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Diário de Mãe

Enviado por Caroline Olinda, 10/02/16 10:52:36 AM
Foto: Chá para Dois

Foto: Chá para Dois

Aproveito o clima de fim de festa da Quarta-feira de Cinzas para me despedir de vez. Como podem ver, a última vez que escrevi no blog foi lá no distante junho de 2015. A ausência nesses mais de seis meses é reflexo das muitas dúvidas que habitam minha cabeça — ah, a crise dos 30. Conto aqui as três principais:

1. É justo falar de um terceiro, mostrar o rosto, nome e revelar toda a sua intimidade na internet sem que ele nem tenha ideia do que está acontecendo? Eu acho que não. Então, é justo fazer isso com meus filhos? Mas como contar sobre as minhas experiências da maternidade — é para isso que se propõe o blog — sem falar sobre eles? Dúvida que martela na cabeça e trava a escrita.

2. Com o que é melhor gastar meu tempo? Ele tem sido pouco e escasso. Voltei a trabalhar 6 horas — essa é uma das decisões acertadas de 2015 –, então sobra pouco para escrever no blog durante o expediente. Em casa, ficar no computador só em último caso. Afinal, são quatro (eu me incluo no grupo) para alimentar, limpar e dar algum tipo de atenção. Quando sentar para escrever?

3. Será que estou realmente sendo sincera nos meus textos? Sabemos bem que é difícil admitir os nossos erros. Agora imagine vir a público e contar cada um deles e em detalhes. Dizer que gosta de ir pro quintal e ficar no celular enquanto as crianças assistem desenho sozinhas na sala, que dá bolo de chocolate de janta e pão com geleia de café da manhã para o mais velho, que vez ou outra grita com os filhos, que tem preguiça de levar os meninos para o parquinho… Exercer essa sinceridade em tempos de julgamento nas redes sociais é ainda mais complicado. Mas será honesto contar as minhas experiências escondendo o lado feio delas? Mais uma interrogação que trava as letras.

Por isso, amigos, coloco aqui um ponto final no blog. Obrigada aos que me leram. Espero ter ajudado alguém com os meus relatos. E, quando tiver respostas para essas dúvidas, acho que volto.

E como o ano só começa depois do carnaval, é o que dizem, desejo a todos um ótimo 2016.

Enviado por Caroline Olinda, 30/06/15 8:17:37 PM

Foto: Duda Pipper/Chá para Dois

Somos muitas. Todo mundo que existe nesse mundo tem uma mãe. Pode ser que alguns já sejam órfãos. Mesmo assim, essa mãe existiu em algum momento. Nem que tenha sido apenas durante os meses de gestação, ela existiu. Sem dúvida, somos muitas.

Mesmo assim, são recorrentes as reclamações de desamparo, solidão, incompreensão. São muitos os problemas práticos também. Falta escola, falta tempo, falta médico, falta falta falta… Se somos tantas, como é possível haver mães que se sintam desamparadas, sozinhas e isoladas? Como há tanta faltas?

Cada uma tem um estilo de criar os filhos, cada uma com a forma de levar a gravidez, a escolha do parto, a forma como trata a birra dos pequenos, a teimosia dos mais velhos, a alimentação da casa, a carência geral. E todos esses aspectos são campos perfeitos para discussão e crítica — muitas ácidas, algumas maldosas, outras feitas só para ajudar, mas nem sempre entendidas assim.

Por isso, lanço aqui uma campanha: menos críticas e mais amor. Somos muitas e podemos juntas nos ajudar — e muito. Ajudar com um ombro amigo,com uma porta de casa aberta para uma tarde de conversa e brincadeira de crianças, com uma visita solidária (do tipo que lava a louça ou fica com as crianças para a mamãe ir dormir um pouco), com gentileza na fila do mercado ou dentro do ônibus, com uma decisão de compra…

Juntas podemos brigar por partos mais humanizados, pré-natal digno a todas, pelo direito de amamentar em locais públicos, por hospitais com mais pediatras disponíveis, por um maior tempo de licença maternidade, por escolas com horários mais flexíveis, por creches públicas de qualidade, por noites livres para sair com as amigas e tardes para ir ao salão fazer as unhas — pq não?

São muitas as coisas pelas quais temos de brigar. Esse mundão, sabemos bem, precisa de bebês para continuar a existir, mas nem sempre é legal com as crianças e consegue ser cruel também com as mães. Mas somos muitas, somos várias e juntas conseguiremos melhorar a situação para nossas filhas, netas, noras…

Mas para isso, precisamos cada vez menos de críticas e cada vez mais de amor. De forma que a gente saia da defensiva e passe a perceber que as questões que nos unem são muitas e urgentes. E que podemos mudar o mundo, a começar por nossas casas, por nossos filhos, por nós mesmas.

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Post inspirado no editorial da Gazeta do Povo publicado no último domingo e por muitas conversas que ando tendo por aí com amigas mães.

 

Enviado por Caroline Olinda, 10/05/15 10:16:13 PM
Os três amores.

Os três amores.

Ando matutando este texto faz uns dias. A plantinha só fez ganhar mais adubo e água durante a semana que passou, com bebê doente, casa bagunçada, plantão no fim de semana, babá ausente e um desejo imenso por dias mais descomplicados.

Tenho pra mim que a vida é como um caminho que vamos seguindo, seguindo, seguindo. Vez ou outra, depois de seguir por um tempo na mesma direção, temos que escolher continuar na mesma linha ou mudar para lá, acolá ou até dar uns passos para trás — eu sei, é filosofia barata, mas é o que temos para hoje.

Com filhos, essas esquinas parecem ser ainda mais corriqueiras.São muitos os momentos em que a ausência (do pai ou da mãe) vira um problema, o tempo no trânsito se torna um tormento, o cotidiano fica mais complicado (e caro) do que deveria ser…

E então você pensa, como mudar? Será que já passa? Seguimos em frente ou mudamos a rota? Mas se mudar, para qual direção? Qual o objetivo? Qual o sentido de cada passo?

Nesse fim de Dia das Mães, o que eu peço é muita serenidade e um pouco de poder de adivinhação — por que não? — para escolher o melhor caminho para minhas crianças, para mim, para minha família. E desejo que você também seja presenteada com esses dons no momento de fazer as suas escolhas.

Feliz Dia das Mães! E que todas as manhãs sejam ensolaradas na sua casa, mesmo que esteja chovendo muito lá fora.

Enviado por Caroline Olinda, 27/04/15 11:45:45 PM

Semana que vem completamos um mês da maratona da fono para o José. Duas vezes por semanas, todos os dias, lá vamos nós até o Bom Retiro para a terapia. Por enquanto, tudo que o José aprendeu a falar corretamente é baLA, com um L bem pronunciado.

Escuto de todos os lados que uma hora ele vai desenrolar a língua, falar tudo certinho. Mas para mim, todo esse processo é doloroso. José já começa a sofrer com o bulling dos coleguinhas — sim, isso existe numa sala de crianças fofas de apenas 4 anos.

Eles tiram sarro porque o José não fala corretamente.E ele choraminga que não quer ir a escola porque não é muito bom em falar. Fico preocupada. Choro escondida ao lembrar das lágrimas dele ao contar isso.

Penso na etapa do escrever. A meta é que esteja tudo bem até lá, por volta dos 5/6 anos. Mas será que estará?

Fico me questionando se não demorei muito a procurar ajuda profissional. Perguntei por vezes às professoras, ao pediatra, o que achavam. Diziam para esperar, que ele ia se desenvolver. De fato, em muito a fala do José melhorou. Mas as palavras continuam enroladas. Não saem claras. E quando a história é longa e ele está ansioso… Xiiii, fica difícil de entender.

No fim do ano passado fomos a uma fono, mandou tirar chupeta, mamadeira, que eu mudasse o horário do trabalho. Também mandou a gente procurar um psicólogo, para avaliar se o José não tinha hiperatividade — ela achava que sim. Desistimos dessa fono.

De qualquer forma, a chupeta foi embora com o papai Noel e a mamadeira com o Coelho da Páscoa. O horário do trabalho mudou um pouco, mas ainda continua fora dos padrões normais. Encontramos uma fono que também é psicóloga. Ela sentenciou: José é agitado, não hiperativo — um alívio para o coração aflito de mãe.

Agora, a vida é de exercícios. É um tal de imitar o som da abelha, da chuva, do cavalo e de fazer caretas — tem a velhinha banguela, o beijinho apertado, o estica e puxa o bico de peixe. E cada palavra, minimamente bem falada, é comemorada como uma grande conquista. Uma conquista dele, e também para nós.

E por aí, como foi o processo da fala dos seus filhos?

Enviado por Caroline Olinda, 04/03/15 5:08:45 PM
Um dos gráficos da pesquisa citada.

Um dos gráficos da pesquisa citada.

Os vereadores de Curitiba mantiveram o veto parcial do prefeito Gustavo Fruet (PDT) à lei municipal que obriga a divulgação, nos hospitais e maternidades da cidade, da Política Nacional de Atenção Obstétrica Neonatal. Em resumo, agora todos esses estabelecimentos terão que informar por meio de cartilhas e cartazes o que é a violência obstétrica. Pelo texto da lei, será explicado assim:

“Todo ato praticado pelo médico, pela equipe do hospital público ou privado, Unidades de Saúde e consultórios médicos especializados em obstetrícia, que ofenda, de forma verbal ou física, mulher gestante, em trabalho de parto ou, ainda, no período de puerpério”.

Mas quais atos são esses exatamente? Se a mulher não se informar antes, continuará sem saber. Pois, as 21 condutas que entrariam no rol da violência obstétrica não precisarão ser relacionadas. Quem retirou essa obrigatoriedade foi o prefeito, com o veto agora mantido pelos vereadores.

Ou seja, primeiro foram dados dois passos a frente e agora é dado um para trás. Porque, como mostra uma pesquisa feita pela Fundação Perseu Abramo, muitas mulheres são vítimas de atos considerados como violência obstétrica, mas nem sabem disso.

Deixo aqui um link para a pesquisa citada. Aqui uma matéria publicada na Gazeta do Povo sobre o tema em que é possível também saber quais são as condutas consideradas violências contra a gestante, no momentp do parto ou no puerpério.

 

Enviado por Caroline Olinda, 02/03/15 7:58:44 PM
amor amor amor

Não ter filhos é uma opção que eu respeito. Afinal, criar uma pessoa não é tarefa fácil. Mas não desista de ser mãe/pai porque só te contaram a parte chata da coisa. Tem muita coisa boa

Outro dia uma amiga disse que não se sente preparada para ter filhos agora e nem sabe se realmente quer, pois escuta tantas coisas ruins sobre a maternidade, lê tantos relatos sobre cansaço, frustrações, irritações, que já começou a ter dúvidas. Um alerta soou dentro de mim. Será que andamos falando só do lado trabalhoso da maternidade e guardamos para nós tudo o que há de bom?

Então, lanço aqui um desafio, qual o lado bom de ser mãe/pai? (A opção conhecer o maior amor do mundo está fora desse rol. Porque disso todo mundo sabe.) Eu vejo muitos. Afinal, se não visse, não teria resolvido engravidar pela segunda vez. A seguir, enumero cinco. Escreve aí nos comentários mais alguns!

1. Filhos nos fazem ser menos egoístas.

Depois que eles nascem, deixa de ser só sobre você e passa a ser sobre um outro ser também. Um exercício diário e constante de combate ao egoísmo e desprendimento.

2. Cada centavo passa a ter mais valor.

Sim, sustentar os filhos custa um dinheirão. Então, você vai pensar dez vezes antes de achar ok pagar R$ 10 em uma cerveja ou R$ 500 em uma calça jeans. E logo verá que sua renda pode até ter aumentado pouco depois do nascimento dos pequenos, mas começou a render muito mais.

3. Você se torna mais produtivo.

No trabalho, a meta é entregar tudo dentro do prazo regulamentar. No supermercado, lista de compras e olho nos preços — nada de perder mais de meia hora para as compras. Em casa, cozinhar tem que ser prático e limpar a casa rápido.

4. Só os problemas reais importam.

Lembra do dia em que você chorou porque quebrou o zíper do vestido que tinha separado para sair com as amigas?Ou porque seu time perdeu? Ou daquela vez em que brigou com marido/mulher porque ele não escolheu o mesmo restaurante que você na praça de alimentação do shopping? Então, isso não ocorre depois que se tem filhos. Porque esse são não problemas. E há tanto para se preocupar depois da chegada dos bebês, que nada justifica se estressar por coisas pequenas.

5. Você descobre que o tempo é um bem precioso.

Dinheiro se ganha aqui, se perde acolá. Mas o tempo, esse nunca volta. Os filhos ensinam isso de várias formas. Então, cada momento passa a ser aproveitado intensamente. As horinhas do dia de brincadeira com as crianças, o contato da amamentação, os instantes reservados para por a casa em ordem, o raro momento de um almoço silencioso, um banho longo e tranquilo… Cada coisa em seu momento e cada momento vivido agora.

Agora que comecei, poderia enumerar mais uns cinco, fácil fácil… Mas deixo para vocês. Conta lá nos comentários e depois faço um Lado Bom dos filhos, Parte 2.

 

Enviado por Caroline Olinda, 24/02/15 6:21:00 PM
Imagem da Internet

Daí você manda fazer várias chupetas com aplicações em cristal e, no fim, o bebê não gosta de chupeta!

Atire a primeira pedra quem — principalmente no primeiro filho — não teve um momento, ou vários, de maternidade ostentação. É ensaio grávida, foto mês a mês do bebê, enxoval montado em Miami/NY, carrinho que parece uma nave espacial, brinquedos eletrônicos mais caros do que eletrodomésticos…

Para quem tem muito dinheiro, o céu é o limite. Para nós da classe média, o limite do cartão de crédito está aí para isso.

Mas os bebês nascem, vão crescendo e fazem a gente colocar os dois pezinhos no chão — ou tentam fazer isso. A seguir, 7 situações em que os meus filhos (ou os pequenos de amigos e conhecidos) deram um tapa na cara da ostentação e deixaram claro que, para ser feliz, bebê só precisa de carinho e barriga cheia.

1. Opa… Mãe, sujei o body (insira aqui a marca de sua preferência)

Para o bebê, a roupa perfeita é aquela que o deixa confortável e a mamãe pouco estressada. Então, pouco importa para ele a marca do body/calça/blusinha com a qual você o vestiu. Ele vai sujar de leite, vômito, mamão, feijão, chocolate, beterraba, banana ou cocô. E se isso te faz ter um ataque de nervos ou passar horas no tanque para tentar salvar a peça, a roupa é horrorosa, na opinião dele.

2. Ok, agora já chega de fotos.

Tem bebê que curte ser fotografado. Outros odeiam. E tem os que curtem por apenas um momento — provavelmente, o seu bebê está nesta categoria. Então, o que dizer sobre os ensaios fotográficos? Só aviso uma coisa, se quiser evitar choros, seja rápido, não o force a fazer nada e esqueça a ideia de mil trocas de roupas.

3. Não era pra fazer cocô agora?

O jogo de berço branco foi lindamente bordado. Mas eis que um jato de cocô, aparentemente preparando para quebrar toda aquela alvura, é lançado pelo bebê justamente no momento em que você tira a fralda e ainda não colocou a outra. Não filho, não era para fazer cocô agora.

4. Quem são todas essas pessoas, mãe?Buáááá

Eu sei, o primeiro aniversário do seu filho chegou e você quer comemorar com o mundo esse ciclo. De preferência, com uma big festa, com todos os detalhes muito bem pensados e, claro, muito melhor do que aquela feita pela sua prima. Mas perguntou ao aniversariante se ele quer a mesma coisa? Normalmente, nessa idade, eles só gostam mesmo do colinho da vovó e de algumas poucas tias/tios. Se vier um de cada vez visitar, melhor.

5. Não, eu não sei onde tá o outro pé do sapato.

Sabe quele sapatinho fofo da Lacoste ou da All Star que custou o olho da cara? Ele perdeu um dos pés numa das primeiras saídas de casa… Pois é.

6. Mãe, por que uma nave?

Ele é lindo, com toda a pinta de confortável e até presta um bom serviço nos primeiros meses de vida do bebê. Mas, no final, ele é mesmo um baita trambolho — que ocupa quase todo o espaço do porta-malas e é pesado.

7. Sério que não dá para jogar na água? ou Legal, mas eu gosto mais das panelas.

Cena 1. Você compra aquele lindo brinquedinho eletrônico que promete estimular a inteligência do bebê, mas a experiência que ele curte mesmo é jogar o dito dentro da água. E já era musiquinha.

Cena 2. Mesmo achando um absurdo de caro, você não resiste e compra para o bebê um conjunto de copinhos para encaixar. Ele olha, brinca um pouco e deixa perdido embaixo do sofá. Horas depois, lá está o pequeno mexendo no armário de panelas ou na gaveta de potes plásticos, outra vez…

E aí na sua casa, qual foi a ostentação materna? E como os bebês responderam a ela? Comenta aí!

Enviado por Caroline Olinda, 03/02/15 5:20:03 PM

Há dias estou encafifada com esse vídeo aqui***. É um pediatra famoso falando sobre como os pais hoje lidam com seus filhos pequenos, a necessidade de se dedicar mais tempo a eles e colocando em questão a decisão da paternidade. Basicamente, ele diz que, se você não tem tempo e não está disposto a arrumar tempo para cuidar bem do seu filho, pense muito bem se terá — de preferência, não tenha.

No dia que assisti ao vídeo eu estava me sentindo a pior mãe do mundo. O José estava saindo de uma inflamação na garganta, muito dengoso e sem a mínima animação para ir a escola. Eu estava cansada depois de passar cinco dias me dividindo entre cuidar dele e tentar cumprir minhas tarefas do trabalho e ainda tinha gritado com o José pela manhã por causa da manha que ele fez para ir para a creche. Depois de ver o vídeo, me senti pior ainda.

Passei dias digerindo essa entrevista, pensando em tudo que o médico falou e na nossa — porque ele também fala da responsabilidade do pai na criação — atitude com o José. A conclusão? Não somos os melhores pais do mundo. Não mudamos nossa vida totalmente para nos dedicar ao José Fernando. Eu continuei trabalhando, não reduzi a minha jornada — pelo contrário, aumentei. O Emerson também continua a trabalhar — e muito. Além disso, eu me irrito com o José, grito, coloco de castigo…

Também deixo o José assistindo TV para conseguir fazer coisas como lavar louça, escovar os dentes e secar o cabelo. E já que estou confessando os meus pecados, vamos lá: eu estou longe de oferecer uma alimentação 100% saudável para o meu filho. Uma vez por semana nós jantamos pizza lá em casa, o José gosta de miojo e batata frita — e eu libero porque cansei de brigar —  e só de vez em quando faço suco natural, o que impera lá em casa são os sucos de caixa.

Mas existem pais perfeitos? Que eu conheça, só aqui no mundo virtual. Acredito que alguns são melhores do que os outros. Mas ninguém está sempre dentro do que mandam as cartilhas da paternidade perfeita. Como diz a música do Chico Buarque, procurando bem todo mundo faz pecado logo que a missa termina e só a bailarina que se salva. Mas quem consegue ser sempre essa bailarina da música do Chico?

Então, depois de muita auto-análise, a culpa deu uma baixada. O jeito é pensar no que fazemos de bom como pais e tentar melhorar os pontos fracos. O que fazemos de bom?

Estou reclamando? Não, de maneira alguma. Amo a minha vida do jeito que está. Fico feliz em poder sair cedo do trabalho e pegar o José na creche uns minutinhos antes do que ele espera e adoro quando ficamos os três em casa aos finais de semana, recebemos os amigos ou saímos para algum lugar em que José pode correr, andar de bicicleta e se sujar. Mas parece que ainda assim é pouco para o que ele precisa. Será? Ôo culpa que não passa.

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*Texto escrito em outubro de 2013 — antes do nascimento dos gêmeos –, mas nunca publicado. Achei enquanto vasculhava os arquivos do blog. Apesar de antigo, me pareceu bem pertinente.

*** O link não está funcionando e eu não consegui encontrar a entrevista sobre a qual eu me referia lá em outubro. Mas, se tiver curiosidade, é uma entrevista com o pediatra José Martins Filho. Existem muitas disponíveis no youtube. Vale assistir para se questionar.

Enviado por Caroline Olinda, 30/01/15 4:21:28 PM
Dançando juntinho de outro jeito com o Miguel.

Dançando juntinho de outro jeito com o Miguel.

O plano para 2015 era escrever, pelo menos, três vezes por semana aqui no blog. Mas nem fechamos o primeiro mês do ano e já falhei. Posso dar mil desculpas. Mas a verdade é que não sabia o que escrever. Os dias e noites têm sido confusos. Nascimento dos dentes, primeiros passos, um calor de matar. E uma dúvida: será hora de desmamar? Antes de escrever queria uma respostas. Mas ela não veio.

Sim, eu ainda amamento nos gêmeos. Muito mais para alimentar a alma do que o corpo. O Miguel é o que mais me exige. Noites em claro querendo o peito, só o peito. Nada de mamadeira, nem pensar outro colo. Quer o peito da mamãe e, se não der, olha o berreiro.

Nesse dias, a vontade é de dizer: CHEGA. O corpo é meu e eu não quero mais amamentar. Mas um dia inteiro depois, olha ele outra vez no meu colo, implorando pelo aconchego do seio. Como negar?

Com o Bento a coisa é mais fácil. Ele não acorda na madrugada para mamar. Mas durante o dia, uns minutinhos a mais no colo e ele já vem… Tem como dizer que não?

Eu não desmamaei o José. Ele, um belo dia, não quis mais. Tinha 1 ano e 7 meses. Parou de acordar a noite, depois parou de pedir durante o dia. Quando eu vi, aquela fase tinha passado. Antes desse final feliz, tivemos problemas, claro.

Como muitas vezes já pensei em fazer com o Miguel, eu também quis desistir de amamentar o José depois que ele passou para a alimentação sólida. Eram noites em claro para saciar uma fome que demorava a passar — afinal, é fome de carinho, que dói no coração, não no estômago. Isso depois de um dia puxado, de uma vida que deveria ser como antes, mas não era  mais.

Sempre que penso em desistir de amamentar os gêmeos, lembro de como foi tudo com o José. Olho para o calendário. Estou na contagem regressiva por julho, não vou mentir. É a minha esperança. Um desmame sem sofrimento para eles, nem para mim. Meu medo é que eles resolvam ir além dos dois anos — a minha data limite para parar de amamentar. Aí, serei eu que vou ter de desmamar os meninos. Será que consigo?

Eu sei, o Ministério da Saúde recomenda amamentação até os dois anos e não há problemas em continuar amamentando depois disso. Mas eu não vou mentir e dizer que acho amamentar uma delícia e que poderia fazer isso por anos e anos.

Até os seis meses de vida do bebê, para mim, não tem desculpa. A mãe tem sim que fazer de tudo para dar de mamar à cria. É obrigação. E o mundo tem que ajudá-la, incentivá-la e agradecê-la por isso. Mamadeira, se muito necessário, se por motivo urgente, urgentíssimo. Desistir do seio antes dos seis meses, jamais.

Depois que a alimentação sólida começa, acho importante continuar por um milhão de motivos. Mas tem uma hora que cansa o corpo e a mente. Se o leite materno não é mais o alimento essencial para o bebê, tenho pra mim, que aí a amamentação vira uma espécie de dança. É olho no olho, rostinho colado, corpos juntinhos… Mas quando um dos pares não quer mais dançar a música, como continuar?

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obs.: Esse post NÃO é um incentivo ao desmame precoce. O Ministério da Saúde recomenda que, até os seis meses de vida, o bebê seja alimentado exclusivamente com leite materno. A partir dos seis meses, a recomendação é que a criança tenha acesso, de forma lenta e gradual, a outros alimentos, mantendo o leite materno até os 2 anos de idade ou mais.

 

Enviado por Caroline Olinda, 15/01/15 5:08:21 PM
Miguel tentando aliviar a dor dos dentinhos com uma água fria.

Miguel tentando aliviar a dor dos dentinhos com uma água fria.

Dizem os médicos que é mito isso de que o nascimento dos dentes provoque febre, diarreia, coriza, vômito, insônia… Pode até ser. Mas é uma grande coincidência que todo o processo de nascimento dos dentes do bebê envolva algum desses desconfortos. Pelo menos lá em casa foi assim com o José e agora está sendo assim com os gêmeos.

Quando os dois pares de dentinhos inferiores do Bento e do Miguel romperam, foi um corre para a emergência pediátrica por causa de um baita resfriado. Agora, são os dois dentinhos superiores que estão despontando. Mais uma vez, corre para a emergência! Virose é a palavra usada pelos médicos. Para mim, o nome disso é dente e não tem conversa.

Aqui algumas dicas de como ajudar a aliviar a dor causada pelo nascimento dos dentinhos. E aqui mais informações sobre a primeira dentição.

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E por aí, como foi o nascimento dos dentinhos das crianças? Muito sofrimento? Muito chororô? Conta a sua experiência.

 

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