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Enviado por admin, 07/02/12 2:33:00 PM

Curitiba pode ter música popular?

Felipe Rosa / Agência de Notícias Gazeta do Povo
Foliões fazem a festa ao som do bloco pré-carnavalesco Garibaldis e Sacis

Curitiba tem fama de ser uma cidade sisuda – o senso comum nos diz que somos alemães, italianos, polacos e outras etnias brancas e limpinhas que não se metem com essa coisa de carnaval e de música popular.

Wilson Martins já chegou a escrever (Um Brasil diferente, 1978) que o Paraná não tinha negros e não tivera escravos. Este argumento é desmontado por Otávio Ianni em Escravidão e racismo (1978), e o assunto também está muito bem discutido (com remissão aos dois autores) no livro de João Carlos de Freitas: Colorado: a primeira escola de samba de Curitiba.

Outras pesquisas que recentemente começam a ser desenvolvidas pelos pesquisadores Marilia Giller, Tiago Portella, Claudio Fernandes, entre outros, (algumas coisas deles estão neste blog) apontam para a existência de uma rica música popular em Curitiba desde a primeira metade do século XX.

Este tipo de informação fica nos estudos acadêmicos, e não chega ao senso comum. Nem à propaganda oficial, que prefere divulgar Curitiba como uma cidade européia, e um polo de música erudita.

Acontece que nos últimos anos Curitiba se afastou muito da condição de cidade com vida de concertos minimamente aceitável. O que temos de significativo nesta área são pequenas iniciativas ainda incipientes, como a Bienal Música Hoje ou um evento tradicional como a Oficina de Música. Nossas orquestras estão longe da qualidade das que existem em São Paulo, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, Salvador – a programação de concertos ainda é muito tímida. Não temos ópera e balé há tempos. Não temos na cidade um departamento de música significativo no meio acadêmico brasileiro.

Ao contrário disso, a música popular vem consolidando um polo importante na cidade.

Por exemplo, a FAP tem um curso de Bacharelado em Música Popular que tem poucos similares no Brasil (UNICAMP, UNIRIO e UFRGS – até onde sei).

Os grupos artísticos ligados ao Conservatório de MPB (vocal Brasileirinho, vocal Brasileirão, Orquestra à Base de Cordas, Orquestra à Base de Sopros) já se estabeleceram no cenário nacional. O núcleo de Música Popular da Oficina de Música já é mais relevante nacionalmente que o de Música Erudita.

Curitiba também sediou fenômenos recentes como A banda mais bonita da cidade (sobre a qual já escrevi um comentário aqui) e tem diversos artistas jovens se destacando merecidamente no cenário da música instrumental, do choro, entre outros gêneros musicais.

O bloco pré-carnavalesco Garibaldis e Sacis pode ser considerado outro grande fenômeno nesta linha.

É por isso que o caso da violência policial impetrada no último domingo, e tão bem descrito na reportagem da Gazeta do Povo, assume contornos culturais mais dramáticos.

Sobre o aspecto da violência policial eu escrevi bastante em minha página pessoal.

Aqui eu quero chamar a atenção para o fato de que Curitiba tem optado por assumir a marca de uma cidade elitista, europeizada – o que é feito com conotações racistas e escamoteia a verdade que deve ser dita.

Curitiba é uma cidade que tem povo, sim senhor – tem festa, tem música popular. Pode e deve se orgulhar disso.

A foto que está em cima deste texto fala por si.

A questão que devemos enfrentar é: as políticas públicas e a propaganda oficial devem esconder, proibir, acabar com a música popular na cidade?

Ou seremos beneficiados em assumir esta outra faceta tão importante do jeito curitibano de ser?

Este é um espaço público de debate de idéias. A Gazeta do Povo não se responsabiliza pelos artigos e comentários aqui colocados pelos autores e usuários do blog. O conteúdo das mensagens é de única e exclusiva responsabilidade de seus respectivos autores.
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      • QUEM MAIS COMENTOU
      joão carlos de freitas | 06/03/2012 | 10:58

      Caro André, grato pela referência ao meu modesto trabalhinho. Por tudo que foi escrito aqui sobre a classe burguesa reacionária de Curitiba, coveira da cultura popular, que louvo cada vez mais os heróicos carnavalescos e sambistas da cidade, que contra tudo e contra todos, principalmente o poder público, ainda fazem um ótimo carnaval na cidade, atraindo uma multidão apaixonada por samba, como as 20 mil pessoas que estiveram na avenida este ano.

      Luiz Augusto Estacheski | 17/02/2012 | 21:51

      "Aqui eu quero chamar a atenção para o fato de que Curitiba tem optado por assumir a marca de uma cidade elitista, europeizada" desde que me conheço por gente (e isso fazem uns 22 anos) tenho por este o 'estereótipo' do curitibano, falo isso como pontagrossensse . mas ao que me parece as coisas estão mudando por aí, mas muita gente não está pronta pra isso.

      Luana Rocha | 17/02/2012 | 17:41

      Oi, André, peço licença para entrar em contato por aqui. Faço assessoria para a Cinemark, que está trazendo para Brasil óperas e balés do Royal Opera House de Londres e vai exibi-los a partir do dia 25/2. O 1o espetáculo será Tosca, com sessões em Curitiba nos dias 25, 26 e 28. Caso tenha interesse em receber mais iformações, é só entrar em contato no email cadastrado. Também é possivel encontrar informações no site da rede: http://www.cinemark.com.br/royal-opera-house Obrigada pela atenção!

      Lu | 08/02/2012 | 09:26

      André, é óbvio que conservadorismo se vê em todo lugar, e é óbvio que muita gente aqui não é "curitiboca". Mas cada lugar tem uma cultura, perfil e particularidades (que se reflete nas suas escolhas políticas). Acho os paulistas bem mais indiferentes com relação à diversidade, e os cariocas bem mais boa-praça que os curitibanos. O pessoal daqui tem montes de qualidades, mas no geral o pensamento predominante parece ser reacionário, de quem se incomoda demais com o comportamento alheio.

      werdel | 07/02/2012 | 18:51

      desçam do pedestal. CUritiba é nada mais que uma cidade grande com pensamento provinciano. Cultura limitada e bem popular. basta ver o que toca nas radios, nas lojas,nos mercados, nos bares de periferia e wood's da vida que patricinhas de beverly hills(opa, batel soho), vão com bolsinhas louis viton (muitas falsa) danár musicas de michel teló (mais popular impossível). povinho atrasado.

      André Egg | 07/02/2012 | 18:38

      Pois é Lu, eu sou daqui, e conheço muita gente "daqui" que não é assim. E quem mora aqui já é "daqui", não? Quantos dos foliões que estavam lá não são "daqui"? Quantos dos PM's não são "daqui"? O problema é como isso se articula em relação ao poder político majoritário. Às políticas públicas. Tá mais que na hora de reverter este quadro... Aliás, se for para comparar, em truculência e conservadorismo não andamos nada à frente de paulistanos ou cariocas, como se vê quando acontece algo parecido

      Lu | 07/02/2012 | 17:15

      Continuando: eu não sou daqui e ainda me assusto com isso, justamente porque essa mentalidade não combina com uma cidade grande e com tantas coisas bacanas... Curitiba merece mais. A impressão que eu tenho é que infelizmente, como povo, o curitibano é sisudo sim, é de cada um no seu quadrado, quer normatizar todo mundo a partir de sua própria referência, e quem fugir disso é "baderneiro", como vemos aí - os comentários sobre a Pedreira também ilustram isso.

      Lu | 07/02/2012 | 17:10

      André, é claro que uma sociedade democrática tem que valorizar toda forma de expressão, que a cultura só nos enriquece, sempre; mas não sei se você viu os comentários aqui no site, aparentemente há muita gente que só faz comprovar essa mentalidade elistista, que ao contrário das evidências e indo na contra-mão da história, quer negar tudo que é diferente deles próprios... Uma mentalidade provinciana, estreita, carola, intolerante, que zela tanto pela ordem e nada pela liberdade alheia.

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