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Enviado por InstitutoGRPCOM, 26/08/14 9:57:02 AM
(Imagem: Na Lata)

(Imagem: Na Lata)

Muito se debate sobre a melhor forma de inclusão da pessoa com deficiência, questionando-se principalmente o trabalho das escolas de educação especial. Em alguns estados, como em Santa Catarina, o poder público tem optado por acabar com essas instituições por dois motivos básicos: a) consideram que todas as pessoas com deficiência podem ser abarcadas pela educação regular e b) têm dúvidas quanto ao impacto do trabalho feito nas escolas, até pela falta de mensuração confiável de resultados. Esses governos defendem que alunos com deficiência de nível leve devem ser atendidos no ensino regular; os outros são classificados como portadores de problemas de saúde e encaminhados a centros de atendimento, únicas instituições especiais conveniadas por esses estados. É aí que está o equívoco. Neste artigo, vamos mostrar a diferença das escolas e dos centros e também a importância da criação de um modelo padrão de mensuração da educação especial, de forma a obter dados e informações quantitativas e qualitativas que possam servir de guia para as políticas públicas, evitando que elas sejam definidas baseadas em opiniões e sentimentalismo, e tirando essa discussão do amadorismo. Afinal, milhares de famílias são impactadas pelas decisões governamentais.

O aluno com deficiência tem problemas de saúde, mas não apenas isso. Este público necessita da solução integrada de educação, saúde e assistência social. Nos centros de atendimento ele passa de consulta em consulta com psicólogo, fisioterapeuta, terapeuta ocupacional, em uma agenda que não favorece o convívio social. A saúde é sim muito importante, mas é necessário que os estudantes, por mais que não aprendam a ler e a escrever em sala de aula, dependendo de sua deficiência, tenham oportunidade para se desenvolver, para, por exemplo, aprender hábitos simples como os de higiene, para ter atitudes que o permitam ser independente. Isso o centro não ensina.

Na outra ponta, as escolas não conseguem mostrar que suas atividades educacionais têm impacto na educação e na inclusão social dos alunos deficientes. Esta discussão é tema de diversas matérias e tem aflorado o sentimento de muitos pais e pessoas envolvidas na causa da pessoa com deficiência. Pense por um minuto: “Quais os resultados que uma escola especial traz para a pessoa com deficiência?” Em resposta, virá uma série de depoimentos, muitas vezes os próprios estudantes irão colocar a importância das suas instituições para eles mesmos. Entretanto, quais indicadores comprovam o resultado?

Você já ouviu alguém questionando a importância de uma criança sem deficiência ir para a escola? Ou alguém dizendo que na escola regular não se aprende a ler e a escrever? Provavelmente não, pois toda a sociedade tem consciência da importância da educação regular, pelos resultados comprovados que a escola traz a seus alunos. Da mesma forma que as diferentes esferas de governo têm indicadores e métodos de avaliação dessas instituições, é necessário que a educação especial comprove numericamente e cientificamente o seu trabalho. Atualmente, as instituições especiais do Paraná devem encaminhar relatórios por aluno, contendo descritivos e critérios de avaliação exigidos pelo Estado. Porém, este sistema de avaliação necessita de critérios que sejam universais aos tipos de deficiência, ou o mais próximo disso.

Na vivência da ASID em escolas em Curitiba e região, e mais recentemente também em cidades de Santa Catarina e São Paulo, foram levantadas diversas formas de avaliação, sendo que muitas são focadas na comunicação com os familiares. Esta é uma excelente iniciativa, que estreita o relacionamento com a família e acelera o desenvolvimento do aluno, além de pautar exatamente o objeto de trabalho da instituição com o estudante. Entretanto, é preciso que haja união das escolas especiais e, pela composição dos diferentes pontos de vista, se torne possível a chegada a indicadores de avaliação que mensurem de maneira universal, ou o mais próximo disso, o desenvolvimento dos alunos. Em nossa opinião, este trabalho poderia ser liderado pelo Governo Estadual, que detém o convênio com mais de 400 instituições no Paraná. É preciso que o Estado inicie grupos de discussão, implante modelos, faça testes e alcance um modelo final de avaliação. Para isso, pode-se também pensar na parceria com universidades e especialistas, além, claro, dos profissionais que já são parte das escolas especiais.

Desta forma, acreditamos que o estudo sobre a inclusão deixará de ser sentimental ou baseado em depoimentos fervorosos, e todos poderão avaliar, com base em dados quantitativos e qualitativos, o trabalho da escola especial. A comprovação de resultado trará base científica para o grande impasse da inclusão que hoje é tão comentado em toda a sociedade.

>> Artigo escrito por Alexandre Schmidt de Amorim diretor de Projetos e fundador da  Ação Social para Igualdade das Diferenças –  ASID, organização social que trabalha para melhorar a gestão das escolas de educação especial gratuitas, resultando na melhoria da qualidade do ensino e na abertura de vagas no sistema. A ASID colabora voluntariamente com o Instituto GRPCOM no blog Educação e Mídia.

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Enviado por InstitutoGRPCOM, 21/08/14 10:56:03 AM
(Imagem: Arquivo Gazeta do Povo)

(Imagem: Arquivo Gazeta do Povo)

O atual contexto em sala de aula é o de desafios. Os professores disputam a atenção dos alunos com as tecnologias, como celulares e tablets, que permitem que eles tenham acesso a informações de uma maneira muito rápida, mas estas informações não são necessariamente válidas para o processo de ensino e aprendizagem. Vivemos na sociedade do consumismo, onde se introjetam informações, mas não se transformam em conhecimento.

Então, como trazer a atenção dos estudantes para a sala de aula? De que maneira despertar sua curiosidade investigativa, para levá-los a construir novas descobertas nos vários campos das áreas de aprendizagem? Quantas são as possibilidades de estabelecermos o diálogo crítico e significativo com nossos estudantes?

Primeiramente, se faz necessário entender como pode ocorrer a promoção das informações para o nível do conhecimento. É por meio de leitura, debates, conversas, troca de experiência e relativização de papéis. Somos produtores da realidade, alteramos a natureza e produzimos relações sociais, que levam à construção do pensamento dialético, movimento de ideias e ações que movem a existência humana.

Uma tentativa bem sucedida de transformar informações em conhecimento em sala de aula é a realização de “aulas invertidas”, onde literalmente ocorre a inversão de papeis. Os estudantes tomam o lugar do professor e passam a ministrar aulas para os seus colegas.

Esta experiência fundamenta-se na teoria de ensino chamada Construtivismo, que tem por referência o biólogo Jean Piaget (1896-1980) que se dedicou à observação científica do processo de aquisição do conhecimento pelo ser humano, especialmente as crianças. Segundo a Teoria do Construtivismo, o papel do professor é o de observar os estudantes, investigar quais são os seus conhecimentos prévios, seus interesses e, a partir daí, procurar apresentar diversos elementos para que os estudantes construam o conhecimento. O professor cria situações para que os estudantes cheguem ao conhecimento.

Na experiência que conduzi em uma instituição de ensino técnico de Curitiba, foram estabelecidos alguns critérios primordiais. O principal deles: o tema escolhido pelo grupo deveria, necessariamente, ser algo de domínio de todos. Domínio este pelo viés do interesse, da profundidade e do gosto pelo tema. Este é o critério mais importante de todos, pois o objetivo é fazê-los perceber a nítida diferença entre apresentar um trabalho e ministrar uma aula. Há diferenciais fundamentais aí: quem fala sobre um assunto, dando uma aula, deve apresentar e passar aos estudantes a profundidade, o conhecimento e o encantamento, pois são estes três elementos que farão com que a atenção se foque na aula, em sala de aula. E assim ocorreu. Foram cinco semanas, em quatro turmas de Ensino Médio Integrado, com apresentações de vários grupos. O resultado foi além do esperado.

A importância desta experiência, evidenciada nos relatos escritos e orais dos estudantes, concerne no elemento da inversão como meio para se colocar no lugar do outro, que neste caso é a professora ou os professores todos.

Exercitar estas mudanças de papéis é fundamental para o amadurecimento tanto de educadores quanto educandos. Está no princípio antropológico das culturas, a importância de desenvolver a capacidade de relativizar o olhar sobre o que nos cerca: colocar-se no lugar do outro significa sentir o que ele sente, na dimensão que tem para ele. E, a partir daí, pode-se começar a pensar em quebrar paradigmas em sala de aula, aumentando o nível de atenção, respeito e interesse dos estudantes.

>>Silmara Aibes é professora de Sociologia e supervisora do Núcleo de Ciências da Sociedade do TECPUC, centro de educação profissional do Grupo Marista, e mestre em Educação pela PUCPR. A PUCPR integra o Grupo Marista, colaborador voluntário do Instituto GRPCOM no blog Educação e Mídia. 

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Enviado por InstitutoGRPCOM, 19/08/14 3:50:15 PM
(Imagem: Thiago Lontra/Agência O Globo)

(Imagem: Thiago Lontra/Agência O Globo)

Certa vez, um aluno do 1° ano do Ensino Médio me perguntou se tudo que aprendemos na escola tem aplicação na vida cotidiana. Naquela época, há 18 anos, com dois anos de início da carreira de professor e 22 anos de idade, não consegui responder algo além de um simples e enfático sim.

- Sim, tudo que se aprende na escola tem aplicação no cotidiano, mesmo que você não perceba.

Essa resposta me assola até hoje, volta e meia me vejo pensando nela, reflito minha prática (lembrando Perrenoud), realinho meus pensamento e prioridades, busco no cotidiano uma explicação para tudo o que a escola traz (trazer: verbo transitivo).

Entretanto, o que ainda se percebe é o distanciamento com a realidade que a escola está do dia a dia do aluno. Ao que parece, há uma dicotomia entre o representado e o exposto dentro dela.

Felizmente, essa preocupação não é de hoje e muito menos única, vemos vários e vários autores, consagrados ou nem tanto, demonstrando essa preocupação, lemos e assistimos verdadeiras intenções de se romper esse ciclo dicotômico.

Então, como fazer isso? Em uma visão franca e direta, a escola precisa de cobertura e não de muros. Isto é, a escola precisa de cuidados e atenção, mas não de proteção, blindagem.

A escola precisa ter apoio, algo que a abrigue, uma verdadeira política educacional séria, abrangente e independente dos humores partidários e ideológicos, pois ainda estamos formando uma identidade social.

Contudo, não precisamos que a escola tenha proteção contra a sociedade, nas suas escolhas, anseios e cobranças. Muito pelo contrário, a escola precisa encarar que faz parte da sociedade e não é uma ilha ou pior, um pico inatingível, algo que muitas vezes assume o papel de barreira intransponível. Sendo isso uma verdadeira lástima que nos será trazida à responsabilidade mais cedo ou mais tarde, pois o mundo de hoje não é estático e fechado.

Quanto à pergunta de meu aluno de 18 anos atrás, hoje, responderia diferente. Diria a ele que é bem possível encontrar no cotidiano boa parte das coisas que aprendemos na escola. Contudo, existem traços de cultura escolar que só nos serve para completar a alma e o coração com conhecimento, mas escola está aprendendo a ver a si e a sociedade como elementos únicos e indissociáveis.

>>Artigo escrito por Guilherme Lemermeier Rodrigues, professor de Matemática, Especialista em Ensino de Matemática, mestrando em Educação pela Universidade Tuiuti do Paraná, instituição associada ao Sindicato das Escolas Particulares do Paraná (Sinepe/PR). O SINEPE é colaborador voluntário do Instituto GRPCOM no blog Educação e Mídia. 

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Enviado por InstitutoGRPCOM, 15/08/14 3:14:11 PM
(Imagem: pixabay)

(Imagem: pixabay)

Quando se fala em levar a TV para dentro da escola pode surgir uma primeira dúvida: será que dá certo levar esse meio de comunicação para a sala de aula? Dá sim! E os resultados serão transformadores. A começar pelo fato de que a televisão está presente no cotidiano dos alunos. Uma pesquisa básica em sala de aula, daquelas que perguntamos “quem tem televisão em casa levanta a mão” mostrará que, quase na totalidade das ocasiões, as mãos levantadas serão muitas.

Além de ser um elemento presente no cotidiano das famílias, é um recurso novo para o professor. Se ela tem tanto potencial e exerce fascínio e influência nos seus telespectadores, então deve ser aliada do professor também. Mesmo que o seu uso possa dar um pouco de medo ou gerar certa desconfiança, é importante se apropriar deste código para desenvolver a aprendizagem, potencializar a comunicação e realizar uma análise consciente dos fatos.

Dessa forma, a TV abre um novo campo a ser explorado. A cultura do ensino ainda está fortemente voltada para o texto escrito. Nesse cenário o texto falado, acompanhado de imagem, movimento e efeitos sonoros ainda não é explorado em totalidade por todas as disciplinas. Mais do que um desafio a ser superado, esta é uma oportunidade de trazer um recurso presente no nosso cotidiano e lançar sobre ele um novo olhar, para com ele observar também os assuntos da nossa realidade.

Cabe lembrar que não estamos falando aqui da TV educativa (entendida como aquela feita com foco no ensino), que é muito vantajosa, pois relaciona o discurso pedagógico com o potencial do audiovisual. É claro que os documentários, videoaulas, videotutoriais são positivos, mesmo que alguns autores os caracterizem como o “primo pobre” da chamada TV comercial, aquela do cotidiano – afinal, as suas produções são mais lúdicas, ou com mais qualidade e maiores investimentos.

Sendo assim, porque não fazer uso da TV comercial? O telejornal, a telenovela, a publicidade, os desenhos… Todas estas produções ensinam algo para o telespectador. É preciso “usar televisivamente a televisão”, nas palavras do autor mexicano Guillermo Orozco Gomez. É essa nova linguagem, que se bem apropriada pela abordagem didática, pode transformar a aprendizagem e as relações de sala de aula.

Mas, não se engane. Levar a TV para a escola é uma experiência verdadeiramente transformadora. Ela será incompatível com a manutenção de qualquer status quo que possa existir. Além de democratizar os discursos ela equaliza as relações de sala de aula permitindo que todos partam da mesma base. E transforma a educação, pela via da comunicação, com base na participação cidadã!

>> Artigo escrito por Everton Renaud, filósofo e mestrando em Educação pela Universidade Federal do Paraná – UFPR. Atualmente, é gestor de projetos educacionais que atuam com mídia e educação no Instituto GRPCOM.

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Enviado por InstitutoGRPCOM, 14/08/14 9:48:10 AM
(Imagem: Benett/ Gazeta do Povo)

(Imagem: Benett/ Gazeta do Povo)

As diferenças de oportunidades para os jovens de classes sociais menos favorecidas são reforçadas pelos resultados opostos entre a escola pública e a privada. A desigualdade em nosso sistema educacional é uma das causas mais significativas da manutenção das diferenças sociais do Brasil. Para quem “vem de baixo” é necessário muito mais esforço e competência para melhorar suas condições de trabalho e financeiras.

Conforme mostram os resultados do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (PISA), em que o Brasil se posiciona vergonhosamente nos últimos lugares, a diferença de resultados entre as escolas públicas e particulares aumentou nos últimos três anos. Enquanto os alunos de escolas particulares alcançam o terceiro nível do teste, os da escola pública não saem do primeiro.

A preparação dos jovens provenientes de classes economicamente privilegiadas, além da melhor qualidade das escolas particulares por eles frequentadas, também conta com outros benefícios: aulas de inglês, viagens e intercâmbios, famílias mais instruídas e acesso a recursos tecnológicos. Fora isso, há a possibilidade de começar a trabalhar sem o foco imediato no retorno financeiro, mas na construção da carreira, como proporcionam os estágios e programas de trainee. Para eles o futuro é o foco.

Para os jovens de famílias com baixo poder aquisitivo as possibilidades são mais restritas. Além de não terem acesso aos privilégios citados anteriormente, as condições financeiras dos familiares os obriga a buscar trabalhos que tragam retorno financeiro imediato para custear a sobrevivência. Iniciando a vida profissional mais cedo, sem preparo, acabam em trabalhos operacionais que dificultam seu crescimento profissional e desempenho escolar. Para esses jovens os desafios do presente e o pagamento das contas do mês são a prioridade.

Diante desse contexto de desigualdade de oportunidades de aprendizagem é previsível que a lacuna entre ricos e pobres cresça ainda mais, junto com todos os problemas sociais que ecoam em consequência. Assim, tornam-se necessárias ações de longo prazo que considerem a educação como estratégia principal de combate às diferenças sociais. A escola pública precisa ser mais bem estruturada que a particular, afinal é nela em que os problemas sociais ecoam com mais intensidade.

>> Artigo escrito por Luciano Diniz, coordenador geral da Associação Gente de Bem, instituição que desenvolve formações para adolescentes, educadores e familiares baseadas nas concepções de educação integral transformadora. A Associação Gente de Bem colabora voluntariamente com o Instituto GRPCOM no blog Educação e Mídia.

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Enviado por InstitutoGRPCOM, 08/08/14 2:33:24 PM
(Foto: Brunno Covello/ Gazeta do Povo)

(Foto: Brunno Covello/ Gazeta do Povo)

O acesso à internet, assim como o acesso à água, à luz foi declarado direito humano básico pela ONU este ano. Fato que foi reforçado pelo relator dos Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU), Frank la Rue, no dia 17 de julho de 2014, em San Salvador, El Salvador, durante a Sétima Reunião Regional Preparatória para o Fórum de Governança da Internet.

Uma das reflexões em destaque nesta reunião foi sobre o papel da internet como apoio ao crescimento econômico local. A conclusão é de que nos locais onde é disponibilizado mais acesso à rede, maior é a possibilidade de alfabetização para as crianças, assim como o acesso ao ensino superior para os jovens, além de maior desenvolvimento econômico para as mulheres e suas famílias.

E o que a ESCOLA tem que ver com isso? E a EDUCAÇÃO no meio destes movimentos? Por que esses temas nos interessam? 

Primeiramente, porque como grupo de pesquisa, o Gepete (Grupo de Estudos, Professor, Escola e Tecnologias), da UFPR, possui como foco a formação de professores e sua inclusão digital e também porque somos professores e professoras do nosso tempo, e se nossos alunos hoje leem e escrevem em suportes digitalizados, se é na e a partir da internet que também se dá a sua leitura e interpretação do mundo, é na INTERNET que como professores, também devemos estar com eles.

A “alfabetização digital” é fator e processo que deverá ser levado em conta em todos os níveis pelos sistemas de governança da rede e também pela escola. Devemos garantir o acesso, mas tendo a consciência formal de que o acesso por si só não garante os processos de alfabetização, são necessárias as mediações sociais para que haja a efetiva transformação da informação em conhecimento.

A rede se tornou uma ferramenta indispensável para a realização de uma série de direitos humanos, combatendo a desigualdade e acelerando o desenvolvimento e progresso, por isso garantir o acesso universal à internet deve ser uma prioridade em todos os estados e níveis de governança de rede. Temos países de exemplo que já possuem essa determinação como lei: México, França, Finlândia, Estônia e, recentemente, o Brasil com o Marco Civil da Internet.

A escola, portanto, não pode ignorar que a competência para se utilizar os recursos da internet traz ao usuário contemporâneo a possibilidade de reinventar seu cotidiano, bem como estabelece novas formas de ação na e para a sociedade em rede. 

*Escrito por Ariana Chagas Gerzson Knoll e Glaucia da Silva Brito. Ariana é doutoranda do Programa de pós-graduação em Educação da Universidade Federal do Paraná (UFPR). Glaucia é professora do Departamento de Comunicação Social e dos Programas de pós-graduação em Comunicação (PPGCOM) e Educação (PPGE) da Universidade Federal do Paraná – UFPR, pesquisadora em Tecnologias de Informação e Comunicação na Educação. As profissionais colaboram voluntariamente com o Instituto GRPCOM no blog Educação e Mídia. 

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Enviado por InstitutoGRPCOM, 05/08/14 3:30:23 PM
(Foto: Reprodução - site da revista Crescer)

(Foto: Reprodução – site da revista Crescer)

O mês de julho, além de ter sabor de férias para as crianças, teve um algo a mais para ser comemorado. Pelo menos no México e entre os defensores dos direitos de crianças e adolescentes. Foram anunciadas medidas de restrições à publicidade de refrigerantes e doces, chocolates e outras guloseimas voltadas ao público infantil nos horários de maior audiência na televisão aberta, tv´s a cabo (entre 14h30 e 19h30 nos dias de semana e das 7h às 19h30 nos finais de semana), e também no cinema – em filmes para esse público.

A decisão não foi tomada à toa! O México, segundo a Organização Mundial de Saúde, é o país com maior índice de obesidade infantil, seguido pelos EUA. Além de ser uma medida que deve reduzir o consumo exagerado de produtos não saudáveis (estimulado pela propaganda voltada ao público infantil), essa decisão também acaba por ser uma brecha benéfica para a discussão acerca de toda a publicidade infantil, tema que vem sendo objeto de debates no Brasil, mas que ainda não avançou o suficiente. Vale destacar que Chile e Peru também já regulamentaram a publicidade de alimentos voltados ao público infantil. Uma questão de saúde pública e de educação, afinal, as crianças estão psicologicamente preparadas para interpretar o apelo ao consumo que constantemente lhes é dirigido?

Numa pesquisa sobre obesidade, realizada pela Alianza por la Salud Alimentaria, 81% dos mexicanos disseram estar de acordo com a proibição à publicidade de alimentos não saudáveis durante programas infantis ou canais para crianças. Já no Brasil, pesquisa semelhante realizada pelo Datafolha em 2011, sob encomenda do Instituto Alana, revelou que 79% dos pais consideram a publicidade de alimentos não saudáveis prejudicial aos hábitos alimentares das crianças, enquanto que 78% afirmaram que seus filhos pedem que lhes comprem os alimentos que veem nos anúncios.

Segundo informações da CNN México serão removidas do ar cerca de 55 das 139 horas de programação com esse conteúdo. O que equivale a 10.233 anúncios publicitários ou ainda 40% do total das quatro categorias de produtos identificados com estas diretrizes publicitárias.

Esperamos, porém, que essa decisão não afete a programação infantil da TV mexicana. Isso porque temos percebido um fenômeno relativamente comum em vários países que é a diminuição dos programas voltados a crianças. E claro, com a diminuição da propaganda para esse público, o perigo aumenta, já que em geral a relação entre programação infantil e publicidade tem se tornado cada vez maior. Segundo a professora da Universidade Federal do Ceará (UFC), Inês Vitorino: “O vínculo entre programas para crianças [...] e a comercialização da infância se desenvolveu de forma tão estreita que se tornou praticamente o padrão das programações infantis, criando situações de permissividade, como o uso indiscriminado de merchandising, oferecendo maior dificuldade para identificar os limites dos conteúdos comerciais e não-comerciais”.

Por esses e outros motivos precisamos avançar nos debates sobre educação crítica para os meios, incluindo-se aí conteúdo e sua pluralidade, produção, distribuição. Especialmente quando discutimos TV para o público infantil.

Afinal, que programação as crianças estão acessando? Elas conseguem se ver nesse conteúdo? Onde os programas são produzidos? Que horários “ainda” existem voltados especialmente para crianças na TV aberta, por exemplo? Se a criança é considerada prioridade na Constituição Brasileira, onde podemos ver refletida essa prioridade na TV do Brasil, por exemplo? Esse público infantil tem tido o direito de ser visto e pensado nas programações como um público especial, com características próprias? De que maneira a publicidade tem tratado a criança?

Sem excluir os componentes da emoção, do prazer e do entretenimento, tão ligados à publicidade e à lógica comercial da mídia, acreditamos que a programação infantil das TVs (abertas, fechadas, públicas etc) pode somar a tudo isso o direito à diferença (direito de ser criança). Com um conteúdo de qualidade que respeite cada faixa etária e tenha uma programação plural, com valores universais, destaque à cultura local e estimule o diálogo e a cultura de paz. Uma programação que tenha um olhar mais atento à publicidade infantil, não permitindo a disseminação de valores consumistas, que podem levar à erotização precoce e ao estresse familiar.

O México, com sua decisão, nos lembra a importância de respeitarmos o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e a criança. Sobretudo porque ainda não distingue totalmente realidade de ficção.

Vale destacar que tudo isso seria mais fácil se tivéssemos tido direito a uma formação crítica para a mídia desde a Educação Básica. Se tivéssemos a Educomunicação como política pública, permitindo olhares mais conscientes acerca das mensagens que recebemos diariamente pelos meios de comunicação; permitindo que crianças e adolescentes, além de fruidores, pudessem também ter uma maior participação nessa programação.

*Cristiane Parente de Sá Barreto é jornalista, educomunicadora, blogueira, membro da Associação Brasileira de Pesquisadores e Profissionais em Educomunicação – ABPEducom e do Comitê Mundial Jovens Leitores da Associação Mundial de Jornais e Editores de Notícias  – WAN-IFRA. Atualmente, é doutoranda em Ciências da Comunicação pela Universidade do Minho.

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Enviado por InstitutoGRPCOM, 31/07/14 3:58:35 PM
(Foto: Brunno Covello/ Gazeta do Povo)

(Foto: Brunno Covello/ Gazeta do Povo)

No começo de agosto, já serão quatro meses desde a publicação da Resolução 163 do Conada (Conselho Nacional de Direitos da Criança e do Adolescente), órgão ligado à Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República. O texto considera abusiva a publicidade infantil, ou seja, toda propaganda dirigida à criança que tenha “a intenção de persuadi-la para o consumo de qualquer produto ou serviço”.

A resolução abrange anúncios com linguagem, desenhos, bonecos, trilhas sonoras, distribuição de brindes ou de artigos colecionáveis de apelo à criança em anúncios em mídias como TV, sites, rádio, revista e jornal, bem como propagandas em embalagens e merchandising. Publicidade de produtos infantis só pode existir se dirigida a adultos.

Este assunto se transformou em alvo de disputa entre dois lados. Um é formado pelas ONGs e ativistas ligados ao direito das crianças, que comemoram a resolução. O outro pelo mercado publicitário, que defende que o controle sobre propagandas abusivas deve ocorrer pelo Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (Conar). Vale lembrar que se estima que o mercado de produtos infantil movimenta mais de 50 bilhões por ano no Brasil.

Independente dos argumentos e razões de ambas as partes, esta discussão é uma oportunidade para pais e professores conversarem com as crianças sobre o tema, sobre a resolução, suas causas e repercussões. Como os alunos enxergam essa questão, que alternativas visualizam para que se transformem em futuros consumidores conscientes e responsáveis?

Ao ler sobre a temática em diferentes sites de notícias, outras indagações surgiram em minha mente. O debate sobre publicidade infantil deve ir muito além da decisão em proibir ou permitir. Apenas negar traz várias consequências que nem sempre são bem-vindas. Por exemplo: basta dar um rápido passeio pela TV aberta para perceber que praticamente não existem mais desenhos animados e programas infantis. Este é resultado da lógica do mercado, pois, se a publicidade infantil é proibida, perde-se anunciante, o qual custeava os programas até então existentes.

De acordo com a resolução, ficam de fora campanhas de utilidade pública referentes “a informações sobre boa alimentação, segurança, educação, saúde, entre outros itens relativos ao melhor desenvolvimento da criança no meio social”. Será que este não seria o ponto-chave para uma parceria entre publicidade e educação? Em vez de uma queda de braço, os dois lados não poderiam unir forças e apontar caminhos criativos, inteligentes e que beneficiassem toda a sociedade?

Penso que, tanto a Educação quanto a Publicidade precisam se reinventar, especialmente quando o assunto envolve crianças X consumo. Não adianta tentar colocá-las em bolhas invisíveis e privá-las do mundo que vivemos, o qual, querendo ou não, comporta o consumo. Mas também não é ético enxergar as crianças como um público-alvo a ser flechado a todo custo, visando apenas lucro, doa a quem doer.

Um dos caminhos que aponto para o diálogo é a Educomunicação. Pensar a publicidade com um viés pedagógico é fundamental para desmitificar os “superpoderes” dos personagens infantis e ao mesmo tempo não cair na armadilha das teorias “manipulatórias da mídia” e simplesmente negar essa realidade, afastá-la e recusá-la, como se os apelos publicitários não fizessem parte da vida de todos nós, de crianças a idosos.

É preciso motivar os alunos e educadores a formularem uma crítica sólida, associada à vontade de pensar e também de produzir (por que não?) publicidade de forma consciente. Ações pedagógicas como essa quebram hábitos já intrínsecos de leitura da mídia, faz com que o grupo reflita sobre as intenções existentes nos textos/imagens divulgados pelos anunciantes. No entanto, por meio da Educomunicação, o aluno dá um passo a mais. Ele constrói linguagens, produz comunicação a partir de suas reflexões. O trecho da resolução que permite campanhas com “informações sobre boa alimentação, segurança, educação, saúde, entre outros itens relativos ao melhor desenvolvimento da criança no meio social” pode ser levado para dentro da escola. É hora de incentivar as crianças a criarem narrativas que despertem a emoção, o engajamento e o pensar crítico sobre temas socialmente relevantes. É neste momento que a linguagem publicitária, pensada pela ação educomunicativa, pode colaborar.

*Patricia Melo é jornalista desde 2001 e há nove anos atua em benefício da Educação por meio da Comunicação. Por meio da sua empresa, Presença – Comunicação Educacional, produz textos, entrevistas e reportagens direcionados especialmente ao universo educacional. Dessa forma, contribui para um diálogo mais consistente e criativo entre a Escola e a Família.

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Enviado por InstitutoGRPCOM, 29/07/14 10:08:55 AM
Em geral, as escolas de educação especial não têm profissionais especializados em marketing (Foto: Na Lata)

Em geral, as escolas de educação especial não têm profissionais especializados em marketing (Foto: Na Lata)

Quantas escolas de educação especial, que atendem pessoas com deficiência, você conhece? A resposta normalmente não passa de três resultados, quando muito, e se resumem sempre às mesmas instituições. Raras são as vezes em que um ou outro nome aparece, geralmente porque a escola está localizada no bairro em que a pessoa mora. Por que isso acontece? A primeira resposta é simples: instituições com marketing desenvolvido aparecem mais. Mas pode-se dizer que essa é uma área estratégica e capaz de definir o futuro de uma escola de educação especial.

Para se ter uma ideia, somente em Curitiba há 50 escolas, entre governamentais e filantrópicas, que não cobram mensalidade de seus alunos – 70% deles vêm de famílias com renda de até 2 salários mínimos. As instituições lidam com os mais diversos tipos de deficiência e juntas possuem uma fila de espera de 1.800 famílias, conforme estimativa feita por nós, da ASID Brasil (Ação Social para Igualdade das Diferenças). Pare para refletir: neste universo, apenas três são conhecidas do público. Isso significa que as pessoas que desejam contribuir com a educação especial provavelmente serão direcionadas a essas três escolas. Elas receberão recursos e concentrarão nelas projetos e parcerias, e conseguirão resolver uma série de dificuldades que enfrentam, como dívidas, estrutura física inadequada ou precisando de melhorias, falta de profissionais, qualificação, entre outros problemas. A partir daí, elas conseguem alcançar seus objetivos e ampliar, portanto, seu impacto social. Sendo assim, podemos dizer que o marketing é uma força geradora de impacto social.

Todas as instituições que nós, da ASID, conhecemos realizam um trabalho espetacular que deve ser divulgado. Porém, em geral, além de elas não possuírem profissionais especializados em marketing, elas colocam seu foco em outras áreas que garantem o atendimento dos estudantes com deficiência – até porque, por falta de recursos, elas devem priorizar seus esforços. Por isso, são poucas as escolas especiais que chegam ao final do ano com o resultado que almejam, principalmente no aspecto financeiro, que é a base para tudo.

Uma das soluções, que inclusive foi adotada pelas instituições atualmente conhecidas, é criar parcerias com agências de comunicação que se cativam com a causa da educação especial. Acreditamos que muitas agências e até mesmo empresas não ajudam as escolas por não conhecê-las. Por isso, tire um tempo do seu dia para listar alguns nomes e entre em contato em busca de ajuda para a sua escola. Uma outra possibilidade são as mídias sociais, elas são uma excelente forma de interação com o público. Além de cativar, mantêm próximos a causa e o trabalho da sua instituição. É fácil começar. Basta, por exemplo, criar uma página no Facebook, publicar fotos e textos e convidar seus amigos para compartilhar as publicações.

A divulgação pode também começar por pessoas mais próximas, como pais, alunos e pessoas que têm relação com os profissionais da escola. Aqui não quero dizer para enviar uma carta pela agenda escolar, que os pais muitas vezes não leem, mas sim, como sugestão, promover um encontro na própria instituição para apresentar os resultados e mostrar como as pessoas podem ajudar. Em curto prazo, isso já geraria um movimento em benefício da escola.

O último passo para uma realização completa do marketing e também para avaliar seu impacto, é a realização periódica de prestação de contas sobre o trabalho desenvolvido. Nesse sentido, sempre lembramos de algum familiar que durante uma reunião emite um comentário como: “Filantropia? Nunca mais. Uma vez doei para uma instituição que estava precisando e nunca fiquei sabendo para onde foi meu dinheiro ou no que especificamente eu estava ajudando.” Isso não acontece apenas com possíveis doadores, mas também em empresas – e cada escola sabe como esse dinheiro faria a diferença no trabalho que desempenha. Por isso, as escolas especiais devem prestar contas para todos os públicos com que se relaciona, seja por meio de mídias sociais, para parceiros ou empresas doadoras, pois um público fidelizado volta a ajudar.

Aqui, vale um aviso para aqueles que estão começando ou começarão a estruturar o marketing de sua instituição: o resultado não vem de um dia para o outro. É necessário criar uma rotina de divulgação e lançamento de notícias, e mantê-la, apesar da falta de tempo e dos outros problemas internos da escola. Aos poucos, a instituição criará um público fiel, que pode chamar de multiplicador porque ele espalhará as notícias. Dessa forma, o conhecimento da escola e do trabalho feito por ela só tende a crescer. Arregace as mangas e sucesso!

>> Este artigo foi escrito pelo economista Luiz Hamilton Ribas, que é diretor de Marketing e Voluntariado e um dos fundadores da ASID (Ação Social para Igualdade das Diferenças) ONG que trabalha para melhorar a gestão das escolas de educação especial gratuitas, resultando na melhoria da qualidade do ensino e na abertura de vagas no sistema. A ASID é colaboradora voluntária do Instituto GRPCOM no blog Educação e Mídia.

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Enviado por InstitutoGRPCOM, 25/07/14 4:19:25 PM
(Foto: Aniele Nascimento/Gazeta do Povo)

(Foto: Aniele Nascimento/Gazeta do Povo)

Resolvendo algumas coisas em uma loja de produtos elétricos, pude conversar um pouco com dois adolescentes, provavelmente na idade de Ensino Médio – funcionários da loja. Os dois muito competentes, simpáticos e agradáveis. Diante deste simples encontro, gostaria de refletir brevemente sobre alguns estereótipos que intentam a classificar a conduta dos adolescentes, mas nem sempre são ajustáveis ou fazem sentido para estes sujeitos em formação, precisamente por espelharem relações de poder entre gerações e grupos sociais.

Por exemplo: muitos jovens não se identificam com o rótulo do adolescente cuca fresca, que só estuda e não precisa ralar pra ajudar a família e pagar contas. Essa imagem é em verdade um padrão de vida típico das camadas médias e representa modelos de educação, trabalho e sociabilidade exclusivos e também excludentes, se falamos em termos de legitimidade social. Uma categoria dinâmica e fundamental para pensarmos no aspecto institucional da vida e na produção de subjetividades, o trabalho é também visto como um espaço onde a responsabilidade é um valor fundamental, porém de modo mais sério que na escola, que seria algo como um treino para a vida adulta.

Perguntando por aí nas escolas públicas é rápido perceber que um número bastante expressivo de adolescentes dos anos finais do Ensino Fundamental e do Ensino Médio estão presentes no mercado de trabalho. Como ajudantes de seus pais em algum pequeno negócio ou comércio, como atendentes de redes de fast-food, como funcionários em diversos supermercados, recepcionistas, atendentes e outras tantas funções. Empregos medianos, se comparados com os títulos dos filhos das classes médias, que são engenheiros, médicos, dentistas, advogados.

Se há tantos adolescentes trabalhando com responsabilidade e construindo seu espaço e sua trajetória, por que insistimos em julgar que todos os jovens são promíscuos, irresponsáveis, drogados, levianos, vulneráveis, criminosos, politicamente alienados e excessivamente individualistas? Lidar com todos esses estereótipos possíveis de serem internalizados não é fácil, num cenário de referências múltiplas, fragmentadas e muitas vezes antagônicas. E o mais curioso elemento nessa trama de símbolos e significados culturais, é que vivemos no seio de uma constante mensagem de jovialidade, algo nos diz que “queremos ser jovens pra sempre”. Quem sabe seja uma maneira de esquecer e tornar inconsciente que todos vamos envelhecer e morrer – isso para aqueles que chegarão à maturidade, levando em conta os índices altíssimos de mortalidade na juventude das periferias brasileiras, especialmente dos jovens negros. Que violência é esta que tão invisibilizada? “Banalizada” ou “estruturante” como chama o sociólogo Julio Waiselfisz, porque conta em grande medida com a conivência e silêncio de setores mais empoderados da sociedade (os pais dos futuros engenheiros, médicos e advogados, talvez).

Não deve então ser nenhuma surpresa, num contexto prolixo e por vezes nada receptivo com os mais jovens, que o pico estatístico de mortes violentas (homicídios, acidentes de trânsito e suicídios) fica entre os 15 a 24 anos de idade nos casos de homicídio no Brasil. Ou então que 23,8% dos jovens brasileiros de 18 a 29 anos em 2006 não estudavam e nem trabalhavam de acordo com o PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio), índice retirado do texto de Elisa Guaraná de Castro no livro Diferenças, Igualdade (São Paulo: Berlendis & Vertecchia, 2009). Diante do vislumbre de tal conjectura, é urgente perguntar: quem são nossos adolescentes e jovens? O que pensam sobre o presente e o que esperam do futuro?

Por ocasião de um curso voltado para Direitos Humanos com adolescentes do Ensino Médio do Colégio Estadual Ângelo Volpato, em Curitiba, conversei com alunos sobre o que esperam e fazem pra atingir metas e projetos de vida. Algumas respostas a esta provocação simples mostram sobretudo um desejo de caminhar por si mesmos, ter mais autonomia, ganhar suas próprias vidas. É evidente para qualquer adolescente que ele precisa crescer, valorizar a escola, encontrar-se no mundo de trabalho. Como escreveu uma aluna: “Nós não queremos nem mais nem menos, tudo o que queremos é viver com dignidade”, não é óbvio por demais? Então por que tantos estereótipos pesados e desnorteadores? Por que o adolescente ocupa todos esses assentos simbólicos? Seria ele alvo de nossos desejos proibidos?

Como diz a psicanalista Maria Rita Kehl, o lugar do adulto na nossa sociedade está desocupado e isso cria um hiato e um descompasso vivido com muita angústia pelos mais jovens. Crescer nunca é uma tarefa fácil. É uma busca, um caminho, um processo que deixa consigo uma série de traços. Claro, a rebeldia, a transgressão ao que o mundo adulto representa e faz é estruturante da personalidade de todos os indivíduos, senão seríamos sempre iguais aos nossos progenitores. Mas precisamos nos perguntar sobre o outro lado: a identificação, a admiração, o direcionamento a certos modelos morais que nos atraem. O que ensinamos aos nossos filhos e alunos jovens? E que bagagem projetamos sobre os mesmos? Presumimos muitas vezes que todos os adolescentes são idênticos e não querem “nada com nada”, como diz o jargão. Acredito que reconhecimento e confiança inter-geracional são pilares para a reinvenção das relações geracionais, que incluem todas as chamadas fases da vida (infância, juventude, vida adulta e velhice) – questionando e renegociando também fronteiras de classe, gênero e raça. E, sobretudo, precisamos ir ao encontro de uma saída coletiva e não mais perpetrar imagens em que um grupo social sirva como conveniente depósito de culpa por problemas sociais que são tão antigos quanto o Brasil. Está mesmo na hora de crescermos.

>> Mariana Corrêa de Azevedo é doutoranda em Sociologia pela Universidade Federal do Paraná e graduada em Ciências Sociais pela mesma universidade. Atua no Instituto Não-Violência

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