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Blog Giro de Opinião
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Maria do Rosário, Danilo Gentili e a falta de civilidade

Fonte: instagram@danilogentili
Fonte: instagram@danilogentili

Maria do Rosário é um tipo egresso da escola Fidel Castro de direitos humanos. Ela nem disfarça a simpatia por regimes totalitários. Pois bem, uma pessoa dessas só não manda seus inimigos para o paredão porque ainda vivemos sob o manto (bem rasgado, é verdade) das liberdades asseguradas pela Constituição. E já que não pode fazer muito pior, é evidente que a deputada subiria nas tamancas que o cargo lhe conferiu para tentar intimidar quem a enfrentasse, mas posando de vítima. Já comentei aqui o episódio com Danilo Gentili: por causa de um tweet irônico do humorista, Maria do Rosário enviou-lhe uma notificação extrajudicial da Câmara, e, em resposta, Gentili rasgou a notificação, esfregou-a nas suas partes íntimas e disse mais umas grosserias em vídeo. Por isso, ele foi duramente repreendido por parte dos comentaristas de jornal e mais algumas figuras públicas. Esses são tempos em que “xingar muito no Twitter” é coisa grave. Vamos esclarecer alguns pontos: Gentili não ofendeu um fulano qualquer que poderia ser prejudicado pela humilhação pública, muito menos oprimiu, agrediu ou violentou uma mulher abusando de sua força masculina, ou empregou violência psicológica contra aquela que está numa posição de desvantagem. Ele ofendeu uma pessoa que exerce uma função de poder – que, aliás, estava abusando dele com aquela notificação. Quer dizer, o humorista foi mal educado com alguém que tem poder de decidir coisas que afetam a vida dele e de todos! Dá para perceber a desproporção da relação? Respeitar o direito de fazer troça e de xingar políticos é que é uma questão de civilidade.

Improbidade administrativa
O nome dela já sugere uma inclinação para o dramalhão de novela mexicana. Maria do Rosário, a vilã da trama, não se deu por satisfeita ao notificar extrajudicialmente Danilo Gentili. Ela foi até a Procuradoria do Legislativo, como se estivesse contratando um advogado particular, para que esta solicitasse uma investigação da Polícia Federal a respeito de crime de “abuso da liberdade de expressão” (tipo penal que ela acabara de inventar) praticado pelo comediante no tal vídeo. A tática de assédio judicial é velha conhecida da esquerda. Mas o tiro saiu pela culatra, e Gentili denunciou a deputada ao MPF por prática de ato de improbidade administrativa. Entenda melhor a questão com Flávio Morgenstern.

Bom mocismo
Retomando o raciocínio, ponderemos: um vídeo de grosserias que viralizou nas redes sociais versus um cala boca camuflado, um “cuidado com o que diz, moleque, que eu posso te enterrar em processos usando o aparato da Câmara, e posso apresentar um projeto de lei que te cale em permanente”: o que é pior? Evidentemente, o que a deputada fez. Menos importa a polidez das ações do que as consequências delas, e Maria do Rosário quer criar um precedente de censura. Mesmo entre quem enxerga isso, ouvi que Danilo Gentili deveria ser repreendido, sim, porque ele teria extrapolado os limites do humor, ofendendo a honra da deputada, e que ele poderia respondê-la de outra forma. Entendo o valor que se quer defender; mas, nesse caso, a represália ao humorista não passa de “bom mocismo no mundo das abstrações”. A situação real é que Gentili, mesmo sendo famoso, tem um raio de ação muito mais limitado do que o de Maria do Rosário que, além de ter disposto como bem queria da Procuradoria da Câmara, vota leis, já foi ministra, e sabe-se lá quais cargos públicos ainda vai ocupar na vida. Já que a deputada integra (e há bastante tempo) os quadros do poder, suas opiniões e visão de mundo interressam demais a todo o povo brasileiro. Ela, como qualquer governante, não pode sair da mira dos críticos. Maria do Rosário – a pessoa real, e não “um político” em abstrato – já defendeu, no exercício da legislatura, o estuprador e homicida Champinha; quando ministra, chegou a declarar que não havia motivo para condenar a política de direitos humanos em Cuba. Essa é mulher que Danilo achincalhou! Ela não devia sequer estar na vida pública; mas como está, o mínimo que se deve fazer é não fingir que ela é uma democrata, e não tratar respeitosamente essas ideias absurdas que ela defende e seus abusos de poder. Do contrário, estaremos, com nossa polidez, conferindo dignidade a posicionamentos torpes, e dando um lugar ao sol no debate de ideias a quem defende posições totalitárias. Há mais algumas medidas que (ainda) podem ser tomadas contra tipos como Maria do Rosário – como fez Gentili. Vejamos o comentário de Eric Balbinus.