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Giro Sustentável

Enviado por lorenac, 15/03/17 10:00:51 AM

Última área conservada de campos naturais de Curitiba é transformada em Estação Ecológica

Foto: (Divulgação)

Foto: (Divulgação)

A Estação Ecológica Campos Naturais de Curitiba Teresa Urban representa a primeira unidade de conservação (UC, área oficialmente protegida) destinada para a proteção dos campos naturais. A Estação está localizada na última área preservada da cidade com esse ecossistema ameaçado de extinção no Brasil e no Paraná – onde ocupa menos de 0,1% do território original. A Prefeitura Municipal de Curitiba assinou, no final do ano passado, o decreto de criação da Estação.

Além de abrigar este remanescente de uma flora campestre tão ameaçada, a Estação reúne partes de Floresta Ombrófila Mista (Floresta com Araucária) e várzeas, abrangendo 270 mil metros quadrados de área conservada. “A área da Estação Ecológica é de uma riqueza natural imensa e está dentro da cidade, tendo sobrevivido quase por milagre à ocupação urbana”, declarou o biólogo Maurício Savi, um dos responsáveis pela criação da unidade de conservação.

Em março de 2012, esta área foi visitada pelo Condomínio da Biodiversidade (ConBio), programa da SPVS que atua em parceria com a Prefeitura de Curitiba desde 2008. Foi encaminhado um relatório técnico com a descrição expedita da área, ressaltando a necessidade de conservação na região. “Muito lixo e entulho são despejados nas proximidades e há riscos de ocupações irregulares, o que tornava urgente medidas para manutenção da biodiversidade local”, declarou a bióloga Betina Bruel, técnica da SPVS que visitou a área onde foi criada a Estação Ecológica, como parte do trabalho da instituição para identificação de remanescentes naturais no município de Curitiba.

O engenheiro florestal da Secretaria Municipal do Meio Ambiente de Curitiba, Sacha Lubow, que fez um estudo específico para encontrar remanescentes de vegetação campestre em Curitiba, também comemora a criação da Estação. “Foram levantadas apenas 10 pequenos remanescentes de campos em Curitiba”. Ele informa, ainda, que o trabalho de conservação no sul de Curitiba está sendo fortalecido com a criação de seis novas Reservas Particulares do Patrimônio Natural Municipal – uma categoria de área protegida de propriedade privada prevista na legislação para garantir a permanência dos ecossistemas. Esta ação irá formar um mosaico de conservação de 300.000 m² com unidades públicas, como a Estação e o Parque do Iguaçu, e privadas.

Os campos naturais

Os campos naturais, tecnicamente chamados de Estepe Gramíneo Lenhosa, integram o bioma Mata Atlântica e ocorrem juntamente à Floresta com Araucária no Paraná. Áreas bem conservadas desse ecossistema apresentam uma riqueza singular, abrigando mais de 500 espécies vegetais. Originalmente os campos cobriam cerca de 40% do território de Curitiba. Hoje, as poucas áreas remanescentes encontram-se, na maioria, degradadas e empobrecidas. A área de criação da Estação Ecológica Campos Naturais de Curitiba Teresa Urban, localizada próxima ao Parque Municipal do Iguaçu e ao zoológico, é a única que apresenta as condições necessárias para uma criação de uma unidade de conservação.

 

*Artigo escrito pela equipe da OSC Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental – SPVS, parceira do Instituto GRPCOM no blog Giro Sustentável.

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