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Enviado por catherines, 21/11/14 4:09:29 PM
(Imagem: Paixão/Gazeta do Povo)

(Imagem: Paixão/Gazeta do Povo)

A adolescência é uma fase diferenciada da vida, marcada por transformações profundas que vão além do corpo, alterando também a visão de mundo do indivíduo. Surgem novas experiências afetivas e sexuais, escolhas profissionais, desafios e possibilidades para quem está adquirindo uma autonomia crescente e vive em um mundo a se desvelar.

Entre as mudanças mais perceptíveis dessa fase estão as corporais, que trazem novas experiências de afetividade e sexualidade, causando, às vezes, conflitos com o próprio corpo e com os desejos. As novas experiências são intensas, paixões e desilusões, muitas vezes, aceleradas pelos apelos eróticos abundantes da sociedade contemporânea. Para os adultos pode ser desafiador conversar sobre esse assunto, mas é importante para o adolescente ter espaços de reflexão que, além do físico, considerem a expressão afetiva, de emoções e sentimentos.

Outro desafio dessa fase está relacionado às decisões profissionais, existindo pressão da sociedade e da família para que elas ocorram, aliados ao desejo de independência financeira e de aumento do seu poder de consumo. Essas escolhas são aliadas às possibilidades de cada família e à construção de um projeto de vida, que normalmente ainda não está claro. O apoio de adultos equilibrados nas reflexões sobre o trabalho como uma parte fundamental do projeto de vida e na identificação das habilidades e sonhos, contribui para que eles possam fazer escolhas mais assertivas.

Nessa fase, a família deixa de ser a única referência e a turma de amigos passa a ter um novo valor. Para os adultos, a convivência com adolescentes também pode ser desafiadora, pois muitas vezes eles se mostram rebeldes, distantes, ou intransigentes, e frequentemente nos deparamos com pessoas que não conseguem ter relações de qualidade com os jovens. Desencontros que podem gerar ausência de apoio dos adultos nessa fase tão importante da vida.

Embora uma parte das pessoas veja os jovens com enfoque nas dificuldades e defeitos, nos projetos da Gente de Bem também temos a oportunidade de ver o quanto eles são transformadores, criativos, competentes e bem intencionados. Para isso, como adultos, precisamos estar com eles de verdade, sendo exemplos positivos, abertos para escutá-los e apoiá-los não como crianças grandes, nem como adultos, mas como indivíduos que estão passando por uma fase intensa, de mudanças e escolhas.

>> Artigo escrito por Luciano Diniz, coordenador geral da Associação Gente de Bem, instituição que desenvolve formações para adolescentes, educadores e familiares baseadas nas concepções de educação integral transformadora. A Associação Gente de Bem colabora voluntariamente com o Instituto GRPCOM no blog Educação e Mídia.

>> Quer saber mais sobre educação, mídia, cidadania e leitura? Acesse nosso site! Acompanhe o Instituto GRPCOM também no Facebook: InstitutoGrpcom e no Twitter @InstitutoGRPCOM

Enviado por InstitutoGRPCOM, 18/11/14 4:20:36 PM
(Imagem: Benett/Gazeta do Povo)

(Imagem: Benett/Gazeta do Povo)

Por ocasião da 9ª Mostra Cinema e Direitos Humanos (em cartaz na Cinemateca), promovida pela Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, pelo Ministério da Cultura e pela Universidade Federal Fluminense, e localmente realizada pela produtora O Quadro e apoiada pelo Instituto Não-violência, tive a oportunidade de assistir alguns filmes sobre Memória e Verdade, que abordaram de diferentes perspectivas os anos do Regime Militar no país, posto que se completaram 50 anos do Golpe de 1964. Aproveito a ocasião para tecer algumas considerações sobre nossa responsabilidade enquanto pais e educadores na formação da consciência política dos mais jovens, sejam eles crianças ou adolescentes.

Vamos começar perguntando o óbvio, escondido justamente por excesso de visibilidade: de onde crianças e jovens extraem seus ideais e posicionamentos políticos? Como aprendem a se tornar cidadãos com a liberdade democrática de eleger seus representantes? Que qualidade de informações chegam até os pequenos, embasadas em quais fontes? Na infância sabemos que a criança repete de modo lúdico aquilo que enxerga no mundo adulto, muito mais do que aquilo que ouve ser o correto (durante uma bronca ou sermão, por exemplo). Na adolescência insistimos em falar em “rebeldia” e “transgressão”, mas ao mesmo tempo os jovens do século XXI são amplamente estereotipados por sua apatia política e pela comparação injusta com a juventude da década de 1960 e seus movimentos sociais de escopo global.

Chamadas por certos peritos de “agências de socialização primária”, as famílias desempenham um papel importante neste processo de construção de identidades e visões de mundo. Não há dúvidas disso, embora também não possamos considerar que em todos os casos a visão partidária de um pai vai se repetir em seus filhos. Também nas escolas crianças e jovens têm oportunidade de refletir sobre tais temas; inclusive é válido mencionar que em praticamente cem por cento dos projetos políticos pedagógicos das escolas brasileiras consta a missão de “formar cidadãos críticos e participativos”. Mas qual a verdadeira face deste compromisso partilhado pela esfera da casa e da escola? Temo, infelizmente, que este ideal seja muito mais retórico do que vivencial – posto que já ouvi inúmeras vezes profissionais da Rede Pública afirmando que uma retomada dos tempos da Ditadura seria bem-vinda, pois naquele tempo é que os alunos “respeitavam seus professores”. Medo é igual a respeito? Será?

Não há dúvidas, o calor do recente processo eleitoral que vivemos fez cair certas máscaras da tradicionalíssima “cordialidade do homem brasileiro”, emprestando a expressão fina de Sérgio Buarque de Holanda em sua obra Raízes do Brasil, originalmente publicada em 1936. Nesta fração de segundo histórica, pudemos vislumbrar – alguns com descaso, outros com severa preocupação – a síndrome da falta de letramento político que nós brasileiros sofremos. Em nome da defesa de seus candidatos, muito eleitores partiram para discursos de ódio, fundamentados na xenofobia, no machismo e, talvez principalmente, no ódio aos pobres. Teriam as crianças ficado como “café-com-leite” nas brincadeiras e os adolescentes transitado impunemente por este imaginários todos que vieram à tona? Creio que não, e embora o grau de absorção de informações seja bastante variável de acordo com nossa faixa etária, estamos sempre sendo permeados por discursos presentes no nosso entorno.

É ainda mais curioso avaliar que a política no Brasil figura praticamente como um tabu: não devemos falar sobre, assim como futebol e religião, tal assunto “não se discute!”. Se olharmos com mais cuidado, talvez seja razoável dizer que no repúdio à política – nas frases como “todos os políticos são corruptos e nos envergonham!” – há um forte componente de despolitização. Lembremos assim o saldo nada engraçado produzido durante a Ditadura: 500 mil pessoas foram perseguidas, 50 mil foram presas, cerca de 20 mil foram torturadas, mais de 400 assassinadas e 137 estão desaparecidas (Fonte: Direitos Humanos para a Paz). Lembremos que não se trataram de “unhas”, mas de espancamentos graves, pau de arara, choques elétricos, torturas psicológicas, para dizer o mínimo. Lembremos que justamente em 18 de novembro de 2011 foi aprovada a Lei 12.528, que instituiu a Comissão Nacional da Verdade (CNV).  Lembremos que tal comissão foi fortemente concessionada aos militares no poder hoje, especialmente por ter revogado ao poder legal de punir os acusados de tais violações.

A memória política é uma ferramenta indispensável para combater o esquecimento que perpetra tal mecanismo de despolitização ou repúdio à política – que acaba por ser facilmente internalizado pelos mais jovens. Somente pelo acesso a verdades históricas e discussões fundadas no conhecimento investigativo é que se torna possível combater os resquícios autoritários que a experiência silenciada da ditadura deixou dentro de nós. Afinal, como já diziam os fundadores da psicanálise, o inconsciente tem suas vias de nos governar secretamente. Cabe assim perguntarmos: que cidades, vizinhanças e escolas queremos? Quais são as bases de nossa cultura cívica ou posturas cidadãs? Talvez essas questões, amplas e complexas, permitam a emergência de novos olhares menos eu-cêntricos nas relações intergeracionais. Olhares que assumem as lutas por trás da garantia de nossas liberdades democráticas formais; olhares voltados para o respeito à diferença, à diversidade e à democracia do cotidiano que se aprende na família, na escola e na comunidade, todos os dias.

>> Artigo escrito por Mariana Corrêa de Azevedo, doutoranda em Sociologia pela Universidade Federal do Paraná – UFPR e graduada em Ciências Sociais pela mesma universidade. Atua no Instituto Não-Violência, instituição que colabora voluntariamente com o Instituto GRPCOM no blog Educação e Mídia.

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Enviado por InstitutoGRPCOM, 13/11/14 9:50:08 AM
(Imagem: Pixabay)

(Imagem: Pixabay)

As preocupações geradas para se garantir uma educação de qualidade perpassam por toda uma comunidade educativa. Famílias e escolas estão cada vez mais unidas e são cada vez mais parceiras, na busca, quase incessante, por um espaço democrático no processo ensino/aprendizagem para todas as crianças, jovens, adolescentes e adultos.

A legislação já vem sinalizando desde 1988 com a Constituição Federal, com o Estatuto da Criança e do Adolescente (1990), com a Lei de Diretrizes e Base da Educação Nacional (1996), com a Declaração de Salamanca, Espanha (1994), entre outros acordos internacionais ratificados por Decreto pelo governo brasileiro, que os direitos das pessoas com deficiência e transtornos são conquistas consolidadas.

Em um passado bastante recente, inclusão não fazia parte do cotidiano do ensino regular. As escolas especiais eram as responsáveis na condução da matrícula das crianças com deficiências e transtornos.

Com a implantação de classes especiais, no ensino regular, iniciou-se a ruptura da ideologia da exclusão para a implantação gradativa de uma política de inclusão. Aos poucos as classes especiais foram sendo cessadas e as famílias fazem um movimento de alerta junto à sociedade na tentativa de garantir a matrícula de suas crianças no ensino regular. Esse grito ecoou esparramando-se por toda a sociedade. Um eco que muitos não queriam sequer ouvir. Soava estranho e exigia mudanças.

Houve uma necessidade urgente de adaptações significativas para atender a demanda que agora se tornava uma responsabilidade do ensino regular. E esse mesmo ensino não contemplava em seu quadro de profissionais, aqueles com formação específica na educação especial. Os cursos de licenciaturas não preparavam graduandos para as diferentes demandas requeridas. Os espaços e os recursos físicos, humanos e financeiros que a escola dispunha exigiam uma adequação imediata.

Frente ao novo cenário, instauraram-se, junto às instituições de ensino, momentos de inquietação, dúvidas, preocupação com o como fazer e, por outro lado, as famílias cada vez mais confiantes com a nova possibilidade que surgia para atender suas crianças, iniciaram uma peregrinação batendo nas portas das escolas na busca dessa matrícula. Muitos ruídos de comunicação e alguns contratempos de ambas as partes aconteceram.

A nova realidade exigia mudança de paradigma. Mas, mudanças de paradigma não acontecem de maneira tão simplista como alguns profissionais do poder público esperavam. Mudar paradigma é mudar conceitos profundamente plantados ao longo de toda uma existência.

Nesse contexto, como é uma preocupação constante do SINEPE/PR atender e servir seus associados, foi introduzido no calendário de eventos um programa de capacitação pedagógica voltado para a inclusão educacional. Assim, iniciou-se a Semana da Inclusão no ano de 2011. Uma semana de estudos, palestras, oficinas e debates com profissionais da Secretaria de Estado da Educação, profissionais da área da saúde, psicopedagogos, professores especialistas da Educação Especial, professores especialista em legislação de ensino.

A procura por informação e orientação do como fazer teve um crescimento significativo por parte das instituições de ensino a cada nova edição da Semana da Inclusão. Nas duas semanas de 2014 (primeiro e segundo semestres) foram registradas as presenças de, aproximadamente, 115 educadores a cada dia do evento.

Dessa forma, escolas em conjunto com seus educadores demonstram um real interesse e preocupação em acolher com qualidade, eficácia e profissionalismo as famílias e suas crianças.

>>Artigo escrito por Fátima Chueire Hollanda, diretora da Teaching Consult e assessora pedagógica do Sindicato das Escolas Particulares do Paraná (Sinepe/PR). O SINEPE é colaborador voluntário do Instituto GRPCOM no blog Educação e Mídia.  

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Enviado por InstitutoGRPCOM, 07/11/14 3:39:16 PM
(Imagem: Divulgação)

(Imagem: Divulgação)

Conversando com uma colega professora, em fase de inserção profissional (até 5 anos de atuação), docente em curso técnico de nível médio, ela relatava sobre o desafio em “falar a linguagem” de seus estudantes. “Sabe, fico pensando o que devo fazer para elaborar atividades para que eles se interessem, vejo por exemplo, que eles ficam o tempo todo no celular. E eu acho que deveria ser proibido, porque não consigo competir com esse tal de smartphone”. Assim ela me dizia em uma de nossas conversas de sala de professores. Escutei-a e nisso, outra colega disse também concordar. Eis que decido me posicionar: “E quem disse que você deve competir com os smartphones?” Então ela me pergunta em tom de voz bem espantado: “mas você, uma pedagoga, é a favor de ter celular na sala?”

Nesse segundo momento de nossa conversa respondo com novos questionamentos. “Lembra quando você veio me contar que os seus alunos ao receberem uma proposta de atividade em que a primeira etapa era a conversão de graus Celsius para Fahrenheit? O que eles te perguntaram? Eles falaram: professora, mas… Temos um aplicativo aqui no celular que faz a conversão podemos usar? E aquela vez em que você propôs outra atividade deixando-os livre para apresentarem da forma que desejassem e então trouxeram vídeos?”

Quando somos docentes de ensino médio e técnico, não precisamos competir com os smartphones precisamos nos aliar a eles e ao protagonismo dos jovens, principalmente porque já estão com suas capacidades cognitivas superiores em desenvolvimento. Além disso, precisamos cada vez mais proporcionar a condição de transferência dos conceitos para situações reais do mundo do trabalho, da vida em sociedade.

Continuando a conversa busquei destacar que nosso desafio como comunidade escolar é aumentar o vínculo entre nossas escolas, comunidades e familiares. Até porque conforme pesquisas divulgadas pelo Conselho Nacional de Pesquisa dos Estados Unidos, não diferentes das realizadas no Brasil e divulgadas pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal do Nível Superior (Capes), desde 2007 nosso refletir e fazer necessariamente perpassará o: Trazer para a sala de aula currículos baseados em problemas do mundo real; Proporcionar estruturas de apoio e ferramentas para favorecer a aprendizagem; Construir comunidades locais e globais, incluindo professores, gestores, estudantes, pais e pesquisadores; Expandir as oportunidades de aprendizagem dos professores. (BRANFORD, BROWNS e COCKING, 2007).

Outro exemplo, que trouxe para a nossa conversa foi o questionamento de até que ponto discutimos em nossas comunidades as leis recentes de limitação e/ou proibição do uso dos dispositivos móveis em sala de aula já homologadas no Brasil? Precisamos proibir ou precisamos refletir sobre o quando, como e por que utilizar as tecnologias na vida pessoal, profissional ou estudantil?

E para “finalizar” a conversa, afirmei para a colega, a primeira da conversa: “Você lembra do sucesso conceitual apresentado nos vídeos? Do interesse e aprendizagem dos alunos nesse trabalho? Até porque quando você está em campo trabalhando sei muito bem que usa sua HP virtual aí em seu Iphone!” A conversa terminou numa boa risada, mas com muitos frutos que em breve compartilharei com vocês. Para multiplicarmos a discussão em nossas salas de professores e fora delas… E vocês estudante, professor(a), pedagogo(a), diretor(a),mãe, pai, responsáveis o que pensam disso?

Para ajudar na discussão vale conferir como está a legislação acerca do uso/proibição/limitação de dispositivos móveis em sala de aula pelo Brasil em seus âmbitos federal, estadual e municipal:

Projeto de Lei Federal 2806/2011  até 09/04/2014 em tramitação em análise na Comissão de Educação

http://www.camara.gov.br/proposicoesWeb/fichadetramitacao?idProposicao=529264

Lei Estadual nº 18.118/2014-PR, de 24 de junho de 2014 (Paraná)

http://www.legislacao.pr.gov.br/legislacao/listarAtosAno.do?action=exibir&codAto=123359

Lei Estadual nº 12.730/2007-SP, de 11 de outubro de 2007  (São Paulo)

http://www.al.sp.gov.br/norma/?id=74333

Referência: BRANSFORD, John D. BROWN, Ann L. RODNEY, R. Cocking (Org). Como as pessoas Aprendem: cérebro, mente, experiência e escola.  Comitê de Desenvolvimento da Ciência da Aprendizagem, Comitê de Pesquisa da Aprendizagem e da Prática Educacional, Comissão de Educação e Ciências Sociais e do Comportamento e Conselho Nacional de Pesquisa dos Estados Unidos; Tradução Carlos Davis Szlak. São paulo: Editora Senac São Paulo, 2007.

>> Escrito por Glaucia da Silva Brito e Michele Simoniam. Glaucia é professora do Departamento de Comunicação Social e dos Programas de pós-graduação em Comunicação (PPGCOM) e Educação (PPGE) da Universidade Federal do Paraná – UFPR, pesquisadora em Tecnologias de Informação e Comunicação na Educação. Michele é pedagoga, professora de educação básica técnica e tecnológica do IFPR, mestre em Educação e doutoranda em Educação. As profissionais colaboram voluntariamente com o Instituto GRPCOM no blog Educação e Mídia.

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Enviado por InstitutoGRPCOM, 04/11/14 2:10:24 PM
(Imagem: Pixabay)

(Imagem: Pixabay)

Quando se fala em comunicação é impossível desconsiderar o papel de cada um que está envolvido com ela, desde quem produz até quem é o público alvo. Há quem diga que uma mensagem eficaz é aquela que sai do emissor e chega, tal e qual – fiel, até o receptor. Mas, será que isso é possível? Um primeiro ponto a ser considerado é a relação entre significado e sentido.

Embora as palavras tenham seu próprio significado, a elas são atribuídos sentidos em função do conhecimento e experiência que se tem acerca delas. O segundo ponto é que essa atribuição de sentidos é construída a partir de várias fontes. A situação econômica, a escola, a família, as atividades de lazer, cultura e religião são alguns exemplos de instâncias mediadoras que estão nesta base de construção de sentidos e referências. Elas atuam como se fossem óculos diante do nosso olhar. Ampliam determinadas visões, as vezes ofuscam outras – tal como os óculos para perto ou para longe, algumas vezes amenizam situações – a exemplo dos óculos de sol.

Dessa forma, o exemplo de uma mensagem que “sai do emissor e chega idêntica ao receptor” se torna um paradigma questionável. A mensagem produzida será mediada pelas lentes que o receptor possui, o que lhe permitirá entender e interagir com esta mensagem, atribuindo a ela sentidos, que podem ser até diferentes do que foi imaginado pelo emissor. Por isso a comunicação é um processo que caminha sempre em mais de uma direção.

O pesquisador mexicano Guillermo Orozco Gómez, estuda esta relação entre emissor e receptor com foco nas mensagens televisivas. Se pessoalmente, frente a frente, as lentes que usamos se fazem presentes na atribuição de sentidos, diante das telas elas são ainda maiores, embora nem sempre conscientes.

Além dos filtros que já vimos, diante da TV se formam outras mediações. Uma delas é a própria televisão, que possui uma linguagem própria e chega para um grande número de pessoas, simultaneamente em condições diferentes. Outras mediações dizem respeito ao que se assiste, em que emissora, e por quais razões. E por fim, o lugar onde se assiste, as pessoas com quem se assiste e ocasião também são fatores que se fazem presentes neste processo.

Pensar sobre tudo isso é tomar consciência das lentes que se usa e assumir a possibilidade de uma interação cada vez mais ativa com os meios de comunicação. Que óculos você tem usado?

>> Artigo escrito por Everton Luiz Renaud de Paula, filósofo e mestrando em Educação pela Universidade Federal do Paraná – UFPR. Atualmente, é tutor na UFPR e professor tutor na Universidade Positivo. O profissional colabora voluntariamente com o Instituto GRPCOM no blog Educação e Mídia.

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Enviado por InstitutoGRPCOM, 30/10/14 4:52:52 PM
(Imagem: Divulgação)

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Comunicação. Algo que muitas vezes nos parece tão próximo, tão natural e familiar que confundimos com outros conceitos e práticas, como a própria informação e a mídia. A comunicação, enquanto processo de produção e apropriação de sentidos, é muito mais ampla, pois colabora para a construção das identidades e das diferenças dos sujeitos sociais.

A partir deste ponto de vista, é possível levantar o debate sobre o consumo (que faz parte do processo comunicativo) como um conjunto de processos socioculturais, em que se realizam a apropriação e os usos dos produtos, e como algo que ultrapassa os exercícios de gostos, caprichos e compras impensadas ou como atitudes individuais. Um dos autores que fala sobre o assunto é o antropólogo Néstor Garcia Canclini – pioneiro sobre o hibridismo das culturas latino-americanas.

Em seu livro “Consumidores e Cidadãos – conflitos multiculturais da globalização” (Editora UFRJ, 2010), o autor vincula o consumo à cidadania, desconstruindo “as concepções que julgam os comportamentos dos consumidores predominantemente irracionais e as que somente veem os cidadãos atuando em função da racionalidade dos princípios ideológicos”. Esse vínculo mostra o consumo como um espaço de valor cognitivo, útil para pensar e atuar de forma significativa e renovadora a vida social.

Quando se reconhece que ao consumir se reelabora o sentido social é preciso, nas palavras de Canclini, analisar como “esta área de apropriação de bens e signos intervém em formas mais ativas de participação do que aquelas que habitualmente recebem o rótulo do consumo”. Ao selecionar e eleger bens e marcas, os sujeitos sociais se apropriam dos significados, comunicam os modos de integração e diferenciação na sociedade.

O autor afirma que gostaria que esse livro fosse interpretado como uma conversa entre antropólogos, sociólogos e especialistas em comunicação, com artistas, escritores e críticos de arte e literatura sobre o que significa ser cidadão e consumidor em meio às mudanças culturais que alteram a relação entre o público e o privado. Entretanto, sugiro incluir “nesta conversa”, motivados por este post, educadores e educandos. É fundamental levar esta reflexão aos alunos e debater como construímos vínculos, identidades e diferenças a partir do que compreendemos e praticamos com relação ao consumo.

>>Patricia Melo é jornalista desde 2001 e há nove anos atua em benefício da Educação por meio da Comunicação. Por meio da sua empresa, Presença – Comunicação Educacional, produz textos, entrevistas e reportagens direcionados especialmente ao universo educacional. Dessa forma, contribui para um diálogo mais consistente e criativo entre a Escola e a Família. A profissional colabora voluntariamente com o Instituto GRPCOM no blog Educação e Mídia.

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Enviado por InstitutoGRPCOM, 28/10/14 4:34:31 PM
(Gestores da Escola Epheta recebem certificado de reconhecimento da ASID por sua liderança)

Gestores da Escola Epheta recebem certificado de reconhecimento da ASID por sua liderança.

A liderança é um tema discutido desde os primórdios da história da humanidade. Segundo Peter Drucker, pai da administração moderna, um bom líder é aquele capaz de atingir resultados. Abraham Lincoln, ex-presidente dos EUA, dizia que a maior habilidade de um líder é desenvolver aptidões extraordinárias em pessoas comuns. Podemos sintetizar estas ideias no conceito de que um bom líder é capaz de atingir resultados por meio das pessoas que lidera. Na área das instituições que atendem a pessoa com deficiência, um destes resultados é o desenvolvimento de seus beneficiários pelo impacto gerado por seus atendimentos.

Um estudo estatístico realizado pela ASID – Ação Social para Igualdade das Diferenças em cinco escolas filantrópicas de Curitiba que trabalham com a pessoa com deficiência apontou que existe uma correlação de 96,39% entre uma liderança com competências desenvolvidas e o resultado que os pais percebem nos filhos. O mesmo estudo, realizado em 2013, constatou uma correlação de 81,23% entre a liderança e a qualidade no atendimento aos alunos. Os dados foram resultado de uma pesquisa de clima organizacional realizada com professores, atendentes e equipe clínica, que avaliaram a direção da instituição em tópicos como relacionamento com a liderança, reconhecimento pelo trabalho realizado, motivação e satisfação geral.

Paralelamente foi feita uma pesquisa de satisfação com os pais de alunos em relação à qualidade do ensino/atendimento que seus filhos recebiam em temas como confiança na escola, evolução do aluno, atendimento prestado e satisfação geral na respectiva instituição. Entidades que possuíam líderes bem avaliados por seus colaboradores apresentaram um resultado positivo direto aos seus beneficiários.

Uma das instituições avaliadas, a Escola Epheta, referência no atendimento a crianças e adolescentes com deficiência auditiva, obteve nota de satisfação geral dos pais de alunos de 9,77 em uma escala de 0 a 10, e uma nota de 9,15 por parte de toda a equipe que trabalha na organização. Isto ocorreu porque uma liderança que é capaz de engajar e motivar uma equipe em prol de um objetivo gera um resultado muito maior em seu público final.

A capacitação dos líderes das escolas filantrópicas de educação especial em competências como a delegação de tarefas e o gerenciamento de crises é, portanto, uma das formas de melhorar o desenvolvimento das crianças, adolescentes e adultos com deficiência. A busca constante por aprimoramento destes líderes é fundamental para melhorar o impacto social gerado por sua instituição e, consequentemente, a evolução dos alunos.

>> Artigo escrito por Diego Tutumi Moreira, formado em Economia pela UFPR e fundador da  Ação Social para Igualdade das Diferenças –  ASID, organização social que trabalha para melhorar a gestão das escolas de educação especial gratuitas, resultando na melhoria da qualidade do ensino e na abertura de vagas no sistema. A ASID colabora voluntariamente com o Instituto GRPCOM no blog Educação e Mídia.

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Enviado por InstitutoGRPCOM, 23/10/14 5:08:09 PM
(Imagem: Marcelo Elias/ Arquivo/ Gazeta do Povo)

(Imagem: Marcelo Elias/ Arquivo/ Gazeta do Povo)

Para alguns alunos, assistir a um vídeo torna a aprendizagem mais fácil. Para outros, é preciso que o conteúdo esteja detalhado no quadro ou no livro. Há ainda aqueles que, a partir de um mapa mental, conseguem captar o conteúdo da matéria. São os diferentes estilos de aprendizagem, já classificados por estudiosos da área em visual/verbal, sequencial/global, sensorial/intuitivo e ativo/reflexivo. Numa sala de aula, composta por alunos que aprendem de diferentes formas, o grande desafio do professor é conseguir transmitir o conteúdo de maneira que todos entendam.

Porém, o professor também tem um estilo de docência que está vinculado ao seu estilo de aprendizagem e, naturalmente, para ensinar, segue esse estilo. E é aí que muitas vezes acontecem divergências entre o que o professor ensina e o que a turma absorve. Enquanto em uma turma o professor consegue promover o pleno aprendizado de seus alunos, em outras, as dificuldades persistem e o conteúdo acaba não sendo absorvido.

Em termos de gestão educacional, disseminar o conhecimento desses diferentes estilos e instrumentalizar os professores para que se desenvolvam também em outros estilos de aprendizagem que não aquele que lhes é nato, é uma boa alternativa para promover a melhoria da qualidade da educação oferecida.

Nesse sentido, o TECPUC, centro de educação profissional do Grupo Marista, está fazendo uma experiência exitosa em Curitiba. A partir do mapeamento dos estilos de aprendizagem dos quase 300 alunos dos cursos técnicos integrados, foi possível encontrar o estilo predominante em cada turma e, a partir daí, ajudar os professores a criarem estratégias que convergissem com esses estilos.

Com essa iniciativa, professores e alunos passam a “falar” uma linguagem mais próxima, aumentando as chances de compreensão real dos conteúdos transmitidos. É a busca pela excelência na educação, que marca a vida profissional de todos os professores.

Aplicar os estilos de aprendizagem ao contexto educacional de forma ampla é uma maneira de se apropriar dos conhecimentos sobre o desenvolvimento cognitivo para melhorar práticas diárias. Significa estimular estilos menos favorecidos e manter um bom desempenho com os demais, de tal modo que todos os alunos possam aprender, independentemente do seu estilo pessoal.

>>Artigo escrito por Elcio Miguel Prus. Coordenador dos cursos técnicos integrados do TECPUC, centro de educação profissional do Grupo Marista, colaborador voluntário do Instituto GRPCOM no blog Educação e Mídia. 

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Enviado por InstitutoGRPCOM, 21/10/14 5:12:51 PM
(Imagem: Antonio More/Gazeta do Povo)

(Imagem: Antonio More/Gazeta do Povo)

Que fique aqui lavrado – prefiro uma aula mais ou menos ao improviso, essa arte dos sortudos e malabaristas. Lecionar “na louca”, como se dizia, provoca uma sensação estranha na espinha, se é para sentir calafrios, que seja na montanha russa. Mas convenhamos – nem uma, nem duas vezes aquele encontro educacional que tinha tudo para dar errado vira um dos melhores momentos. Vá entender.

Certa vez comentei aqui uma matéria publicada na revista Superinteressante – chamava-se “O maldito powerpoint”, ou algo assim. Se bem me lembro, entre outras, falava da dependência que os professores sentem dos slides e seus truques. Esquecer o pendrive em casa ou não preparar a apresentação pode equivaler a sentir vertigens na escada rolante. Maldito powerpoint, sem ele, sem chão.

Mas seria injusto culpá-lo das aulas enfadonhas e previsíveis – como um dia fizemos ao nos referirmos às aulas expositivas, calçadas no uso da lousa, giz e de uma ameaçadora varinha. Até porque uma aula expositiva – com giz ou com projeção, não importa – podem ser o melhor remédio. Meses atrás, uma assistente social – ex-moradora de uma ocupação irregular e hoje pesquisadora na Alemanha – confidenciou que a dobra de sua vida se deu numa aula bem convencional, assistida na PUCPR, debaixo da batuta do professor Bortolo Valle. Em resumo, é relativo.

Daí a tese de que certas aulas “acontecem”, para além dos nossos planejamentos, embora seja desaconselhável descartá-los. Ouvi isso de uma pedagoga. Dizia que se ao longo da profissão déssemos uma aula boa que fosse, nossa carreira teria valido a pena. Confesso que achei um pouco exagerado, mas é fato é que podemos contar nos dedos as vezes em que saímos da classe com a alegria plena de quem viajou de balão na Capadócia.

É uma experiência boa que a pedagogia não basta para explicar. Melhor recorrer a todas as ciências humanas e às ciências humanas aplicadas, somando também a astrologia, de modo a entender a conjunção astral que fazem com que discurso, vontade, conteúdo, bem estar, estado de espírito e tudo mais, às vezes, corram sobre trilhos, levando-nos ao melhor dos mundos, o aprendizado azeitado de prazer. Algumas hipóteses.

Na minha mocidade cursei faculdade de Belas Artes. Brincávamos dizendo que na “Belas” sempre faltava alguma coisa. Se tinha luz não tinha água. Se tinha professor, não tinha aula naquele dia – por causa de um recesso maluco qualquer. Aberto um ateliê novo, faltava modelo e barro. Mas quando dava tudo certo, uau, aquelas aulas em círculo, com todos falando sobre arte, compensava cada minuto de penúria. Acontecia.

De outra feita, noutro curso, tive um professor brilhante, expert na obra de Antonio Candido, que desossava com perícia. Colocava os alunos em roda e seguia filosofando sobre o texto, sem metas, métodos ou qualquer outra recomendação do mundo corporativo. Ia até onde dava. No dia seguinte, atirava-se de novo do precipício, num exercício de eterno retorno. Nunca se levantava para ir ao quadro – e todos supúnhamos que sua perna dobrada embaixo do quadril devia ficar formigando. Fazia longas pausas, uma agonia, como se esperasse um dowload que custava a concluir. Raramente era simpático. Mesmo assim, acontecia. Penso que seu segredo – ou a ausência dele – é que construía um raciocínio elaborado de forma lenta, tornando-nos parte daquilo que pensava. Ao final, quando chegava a amarrações brilhantes, era como se fôssemos parte daquela criação. Podemos chamá-lo de mestre paradidático.

De modo que toda aula boa e “acontecida”, por mais que pareça uma predestinada, um fruto do acaso, não é uma ilha, mas o ápice de uma série das tais aulas mais ou menos, nas quais carregamos pedras, quais penitentes de missões. Algo é grande porque uma série de pequenezas assim o fizeram. O desejo alimentado por uma aula inesquecível numa escola de Belas Artes nascia da centena de vezes com que a ensaiávamos, em ocasiões menos felizes.

Do contrário, estaríamos falando em mágica e milagre, questiúnculas sujeitas a lupa quando se trata da educação. Melhor falar em epifania, que exige mais pé no chão e é tão encantadora quanto. Aquela aula que acontece tem de ser mesmo de vez em quando, de modo a iluminar todas as outras. Do contrário, estaríamos num circo, e não numa escola. Além do mais, iria nos faltar memória para guardar tantas aulas incríveis, lecionadas por professoras maravilhosas e seus alunos extraordinários. Overdose, não é recomendado.

>> José Carlos Fernandes é jornalista da Gazeta do Povo e professor do curso de Jornalismo da Universidade Federal do Paraná – UFPR. O profissional colabora voluntariamente com o Instituto GRPCOM no blog Educação e Mídia.

>>Quer saber mais sobre educação, mídia, cidadania e leitura? Acesse nosso site! Acompanhe o Instituto GRPCOM também no Facebook: InstitutoGrpcom e no Twitter @InstitutoGRPCOM

Enviado por InstitutoGRPCOM, 20/10/14 2:25:05 PM
(Imagem: Divulgação)

(Imagem: Divulgação)

O papel do professor no século XXI passou a ter inúmeras roupagens. Além da escolarização, ele se tornou tutor, mentor, psicólogo, mãe, pai e amigo, muitos papéis para os quais não foi preparado para exercer, pois não são essas suas funções.

Quando assistimos aos noticiários acompanhando os pareceres, a legislação vigente, as deliberações e os projetos de lei que têm assolado quase que diariamente o setor da educação, percebemos que a profissão do professor virou uma grande aventura, uma profissão de risco.

Sim, estamos em perigo. Pensemos juntos: com a inclusão, as escolas são obrigadas a atender crianças com todos os tipos de síndromes.  Muitas vezes, o professor tem em sala 25 alunos e, dentre eles, por exemplo, um agressor severo, um autista, duas crianças com déficit de atenção e outra hiperativa. Em alguns casos, são crianças que perdem o equilíbrio emocional com muita facilidade, muitos sem receber os medicamentos e terapias adequados. Sem esquecer dos alunos que mordem e batem nos amigos.

Esse professor corre perigo, ele está à mercê de uma ocorrência grave a qualquer momento. O perigo pode ser físico e emocional: físico por ser machucado pelo aluno, e emocional por se sentir incapaz perante a situação, pois ele não foi capacitado para lidar com essa realidade.

Pensemos na questão jurídica, que também foi colocada ao professor. Como ele fará uma contenção corpórea neste exemplo que cito? Como justificar perante as crianças e, principalmente, a comunidade escolar que um professor se jogou em cima do aluno para conter sua agressividade para com outra criança?

Quando teremos em nossa nação pessoas que consigam fazer um pensar coletivo de educação para que não estourem dentro das salas de aulas os problemas recorrentes a um educar sem qualidade?

Se tivermos que fazer inclusão severa, sem condições, onde ficará o pedagógico, a aprendizagem, a sistematização? O que fluirá com qualidade e onde ficaremos devendo qualidade?

Podemos também ir mais longe neste pensamento e preocupação. Esta criança de inclusão precisa de atendimento clínico fora da escola, pois a inclusão não existe sem a questão clínica junto ao processo. Muitas vezes, a família se nega a levar o filho para atendimento. E se leva ao médico, demora muitas vezes um ano para um diagnóstico, pois no setor público encontramos a fila de espera, e no setor privado, pesa o alto custo financeiro para as famílias.

Enquanto se aguarda esse processo moroso, a criança está em sala de aula, à deriva, perante os amigos junto com a professora que precisa de alguma maneira se virar com a situação. Um problema que é dela, já que o Poder Público não vive o que ela passa em sala de aula.

A questão da inclusão sem precedentes é muito séria e precisa ser estudada, referenciada por todos, independente do cargo ou o que faça, pois hoje tudo gira em torno do pedagogo. Isso precisa ser pensado na qualidade de vida deste ser humano, responsável pelo futuro do nosso país. É na educação que está o segredo do sucesso do país, sentimos isso na Alemanha. A educação e o planejamento são sérios e devem ser repensados para que o professor possa ter qualidade em seu trabalho, não sendo obrigado a exercer o papel de fisioterapeuta e psiquiatra em muitas situações.

A escolarização normal é para todos, sabemos disso, mas existem situações de inclusão que são extremamente graves e sem possibilidade alguma de serem escolarizados junto a outras crianças. Avaliar a perda dos outros alunos se faz necessária, assim como ter escolas de qualidade para atender crianças com problemas graves, para termos justiça e ética, juntamente com um repensar da inclusão social. Já a inclusão pedagógica é diferente e precisa ser pensada por todas.

Pensar em todos e tudo e não simplesmente fazer leis impossíveis de serem cumpridas. Queremos a inclusão de qualidade e não um grande fazer de conta que acontece hoje na maioria dos estados brasileiros.

>>Artigo escrito por Esther Cristina Pereira, diretora da Escola Atuação, de Curitiba (PR) e diretora de Ensino Fundamental do Sindicato das Escolas Particulares do Paraná (Sinepe/PR). O SINEPE é colaborador voluntário do Instituto GRPCOM no blog Educação e Mídia.  

>>Quer saber mais sobre educação, mídia, cidadania e leitura? Acesse nosso site! Acompanhe o Instituto GRPCOM também no Facebook: InstitutoGrpcom e no Twitter @InstitutoGRPCOM

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