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Blog Giro de Opinião
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O carreirismo tupiniquim

Fonte: Free Images
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O sonho de pais e mães brasileiros de classe média, até um tempo atrás, era mandar o filho para a faculdade, porque assim ele estaria com a vida ganha. Ou seja, desde cedo os jovens absorvem de seus pais o sonho do diploma! Vejam bem: o foco é o diploma, e não o conhecimento. Hoje, com a proliferação das uniesquinas e com o abarrotamento do mercado de trabalho de profissionais ineptos-diplomados, não basta “ter faculdade”, tem de ter pelo menos uma pós ou um mestrado, de preferência um doutorado que é para você poder atestar para a sociedade que não é burro (para a gente ver quanto vale uma graduação hoje em dia). De todo o modo o modo, vemos que as maiores ambições de pessoas que, digamos, “se dedicam ao estudo”, são de natureza acadêmica, não são propriamente intelectuais. O desejo de conhecer não é o que as motiva a continuar estudando, e sim a ostentação de títulos. Assim, é evidente que os trabalhos acadêmicos se tornam estéreis. A mediocridade do ensino (e da pesquisa) já chegou à pós-graduação. Flávio Morgenstern destaca outro aspecto da tragédia do nosso ensino superior, que anda de mãos dadas com o carreirismo que descrevi: universidades não são mais centros de produção de conhecimento, são – quando muito – centro de formatação de profissionais, onde o aluno que se dá bem é aquele que melhor repete o professor. E isso até na pós graduação, nível em que, teoricamente, os alunos já têm estofo intelectual para empreender seus estudos sozinhos. Como ressaltou Morgenstern, citando Bem Shapiro, “a faculdade se jacta uma instituição com ‘pensamento crítico’, mas é justamente onde não apenas não se estuda o outro lado: finge-se que ele nem sequer existe”.

O protagonismo do professor
A pedagogia freireana, tão popular no Brasil, pretendeu desmanchar o modelo do professor como uma figura de autoridade para os alunos, e foi um dos maiores incentivadores do que hoje é quase um mantra em todas as escolas: o raciocínio crítico, ou pensamento crítico. Em alguma medida, ele obteve sucesso, porque de um modo geral os professores não gozam mais do mesmo prestígio e autoridade perante seus alunos como outrora. Mas o tal do pensamento crítico é o maior engodo pedagógico dos nossos tempos. Entenda melhor a questão com Percival Puggina.

O desperdício de talentos
Quantas vezes você não escutou de alguém o seguinte: “a escola do meu filho é muito boa!”? Na verdade, esta frase – considerando que ela tenha fundamento – deveria ser completada por “… para o padrão brasileiro”. Sempre. O teste do PISA já comprovou que nossos melhores estudantes apresentam um desempenho inferior aos melhores estudantes da maioria dos demais países do mundo, e muito inferior aos dos países com melhores índices de educação. Isso significa que entre nós, brasileiros, não há pessoas brilhantes? É claro que não. Isso significa que muitos talentos estão sendo desperdiçados aqui, porque não adequadamente estimulados. Vejamos o comentário de João Batista Oliveira sobre esse que talvez seja o problema nacional mais grave no longo prazo.