não tenho outra palavra para expressar o sentimento que tive hoje pela manhã quando busquei meu filho no colégio.

Não sou uma pessoa de posses financeiras.

Minha família e eu temos uma vida muito simples, sem luxos, exageros ou quaisquer extravagâncias.

As maiores riquezas que preservamos em casa são a união, a amizade entre nós, a alegria que permeia nossos dias, as conversas cheias de brincadeiras, os passeios que fazemos juntos, o respeito que aprendemos a nutrir por nós e pelos outros.

Na minha casa há bastante espaço para longas conversas, choros, colo, ombro e algumas discussões também.

Somos uma família imperfeita, graças a Deus, um “laboratório comportamental” onde nele experimentamos emoções e lições a respeito do amor ao próximo, de cidadania, de solidariedade, de ética e moral para, posteriormente, exercitá-las, colocá-las em prática no meio social.

Afinal, a família é a nossa primeira escola, pelo menos eu acredito que deveria ser. Você não?

Juro que, como mãe e esposa, esforço-me para aprender e autoeducar-me todos os dias sobre estas questões seculares de moral e boa convivência, mas há dias em que minha paciência e tolerância são colocadas à prova e hoje foi mais um deles.

Então vamos aos fatos…

Ultimamente tenho dirigido um fusquinha 69. É um carro que está na minha família há pelo menos 30 anos, meu pai é o segundo dono. Está lindo! Pintura nova, estofaria refeita, faltam apenas alguns detalhes para deixá-lo impecável.

Quando busco Antonio na escola o fusquinha vira uma sensação. Desperta curiosidade e gera  brincadeiras de oferta para comprá-lo, principalmente de alguns dos seus colegas.

Hoje, como de costume, Antonio já me esperava na saída da escola.

Percebi que entrou no carro chateado e fiz a clássica pergunta:

- Aconteceu alguma coisa, filho?

- Não, mãe, nada.

Insisti:

- Filho, se não fosse nada você não estaria com essa cara de aborrecido… Alguém encheu você por causa do fusca?

- Não, mãe, coisa minha.

Continuei:

- Tá, filho, mas o quê te deixou chateado? Se você me contar, quem sabe eu posso te ajudar a sair desta chateação…

- Ah, mãe, fico bravo quando alguém fala coisas que não sabe e eu sei que eu não sou : o fulano (que preservarei o nome aqui em respeito aos pais dele) me chamou de pobre!

- Como assim, filho, por causa do carro? (Do tênis, da meia, da cueca, da mochila? Pensei eu.) O que aconteceu?

- Não, mãe. Um amigo estava com um pacote de balas e eu pedi algumas pra ele…

- Tá, filho e?…

- Então, mãe, só porque eu pedi as balas, o tal fulano virou e disse:

” – Fica aí pedindo bala para os outros, só podia ser coisa de pobre mesmo!”

- E o que você fez, filho?

- Nada, mãe, só fiquei chateado por ele dizer uma coisa que eu não sou.

Queridos leitores… O caminho da escola até em casa não dura mais que 10 minutos…

Primeiro, uma bronca enorme tomou conta do meu cérebro, no que procurei controlar, respirar e agradecer a Deus por dar entendimento ao meu filho em não trazer para si mesmo a pobreza do colega, tampouco revidar de forma agressiva ou grosseira ao comentário infeliz do mesmo.

Segundo, meu instinto materno pedia-me para dar meia volta no fusquinha e ir ter com o “fulano”, e já visualizando a cena: pondo-me diante dele com o dedo em riste bem no nariz do mocinho, que por incrível que pareça,  ELE  deve ter a mesma idade que o meu filho  e não é a primeira vez que este fulano faz das suas.

Há uns dois anos mais ou menos ele deixou o Antonio com as calças arriadas mostrando a cueca no meio do pátio da escola, isto já deixaria qualquer mãe indignada. Já tentou organizar uma “zoeira”, para o Antonio e uma colega de classe, com outros colegas da turma. Mas, um dia antes de acontecer, eu por acaso li – via orkut na época – uma conversa entre ele e um outro garoto da turma combinando a “zoeira” e a forma chula como descreviam e tratavam a menina.

Na hora, encaminhei-lhe uma mensagem e disse-lhe que no dia seguinte iria ao colégio para conversar com ele e a professora com uma cópia do “assunto” dele com o outro amigo na mão… E claro, pediu um monte de desculpas, disse que não iria fazer nada daquilo e não apareceu na escola no dia seguinte, mas eu fui para salvaguardar meu filho e a exposição ridícula com que fariam passar a garota!!

Tudo isto vinha à minha mente enquanto conversávamos e voltávamos para casa…

Enfim… Enquanto eu preparava o almoço questionava-me sobre a situação que havia deixado  Antonio chateado. Embora soubesse que era coisa de criança, mal educada, diga-se de passagem,  eu também havia me aborrecido com o ocorrido e já não era de hoje…

Chamei-o e perguntei o quê ele sentiu quando o fulano disse aquilo.

Respondeu-me que havia ficado chateado. Perguntei o porquê e ele devolveu:

“- Mãe, porque eu não sou o que ele falou. ”

- Filho – respondi – por você saber disto não deveria se chatear. Certo?

E se você não é e nem se sente assim, ótimo! Nem dê bola, esqueça!

E se fôssemos pobres de verdade, filho, menos ainda, pois esta seria a nossa real condição.

Disse ao Antonio que ninguém neste mundo tem o direito de colocá-lo para baixo, ou fazer qualquer comentário que o possa diminuir. E que se ele estiver sentindo-se bem com ele mesmo, ninguém o fará sentir-se mal. E que, infelizmente, na vida encontraremos muitos fulanos assim, só não poderemos nos deixar convencer por suas palavras mal colocadas.

E de novo, pedi a ele que analisasse o fulano, quem era, como era, como deveria ser sua vida em família, seu relacionamento com seu pai e sua mãe… E assim fomos levantando seu “perfil” para entender o quê o fez agir assim.

Pois bem… Quando lá atrás perguntei ao Antonio se a chateação era por causa do fusca é porque na semana passada ouvimos eu, Alexandre e Antonio, de um outro colega, de carona no fusca, dizer que fusca é carro de pobre… E de novo por ouvir do mesmo colega, há alguns meses atrás, que o nosso carro tinha duas portas e não 4 e por isto era carro de pobre!

Desculpem, leitores, meu desabafo, mas esta semana tive uma overdose auditiva de um conjunto de variáveis sobre a pobreza do tema.

Pergunto: quem são os verdadeiros pobres nesta história? Pais ou filhos?

Que valores estamos passando aos nossos filhos?

Quais filtros usamos para as conversas mantidas dentro de casa diante das crianças, para que o meu filho ou o seu não ouçam e digam estas bobagens?

Estamos, de verdade, preocupados com o ser e não o ter?

E se estamos, que SER é este que estamos formando dentro de casa?

Desculpem-me se faço tempestade em copo d’água, se o assunto não é para tanto, mas fico muito aborrecida com atitudes como estas e tomo sim as dores do meu filho. Sou mãe e não tenho sangue de barata!

E depois de tudo isto já pensaram se o meu fusca falasse? (risos)… ’Bora dar uma volta!

 

 

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Enviado por Celi Anizelli, 23/10/13 1:33:00 PM

Antonio e Ernesto

Bem sei que podem existir mães mais apaixonadas por seus filhos…Tenho minha paixão pelo meu como algo cuidadosamente vigiado. Esforço-me para não ser mãe grudenta, pegajosa, chiclete… Mas quando se trata de sentimento, acho que sou tudo isto sim…

Controlo, cuido, acompanho… Mas sobretudo, converso.

Estabelecer uma relação amigável com esta geração teen é muito fácil, com os filhos dos outros, e quando busco algumas referências práticas com outras mães para saber como conduzo o adolescente de casa, tranquilizo-me porque consigo estar na média…

Antonio está no escotismo, pratica futebol duas vezes por semana, adora comer doce depois de uma refeição e se deixar troca facilmente o açúcar pelo sal.

Traz à tona alguns assuntos profundos quando observa algum tipo de atitude de desrespeito entre colegas ou mesmo aqui em casa, como também, extrapola seu bom humor nas piadas ou a imitar a mim ou seu pai em alguma situação de nossa rotina.

Tem consciência sobre questões referentes à ecologia como o uso da água, reciclagem de lixo, maltratos a animais e poluentes ambientais como alguns gases emitidos na natureza.

Repete comportamentos do pai quando conversa comigo pois, percebo-o gesticulando, imitando trejeitos, fazendo pausas em suas falas para se mostrar mais respeitoso ou solene.

Quando saímos para almoçar, conduz-me como um pequeno cavalheiro. Caminha do lado de fora da calçada, orienta-me sobre o lugar para sentarmos, cuida, preocupa-se… Acho graça com tudo isto, mas deixo que aconteça.

Ele tem seus momentos de irritabilidade, de cansaço, de preguiça, de pular banho, de estresse quando é contrariado, de ansiedade quando quer algo… Enfim, os “sintomas” de um adulto em construção.

Penso que eu também mudo com ele.

Aprendo, observo, percebo suas atitudes e comportamentos. Sinto que o que mais exige de mim nesta fase é o aprendizado da intercessão, da negociação, da troca entre ele e o pai. Seja para decidir o lugar onde iremos almoçar, ou o filme que iremos assistir, ou se compramos agora aquele presente que quer tanto.

Ser mediadora às vezes me cansa. Nem sempre sei se o que faço é o melhor, ou o mais conveniente entre as partes. Mas arrisco, erro, ajusto e também acerto em algumas situações.

Acredito que ser mãe de adolescente é assim mesmo, e eu tenho apenas um filho…

Imagine quem tem mais?

Mas de tudo mesmo, sou a que mais aprende. Construir uma família, mantê-la unida, ajudar a construir sua base em valores já tão perdidos nesta sociedade que vivo faz-me ampliar a consciência da responsabilidade que tenho enquanto mãe, esposa, mulher.

Não sou dona do destino de ninguém. Tampouco da vida do meu filho. Mas tenho sim, a responsabilidade de sentir-me e ser presente em sua vida, de abrir caminhos para o diálogo entre mim, ele e seu pai, de aprender a ter flexibilidade para colocar-me no lugar do outro quando começo a ver um assunto apenas pela minha ótica e este outro inclui Antonio também.

De não tratá-lo como invisível quando está presente num bate-papo e trazê-lo para participar lembrando de uma história, de alguma qualidade que tem, dando-lhe espaço para compartilhar, conversar e dirigir-se às pessoas da roda de forma positiva.

Deixar para dar as orientações, os recados, os conselhos antes ou depois da “prosa” .

E, por favor, não deprecie seu filho ou filha adolescente diante de qualquer pessoa, não traga à baila quaisquer rusgas, mágoas, broncas ou indiretas, se nós não gostamos disto, pense que ele ou ela também não aprecia isto! Aliás, isto vale para seu marido, esposa, parceira ou parceiro de igual forma.

Se puder elogiar em público, no círculo de amigos ou familiares, faça-o, do contrário não crie uma situação ridícula de constrangimento. Isto só vai mostrar a relação de imaturidade que ainda existe dentro de casa.

Educar-se para educar, este é o movimento do verbo.

E nele viajo com meu filho por mais uma fase de sua vida. Deixando escapar às vezes a adolescente que também sou e procurar não perder de vista o grande aprendizado que esta escola da vida me proporciona, todos os dias.

 

 

Deus te abençoe.

Obrigada por estar aqui.

 

Enviado por Celi Anizelli, 16/09/13 4:42:25 PM
Quando ouço alguém falar sobre a adolescência, problemas, dificuldades com filhos, mães reclamando sobre o que fazer, como fazer...Há algo que me chama a atenção e permito-me uma imersão pelas lembranças da adolescente que fui.

Mãos do Antonio e Alexandre

“Diante de um corpo em mutação, precisam construir uma nova identidade e afirmar seu lugar no mundo. Por trás de manifestações tão distintas quanto rebeldia ou isolamento, há inúmeros processos psicológicos para organizar um turbilhão de sensações e sentimentos. A adolescência é como um renascimento, marcado, dessa vez, pela revisão de tudo o que foi vivido na infância.”  A busca da identidade na adolescência | Gestão da … – Nova Escola

Observo Antonio e o percebo cada dia mais autônomo. Já está com 1,52m de altura e daqui a pouco serei a baixinha de casa.

Ao despertar em mim a adolescente que fui pensei em resgatar minhas memórias de 35 anos atrás para que me ajudassem a passar por esta fase com meu filho…Quem se lembra? Eu, muito pouco.

Dada a partida por esta minha amnésia fui reviver na literatura especializada o que se passa na cabeça de um garoto de 11-12 anos… 

Mas pouco do que pude ler torna-se velho pela vivência. Tudo muda muito rápido e quase tudo o que se diz ou se escreve é uma reciclagem.

Saber ouvir, ter paciência, é uma fase onde não são crianças nem adultos, fazer valer a tríade: pai, mãe e filho nesta ordem, porque, enquanto mães somos apaziguadoras, intercessoras, ponderadoras e mais outras “ôras” que descobrirei pelo caminho. Por isto, colocar-se no meio é também ser mediadora.

Antonio decidiu praticar futebol, entrou para o escotismo e estamos caminhando bem entre poucas rusgas e alguns conflitos.

Passa a raiva, que passa logo com um beijo, que passa por um abraço bem enlaçado, ou mesmo um pedido de desculpas e assim, juntos, conseguimos construir uma via de mão dupla.

Diferente?…Sim, muito! Da adolescente que fui. Outros tempos, outras táticas outros meios de comunicação.

Regras claras e horários para tarefas escolares, IPad, jogos eletrônicos, passeios, visitas a casa de amigos e nossos compromissos familiares. Como diz Antonio: ” – ‘Tamo de boa na lagoa!”

Aprender a adolescer com Antonio tem suas riquezas…

Há alguns anos, assistindo uma palestra com Sr. Carlos de São José, ouvi-o dizer para prestarmos atenção ao tom de voz que usamos para falar com as pessoas.

Naquele dia, um sinal de alerta acendeu na minha cabeça e até hoje ele aparece quando percebo que há variações sobre o mesmo tom. 

Então, aprendi que mudar o tom, muda também a cor da conversa que quero ter com meu filho.

Quando ouço alguém falar sobre a adolescência, problemas, dificuldades com filhos, mães reclamando sobre o que fazer, como fazer…Há algo que me chama a atenção e permito-me uma imersão pelas lembranças da adolescente que fui.

Se posso dar um conselho, feche os olhos e veja-se adolescente, inverta os papéis por um instante, lembre-se, faça um esforço de memória, para tatear suas sensações do ou da adolescente que foi. Como é que lidava com elas…O que sentia.

No meu caso, imagino-me  em momentos de conflito entre  a autoridade do meu pai e as concessões da minha mãe. Passa por mim as ordens que eu contestava e as respostas mal educadas que muitas vezes devolvia ou algumas grosserias que gratuitamente trocava…

Vejo-me no “sofrimento” por não ter um pedido, um desejo, um sonho atendido. Lembro-me de quantas vezes também dei as costas, bati o pé e chorei para ter o que eu queria.

A fase de adolescer é a mesma para todos os adolescentes de agora ou de anos atrás. Muda-se o cenário, muda-se o adolescente, mas os conflitos são muito parecidos. Os limites, as conversas, os cuidados. É a fase de construir uma nova identidade… Qualquer livro começa dizendo isto.

Então, onde foi que nós perdemos a nossa identidade adolescente? Em que gaveta deixamos essa vivência tão rica e cheia de vida para hoje, com nossos filhos, entendermos seus conflitos, carências e exigências?

Onde foi que deixamos o nosso adolescente interior para entender de onde vem esta preguiça e indisposição que neles se instalam, a resistência por nossos argumentos, a desobediência e a rebeldia características da IDADE! Idade esta que também passamos!

Isto é adolescer. Lembrar do que fomos, como sentimos e lidamos com a adolescência um dia, na própria pele. É o caminho de volta para nós mesmos. Maduros, com todas estas sensações reeducadas para ajudar nossos filhos. É um caminho mais inteiro com eles.

Na minha modesta opinião de mãe de primeira viagem, o que torna a adolescência tão difícil para pais e mães é o espelho que muitas vezes encontramos no adolescente que hoje está diante de nós. Reconhecemos nele atitudes que foram ou são nossas também, coisas que gostaríamos de ter mudado e que vemos simplesmente ser transferidas. E se nos provocam um certo desconforto é porque ainda podem ser questões que precisamos resolver, corrigir em nós, para depois orientar nossos filhos.

Irrita-nos a postura insolente, provocadora, desafiadora que um dia também tivemos em maior ou menor grau e está ali, diante dos nossos olhos, debaixo do nosso nariz,  não nos deixando esquecer o que fomos ou ainda insistimos em ser.

Parecia fácil. Achei que fosse, mas olhar para a adolescente que um dia eu fui para orientar meu filho às vezes dói. Por outro lado, educo, curo,  aprendo, amadureço e ajudo meu filho a crescer. Pense sobre isto…


Um abraço, obrigada por ainda estar aqui!

 
Enviado por Celi Anizelli, 09/07/13 10:22:24 AM

 

 

ANTONIO PP2 copy

Antonio e seu primeiro emprego

“Na arte e no ofício, o talento significa quase nada: enquanto a experiência, adquirida com humildade e trabalho duro, significa tudo.” (Michael Kalanty)

Vinada Cultural – Antonio e seu primeiro emprego…

 

Sábado de sol  lá fomos nós ao Passeio Público comer …Cachorro quente!

Preferimos ir de ônibus porque nas redondezas dificilmente conseguiríamos um lugar para estacionar. Como o parque fica perto de casa, chegamos bem rápido ao nosso destino.

Era perto das 11 da manhã e o Passeio Público estava cheio!

Nem os organizadores esperavam tanta gente naquele dia!

Enfim, cada um de nós elegeu  seu cachorro quente e escolheu uma barraca para comprar o seu lanche.

Como sou vegetariana, minhas opções eram restritas o que facilitou minha espera de 45 minutos na fila!! Verdade, o evento virou uma febre e tinha muita gente mesmo!!

Passeio em família, domingo ensolarado, reencontrei a Rita, uma amiga e  fomos nos sentar à beira do lago do parque para saborear nossos cachorros quentes enquanto conversávamos e colocávamos os assuntos em dia.

Antonio “estacionou” num pequeno quiosque bem próximo a nós e resolveu ali ficar para esconder-se do sol e do calor.

Pela demora de sua permanência naquele lugar, pedi ao Alexandre que fosse ver o que estava acontecendo.

Alexandre voltou dando risada e disse-me:

“- Você não vai acreditar, vá dar uma olhada!”

ANTONIO-PPCuriosa, levantei-me e fui. Qual não foi minha surpresa ao ver Antonio naquele quiosque, compenetrado, vendendo refrigerantes, sorvetes, água e fazendo troco!

Onde foi que ele aprendeu a fazer isto? Perguntei-me com espanto! Fiquei bem quieta e observei a uma certa distância para que não me visse.

Antonio atendia a fila de clientes explicando os preços, os produtos que tinha e fazendo o troco direitinho.

Na hora lembrei-me do meu pai. Ele começou a trabalhar aos 11 anos no balcão da  farmácia do “Seu” João Molitor  no Ibiací, um distrito que pertence a Primeiro de Maio e foi onde nasci. Um ofício que aprendeu e com ele nos criou, nos educou, deu-nos uma condição confortável de vida e o exerce até hoje, aos 75 anos.

Um flash, um relâmpago que naquela hora passou pelo meu pensamento e pelo meu coração de mãe orgulhosa pela iniciativa do filho!

Saí discretamente e voltei onde Alexandre e Rita estavam. Perguntei a ele como foi que aconteceu?

Alexandre contou-me que foi perguntar ao Antonio o que ele estava fazendo ali.

Ele, Antonio, por sua vez, disse ao pai que viu que os donos do quiosque estavam precisando de ajuda e  perguntou se poderia ajudá-los, no que depois eu soube, os donos perguntaram a ele se ele tinha certeza que queria fazer aquilo. E assim foi. E ficou.

Não houve o que demovesse Antonio da sua atividade naquele domingo. Nem mais um passeio pelo parque, nem outro no pedalinho, nem nada!

Por uma ou duas vezes o chamamos para ir embora e ele respondia: “- Só mais um pouquinho!”

Alexandre, Rita e eu andávamos pelo parque e de longe ou perto cuidávamos para nos certificar que Antonio ainda estava no quiosque, suado, com seu rosto vermelho pelo calor…E feliz!

Ao final da tarde, chamamos Antonio mais uma vez para irmos para casa. No que assentiu.

Os donos do quiosque nos agradeceram, elogiaram Antonio por sua iniciativa, o que o fez estufar o peito de satisfação.

No caminho até o ponto de ônibus, Antonio contava com alegria a sua tarde de trabalho e que havia ganhado R$ 30,00! E mais, se tivesse começado bem cedo ganharia R$70,00! E já fazia planos  e organizava seu horário para estar ali cedo no dia seguinte!! Dizia que iria de ônibus, o horário que teria que levantar, que sair de casa para chegar até o Passeio Público!

Um dia que nunca mais Antonio esquecerá. Nem eu, nem seu pai…

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Enviado por admin, 17/06/13 11:59:00 AM

“Penso que sendo o céu redondo,
um dia nos encontraremos…”

Cecília Meireles

É verdade, eu escrevi que : “o fim seria um novo começo…”
Então vamos a ele. Ao novo começo, é claro!

Domingo, 16 de junho de 2013, Curitiba…

Um dia chuvoso que não dá vontade de sair da cama.
Hoje levantei um pouco mais tarde que o habitual.

Durante a semana costumo levantar às 5:40.
Sou madrugadora, gosto de começar meu dia bem cedo.

Mas hoje é domingo, então levantei às 8:00!

Alexandre já tinha arrumado a mesa do café.
Como é gostoso acordar assim, com a mesa posta!

Conversamos trivialidades, comemos um pãozinho de óleo de oliva que eu havia acertado a receita e que estava delicioso!

Antonio demorou a levantar-se.
Normalmente não precisamos acordá-lo, mas hoje foi preciso reforços para tirá-lo da cama.

” – Mãe, tô com sono…” Resmungou ele bronqueado…
E continuou:
“- Quero dormir…”
Alexandre e eu brincamos, pulamos em cima dele, e nada!
Continuou com a cabeça debaixo do travesseiro resmungando do sono que ainda sentia…

Adolescência sinônimo de paciência.
Exige de mim muita calma, ponderação, conversas, negociações, limites postos e algumas vezes impostos.

Em alguns momentos destas negociações preciso controlar a adolescente que ora ou outra irrompe em mim e as impertinências instalam-se dos dois lados: do meu e do Antonio, numa verdadeira briga de galo!
E saiam da frente! Até que as coisas se acalmem.

Peço-lhe desculpas pelo meu desequilíbrio, ele também por sua intransigência, e assim vamos de adolescente para adolescente cada um ocupando o seu lugar.

Na verdade, sou eu quem precisa colocar a adolescente aqui em algum lugar e serenar a mente e o coração da mãe, da adulta.
Livrar-me do sentimento de culpa sobre minha austeridade e entender algo que já vivi também. Fui adolescente um dia, não fui?

Ser adolescente é uma coisa, saber lidar e entender o que acontece é outra.
Sempre penso que faria eu, naquela rinha, se fosse o filho de uma amiga minha que estivesse ali?
Como é que eu agiria?
Provavelmente evitaria a contenda.
E como é que eu, enquanto adolescente numa situação parecida, gostaria de ter sido tratada?

Parar, olhar, sentir a Celi adolescente de 40 anos atrás será um longo caminho a percorrer por algumas cicatrizes emocionais, ainda escondidas nas frestas da minha vida.

Então, da mesma forma que fiz quando esperava amorosamente o nascimento do meu filho, lá vou eu buscar na literatura, nas experiências de amigos algo que me oriente, informe a respeito desta fase que hoje Antonio está e como poderei ajudá-lo a passar por ela.

Carl Jung relata que: A teoria representa, inegavelmente, o melhor escudo para proteger a insuficiência experimental ou a ignorância.

Então, vivenciemos a experiência adolescente mais profundamente.

Digo que a vida em família é a maior escola no exercício das virtudes.
Lembro-me das muitas vezes que eu, impertinente, afrontava meu pai na adolescência.
Ele dizia que não adiantava discutir comigo porque eu sempre tinha razão…
Quanta soberba a minha…Quanta sabedoria a dele.

E aqui vamos, neste novo início, adolescendo com nossos rebentos adolescentes.

Deus nos abençoe, obrigada por sua companhia!

 

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Enviado por admin, 11/05/13 7:57:00 AM
Foto de Alexandre Mazzo

Bom dia meus queridos leitores.
Não poderia deixar de passar por aqui neste dia sem compartilhar com vocês este texto da Lya Luft.

Eu já o publiquei anteriormente, mas ele é tão lindo que fica aqui o meu abraço em forma destas palavras para todas as mães, para aquelas mulheres que sem serem mães cuidam de muitos filhos: da família, dos amigos, ou vizinhos, para mães que adotam e acolhem, para as que ainda não são mas que um dia poderão ser e para aquelas especiais que cumprem, resignadas, a missão maravilhosa de cuidar de filhos especiais, para as mães de todas as cores, raça ou credo, desejo um Dia das Mães cheio de luz, de sol, de amor, de carinho.

Para as mães que hoje tem seus filhos apenas nas lembranças e no coração e para os filhos que guardam suas mães da mesma forma.
E sem esquecer de alguns homens que amorosamente, por força de alguma circunstância, também vivenciam este papel.

Deus abençoe vocês.
Um abraço enorme,
Celi

A CANÇÃO DE QUALQUER MÃE
(Lya Luft)

Que nossa vida, meus filhos, tecida de encontros e desencontros, como a de todo mundo, tenha por baixo um rio de águas generosas, um entendimento acima das palavras e um afeto além dos gestos – algo que só pode nascer entre nós.

Que quando eu me aproxime, meu filho, você não se encolha nem um milímetro com medo de voltar a ser menino, você que já é um homem.

Que quando eu a olhe, minha filha, você não se sinta criticada ou avaliada, mas simplesmente adorada, como desde o primeiro instante.

Que, quando se lembrarem de sua infância, não recordem os dias difíceis (vocês nem sabiam), o trabalho cansativo, a saúde não tão boa, o casamento numa pequena ou grande crise, os nervos à flor da pele – aqueles dias em que, até hoje arrependida, dei um tapa que ainda agora dói em mim, ou disse uma palavra injusta. 
Lembrem-se dos deliciosos momentos em família, das risadas, das histórias na hora de dormir, do bolo que embatumou, mas que vocês, pequenos, comeram dizendo que estava maravilhoso.

Que pensando em sua adolescência não recordem minhas distrações, minhas imperfeições e impropriedades, mas as caminhadas pela praia, o sorvete na esquina, a lição de casa na mesa de jantar, a sensação de aconchego, sentados na sala cada um com sua ocupação.

Que quando precisarem de mim, meus filhos, vocês nunca hesitem em chamar: mãe!

Seja para prender um botão de camisa, ficar com uma criança, segurar a mão, tentar fazer baixar a febre, socorrer com qualquer tipo de recurso, ou apenas escutar alguma queixa ou preocupação.

Não é preciso constrangerem-se de ser filhos querendo mãe, só porque vocês também já estão grisalhos, ou com filhos crescidos, com suas alegrias e dores, como eu tenho e tive as minhas.

Que, independendo da hora e do lugar, a gente se sinta bem pensando no outro. 
Que essa consciência faça expandir-se a vida e o coração, na certeza de que aquela pessoa, seja onde for, vai saber entender; o que não entender vai absorver; e o que não absorver vai enfeitar e tornar bom.

Que quando nos afastarmos isso seja sem dilaceramento, ainda que com passageira tristeza, porque todos devem seguir seu caminho, mesmo que isso signifique alguma distância: e que todo reencontro seja de grandes abraços e boas risadas. 
Esse é um tipo de amor que independe de presença e tempo.

Que quando estivermos juntos vocês encarem com algum bom humor e muita naturalidade se houver raízes grisalhas no meu cabelo, se eu começar a repetir histórias, e se tantas vezes só de olhar para vocês meus olhos se encherem de lágrimas: serão apenas de alegria porque vocês estão aí.

Que quando pareço mais cansada vocês não tenham receio de que eu precise de mais ajuda do que vocês podem me dar: provavelmente não precisarei de mais apoio do que do seu carinho, da sua atenção natural e jamais forçada. 
E, se precisar de mais que isso, não se culpem se por vezes for difícil, ou trabalhoso ou tedioso, se lhes causar susto ou dor: as coisas são assim.

Que, se um dia eu começar a me confundir, esse eventual efeito de um longo tempo de vida não os assuste: tentem entrar no meu novo mundo, sem drama nem culpa, mesmo quando se impacientarem. Toda a transformação do nascimento à morte é um dom da natureza, e uma forma de crescimento.

Que em qualquer momento, meus filhos, sendo eu qualquer mãe, de qualquer raça, credo, idade ou instrução, vocês possam perceber em mim, ainda que numa cintilação breve, a inapagável sensação de quando vocês foram colocados pela primeira vez nos meus braços: misto de susto, plenitude e ternura, maior e mais importante do que todas as glórias da arte e da ciência, mais sério do que as tentativas dos filósofos de explicar os enigmas da existência.

A sensação que vinha do seu cheiro, da sua pele, de seu rostinho, e da consciência de que ali havia, a partir de mim e desse amor, uma nova pessoa, com seu destino e sua vida, nesta bela e complicada terra.

E assim sendo, meus filhos, vocês terão sempre me dado muito mais do que esperei ou mereci ou imaginei ter.

 

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Enviado por admin, 05/04/13 10:22:00 AM

“Viva de tal forma que o seu filho possa orgulhar-se de você, vendo em seu exemplo o modelo que ele deve seguir para ser um homem de bem.”(Carlos Torres Pastorino – Minutos de Sabedoria)

Conversando com meu filho…

“9 de agosto de 2006, quarta-feira…

Você está com quatro anos e sete meses.
É madrugada e seu pai dorme no quarto com você.

Estamos num período de clima muito seco a ponto de precisarmos racionar água, já imaginou?
Ainda bem que temos duas caixas d’água de reserva mas a ordem é não desperdiçar.
Por conta deste clima, a tosse te incomoda e não te deixa dormir bem, nem a mim…

Você já conhece todas as letras do alfabeto.
Já reconhece e escreve o seu nome mas ainda não forma sílabas para juntar em palavras.

Também sabe contar até 30 e conta até 100 com a nossa ajuda.
Você toma banho sozinho, já sabe vestir cueca e calças sem ajuda.
Consegue calçar sapatos, tênis e botas desde que não haja cadarço para amarrar.
Precisa de ajuda para tirar e colocar camisetas, mas faz progressos em suas tentativas.

Faz uso das duas mãos para escrever e desenhar.
Tem quase 1m e 10cm de altura e pesa 20 kg.

Consegue pentear-se sozinho e adora passar gel nos cabelos e fazer o “jato”!
Não sei de onde tirou isto, mas você penteia o cabelo todo para trás e diz que é “penteado jato”!

Você é bem humorado e engraçado.
Adora assustar todo mundo mas é nervosinho também quando contrariado.
Na maioria das vezes é obediente e bastante prestativo.
É companheiro e amigo e as pessoas gostam muito de você.

Na escola é um querido e continua sendo a paixão das professoras.
Volto depois, filho, fica com Deus.
Beijos da sua mãe.”

Lições que aprendi…

Já escrevi antes que este Diário parece não ter fim…É verdade.
Minha história com Antonio continua porque histórias de mães e filhos, boas ou ruins, bem ou mal resolvidas, não se acabam.
Levamos pela vida toda.
Eu a minha, Antonio a dele e você a sua.

Somos o que somos pela soma de nossas experiências, pelo cair e levantar inúmeras vezes e o aprendizado que carregaremos sobre os nossos pés.
A leveza quem dará somos nós mesmos e a paleta de cores está em nossas mãos, poderemos usá-la tingindo nossas vidas como quisermos.

Alguns nos gostarão, outros nem tanto.
Alguns nós amaremos mais, outros menos.
Já engasguei com muitos mosquitos e engoli muitos sapos!
O que importa nesta conta é fazer o nosso saldo ser positivo, porque, queiramos ou não, a lição vem.

Aprendi que há uma continuidade para o que penso ser o fim nos ciclos que abro e fecho ao longo da vida.
Ciclos os quais entremeio uns aos outros desde muitas gerações antes de mim e seguem comigo, com meu filho, meu neto (se eu tiver um) e a continuidade do que sou em outros até chegar em mim de novo.
É no que acredito.

Aprendi que a liberdade é relativa e para os da minha idade (que se lembram) “liberdade é uma calça velha, azul e desbotada que você pode usar do jeito que quiser…”

A vida é simples, quero passar por ela e não apenas deixá-la passar por mim.

Deixo-me aqui em reticências, sem ponto ou final.
Fica um pouco de mim em outras letras porque sei que tudo continua em mães, pais e filhos, nesta célula chamada família!

Deus te abençoe e muito obrigada por sua companhia…

“O caminho que eu escolhi é o do amor.
Não importam as dores, as angústias, nem as decepções que eu vou ter que encarar.
Escolhi ser verdadeira.
No meu caminho, o abraço é apertado, o aperto de mão é sincero, por isso não estranhe a minha maneira de sorrir, de te desejar o bem.
É só assim que eu enxergo a vida, e é só assim que eu acredito que valha a pena viver.”

Clarice Lispector

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