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Enviado por InstitutoGRPCOM, 20/10/14 2:25:05 PM
(Imagem: Divulgação)

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O papel do professor no século XXI passou a ter inúmeras roupagens. Além da escolarização, ele se tornou tutor, mentor, psicólogo, mãe, pai e amigo, muitos papéis para os quais não foi preparado para exercer, pois não são essas suas funções.

Quando assistimos aos noticiários acompanhando os pareceres, a legislação vigente, as deliberações e os projetos de lei que têm assolado quase que diariamente o setor da educação, percebemos que a profissão do professor virou uma grande aventura, uma profissão de risco.

Sim, estamos em perigo. Pensemos juntos: com a inclusão, as escolas são obrigadas a atender crianças com todos os tipos de síndromes.  Muitas vezes, o professor tem em sala 25 alunos e, dentre eles, por exemplo, um agressor severo, um autista, duas crianças com déficit de atenção e outra hiperativa. Em alguns casos, são crianças que perdem o equilíbrio emocional com muita facilidade, muitos sem receber os medicamentos e terapias adequados. Sem esquecer dos alunos que mordem e batem nos amigos.

Esse professor corre perigo, ele está à mercê de uma ocorrência grave a qualquer momento. O perigo pode ser físico e emocional: físico por ser machucado pelo aluno, e emocional por se sentir incapaz perante a situação, pois ele não foi capacitado para lidar com essa realidade.

Pensemos na questão jurídica, que também foi colocada ao professor. Como ele fará uma contenção corpórea neste exemplo que cito? Como justificar perante as crianças e, principalmente, a comunidade escolar que um professor se jogou em cima do aluno para conter sua agressividade para com outra criança?

Quando teremos em nossa nação pessoas que consigam fazer um pensar coletivo de educação para que não estourem dentro das salas de aulas os problemas recorrentes a um educar sem qualidade?

Se tivermos que fazer inclusão severa, sem condições, onde ficará o pedagógico, a aprendizagem, a sistematização? O que fluirá com qualidade e onde ficaremos devendo qualidade?

Podemos também ir mais longe neste pensamento e preocupação. Esta criança de inclusão precisa de atendimento clínico fora da escola, pois a inclusão não existe sem a questão clínica junto ao processo. Muitas vezes, a família se nega a levar o filho para atendimento. E se leva ao médico, demora muitas vezes um ano para um diagnóstico, pois no setor público encontramos a fila de espera, e no setor privado, pesa o alto custo financeiro para as famílias.

Enquanto se aguarda esse processo moroso, a criança está em sala de aula, à deriva, perante os amigos junto com a professora que precisa de alguma maneira se virar com a situação. Um problema que é dela, já que o Poder Público não vive o que ela passa em sala de aula.

A questão da inclusão sem precedentes é muito séria e precisa ser estudada, referenciada por todos, independente do cargo ou o que faça, pois hoje tudo gira em torno do pedagogo. Isso precisa ser pensado na qualidade de vida deste ser humano, responsável pelo futuro do nosso país. É na educação que está o segredo do sucesso do país, sentimos isso na Alemanha. A educação e o planejamento são sérios e devem ser repensados para que o professor possa ter qualidade em seu trabalho, não sendo obrigado a exercer o papel de fisioterapeuta e psiquiatra em muitas situações.

A escolarização normal é para todos, sabemos disso, mas existem situações de inclusão que são extremamente graves e sem possibilidade alguma de serem escolarizados junto a outras crianças. Avaliar a perda dos outros alunos se faz necessária, assim como ter escolas de qualidade para atender crianças com problemas graves, para termos justiça e ética, juntamente com um repensar da inclusão social. Já a inclusão pedagógica é diferente e precisa ser pensada por todas.

Pensar em todos e tudo e não simplesmente fazer leis impossíveis de serem cumpridas. Queremos a inclusão de qualidade e não um grande fazer de conta que acontece hoje na maioria dos estados brasileiros.

>>Artigo escrito por Esther Cristina Pereira, diretora da Escola Atuação, de Curitiba (PR) e diretora de Ensino Fundamental do Sindicato das Escolas Particulares do Paraná (Sinepe/PR). O SINEPE é colaborador voluntário do Instituto GRPCOM no blog Educação e Mídia.  

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Enviado por InstitutoGRPCOM, 14/10/14 5:05:23 PM
(Imagem: André Rodrigues/Gazeta do Povo)

(Imagem: André Rodrigues/Gazeta do Povo)

A enorme polarização política existente no Brasil nos últimos tempos tem gerado efeitos nefastos sobre a nossa percepção da realidade. O clima de torcida em clássico de futebol que invade qualquer debate sobre os rumos de nossa sociedade impede-nos, individual e coletivamente, de compreender de forma plena as transformações e avanços que nossa sociedade tem experimentado nos últimos anos.

Um tema no qual tal polarização é particularmente prejudicial é a educação. Ainda que seja elencada nos discursos de palanque ou de mesa de bar como uma das prioridades nacionais, ignora-se na maior parte das vezes o real cenário no qual as escolas e o sistema educacional brasileiro se encontram, pois enquanto de um lado pinta-se um cenário apocalíptico, de outro se vende a ideia de que nossos seculares problemas foram sanados pela ação redentora dos ocupantes do poder. Felizmente, nossa realidade educacional é bem mais complexa do que se pinta.

Se é ingênuo imaginar que a educação brasileira vai bem, obrigado, é igualmente naïf pensar que em nada se avançou nos últimos anos. Tome-se como exemplo a questão do tempo que a criança passa dentro da escola: se ainda não atingimos aquilo que se observa nos países com bons índices educacionais (e aqui o parâmetro são os membros da OCDE), pelo menos hoje reconhecemos a necessidade de que cada criança e jovem passe mais que 4 horas por dia no ambiente escolar. Tal mudança se deu, obviamente, não apenas por obra e graça de um governo – aliás, se há um erro em nossa sociedade é achar que a educação vai mudar APENAS pela ação governamental; a pressão de pais, empregadores, professores, juntamente com alguns programas oficiais, tem feito este cenário mudar.

Dito isso, destaco um interessante caminho para as escolas públicas ampliarem o atendimento à comunidade, que é o programa federal Mais Cultura nas Escolas. Por meio de parcerias realizadas entre escolas e entidades culturais, podem ser apresentados projetos com orçamento de até R$20 mil para o desenvolvimento de atividades culturais e artísticas no âmbito escolar, exclusivamente para aquelas instituições que já participam dos programas Mais Educação e Ensino Médio Inovador. Com isso, espera-se que as instituições absorvam a produção cultural e artística existente no seu entorno, tornando-a um espaço de vivência da arte e da cultura.

Em 2014 o programa aprovou mais de cinco mil propostas que já estão em execução em todo o território nacional. Sabemos que, dado o gigantismo de nosso país e as profundas desigualdades existentes entre os diversos estabelecimentos de ensino, não será apenas uma iniciativa dessa natureza que resolverá todos os problemas da educação. No entanto, reconhecemos o mérito do programa ao considerar a importância da cultura para a formação dos estudantes, para a valorização dos saberes locais e, principalmente, para o protagonismo do espaço escolar nas comunidades. Em nossa visão, uma grande escola não se faz com equipamentos de última geração, fachadas espelhadas ou mármore nos banheiros; pelo contrário, de nada resolvem investimentos em estrutura física se os mesmos não forem acompanhados de uma vivência efetiva, por parte da comunidade, do dia a dia escolar e de seu reconhecimento como espaço de confluência de conhecimentos que ultrapassem o tecnicismo e o decoreba. Iniciativas como essa que levam a arte para dentro da escola, por exemplo, e induzem os gestores escolares a buscarem soluções que vão além dos governos, apontam nessa direção e fazem com que nossas crianças tenham uma vivência mais rica e mais prolongada em seu dia a dia como estudantes.

>>Christiano Ferreira é historiador e atua há mais de 10 anos no Ensino Básico e Superior como docente e gestor educacional. Atualmente coordena o Projeto Tetear, da Parabolé Educação e Cultura, que leva oficinas de arte e educação para crianças e jovens em situação de vulnerabilidade social na Região Metropolitana de Curitiba. O profissional colabora voluntariamente com o Instituto GRPCOM no blog Educação e Mídia.

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Enviado por InstitutoGRPCOM, 10/10/14 3:02:55 PM
(Imagem: Roberto Custódi/Jornal de Londrina)

(Imagem: Roberto Custódi/Jornal de Londrina)

Partes desse texto estavam engavetadas há alguns meses. Trechos guardados porque tínhamos decidido nos calar. Porém, refletindo e relendo a partir de nossas vivências, de nosso trabalho e reelaborando nosso pensar na relação teoria e prática, resolvemos retomá-los e compartilhá-los.

Ao final, pretendemos que compreendam de onde parte o questionamento do título. Para começar vamos conhecer a defesa que o professor Marcelo Borba, da UNESP de Rio Claro, faz em relação à abordagem de “coletivos seres-humanos-com-mídias”.

Marcelo é professor de Matemática e, quando ensina no intuito de que o aluno compreenda e, consequentemente, aprenda, ele defende a utilização das tecnologias. Desde tecnologias não tão novas, como material dourado, o tangram, lápis e papel, até as chamadas novas tecnologias digitais que advêm dos tempos de telemática, da internet e que carregam conteúdos digitais como simuladores, softwares e calculadoras gráficas que nos permitem conversar, produzir e aprender em rede e em colaboração com outros. A tese do professor Marcelo é, em essência, a de que o conhecimento se estabelece a partir desse coletivo formado por seres humanos e tecnologias, ou seja, na escola por coletivos seres-humanos-com-mídias.

Pois bem, a questão de sermos coletivos seres-humanos-com-mídias quando aprendemos Matemática ou qualquer outra disciplina escolar tem sido muito debatida por pesquisadores das escolas e pela sociedade em geral. E, nós, como professoras e pesquisadoras, temos alguns indícios de que o pensamento se (re)organiza de uma forma diferenciada quando usamos tecnologias, as tais mídias -  indícios também apontados pelo pesquisador e psicólogo Oleg K. Tikhomirov.

Podemos afirmar que o uso de mídias na escola, faz com que pensemos de forma diferente. Nosso pensamento se (re)organiza a ponto de facilitar nossa compreensão e aprendizagem sobre conceitos matemáticos, deste modo, somos coletivos seres-humanos-com-mídias. Mas, de onde parte o questionamento que abre esse texto? Será que só vemos vantagens em sermos seres-humanos-com-mídias?

O questionamento surge quando saímos da escola e observamos algumas situações do cotidiano. Situações, nas quais, nós seres-humanos-com-mídias, professores e alunos, temos a capacidade de filmar, retratar, registrar e compartilhar imagens de outras pessoas em situações de risco, perigo ou felicidade e, em muitas delas, não participamos e sequer interferimos. Situações que são registradas e publicadas nas redes sociais e, logo depois, comentadas por pessoas indignadas, transbordando ira e outras coniventes. Situações em que seres-humanos-com-mídias ressignificam os rituais dos “registros na caverna” no afã de deixar sua marca ou o seu autorretrato impresso, marcado.

Nessas situações, muitas vezes descartam o espaço de dor, de luto, de alegria, de felicidade que a situação retrata. E, então nos perguntamos, mas que humanos somos?

O questionamento indignado continua quando, em tempos de eleições, lemos e assistimos os resultados, as estatísticas das ditas tendências eleitorais e atuamos como profissionais. Representações gráficas, bem como representações audiovisuais, feitas por “seres humanos-com-mídias” que são, muitas vezes, publicadas, compartilhadas e apenas revelam o uso capcioso das “mídias”. Uso que faz com que a suposta maioria, não se pergunte sequer: o que há de “verdade na realidade?”.

E então, constatamos, a escola, a sociedade, nós “seres-humanos-com-mídias”, que ainda engatinhamos, tanto na compreensão do uso dessas mídias para promover aprendizagens, quanto para convivermos em uma sociedade em rede, com características próprias e que se estabelece ancorada em redes digitais.

Estamos imersos em um universo comunicativo e tecnológico, em que as mudanças nas relações sociais são mediadas pelas práticas midiáticas. A escola, e nos atrevemos dizer, que a sociedade em rede na qual vivemos, precisam ver além dos conteúdos para, quem sabe, podermos nos tornar “seres-humanos-com-mídias” e mais humanos.

Seres-humanos-com-mídias que consigam fazer leituras que permitam perceber o uso capcioso que alguns fazem das mídias, das tecnologias. Leituras que nos permitam compreender se essas “mídias” estão a favor ou contra seres humanos, a favor ou contra quais seres humanos.

E mais uma vez indagamos: Somos coletivos seres-humanos-com-mídias, mas que humanos?

>> Escrito por Glaucia da Silva Brito e Gílian Cristina Barros. Glaucia é professora do Departamento de Comunicação Social e dos Programas de pós-graduação em Comunicação (PPGCOM) e Educação (PPGE) da Universidade Federal do Paraná – UFPR, pesquisadora em Tecnologias de Informação e Comunicação na Educação. Gilian é professora da Rede Pública do Estado do Paraná, também pesquisadora em Tenologias na Educação e doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Educação da UFPR. As profissionais colaboram voluntariamente com o Instituto GRPCOM no blog Educação e Mídia.

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Enviado por InstitutoGRPCOM, 09/10/14 5:31:21 PM
(Imagem: Divulgação)

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Educadores bem preparados para desempenhar a arte de educar é um dos principais passos para que nossas crianças e adolescentes recebam uma educação de qualidade. Infelizmente, a maioria das formações docentes do Brasil conta com uma pequena carga horária direcionada às práticas pedagógicas e às disciplinas relacionadas com didática e comportamento humano. Sem o preparo adequado sofrem ambos, professores e alunos.

O sistema educacional da Finlândia é um dos mais admirados do mundo e ocupa as melhores posições nas avaliações mundiais da área, como o PISA e o Índice de Educação Global, da Organização das Nações Unidas. A revolução educacional finlandesa, iniciada na década de 1970, impulsionou um país que perdeu guerras e teve um processo de industrialização tardio, transformando-o em uma das nações mais ricas do mundo. Hoje, a Finlândia ocupa as primeiras posições nos índices de inovação, qualidade de vida e sustentabilidade!

Um dos pilares do sucesso desse sistema é a sólida formação dos educadores, que enfatiza o desenvolvimento da reflexão crítica, de competências pedagógicas e os prepara para o diagnóstico e acompanhamento dos alunos com dificuldades de aprendizagem.

Com o objetivo de desenvolver competências profissionais diretamente aplicáveis ao ofício do educador, a Embaixada da Finlândia está custeando 25 bolsas de estudo na Pós-graduação em Educação Integral Transformadora da Associação Gente de Bem. A formação conta com um corpo docente renomado, incluindo a participação especial de educadores finlandeses.

O processo seletivo para as bolsas de estudos já está aberto e vai até o dia 31 de outubro. O regulamento e as inscrições podem ser acessados em www.gentedebem.org.

>> Artigo escrito por Luciano Diniz, coordenador geral da Associação Gente de Bem, instituição que desenvolve formações para adolescentes, educadores e familiares baseadas nas concepções de educação integral transformadora. A Associação Gente de Bem colabora voluntariamente com o Instituto GRPCOM no blog Educação e Mídia.

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Enviado por InstitutoGRPCOM, 30/09/14 11:05:43 AM
(Imagem: Arquivo Pessoal)

(Imagem: Arquivo Pessoal)

As pessoas com deficiência precisam de estímulos externos específicos para desenvolver seus sentidos e personalidade. O papel das escolas em que estudam é essencial, pois lá recebem o tratamento mais adequado para ampliar seu potencial de acordo com as limitações impostas pela deficiência. Igualmente importante é a família, que exerce um papel fundamental na inclusão social da pessoa com deficiência.

Os pais devem estar atentos desde cedo para identificar se a criança possui alguma deficiência. Algumas delas, como o autismo, não são detectadas por meio de exames de sangue, e a descoberta precoce irá garantir o desenvolvimento pleno do autista. Após o diagnóstico os pais devem se preparar para uma rotina distinta da que imaginavam, e isso não é negativo como muitos pensam. É apenas diferente.

Preparar-se para criar um filho com deficiência significa saber que o desempenho escolar será diferente do comum; que, em alguns momentos, a criança passará por surtos sem motivos aparentes; que a rotina de remédios deverá ser seguida à risca para que o desempenho escolar não seja prejudicado; e que o carinho dado talvez não seja recíproco, pois, muitas vezes, apesar de a criança também sentir amor, ela não conseguirá expressá-lo.

A compreensão destas questões aparentemente óbvias faz parte de um mundo ideal que infelizmente ainda não é realidade. No dia a dia dos trabalhos realizados pela ASID (Ação Social para Igualdade das Diferenças) nas escolas de educação especial, ouvimos relatos dos mais variados. A maioria das famílias atendidas por estas entidades é de baixa renda, e muitas vezes, a escola oferece a única refeição que suas crianças terão no dia. Alguns pais não têm consciência das necessidades do filho com deficiência ou não sabem lidar com elas, e por isso recorrem a fugas como o álcool.

Já ouvi relatos de diretores de escolas que recebem alunos dopados na segunda-feira, porque os pais não conseguem lidar com eles no final de semana e os enchem de remédios. Nestas situações, nem a metodologia mais específica de comportamento é capaz de atingir o resultado almejado.

Algumas instituições, como a Escola Renascer, que atende 400 alunos de Curitiba e Região Metropolitana, trabalham com deficiências causadas pelo próprio convívio familiar, onde o jovem tem desenvolvimento psicológico interrompido e não consegue evoluir. Conforme conta a coordenadora de projetos da escola, Fernanda Hederle, as crianças e adolescentes atendidos estão em situação de vulnerabilidade social e têm dificuldades na adaptação social. “A família chega à instituição após encaminhamento da Secretaria Municipal de Educação. O agravamento do quadro do jovem está relacionado à precariedade cultural e social destas famílias. Quando a família adere ao atendimento multidisciplinar ofertado há um salto qualitativo de melhoria do aluno.”

As cerca de 30 escolas gratuitas para pessoas com deficiência em Curitiba e região que conheci fazem um excelente trabalho de fortalecimento da estrutura familiar por meio de assistentes sociais como Karin Kegler, da Escola Especializada Primavera. Ela lembra que a família é o primeiro contato social dos alunos: “No seio familiar, ele vai aprender a lidar com as diferenças, principalmente no caso da pessoa com deficiência. Quando frequenta a escola, o jovem leva muitos aspectos da família. O papel da escola é compreender e orientar a dinâmica familiar.”

Fica claro que o desenvolvimento do aluno com deficiência depende de um trabalho conjunto da escola e da família. O exemplo de Rosilda Souza, mãe de Guilherme Caíque, é inspirador: “O apoio que damos para ele desde que nasceu foi e é fundamental. Independentemente da nossa situação financeira procuramos dar o melhor, estar ao lado dele. Por isso, aos nove anos, ele deixou de ser cadeirante. Apesar de as pessoas acharem que ele não entende o que queremos dizer, ele entende sim. Por isso mostramos o que é certo e o errado. A família é muito importante em todo o processo de desenvolvimento. Sem o incentivo dos pais o filho vai ficar ali, penando.”

Guilherme Caíque recebeu a medalha de 3º Lugar na Categoria Arremesso de Peso nos Jogos Escolares do Paraná 2014.

>> Este artigo foi escrito pelo economista Luiz Hamilton Ribas, que é diretor de Marketing e Voluntariado e um dos fundadores da Ação Social para Igualdade das Diferenças –  ASID, organização social que trabalha para melhorar a gestão das escolas de educação especial gratuitas, resultando na melhoria da qualidade do ensino e na abertura de vagas no sistema. A ASID colabora voluntariamente com o Instituto GRPCOM no blog Educação e Mídia.

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Enviado por InstitutoGRPCOM, 29/09/14 11:47:17 AM
(Imagem: reprodução)

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Algumas ferramentas que estão à disposição dos eleitores neste ano, podem ser levadas também para as salas de aula, independente dos alunos estarem ou não em idade de votar. Uma delas é o Diagrama de Nolan, um teste online capaz de identificar a posição e as visões políticas de quem o responde, de acordo com as principais correntes de pensamento político.

Esse teste foi disponibilizado pela Gazeta do Povo em seu portal de notícias, e integra a gama de ações da campanha Voto Consciente, encabeçada pelo Grupo Paranaense de Comunicação, por meio de seus veículos.

Desenvolvido pelo cientista político americano David Nolan e intitulado com o sobrenome do criador, o teste tem dez perguntas, das quais cinco cobrem questões de liberdade individual, e cinco abarcam questões de ordem econômica. A partir da análise das respostas fornecidas, o diagrama posiciona o pensamento político do participante em um dos cinco grupos: esquerda, direita, centro, libertário e estatista.

De acordo com informações da Gazeta do Povo, David Nolan era um libertário e acreditava que a divisão tradicional direita e esquerda não abrangia todas as formas de posicionamento político. Em 1969, ele desenvolveu o teste que identifica, a partir de perguntas sobre economia e sociedade, a tendência política do participante.

Para acessar o teste, clique aqui.

>Escrito pela equipe do Instituto GRPCOM, com informações da Gazeta do Povo.

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Enviado por InstitutoGRPCOM, 26/09/14 3:38:39 PM
(Imagem: Marcelo Andrade/Gazeta do Povo)

(Imagem: Marcelo Andrade/Gazeta do Povo)

Com as Diretrizes Curriculares Nacionais consolidadas de novembro de 2009 a maio de 2011, para a Educação Infantil, Educação Básica, Ensino Fundamental de nove anos e Ensino Médio, o que se podia esperar seria que a discussão sobre o Currículo ganharia corpo e a restruturação do Ensino Médio passaria do momento da estagnação para a ação.

Assim, expectativas para a aprendizagem bem sucedida estariam postas de maneira clara e precisa para as instituições de ensino. Houve, sem dúvida alguma, um belo esforço na construção das Diretrizes Curriculares com vistas a garantir um mínimo de orientações gerais para que cada sistema construa o seu currículo. Um misto de currículo prescritivo e aberto aos Sistemas, para que fosse garantida a característica regional de um país continental como o Brasil. Dessa maneira estaria assegurada a equidade nacional do que se espera de um conhecimento básico comum a todos os alunos ao término de cada ano em qualquer ponto do território nacional.

Entretanto, os cursos de formação de professores, as licenciaturas, continuaram com o mesmo descompasso com a realidade da Educação Básica. Um fosso quase que intransponível. De um lado as Diretrizes mandatórias exigiram que as escolas refizessem seus Projetos e Regimentos, do outro lado os cursos de licenciaturas longe da realidade do “chão da escola” de Educação Básica. “Chão da escola”, expressão tão batida e ao mesmo tempo ainda traz um conceito bastante preciso do fazer pedagógico no dia a dia e no interior de cada unidade de ensino.

E com um panorama pouco animador, o processo ensino/aprendizagem apresenta resultados de puro fracasso escolar. Descontados resultados pontuais caracterizados por esforços solitários.

O Ensino Médio, carregado de conteúdos, um “elefante branco” que se instalou à última etapa da Educação Básica, ainda não disse a que veio. Ensinava-se para passar no vestibular; agora é para garantir uma classificação no ENEM. E, mesmo o aluno sendo muito bom, dominando todos aqueles conteúdos, muitos deles desnecessários para essa etapa da vida escolar, está, por conta das cotas, num perigo eminente de não ser agraciado com uma aprovação vitoriosa seja no vestibular ou, ainda mais importante, para sua vida profissional futura.

Fico a me perguntar: se as Diretrizes existem para garantir a equidade nacional, para que servem as cotas? Está posto nos documentos legais que todos os estudantes têm, através de um currículo básico, igualdade de acesso ao conhecimento universalmente acumulado, o direito à aprendizagem e ao desenvolvimento de competências e habilidades.

Cotas por quê?

É preciso rever o conceito de Equidade:

Equidade é um substantivo feminino, que significa igualde, simetria, retidão, imparcialidade (para reconhecer o direito de cada um, usando a equivalência para se tornarem iguais), conformidade.

A equidade existe para adaptar as situações tornando-as mais justas. “Equidade é uma forma justa da aplicação do Direito, porque é adaptada a regra, a uma situação existente, onde são observados os critérios de igualdade e de justiça”.

Bem, partindo dessa lógica logo podemos concluir que: existem as Diretrizes Curriculares Nacionais que orientam um currículo prescritivo para que todos os alunos tenham acesso de forma harmônica e justa, em pé de igualdade, ao conhecimento universalmente acumulado, e dessa maneira também, serão estimulados a desenvolverem suas habilidades e competências de forma a se tornarem cidadãos felizes. Podemos até fazer um pequeno trocadilho: FIB (felicidade interna bruta) no lugar de PIB (produto interno bruto).

Mas, contrariando a lógica, não é essa a nossa realidade. E a educação continua patinando em um círculo vicioso tentando descobrir “se é o ovo ou a galinha que nasceu primeiro”.

Afora o tom jocoso, como descrever e acreditar na seriedade de nossos governantes quando presenciamos o descaso com que é tratada a educação nesse país? A Educação parece navegar em mares nunca dantes navegados à mercê de ventos desconhecidos que a levarão a lugar algum.

E os alunos brasileiros ainda ficam entre os piores em teste de raciocínio lógico. Um novo teste do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa) avaliou habilidades cognitivas de estudantes de 44 países. O Brasil ficou apenas com a 38ª colocação. “Como entender esse fenômeno: estudantes brasileiros têm sérias dificuldades para resolver problemas de matemática aplicados à vida real”.

“Alunos de 15 anos com dificuldades para resolver problemas serão os adultos de amanhã lutando para encontrar ou manter um bom emprego”, disse Andreas Schleicher, diretor interino de Educação da OCDE. “As autoridades e educadores devem rever seus sistemas de ensino e currículos para ajudar os estudantes a desenvolver suas habilidades para resolver problemas, cada vez mais necessárias nas economias atuais”.

Estávamos falando das Diretrizes e do Currículo que foram sacramentados entre 2009 e 2011. E um projeto de Lei ainda está discutindo um novo modelo de Ensino Médio.

É isso aí. E os resultados demonstram mais uma vez o quê?

>> Artigo escrito por Fátima Chueire Hollanda, diretora da Teaching Consult e assessora pedagógica do Sindicato das Escolas Particulares do Paraná (Sinepe/PR). O SINEPE é colaborador voluntário do Instituto GRPCOM no blog Educação e Mídia.  

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Enviado por InstitutoGRPCOM, 25/09/14 2:32:27 PM
(Imagem: Patrícia Melo)

(Imagem: Patrícia Melo)

 

A 2ª edição da Gibicon – Convenção Internacional de Quadrinhos de Curitiba – foi um sucesso. Não só porque emplacou diversas reportagens na imprensa curitibana e atraiu um grande público, mas principalmente porque proporcionou conhecimento, referências artísticas e educativas para quem estava na cidade. O evento aconteceu de 4 a 7 de setembro, no Portão Cultural (MuMA – Museu Municipal de Arte).

Fui visitar a Gibicon no sábado à tarde, acompanhada do meu filho, de 12 anos. Os corredores estavam lotados por pessoas vidradas por HQs (Histórias em Quadrinhos), mas também por gente curiosa (assim como eu), que se divertiram e se impressionaram com o que, até então, era novidade aos olhos. Fiquei arrependida de não ter ido antes, pois, além das exposições de artistas nacionais e internacionais (destaque para o coreano Kim Jung Gi), a edição proporcionou oficinas, palestras, mesas de debates, lançamentos etc. E tudo praticamente de graça.

Ao passar pelos estandes, que apresentavam os mais diversos estilos de HQs, e ao visitar as exposições, eu refletia que aquele espaço era uma grande oportunidade de aprendizado. Com as charges, é possível analisar fatos e contextos históricos, já as narrativas dos quadrinhos são um convite à análise textual e, com os desenhos, observa-se a matemática, com noções de profundidade, cálculos, formas, preenchimento de espaços etc. E esses são apenas alguns exemplos.

Fiquei feliz em ter proporcionado ao meu filho esse momento. E ainda depois, quando voltamos para casa, trocamos ideias e experiências de tudo o que vimos naquela tarde. Programas assim são ótimos para o fortalecimento de vínculos e para a abertura da mente para referências sobre o mundo. É indicado para crianças, jovens e adultos, não importa a idade e nem a profissão.

Mas, como o eixo do blog é “Educação e Mídia”, dedico este texto especialmente aos professores. Existem vários estudos que abordam o quadrinho como instrumento pedagógico e seu uso como ferramenta de incentivo à leitura. Inclusive, esse era tema de uma das mesas de debate do evento. Não precisa ser especialista em desenho e nem pesquisador da área para levar a HQ para dentro da sala de aula. Uma visita à Gibicon pode ser o primeiro passo (em 2016 tem mais!).

Apesar do evento já ter ocorrido, várias exposições ainda estão no MuMA até dia 28 de setembro – contando com o painel de Kim Jung Gi, desenhado ao vivo pelo próprio artista durante a edição. Corre lá, ainda dá tempo de ver pelo menos um pouquinho do que a Gibicon deixou para Curitiba. Vale a pena!

>>Patricia Melo é jornalista desde 2001 e há nove anos atua em benefício da Educação por meio da Comunicação. Por meio da sua empresa,
Presença – Comunicação Educacional, produz textos, entrevistas e reportagens direcionados especialmente ao universo educacional. Dessa forma, contribui para um diálogo mais consistente e criativo entre a Escola e a Família. A profissional colabora voluntariamente com o Instituto GRPCOM no blog Educação e Mídia.

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Enviado por InstitutoGRPCOM, 23/09/14 2:29:41 PM
(Imagem: Pixabay)

(Imagem: Pixabay)

Há quem veja dicotomia entre as várias mídias e afirme uma superação de uma pela outra. Não é o meu caso. Também não é o caso do Filósofo Francês Pierre Levy, que no livro Cibercultura, assume a premissa de que ao invés de uma substituir a outra, elas se complementam. Uma lenda grega levanta a reflexão sobre o surgimento da escrita. No fragmento “O Julgamento de Thamus” um rei se apresenta contra uma invenção revolucionária, a escrita, pois para ele a memória seria colocada em risco de extinção se as pessoas pudessem escrever tudo, sem precisar guardar na cabeça. A mudança provocada por cada tecnologia é imprevisível e difícil de conter. Da mesma forma são seus benefícios.

Mas não é só no campo conceitual que esta premissa se confirma. Três pesquisas divulgadas recentemente ajudam a olhar esta situação. A Pesquisa Brasileira de Mídia, realizada pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, informa que 97% dos entrevistados dizem assistir TV com frequência; 65% deles assistem diariamente, numa média de 3h30; 67% tem acesso a TV aberta; 7% assistem somente TV paga, e 24% assistem ambas. No Paraná o percentual é muito similar: 66% dos paranaenses passam uma média de 3h diante da TV diariamente – sendo que, 66% na TV aberta, 7% na paga e 26% em ambas.

Segundo a pesquisa Brasil Conectado, de um grupo nacional de pesquisadores, há uma forte e crescente relação entre o uso simultâneo da internet e da televisão. A pesquisa aponta que 73% dos brasileiros usam internet e assistem TV ao mesmo tempo. Na maior parte das vezes os telespectadores-internautas estão fazendo algo na internet não relacionado ao que estão assistindo. O que indica um comportamento moderno, de pessoas que fazem mais de uma coisa ao mesmo tempo. Inclusive há diferentes características do público entrevistado.

Enquanto a primeira pesquisa entrevistou um maior número de mulheres, com mais de 55 anos e aposentados, a segunda contou com respostas de homens, em sua maioria, solteiros, na faixa etária de 25 a 34 anos. Podemos entender que há uma mudança de hábitos que indicam a complementação das tecnologias. Tudo que se pode fazer com a TV, também se pode fazer com a internet? E o contrário, é verdade? Por que tantas pessoas ainda usam estas mídias de forma simultânea? São questões que nos colocam a pensar sobre uma relação que está sendo muito bem explorada pelas pesquisas.

Além disso, é válido complementar as informações com a pesquisa Mídia Dados 2014 que indica leve acréscimo do investimento em mídia TV em relação a 2013, enquanto a internet teve um crescimento acelerado. A pesquisa afirma também que a televisão está em 97,16% dos lares brasileiros. No Paraná o número é de 97,3% e na Região Metropolitana de Curitiba, 98,2% dos lares possuem televisão. Não há indicativos de quem tenha trocado o aparelho de televisão por computadores com internet.

Outro fato que merece ser destacado é que depois dos programas de variedades, que estão diluídos na programação das emissoras de TV aberta, cerca de um quarto do que exibem é programação jornalística. E esta programação está situada nos horários de pico de audiência nacional, que segundo a Mídia Dados é, nos dias de semana, entre 19h e 23h.

A relação das pessoas com as mídias parece mais complexa do que postula qualquer lógica de superação ou substituição.

>> Artigo escrito por Everton Luiz Renaud de Paula, filósofo e mestrando em Educação pela Universidade Federal do Paraná – UFPR. Atualmente, é tutor na UFPR e professor tutor na Universidade Positivo. O profissional colabora voluntariamente com o Instituto GRPCOM no blog Educação e Mídia.

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Enviado por InstitutoGRPCOM, 18/09/14 2:23:07 PM
(Imagem: Marcelo Andrade)

(Imagem: Marcelo Andrade)

Refletir sobre os aspectos que envolvem a construção da escrita no processo de escolarização de uma criança sugere uma discussão sobre o espaço escolar letrado e a sua relação com o sujeito em constituição. Uma relação configurada com enlaces e nós, apresentados entre a Pedagogia e a Psicanálise, entre uma escrita que precisa ser escutada, e não somente lida e ensinada.

O saber escrever não está diretamente ligado à ação de juntar letras com explícita tradução em um processo de codificação. Uma criança escreve sempre. Suas pseudo-escritas são escritas, traduzidas em discursos. Sua ligação com o lápis e o papel está permeada por muitas falas e explicações e também por letras que são desenhos, ações, relações. Relações que são rabiscadas, amassadas, rasgadas, picotadas, apagadas, borradas, marcadas. Relações escritas na ausência de letras e na repetição delas ou de seu repertório desenhado.

Se, por um lado, há uma mãe que cuida com a palavra falada, na escola, há uma professora que cuida com a palavra escrita. A criança sabe que existe um outro objetivo em seus desenhos e, em um processo natural de apropriação e amadurecimento, ela fará desenhos de letras.

A transição da escrita da criança do nível pictórico para o alfabético passa por momentos de desestruturação, e aquilo que era aceito não é mais. Desenhar não basta, escrever com letras é necessário. E vale agora escrever dentro da ordem já socialmente instituída, a ordem alfabética.

Na Psicologia, o complexo de Édipo sugere uma ordenação de letras, uma ordenação das figuras parentais, para que se possa ler, para que se possa relacionar-se. Dessa forma, o ato de escrever liga-se à estruturação psíquica. A criança se revela nas junções das letras e nos novos significados por ela criados. São novas possibilidades de ser, só que agora um pouco mais separada de sua mãe, compondo uma escrita com mais autoria, menos cópias e repetições.

Num primeiro momento, as fases que nomeiam o processo de aquisição de escrita de uma criança parecem indicar que não ser alfabética é ter um livre acesso ao inconsciente, onde qualquer traço vale, onde a interdição não chegou, afinal, todas as marcas deixadas no papel podem ser lidas… Colocar linhas gráficas em formas e transformá-las em letras é uma condição estruturante do psiquismo. O psiquismo é movido por um desejo de ser compreendido, e a escrita é uma de suas formas de expressão e de acesso a esse mundo cheio de letras embaralhadas.

É pela via do recalque que a criança aceita o símbolo do outro como uma significação imposta, mas que, ao mesmo tempo, ela almeja. Incorpora esse recalque, porque deseja o que o outro lhe oferece, já que supõe que a identificação com esse símbolo lhe dará a garantia de ser desejada e compreendida.

A escrita de criança e a sua relação com um sujeito em constituição, com um inconsciente que está aí presente nas marcas das escritas apagadas, devem permear as discussões de professores que estão cansados de utilizar o saber pedagógico para localizar em que hipótese de escrita as crianças estão (fases da escrita). Quanto mais escreve, quanto mais censurados seus erros ao escrever, parece que mais borrões a criança deixa no papel. Ou será que menos escreve? Quanto mais se enfatiza a fase de escrita que o aluno está, parece que menos se lê o que a criança escreve. Ler fases ou frases? Folhas em branco ou muitos borrões?

Tornar-se uma criança com uma escrita alfabética, tendo o apoio de intervenções pedagógicas que dão espaço à interrupção da escrita, que observam letras omitidas, trocadas, evitadas, que transformam borrões em escritas passadas a limpo, pode ser um desafio.

Os professores marcados por uma reflexão mais profunda e sensível sobre as fases da escrita consideram a presença de um inconsciente pulsando nos textos gráficos de suas crianças e no que seus olhos e sua escuta de professor-sujeito conseguem traduzir. Sempre haverá escritas pertencentes a um outro campo, ao campo do desentendido. É nesse conflito de interpretações que as múltiplas possibilidades de construção e desconstrução sobre a compreensão do ato de aprender a escrever são estabelecidas, apontando um lugar diferenciado para a criança, um lugar de sujeito.

>> Danielle Barriquello é psicóloga, com especialização em Psicanálise, e Assessora Educacional da Rede de Colégios do Grupo Marista, que é colaborador voluntário do Instituto GRPCOM no blog Educação e Mídia. 

>>Quer saber mais sobre educação, mídia, cidadania e leitura? Acesse nosso site! Acompanhe o Instituto GRPCOM também no Facebook: InstitutoGrpcom e no Twitter @InstitutoGRPCOM

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