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Um convite à imaginação infantil

Ao pensarmos em uma criança, logo nos vem a imagem dela brincando no jardim de casa, ou deitada na grama lendo uma história, ou ainda jogada no sofá com a cabeça voando em seus sonhos…

Brincar, sonhar, imaginar. Três ações tão íntimas ao universo infantil. Mas como podemos estimular ainda mais a imaginação de nossas crianças? Mais do que isso, por que é tão importante uma imaginação fértil nessa fase da vida?

Quando pequenos, temos o costume de brincar e, também, de ouvir histórias, contadas pelos adultos. Dois hábitos que sempre foram muito comuns, mas que vêm ficando esmaecidos em nossas memórias, esquecidos nas gavetas do tempo.

Ainda bebês, os pais começam a estimular a imaginação dos filhos ao lhes contarem histórias e brincarem com eles. Por meio de vários personagens e de muita fantasia, a criança vai tocando o mundo a sua volta, explorando-o devagar, passo a passo, aprendendo a partir do imaginário que vai exercitando.

Ao inventarmos situações, estimulamos a nossa criatividade, criamos um universo próprio em que experimentamos a realidade e, também, podemos transformá-la. Afinal, a vida nasce no imaginário, o mundo dos sonhos precede a realidade. A criança que nunca foi a uma fazenda, mas brinca de fazendinha, imaginando como deve ser aquele lugar; ou aquela que não tem irmãos, mas cria um irmãozinho em sua fantasia, podendo assim experimentar a companhia fraternal; ou ainda a outra que sonha um dia ser professora e brinca com seus amigos de escolinha, provando o gosto de ensinar.

Através da imaginação, as crianças têm o seu primeiro contato com o real, com situações que ela poderá um dia vivenciar. Imaginar é poder experimentar algo antes mesmo que venha a acontecer, sentir o sabor daquilo que ainda não ocorreu, isso nos dá mais habilidade para lidar com algumas situações em nossas vidas.

Hoje, não é incomum chegarmos a um parque ou mesmo a uma escola e encontrarmos crianças vidradas em seus celulares, sem olharem sequer para os lados. Nada de brincadeiras ou leituras, apenas jogos e Internet. Logo, cabe a nós, pais e professores, proporcionarmos vivências em que as brincadeiras e as histórias voltem a habitar o universo infantil, pois assim vamos dar asas à imaginação de nossas crianças, o que nos permite perceber seus pensamentos e sentimentos diante de diversas situações, sendo muito importante para o seu processo de aprendizagem e de amadurecimento.

A imaginação na infância trará um elemento importante para o desenvolvimento do indivíduo: a criatividade. Em um mundo que demanda o poder imaginativo dos adultos para solucionarem difíceis problemas em seu cotidiano, justamente a criatividade é algo que vem se perdendo em meio a tantas tecnologias nos dias atuais. As crianças sabem jogar vídeo-game, assistir aos vídeos no Youtube, postar fotos no Instagram, mas parece que não sabem mais brincar, criar histórias, perdem o gosto pela fantasia e pelo que ela pode lhes proporcionar; o que acaba refletindo-se no desempenho escolar, pois uma criança que não imagina, tem dificuldades para se concentrar em uma leitura, para escrever bons textos, para compreender aspectos abstratos de certos conteúdos e até mesmo para ter empatia em seus relacionamentos.

Sendo assim, temos que permitir que a criança de hoje possa continuar vivenciando a infância repleta de imaginação, com brincadeiras e histórias que lhe proporcionem o contato com a fantasia, algo tão importante para a nossa formação, pois como dizia o escritor Julio Verne, “Tudo aquilo que uma pessoa pode imaginar, outra poderá torná-la real”.

 

*Artigo escrito por Ana Rapha Nunes, escritora infanto-juvenil, autora dos livros “Mariana” (ed. Inverso), “Lucas, o garoto gamer” (ed. Inverso), “A noite chegou… e o sono não vem” (ed. Franco) e “A Lua que eu te dei” (ed. Appris). Especialista em Língua Portuguesa e Literatura Brasileira, a autora, que mora em Curitiba, visita várias escolas, abordando a importância da literatura para o público infanto-juvenil. Ana Rapha é colaboradora voluntaria com o Instituto GRPCOM no blog Educação e Mídia.

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