*

Enkontra.com
Blog Flavio Quintela

Fábulas de estufa

(Foto: Philippe Desmazes/AFP)
(Foto: Philippe Desmazes/AFP)

A decisão de Donald Trump pela saída dos Estados Unidos do Tratado de Paris tem sido usada pela grande imprensa para gerar uma nova onda de difamação do presidente americano. A abordagem de diversos jornalistas e colunistas tem sido no nível “novela mexicana”. John Sutter, escrevendo para a CNN, afirmou que essa decisão trará resultados apocalípticos para o planeta; Helio Gurovitz, escrevendo para o portal G1, disse que há consenso entre os cientistas de que as consequências serão catastróficas; Michael Shear, escrevendo para o New York Times, falou que a saída dos EUA desencadearia uma série de efeitos profundos sobre o planeta.

Mas, afinal, o aquecimento global é real como dizem esses jornalistas? Existe realmente um consenso na comunidade científica de que a ação do homem é capaz de modificar o clima do planeta? Muitos ficarão surpresos em saber que as respostas a essas perguntas são um simples e curto “não”.

A imprensa de esquerda vive afirmando que a maioria dos cientistas acredita no conceito de que as ações do homem podem causar mudanças climáticas na Terra. E não é uma maioria qualquer, dizem os jornalistas que divulgam essa mentira: falam em 97% da comunidade científica. Mas, de acordo com pesquisa realizada pela Agência Holandesa de Avaliação Ambiental (PBL), apenas 43% dos cientistas apoiam as alegações de mudanças climáticas causadas pelo homem. Ou seja, a minoria.

Por que a maioria da comunidade científica duvidaria de uma causa tão importante como essa? Os mesmos jornalistas de esquerda dirão que as grandes e malvadas corporações estão por trás disso, comprando todo mundo para garantir seu direito de destruir o mundo. A verdade é totalmente distinta: os dados simplesmente não dão suporte às teorias de aquecimento global causado pelo homem. Tudo o que se publicou de mais relevante para comprovar essas teorias foi feito de forma contrária à definição de boa ciência. Pesquisas sérias partem de uma hipótese e então coletam dados para comprová-la ou não. Os que alardeiam o apocalipse climático manipulam os dados reais o quanto for preciso para comprovar uma hipótese falida.

A Agência Aeroespacial Americana, mundialmente conhecida como Nasa, é um dos órgãos que mais contribuem para a coleta de dados climáticos no mundo. James Hansen, ex-climatologista da Nasa, é considerado o pai da teoria de mudanças climáticas causadas pelo homem, e o seu “Modelo Zero” introduziu o conceito de aquecimento global na comunidade científica. Em 2009 foram divulgados e-mails trocados entre Hansen e seus colegas de pesquisa, Phil Jones e Michael Mann, onde eles discutiam maneiras de diminuir as temperaturas passadas e “ajustar” as temperaturas recentes para dar a impressão de um aquecimento acelerado. Em 2011 vieram à tona mais e-mails dessa turma. Phil Jones, que trabalhava à época no Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas das Nações Unidas (IPCC), escreveu num e-mail: “Me disseram que o IPCC está acima das leis de divulgação de informações. Uma maneira de garantir você e todos os que estão trabalhando conosco é apagando todos os e-mails no fim do processo”. Em outra mensagem, ele diz: “Todo trabalho que fizemos no passado foi garantido por verbas de pesquisa que conseguimos – e tem de ser muito bem escondido”. Quando um “cientista” defende a ocultação de dados, coisa boa não pode ser.

Ainda sobre a Nasa, em 2015 o jornal The Washington Times noticiou que o pesquisador Paul Homewood descobriu um “ajuste” feito pela agência nas leituras de nove estações climáticas sob sua supervisão, de modo a transformar uma tendência de resfriamento em uma tendência de aquecimento. De acordo com ele, os dados de 1920 a 1950 foram ajustados para baixo para que os dados de 1980 a 2000 criassem uma impressão de aquecimento generalizado. A Nasa também divulgou que 2014 havia sido o ano mais quente já registrado, mas omitiu o fato de que essa alegação tinha apenas 38% de confiabilidade.

Não bastasse toda essa manipulação, pesquisas recentes mostram que a temperatura global tem se mantido estável desde 1997 e que a quantidade de gelo nas calotas polares tem aumentado. Na verdade, a quantidade de gelo na Antártida atingiu um recorde de 20 milhões de quilômetros quadrados em 19 de setembro de 2014, superando a medida anterior de 1979. Ou seja, as previsões apocalípticas de cidades inteiras desaparecendo por conta do aumento do nível dos oceanos são tão realistas quanto as histórias do Batman ou do Hulk.

Nós somos pequenos, muito pequenos. Se colocássemos todas as mais de 7 bilhões de pessoas do mundo em pé, uma do lado da outra, caberiam todas em um décimo da área de Sergipe, o menor estado do Brasil. Nosso planeta é 1,3 milhão de vezes menor que o Sol, e qualquer vento ou explosão solar é capaz de influenciar o nosso clima muito mais diretamente que os gases que jogamos na atmosfera. Os defensores da teoria das mudanças climáticas por ação humana querem atribuir ao homem muito mais poder e importância do que realmente temos. Esse erro tem sido cometido repetidamente desde que os primeiros iluministas decretaram que a razão humana poderia reformar a sociedade e criar um paraíso terrestre. Foi essa arrogância, e não as nossas fábricas e automóveis, que realmente estragou o mundo.

——

Leia o arquivo das colunas de Flavio Quintela publicadas até maio de 2017

 
 
mais conteúdo após a publicidade