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Enviado por InstitutoGRPCOM, 19/12/14 3:46:48 PM
(Foto: Jonathan Campos / Gazeta do Povo)

(Foto: Jonathan Campos / Gazeta do Povo)

A centralidade que a Tecnologia da Informação adquiriu em nossas vidas nas últimas duas décadas teve impactos óbvios sobre a educação. A expansão da educação a distância, o uso de plataformas e dispositivos computacionais e a geração de grandes volumes de informação referentes aos estudantes, escolas e sistemas de ensino são alguns dos aspectos mais notáveis desse impacto, e seus resultados ainda precisam ser mais bem compreendidos.

Este último aspecto citado – a criação de dados massivos, ou big data – é talvez o mais fascinante e obscuro para nós, sejamos professores ou alunos. O potencial que o big data têm sobre a educação é apontado por especialistas de várias áreas, e principalmente naqueles ligados ao universo da TI o entusiasmo é compreensível, ainda que por vezes desmesurado. Como exemplo, um artigo recente publicado no Mashable destaca a entrada dos sistemas educacionais no ecossistema de informação e alguns dos efeitos práticos disso, traduzidos em novas técnicas, ferramentas de pontuação e classificação em testes, na personalização e adaptação da aprendizagem individual e no gerenciamento de problemas acadêmicos tais como o plágio.

Subjacente à análise, como é comum no caso, reside a premissa que a informática alterou de maneira indelével a forma como o ser humano pensa – o que acho, no mínimo, questionável. Tais caminhos, na visão seus entusiastas, poderiam deitar por terra os modelos padronizados e despertar a criatividade, num processo de “libertação” em busca “daquilo que realmente importa” dentro da escola.

Na mesma linha, imagina-se que o uso de big data no espaço de aprendizagem online dará às instituições as ferramentas de previsão que precisam para aprimorar os resultados de aprendizagem para os alunos individualmente.  Nessa visão, a educação online em geral e os MOOCs (cursos online abertos e massivos, na sigla em inglês) em particular seriam um passo evolucionário no desenvolvimento da educação, por apenas transmitirem informação de maneira mais eficaz e abrangente; já o big data teria efeito revolucionário por não apenas transmitir informação, mas por ser capaz de ensinar com base nos nossos comportamentos e cliques – assim como os anúncios do Facebook e do Google que estão à sua volta.

Algumas das técnicas e princípios mais importantes da relação entre Big Data e educação podem ser encontradas num MOOC da Universidade de Columbia. Lá podemos ter uma ideia da abrangência e do impacto que o uso dos megadados pode ter no sistema educacional como um todo e em cada aluno em particular.

O cenário dos sistemas educacionais, especialmente na faixa etária do ensino médio, não é animador. Tanto aqui como nos EUA os adolescentes insistem em largar a escola numa proporção muito maior que nos demais níveis de ensino, e isso deve ter relação com o fato da escola, em geral, parecer muito chata para essa geração. O big data poderia, nesse cenário e na visão de seus entusiastas, prever os fracassos e incorporar novas dinâmicas ao aprendizado que contornassem os obstáculos de cada indivíduo, numa espécie de alfaiataria educacional baseada em dados.

Um detalhe que obviamente escapa aos arautos da revolução é que o uso e o acesso ao big data tem custos, e esses não são insignificantes. Dadas as carências estruturais que vemos na maior parte das instituições de ensino (e atenho-me ao Brasil para fazer essa constatação), é difícil imaginar que outros além das grandes corporações tenham capacidade de usar ferramentas de big data.

Se imaginarmos, num futuro distópico, que o big data irá, a exemplo dos anúncios do Facebook, ‘personalizar’ nossa experiência de aprendizado, legando a um conjunto de algoritmos os conteúdos, abordagens e ferramentas a que cada aluno será exposto, podemos igualmente vislumbrar a adoção de categorias e padrões pré-determinados nos quais os alunos serão enquadrados – com todos os perigos que a previsão do “fracasso” e do “sucesso” implicam.

O fascínio com a tecnologia é geralmente acompanhado do temor acerca de seus efeitos, e na relação big data – educação esse binômio não desaparece: em que medida um ensino assim customizado, baseado em cliques e testes padronizados, serve a uma educação que vise emancipar a humanidade de seus fantasmas? Não estaríamos, ao tomar cada aluno como um conjunto de bits, relegando à educação uma função absolutamente narcisista e individualista, esquecendo que é na escola que depositamos, como sociedade, a esperança nas mudanças de longo prazo? Em suma, não seria o big data mais uma ferramenta à serviço do status quo e das grandes desigualdades observadas na educação em todo o mundo?

>>Christiano Ferreira é historiador e atua há mais de 10 anos no Ensino Básico e Superior como docente e gestor educacional. Atualmente coordena o Projeto Tetear, da Parabolé Educação e Cultura, que leva oficinas de arte e educação para crianças e jovens em situação de vulnerabilidade social na Região Metropolitana de Curitiba. O profissional colabora voluntariamente com o Instituto GRPCOM no blog Educação e Mídia.

 

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Enviado por InstitutoGRPCOM, 18/12/14 3:22:05 PM
(Foto: ASID / Arquivo)

(Foto: ASID / Arquivo)

Diante de um cenário educacional preocupante, no qual o Brasil ocupa a penúltima posição no ranking da educação mantido pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) em 36 países, a sociedade parece se conscientizar cada dia mais de que ela pode ser protagonista da solução de seus problemas. Quando o assunto é a educação para pessoas com deficiência, as APAEs (Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais) desenvolvem um importante trabalho, principalmente em municípios situados no interior dos estados, onde o número de vagas ofertadas por escolas públicas fica abaixo do necessário e as famílias não poderiam pagar a mensalidade de uma escola particular. Já no caso das capitais, além das APAEs contamos com outras escolas no mesmo modelo, que não cobram mensalidade dos alunos e que, citando o exemplo de Curitiba, atendem mais de 70% da demanda. Em nosso país, estima-se a existência de uma fila de espera de 40 mil pessoas para obter uma vaga, de famílias com uma renda média de até dois salários mínimos.

A educação tem que ser solução. Partindo desse pressuposto, vemos cada vez mais pessoas com a percepção de que a ação do Estado é mais lenta do que o necessário para gerar uma mudança em curto prazo. Estas pessoas passam a se dedicar à criação e à prática de metodologias educacionais ou estão voltadas para gerar evolução na qualidade de ensino de instituições educacionais, atendendo a demandas específicas. Trago dois exemplos de iniciativas: uma criada a pouco mais de dois anos e outra criada há quatro anos, da qual sou co-fundador. Ambas foram premiadas recentemente por seu modelo de trabalho e o impacto positivo que estão gerando.

A primeira delas é a Geekie, uma plataforma de educação adaptativa capaz de definir o melhor roteiro de estudo de acordo com o perfil do estudante, que gera um impacto direto na educação de três milhões de jovens. A iniciativa foi fundada por dois amigos, Cláudio Sassaki e Eduardo Bontempo, que perceberam que poderiam ter uma grande utilidade no desenvolvimento do aprendizado de estudantes. Eles largaram seus empregos – um deles era do alto escalão de um banco privado e o outro relacionado ao MIT (em português, Instituto de Tecnologia de Massachusetts) – para se dedicarem à ideia.  A grande sacada: sempre que uma escola particular contrata o serviço, uma escola pública recebe a plataforma gratuitamente. No começo de dezembro a iniciativa recebeu o maior prêmio de empreendedorismo social da América Latina.

A segunda iniciativa é a ASID Brasil, fundada em 2010, a partir de um trabalho desenvolvido na Universidade Federal do Paraná, por amigos que tinham o objetivo em comum de trabalhar em prol de uma causa: a da pessoa com deficiência. Após meses de estudo e visitas a instituições de Curitiba, inclusive prestando trabalho voluntário para conhecê-las mais a fundo, percebemos que o problema não estava no encaminhamento da pessoa com deficiência para o mercado de trabalho, mas sim na gestão administrativa da instituição. Ou seja, a execução e promoção de processos para áreas como planejamento estratégico, financeiro, recursos humanos, etc., resultavam em uma baixa qualidade de ensino e na impossibilidade de aumentar o número de vagas.

A ASID promove um projeto de assessoria administrativa, que pode envolver ou não ações de voluntariado corporativo. Desta forma, possibilita uma evolução na organização da instituição e as ações de voluntariado se tornam o principal retorno para as empresas chamadas de “Investidores Sociais” – e ter investidores sociais é muito importante, uma vez que as escolas não pagam pelos projetos. O principal desta metodologia é o acompanhamento feito pela ASID, que retorna anualmente para aplicar um diagnóstico e verificar o que deve ser feito para que a instituição continue evoluindo. A esta altura, com uma gestão qualificada, a própria organização consegue colocar em prática as recomendações – e caso ela apresente muitos problemas retornamos para um novo projeto, o que até hoje, com 27 instituições beneficiadas, não foi necessário. No início do mês, a ASID, representada por seu Diretor de Projetos, recebeu o Prêmio Jovens Inspiradores 2014, entre mais de 5 mil inscritos de todo país.

O que me deixa feliz é ver cada vez mais pessoas conscientes de que seu trabalho, além de ajudar a si mesmos, também pode beneficiar uma causa social e as pessoas nela inseridas, desenvolvendo metodologias inovadoras, atando pontas “perdidas” para criar uma grande rede de transformação.

>> Artigo escrito por Luiz Hamilton Ribas, diretor de Marketing e Voluntariado e um dos fundadores da Ação -  ASID, organização social que trabalha para melhorar a gestão das escolas de educação especial gratuitas, resultando na melhoria da qualidade do ensino e na abertura de vagas no sistema. A ASID colabora voluntariamente com o Instituto GRPCOM no blog Educação e Mídia.

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Enviado por InstitutoGRPCOM, 16/12/14 3:01:02 PM
(Foto: André Rodrigues / Gazeta do Povo)

(Foto: André Rodrigues / Gazeta do Povo)

O Natal se aproxima e não podemos negar que esta data carrega, de forma indissociável a sua celebração, idas e vindas ao shopping, horas e horas de pessoas presas em filas e no trânsito, sem contar a ansiedade e o frio na barriga pelas faturas do cartão crédito que chegarão a partir de janeiro.

Esse cenário não é regra, pois muita gente já consegue caminhar na contramão do consumo desenfreado que abraça, especialmente, o mês de dezembro. No entanto, basta dar uma espiada nos centros comerciais para perceber que, o que domina, é a determinação em concluir as compras da lista de presentes.

A ideia deste texto não é focar na crítica ao consumo ligado ao Natal, mas mostrar que existem alternativas que estimulam a reflexão sobre esse movimento que toma conta das ruas, dos shoppings e das nossas casas, principalmente nesta época do ano. Alguns caminhos podem ser trilhados, como a realização de Feiras de Troca de Brinquedos, conhecidas em muitas escolas.

Mas será que precisamos esperar a instituição de ensino promover esse momento? Não podemos mobilizar familiares, vizinhos e amigos para organizar uma feira em que as crianças exercitem o desapego, saibam lidar com os excessos e enxerguem um novo significado aos seus brinquedos?

É possível sim. E ainda é possível contar com a ajuda de organizações que têm experiência nesses eventos, como o Instituto Alana, por exemplo. No site da instituição você encontra orientações para realizar a feira de maneira autônoma, além de material de apoio, como modelos de convite, cartaz, filipeta e até de release para a imprensa. Mas é importante frisar que essas feiras são realizadas exclusivamente para trocas, não devendo haver compra ou venda de produtos.

Além de divertido, este tipo de acontecimento possibilita entrosamento e socialização entre as crianças. Muito maior que trocar brinquedos que não interessam mais, a experiência é enriquecedora por dar novo sentido a objetos antigos e destacar que as relações não precisam ser pautadas na compra e nos presentes.

>>Patricia Melo é jornalista desde 2001 e há nove anos atua em benefício da Educação por meio da Comunicação. Por meio da sua empresa, Presença – Comunicação Educacional, produz textos, entrevistas e reportagens direcionados especialmente ao universo educacional. Dessa forma, contribui para um diálogo mais consistente e criativo entre a Escola e a Família. A profissional colabora voluntariamente com o Instituto GRPCOM no blog Educação e Mídia.

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Enviado por InstitutoGRPCOM, 12/12/14 2:55:42 PM
(Imagem: Pixabay)

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A perspectiva assumida em muitos projetos educacionais é que a escola tem um papel específico na sociedade e que suas fronteiras são claras e, praticamente, intransponíveis. Há, infelizmente, a ideia de um espaço-tempo estéril e praticamente estável. Imagino que pensar e operar a educação desse jeito determinará uma escola provavelmente descomprometida da vida.

Numa outra opção, conscientes das inter-relações que existem entre educação-escola-sociedade, mesmo considerando contextos desafiadores, é fundamental conversarmos e atuarmos na seara da educação sobre e para os Direitos Humanos.

É o que temos buscado, é o cenário que estamos construindo com a ajuda de muitos. Retomamos essa questão pela necessidade de a escola abordar sistematicamente o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), código elogiado no mundo todo, mas às vezes desconhecido e criticado por alguns. Queríamos superar preconceitos, conhecer melhor, buscar especialistas que pudessem ajudar a comunidade educativa em um estudo mais profundo.

Nosso Grupo Marista tem atuações em vários campos na cidade de São Paulo. De fato, precisávamos aproveitar a qualificação dos educadores das unidades da Rede Marista de Solidariedade, na Zona Leste, e discutir o ECA. Montamos, então, um grupo de estudos e as trocas foram se multiplicando. O aprendizado e a partilha geraram um sentimento coletivo: não é possível represar esse conhecimento sobre o Estatuto e as questões relacionadas aos direitos humanos apenas neste pequeno grupo.

Pensamos: por que não organizarmos um grande encontro sobre Direitos Humanos e Educação? As parcerias foram construídas e o resultado foi o I Seminário Marista – Direitos Humanos e Educação, realizado em setembro de 2014 e que contou com a presença de 500 educadores de todo o país.

Das reflexões acadêmicas às trocas de experiências, dos relatos pedagógicos às partilhas de engajamento e transformação em situações de altíssima vulnerabilidade, tudo contribuiu para vincular-nos com a aprendizagem e construção dos Direitos Humanos na educação, tanto aquela que acontece formalmente nas escolas quanto nos processos não formais.

A discussão do ECA acontece em diversas esferas; além do Seminário, muitas ações são realizadas em sala de aula no sentido de sensibilizar alunos para o tema de relevância. No Ensino Fundamental, por exemplo, os alunos aprendem o Estatuto de maneira lúdica (a partir de histórias em quadrinhos) com foco no trabalho infantil, e os educadores insistem na tecla de que “criança não trabalha, criança dá trabalho”.  Com o passar dos anos escolares o debate vai evoluindo e incorpora assuntos sobre a convivência social, que deve ser pacífica e fraterna, e a assimilação das diferenças para a realização de todos os Direitos Humanos.

Compreender o que significam os Índices de Desenvolvimento Humano (IDH), discutindo as diferenças entre as nações e seus desafios também faz parte da Educação Marista, que prima pela formação de cidadãos virtuosos. Ao final do ciclo do Ensino Fundamental, a pauta gira em torno dos problemas que violam os Direitos Humanos, como a violência, discriminação, racismo, censura, desigualdades, bullying e preconceitos.

Enfim, vale a pena continuar a observar e vivenciar a humanidade como um grande palco de direitos. E a educação é uma excelente ferramenta para isso.

>>Artigo escrito por Ascânio João Sedrez. Pedagogo, filósofo e diretor do Colégio Marista Arquidiocesano que integra o Grupo Marista, colaborador voluntário do Instituto GRPCOM no blog Educação e Mídia. 

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Enviado por InstitutoGRPCOM, 09/12/14 11:42:44 AM
(Imagem: Pixabay)

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Tenho afeição pelo título de um livro pouco festejado de Rubem Fonseca – Vastas emoções e pensamentos imperfeitos, do início dos anos 1990. Pelo título, friso. Confesso que mal lembro da trama, exceto de uma ou outra descrição mais ousada, dessas riscadas a faca, como só o autor de Feliz ano novo e Agosto parece saber escrever. Quanto ao título, perdi a conta das vezes em que o citei para traduzir momentos de confusão mental, sensibilidade desvairada, falta de centro e foco – as minhas, as dos outros, as da humanidade.

Como diria qualquer educador, ter “vastas emoções e pensamentos imperfeitos” é parte da crise, que é purificação e coisa e tal. Falamos bastante desse inferno astral nos últimos tempos – atingiu da economia global à vida privada. Vivemos um tempo vasto e imperfeito, que os deuses nos acudam.

Cenário 1

Coisa de um ano, li uma enquete publicada pela revista Imprensa – publicação voltada, como o nome diz, para o pessoal que “rala” nas redações brasileiras. Os jornalistas fizeram o seguinte: entrevistaram meia dúzia de outros jornalistas que acompanham jovens trainees de cabo a rabo nesse imenso país. Queriam saber “qual era a dos novatos”. Eis o que acharam.

O resultado se assemelha ao que diz Gilles Lipovetsky, filósofo francês que é fino observador das frias em que nos metemos nessa “era dos excessos” – expressão com grifo dele. Ao diagnóstico: nunca houve geração tão preparada, nunca houve geração tão desencantada. A reportagem se limita ao diagnóstico, que em outras palavras diz o seguinte: a moçada sabe muito, mas não sabe o que fazer com isso.

Gilles vai mais longe.

Em sua obra, explica que vivemos num mundo cercado de expectativas inalcançáveis – fama, sucesso, metas, viagens, beleza, prazeres… Quando um jovem se depara com a realidade, aquela que passa pelo cartão-ponto, julga-se sempre aquém –ou além – daquilo que esperava. O mundo não os merece. Na obra de Ciro Marcondes Filho, esse mal estar é chamado de “era do desencanto”. Dói mais que cólica de rim.

A esse respeito, aqui vai minha vasta emoção e meu pensamento imperfeito: acho que o resultado da pesquisa diz uma verdade. De fato, de novo citando Marcondes Filho, os jovens se tornaram “presentificados”. Ou seja, são preparados, inteligentes, viajados, falam vários idiomas, mas encontram dificuldade em criar sinapses e em fazer – nos dizeres de outro papa, Edgar Morin – mapas mais orgânicos, daí se sentirem tão apáticos. Desconfortáveis? Pense num sapato apertado num dia de calor. É isso.

O senão é que essa análise me soa injusta. Os nada confiáveis homens e mulheres que passaram de 30, 40, 50 anos também encontram uma lenha pela frente na hora de entender o mundo. Tudo desmancha no ar. Estamos num tempo de incertezas. Se a gente que já viveu um pouco mais se sente no meio de um tiroteio, por que um jovem, começando a vida, teria obrigação de ter “aquela velha explicação formada sobre tudo”?

Resumo da ópera – os adultos dos anos 2000 deram de ser muito injustos com os jovens. Às vezes, suspeito, que é um repasse de culpa pela sociedade não tão incrível que resolvemos, um dia, deixar para eles. Mas deixe quieto – como disse antes, são vastas emoções.

Cenário 2

Deve-se ou não ensinar tecnologia aos alunos? Dias desses, uma pesquisadora a quem muito respeito, disse “não”. Para a moçada, encarar um novo aplicativo é tão corriqueiro, que a escola que pretenda transformar isso em currículo estará sempre dois passos atrás. Para quem está nos verdes anos, há uma tendência a naturalizar a tecnologia. Suspeito que tem quem nasceu com um olhinho na ponta dos dedos.

Mas teimei – e acho que ainda teimo. Mas teimo com pensamentos imperfeitos. Este semestre, em parceria com gente infinitamente mais afeita à tecnologia do que eu, tive a oportunidade de acompanhar a produção de revistas eletrônicas feitas por 40 alunos. Pois a turma foi lá e desempenhou – vídeos, fotos, linhas do tempo. O resultado tem frescor, bem diferente da caretice que os estudantes costumam imprimir aos demais exercícios, vulgos “tradicionais”.

Aconteceu que em paralelo pedi a um outro grupo que fizesse um livro digital. Só de imagens autorais. O objetivo – treinar a sucessão de fotografias, de modo a pensar movimentos, atmosferas e narrativas. Não senti muito entusiasmo. Esta semana, minha sobrinha de 11 anos, do nada, me mostrou um “livro de imagens” que ela fez, com fotos de sua autoria. Sim, tem hora que parece aqueles vídeos horrendos de debutantes. Tem horas que não. Usando a menina como padrão, o exercício que pedi aos universitários está defasado pelo menos oito anos.

A gente até sabe o que dizer numa hora dessas – a leitura crítica (acho a expressão assustadora, pelo autoritarismo que encerra), a análise ou sei lá o quê estão no pré-sal da tecnologia. É lá que o professor transita. Escavar no fundo é nossa tarefa. Serve de consolo. Mas que o vídeo da minha sobrinha me deixou meio sem graça, deixou.

Vou assoprar para ver se passa.

>> José Carlos Fernandes é jornalista da Gazeta do Povo e professor do curso de Jornalismo da Universidade Federal do Paraná – UFPR. O profissional colabora voluntariamente com o Instituto GRPCOM no blog Educação e Mídia.

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Enviado por InstitutoGRPCOM, 05/12/14 3:01:58 PM
(Imagem: Pixabay)

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A princípio a língua portuguesa pode parecer simples, mas está longe de ser. São inúmeras regras de composição de palavras, acentuação e uso de letras. Para dificultar, são incontáveis as exceções e os desvios inexplicáveis. Encontrar quem saiba usar hífen, j, g, x, ch, s, z, por exemplo, é algo raro. Até professores, cidadãos com notório saber e autoridades acadêmicas, precisam recorrer constantemente a dicionários ou corretor ortográfico para confirmar como se escreve uma palavra ou outra, de tão complexo que é o nosso sistema. Acrescente-se aí, a diversidade de grupos culturais nos países que têm o português como língua oficial, cada um com suas características regionais. Chegar a um resultado que facilite ao máximo o aprendizado da escrita e a intercomunicação desses falantes é um desafio a ser vencido.

Notoriamente, há um desconhecimento de determinados aspectos da realidade ortográfica atual e dos benefícios que a simplificação de algumas regras pode trazer aos países de língua oficial portuguesa e aos seus povos. Engana-se quem pensa o contrário e, felizmente, o governo brasileiro atentou para a importância de prorrogar a implementação das novas regras, criando oportunidade de, num esforço conjunto, especialistas, professores, estudantes e a sociedade civil como um todo contribuírem com sugestões para tornar a ortografia mais simples, objetiva e lógica.

A Comissão de Educação, Cultura e Esporte do Senado Federal, após ter recebido vários sinais de alerta, realizou audiências públicas (em 2009, 2012 e 2014), convidando as autoridades responsáveis pelo encaminhamento do Acordo Ortográfico e representantes das opiniões críticas repercutidas na sociedade, perante senadores. Nas primeiras oportunidades ficou evidente a necessidade de se trabalhar pela melhora de alguns pontos, motivo pelo qual solicitou e obteve o adiamento do prazo de implantação definitiva das novas regras para 1º de janeiro de 2016.

Em seguida, a Comissão criou o Grupo de Trabalho Técnico (GTT), coordenado por dois professores de português que participaram ativamente das audiências públicas, eu e o professor Pasquale Cipro Neto. Com o objetivo de reunir sugestões simplificadoras, a sociedade civil, por meio do Centro de Estudos Linguísticos da Língua Portuguesa (CELLP) e do site simplificando a ortografia, pode sugerir e debater sugestões de simplificação.

Não se trata de posicionamento contra o Acordo Ortográfico, mas existe a consciência de que algumas de suas regras continuam dificultando o ensino. Um levantamento feito por professores da Fundação Educacional do Distrito Federal indica o gasto de 400 horas/aula com ortografia, do ensino fundamental ao médio, para decorar muito e aprender quase nada. É nesse interregno que nasce o desânimo e a crença de que português é muito difícil, criando o bloqueio gerador do analfabetismo funcional e causador do fato de que apenas 20% da população pode ser considerada plenamente alfabetizada. Esses mesmos professores calcularam que, com a simplificação de algumas regras, a ortografia seria ensinada mais eficazmente com apenas 150 horas/aula, o que representa uma forte economia de tempo e dinheiro.

Levando-se em consideração que a simplificação de certas regras faz com que se aprenda ortografia com praticamente um terço do tempo e com muito mais facilidade, pode-se prever uma forte redução nos índices de analfabetismo e na taxa de rejeição ao estudo da língua, simultaneamente fortalecendo a inclusão social. E ainda, a quantidade de cidadãos plenamente alfabetizados (capazes de ler e produzir textos mais profundos), que constitui apenas 20% da população, pode vir a ser multiplicada.

Isso significa dizer que na mesma proporção crescerá o número de leitores e autores, permitindo uma produção literária, intelectual e científica jamais vista, criando saber e riqueza suficientes para colocar estrategicamente nossos povos e países em estágio muito superior de respeito e influência internacionais.

>> Ernani Pimentel é professor e especialista da língua portuguesa. O profissional colabora voluntariamente com o Instituto GRPCOM no blog Educação e Mídia.

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Enviado por InstitutoGRPCOM, 04/12/14 2:36:03 PM
(Imagem: Pixabay)

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Questões relacionadas à qualificação profissional e às supostas defasagens que o sistema de ensino brasileiro apresenta na formação do jovem para o mercado de trabalho estão presentes com certa frequência no noticiário, em estudos especializados e no discurso de parte do empresariado. A ideia de fundo é que a escola brasileira, por sua distância da realidade do mercado de trabalho e pelo cunho excessivamente teórico do que é ministrado, não prepararia a juventude adequadamente para responder às demandas de um mercado competitivo e em constante mutação.

Uma evidência de que tal problema não é exclusivo do Brasil é um recente estudo da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico(OCDE) junto a várias das economias mais desenvolvidas do ocidente, que mostra a importância do desenvolvimento das habilidades necessárias ao exercício do trabalho para além da educação formal.  A partir de um panorama realizado com dados dos 20 países-membros da organização, mostrou-se a necessidade de que empregadores, sindicatos e outras organizações envolvam-se em programas de curta duração.

Naquilo que pode ser considerado um guia de boas práticas, destaca-se a necessidade da articulação do aprendizado profissional com o desenvolvimento de habilidades básicas de letramento e numeramento. O estudo também aponta a necessidade de professores que tenham familiaridade com os processos produtivos mais recentes e a adaptação das escolas e gestores educacionais na integração entre demandas produtivas, conteúdos e métodos escolares.

Em linhas gerais, a OCDE constata um aumento da demanda por cursos e programas educacionais que não têm a duração, tampouco o formato das graduações de 4 anos. Para que os programas de educação profissional reúnam as qualidades necessárias a responder os desafios atuais do mercado, as recomendações da organização resumem-se basicamente em: que a educação profissional e os programas de treinamento devem envolver atividades de aprendizado que atentem às especificidades do mundo do trabalho; a força de trabalho das instituições de treinamento profissional deve combinar habilidades pedagógicas, experiência no “chão de fábrica” e conhecimento acadêmico.

Obviamente, atender a tais exigências não pode ser considerado apenas responsabilidade do sistema educacional oficial ou dos governos isoladamente. Ter a qualificação adequada para o exercício profissional (ou seja, a pessoa certa na vaga certa) implica no engajamento dos empregadores na concepção de programas, a limitação de seus objetivos (não abraçar o mundo com as pernas) e a combinação de linhas gerais concebidas em plano nacional com as especificidades locais, em busca da relevância e do impacto no microuniverso no qual cada empresa se insere.

Obviamente, as condições e recomendações aqui reproduzidas não resumem satisfatoriamente os desafios da educação profissional, tampouco as respostas adequadas a tais desafios. No entanto, servem para demostrar a nós, brasileiros, que a educação fora de nosso país também tem sido objeto de abordagens críticas, pois os sistemas educacionais nacionais, cada qual a seu jeito, apresentam lacunas na preparação do jovem para o mercado de trabalho. Cabe a nós e, especialmente, ao empresariado deixar de lado as queixas e buscar formas efetivas de contribuir para a mudança dessa realidade.

>>Christiano Ferreira é historiador e atua há mais de 10 anos no Ensino Básico e Superior como docente e gestor educacional. Atualmente coordena o Projeto Tetear, da Parabolé Educação e Cultura, que leva oficinas de arte e educação para crianças e jovens em situação de vulnerabilidade social na Região Metropolitana de Curitiba. O profissional colabora voluntariamente com o Instituto GRPCOM no blog Educação e Mídia.

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Enviado por InstitutoGRPCOM, 02/12/14 3:47:04 PM
(Imagem: Freeimages)

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Estamos chegando ao fim do ano e, com ele, teremos festas, verão, praia, férias coletivas e, é claro, férias escolares. Neste período costumamos estar à beira da estafa mental, loucos para relaxar da correria do dia a dia e das obrigações do trabalho! Comportamento este, que também é seguido por nossas crianças e jovens que, além de estarem no final de seu ano letivo, tem nos adultos o contínuo exemplo a ser seguido. É para este último apontamento que gostaria de tecer algumas reflexões.

Lugar comum entre educadores e psicólogos, é fato que o aprendizado e comportamento humanos (consciente e inconsciente) se dão, muito mais do que pelo conhecimento teórico, pela repetição de atitudes e comportamentos de nossos modelos (pais, mães, professores, heróis, personalidades públicas).

Sendo assim, nesse período de maior convívio familiar, o processo educacional, ao invés de entrar em férias acontece e permanece. O processo educacional é contínuo e ativo, e é nesse período que comportamento e valores serão colocados em prática sem a necessidade e o temor das avaliações. Que a teoria se colocará à prova na vida real e será comparada com a (as) experiência (as).

Podemos ousar dizer que é ali, nas celebrações familiares, viagens e “casas de vó”, nas belas e tropicais praias brasileiras que a educação se concretiza! Faz-se assim premente, que não deixemos que o justo descanso e gozo de momentos de lazer venham acompanhados do “esquecimento” em berço esplêndido de normas de conduta e valores morais!

A mitologia brasileira de que “não existe pecado ao sul do equador”, onde o ócio indígena – originado em nossos vistosos recursos naturais – se une a promiscuidade do colonizador lusitano em um ser idílico da civilização brasileira vicia nossa cultura coletiva em uma brutal e artificial separação entre o trabalho e a folga, a semana e o fim de semana, a obrigação e o lazer, o ano letivo e as férias; enfim, nossos valores morais e nossa conduta ética.

Ao afrouxarmos nossos valores morais, como uma maior promiscuidade sexual, a aceitação do binômio álcool-direção ou a simples negação de hábitos da rotina familiar; estamos passando às nossas crianças a mensagem de que todo comportamento ético é uma obrigação indesejada, existente apenas pelo medo da punição das autoridades (governo, polícia, chefe, diretor, professores) e de que a felicidade se encontra na libertação individual destas amarras, por períodos limitados.

Sendo a felicidade fim último de nossas ações, e entendendo que a maior parte de nosso tempo passamos cumprindo obrigações – 5 dias da semana e 11 meses no ano – estaríamos então fadados a uma existência triste?

Em tempo, o filósofo alemão G.W.Hegel nos ensina que “o homem completo e feliz supera este conflito dialético”. Ele é, em sociedade o mesmo que dentro de casa. Tem em seus valores individuais a conduta ética que pratica em seu dia a dia seja em tempos de responsabilidades, seja em tempos de férias. O avanço educacional que buscamos, antes de passar pela reforma escolar de conteúdos e currículos, deve passar por uma revisão cultural do HOMO BRASILEIRUS que somos e queremos no corpo cívico da nação. Será esta anarquia moral – relativista e individualista – que estamos a praticar no Brasil das minorias o caminho para construção de uma sociedade justa e feliz?

>>Artigo escrito por Alexandre Chueire Lopes, filósofo, coach educacional, colaborador da Teaching Consult e do Sindicato das Escolas Particulares do Paraná (Sinepe/PR). O SINEPE é colaborador voluntário do Instituto GRPCOM no blog Educação e Mídia.  

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Enviado por InstitutoGRPCOM, 28/11/14 2:29:09 PM
(Imagem: Pixabay)

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Pensar Educação e Mídia, juntas, pressupõe a atividade de analisar. E analisar, em seguida, pressupõe a crítica. Que também é uma capacidade autônoma de entender e se relacionar com a informação que recebe. Concordar e discordar com argumentos, complementar informações e ser também um produtor. Assim, surgem dois temas essenciais: ser um prossumidor e investigar a legitimidade da informação.

Um dos principais desafios é, diante de todas as transformações que vivenciamos, entender o nosso momento de comunicação. Onde estamos? A partir de onde olhamos o que está ao nosso redor? O que pensamos quando olhamos? Para onde olhamos quando estamos pensando?

Hoje as pessoas não são mais simples consumidoras. São os chamados prossumidores. Aqueles que consomem a informação e são agentes de produção de conteúdos e com eles comunicam. Aliás, comunicar tem sido o maior passatempo de muita gente. São diversas formas, muitos canais e múltiplas maneiras de se fazer comunicação.

Portanto, o desafio atual é a formação dos sujeitos para a emissão e produção crítica e criativa. Mas afinal, onde está a verdade? Qual a legitimidade das informações? Será que a verdade está em algum lugar?

Quando só existiam algumas poucas versões dos fatos – a dos meios de comunicação de massa, já era difícil saber com clareza o recorte de informação escolhido pela mídia, hoje com as mídias e redes sociais digitais, é ainda mais difícil. Se antes, uma informação não poderia ser vista como verdade absoluta e deveria ser relacionada com outras versões, o trabalho hoje é digno de um Sherlock Holmes da informação. Todos devem investigar profundamente de onde partem as informações que recebem, para onde vão e com que intenções.

O fenômeno tem dois lados. A vantagem de contar, compartilhar e contribuir com a vida pública, e a capacidade de ludibriar e confundir aumenta ainda mais a cortina de fumaça que se forma diante dos fatos. É incrível como uma sociedade que sofre com a redação, de uma hora para outra cria conceitos, julga, condena, inocenta e desmascara rapidamente nas mídias digitais. Parece que agora a internet, e em especial as redes sociais digitais são o demiurgo que confere verdade aos fatos. Está mais do que na hora do Sherlock pegar sua lupa e investigar, para compartilhar, curtir e publicar com mais critérios.

>> Artigo escrito por Everton Luiz Renaud de Paula, filósofo e mestrando em Educação pela Universidade Federal do Paraná – UFPR. Atualmente, é tutor na UFPR e professor tutor na Universidade Positivo. O profissional colabora voluntariamente com o Instituto GRPCOM no blog Educação e Mídia.

>> Quer saber mais sobre educação, mídia, cidadania e leitura? Acesse nosso site! Acompanhe o Instituto GRPCOM também no Facebook: InstitutoGrpcom e no Twitter @InstitutoGRPCOM

Enviado por InstitutoGRPCOM, 27/11/14 4:36:52 PM
(Foto: Parabolé)

(Foto: Parabolé)

A noite desta quarta-feira, 26 de novembro, foi especial para muitas crianças e adolescentes de escolas públicas e cadastrados em projetos sociais de Campo Largo (Região Metropolitana de Curitiba). Eles foram protagonistas da Mostra Artística Tetear 2014: resultado de um projeto que ocorreu durante todo o ano no município e que oportunizou aos participantes o acesso à formação artística, a expressões culturais e à criatividade.

O projeto ofereceu para mais de 400 alunos oficinas de circo, percussão, dança, teatro, artes plásticas e canto. Toda a semana, durante o contra turno escolar, as turmas tinham contato com diferentes linguagens artísticas e que, muitas vezes, contribuíam no cotidiano da escola e na vida pessoal. Um dos exemplos é o aluno da oficina de teatro Christian Antunes Almeida, 14 anos, que participou do projeto pela segunda vez consecutiva. Ele contou que o teatro fez toda a diferença em sua vida. “Muitos pontos melhoraram no meu dia a dia, como a concentração e a comunicação. Perdi a timidez, aprendi a me articular melhor com as pessoas e a expressar meus sentimentos”.

Mas o momento que a iniciativa conquista, de forma permanente, um espaço no coração desses alunos é durante a realização do espetáculo final, a Mostra Artística Tetear (Tempo de Temperar Arte). Já tive o privilégio, em uma das edições, de acompanhar os preparativos, os bastidores e a alegria estampada no rosto de cada um dos participantes. É emocionante. Os alunos são as verdadeiras estrelas, os autores, criadores e protagonistas desta intensa imersão artística. Os responsáveis pelo projeto e os professores das oficinas têm papel fundamental na orientação e no incentivo desta ação cultural, mas fazem questão de estarem na retaguarda e deixar brilhar o talento dos participantes.

É uma construção coletiva, sendo que cada turma contribui para o todo. Os alunos de artes plásticas e de teatro de bonecos fizeram o cenário e os adereços dos personagens centrais que, por sua vez, foram interpretados pelos integrantes das oficinas de teatro e de dança. Esta também contribuiu com a figuração e os personagens secundários, juntamente com os participantes de circo. Por fim, os alunos de percussão e canto foram os compositores da trilha sonora.

O Tetear também abraça objetivos como o reconhecimento e a potencialização da capacidade intelectual e perceptiva dos alunos, estimulação da curiosidade artística e o gosto estético, a promoção do interesse por atividades que impliquem em qualidade de vida e a contribuição para a formação cultural, favorecendo a autoestima e motivando novas formas de inclusão social.

>>Patricia Melo é jornalista desde 2001 e há nove anos atua em benefício da Educação por meio da Comunicação. Por meio da sua empresa, Presença – Comunicação Educacional, produz textos, entrevistas e reportagens direcionados especialmente ao universo educacional. Dessa forma, contribui para um diálogo mais consistente e criativo entre a Escola e a Família. A profissional colabora voluntariamente com o Instituto GRPCOM no blog Educação e Mídia.

 >>Quer saber mais sobre educação, mídia, cidadania e leitura? Acesse nosso site! Acompanhe o Instituto GRPCOM também no Facebook: InstitutoGrpcom e no Twitter @InstitutoGRPCOM

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