Assinaturas Classificados
Seções
Anteriores
Quem faz o blog
Publicidade

Inclusilhado

Quem faz o blog
Seções
Conheça
Posts
Enviado por bonfim.rafa, 28/02/14 12:32:56 AM

Semana passada eu li uma notícia que me fez coçar a cabeça. Uma mãe, do estado de São Paulo, entrou na justiça contra uma escola que negou a matrícula da sua filha, que tem Síndrome de Down, pedindo indenização por danos morais. Até esse ponto, (infelizmente) não vi nada novo.

O que me chamou a atenção foi o parecer da 10ª Câmara de Direito Público do Tribunal de Justiça de São Paulo. O pedido foi negado sob a alegação de que “A garantia de atendimento especializado para jovens portadores de deficiência física vale apenas para as instituições públicas de ensino, e as escolas privadas não têm o dever de se adaptar, podendo recusar alunos caso não contem com a infraestrutura necessária”.

O que? A aluna tem Síndrome de Down.

Além disso, a Resolução do CNE/CEB nº 2/2001, que define as diretrizes nacionais para a educação especial na educação básica, determina que as escolas do ensino regular devem matricular todos os alunos em suas classes comuns, com os apoios necessários. Qualquer escola, pública ou particular, que negar matrícula a um aluno com deficiência, comete crime punível com reclusão de 1 (um) a 4 (quatro) anos (art. 8º da Lei 7.853/89).

O Brasil é um país com práticas que confundem qualquer cidadão.

Eu reconheço os desafios da inclusão nas escolas, da mesma forma que reconheço o esforço necessário para incluir profissionais com deficiência no mercado de trabalho. Nós estamos mergulhados em uma cultura de preconceitos e medo do que não conhecemos.

Carteira vazia em meio à sala de aula cheia

A carteira está vazia por que? (Foto: Xchng)

A educação brasileira é falha desde o seu início, com um ensino público mal administrado, com professores que encaram salas lotadas, são mal formados e mal pagos. O ensino particular tem percalços bem parecidos e em ambos os contextos, temos alunos que não valorizam em nada o trabalho do professor e nem a oportunidade de educação que têm.

Por que?

Porque o nosso mercado de trabalho é selvagem, avaliador e orientado por pressão. Independente do cargo e função. A pressão por resultados é lei e afeta absolutamente todos os trabalhadores, que ao final do mês recebem um salário apertado (para a enorme maioria), se comprometem com o pagamento de uma série de contas e contribuem para a carga tributária mais pesada entre os países emergentes.

O Brasil não é feito de heróis e nem de vítimas.

Tanto na educação, quanto no mercado de trabalho, alunos e colaboradores olham para fora e enxergam governantes corruptos, uma justiça lenta e que não inspira confiança, uma sociedade violenta e um sentimento de descrença em relação ao próprio país.

Escrevo, porque de tempos em tempos é o que eu sinto.

Acredito que esses elementos todos contribuem para a segunda parte do brilhante parecer dos amigos da 10ª Câmara de Direito Público do Tribunal de Justiça de São Paulo. Eles declararam que “a autora não foi exposta a situação vexatória, não ostentando discriminação ou preconceito”.

Eles colocaram todo o universo da pessoa com deficiência no mesmo saco, entenderam que o ensino privado não tem a menor obrigação de se adequar (e muito menos aceitar) a matrícula de uma aluna com down e compreenderam que a privação a um direito constitucional à criança não se configura como uma situação vexatória para a mãe.

Definitivamente, o Brasil é um país de práticas que confundem qualquer cidadão.

Enviado por bonfim.rafa, 22/11/13 5:38:29 PM
Ação organizada pela SEDPCD de Curitiba visa incluir profissionais com deficiência no mercado de trabalho.

Ação organizada pela SEDPCD de Curitiba visa incluir profissionais com deficiência no mercado de trabalho.

Entre os dias 25 e 29 de novembro acontece a Semana de Empregabilidade da Pessoa com Deficiência. Os atendimentos acontecerão entre os dias 25 e 29 de novembro nos postos do SINE, localizados nas Ruas da Cidadania, e entre os dias 26 e 28 na tenda da Prefeitura Municipal de Curitiba, instalada na Praça Osório, sempre no horário comercial. A ação é promovida pela Secretaria Especial dos Direitos da Pessoa com Deficiência.

A empregabilidade de profissionais com deficiência é um desafio e tanto. O Censo 2010 levantou que o Brasil tem cerca de 46 milhões de brasileiros com algum tipo de deficiência. Desse grupo, mais da metade que tem idade economicamente ativa está desempregada. As pessoas com deficiência representam apenas 23,6% da população ocupada no país e o número de deficientes fora do mercado de trabalho supera o número de pessoas com deficiência trabalhando em 3 milhões e 400 mil pessoas.

Eu particularmente senti na pele como é ser uma pessoa com deficiência e sem emprego, durante mais de um ano e comentei isso numa matéria da TV ISAE, da Fundação Getúlio Vargas. Além do meu, a matéria traz o depoimento de Yvy Abbade, da Unilehu, sobre o tema.

Enviado por bonfim.rafa, 11/09/13 6:39:54 PM

As inscrições para o prêmio Todos@web, que tem como objetivo conscientizar os desenvolvedores sobre a importância de criar páginas acessíveis a todos, homenagear e reconhecer publicamente as ações e autores que tornam a experiência de navegar na web mais inclusiva, vão até o dia 30 de setembro.

“Quando falamos em acessibilidade, não nos referimos somente às pessoas com deficiências, mas também a quem tenha uma limitação temporária qualquer. Tente usar o mouse ou o celular para navegar pela Web, simulando a sua mão mais hábil ocupada ou imobilizada, por exemplo. O site que essa pessoa deseja acessar também precisa contemplar estas questões“, avalia Reinaldo Ferraz, especialista em desenvolvimento Web do W3C Brasil.

Prêmio promovido pela WC3 Brasil

Prêmio promovido pela WC3 Brasil

Qualquer pessoa com mais de 18 anos, residente no Brasil, com situação regular e que possua projetos digitais voltados para a acessibilidade na Web pode se inscrever para o prêmio. As inscrições gratuitas no Todos@web podem ser efetuadas até o dia 30 de setembro de 2013, no site http://premio.w3c.br/inscricoes/. É válido ressaltar que os vencedores de cada categoria (são três: Pessoas/Instituições, Projetos Web e Aplicativos e Tecnologias Assistivas) receberão R$ 5 mil.

Enviado por bonfim.rafa, 23/07/13 8:56:57 PM

Essa semana me deparei com uma das notícias mais inusitadas que li até hoje em relação à inclusão da pessoa com deficiência. Você acha possível que alguém tenha o desejo de ter uma deficiência? Pois tem. Nos Estados Unidos, Jennings-White, de 58 anos, gostaria de viver numa cadeira de rodas.

Vou reproduzir parte da notícia:

“Uma cientista da Universidade Cambridge sofre de um raro transtorno que a faz querer viver numa cadeira de rodas. Seu desejo é tão forte que ela procurou um médico que de dispôs a transformar seu sonho em realidade, com uma cirurgia que lesione sua coluna vertebral.
Chloe Jennings-White, 58 anos, natural de Salt Lake City, em Utah, nos EUA, deseja viver como se não tivesse controle sobre suas pernas desde que era criança, e já tentou se ferir várias vezes para realizar o sonho.

White sofre de uma condição rara chamada transtorno de identidade de integridade corporal (TIIC). Pessoas com o problema acreditam que seu físico não é compatível com a ideia que têm de si. Alguns especialistas acreditam que o transtorno ocorre por uma alteração no cérebro, enquanto outros julgam se tratar mais de um transtorno psicológico”.

Acredito que a condição de uma pessoa com deficiência pode não ser invejada, mas o ponto de vista pode sim ser algo desejado.

Chloe Jennings-White me surpreendeu.

Reprodução do "Daily Mail" mostra Chloe Jennings-White, que vive numa cadeira de rodas apesar de não ser deficiente; ela sofre do transtorno de identidade de integridade corporal (Reprodução de legenda)

Reprodução do “Daily Mail” mostra Chloe Jennings-White, que vive numa cadeira de rodas apesar de não ser deficiente; ela sofre do transtorno de identidade de integridade corporal (Reprodução de legenda)

Enviado por bonfim.rafa, 19/07/13 2:50:52 PM

Que a retomada ao inclusilhado seja como o novo símbolo internacional de acessibilidade, adotado em Nova York.

Após vários anos de pedidos de mudança, os designers do Gordon College, em Massachusetts, criaram um novo símbolo, com um personagem dinâmico, ativo,independente, com os braços prontos para qualquer ação.

Somos parte da mudança.

Símbolo internacional de acessibilidade adotado em Nova York

Novo símbolo traz a pessoa com deficiência em movimento e com autonomia

Enviado por admin, 15/05/13 3:30:00 PM

Recentemente eu ministrei duas palestras que me fizeram pensar sobre uma questão muito importante em relação à inclusão da pessoa com deficiência: até que ponto é saudável para a pessoa e para a família desejar que a deficiência suma?


Esse assunto foi de grande destaque durante um bate-papo que eu tive com profissionais do Conselho Regional de Fisioterapia e Terapia Ocupacional (Crefito) e depois durante uma palestra que ministrei em Campo Grande – MS, em um encontro do Sesi para discutir a inclusão de pessoas com deficiência no mercado de trabalho.

O pessoal do Crefito me contou muitas histórias sobre como as famílias têm expectativas diferentes em relação ao atendimento oferecido por eles. A variação é muito grande e em cada casa a história muda completamente. Não é por menos, afinal, quando se trata de inclusão, a esperança não é formada por uma simples ideia. É o resultado de absolutamente tudo o que você acredita, ou não acredita e sonhou, ou não sonhou, em relação a trajetória de vida da pessoa que está sendo atendida. O único ponto em comum que encontramos em qualquer família é o fato da deficiência não ser muito bem-vinda.


Com os profissionais do Crefito 8, em Curitiba

Uma das histórias compartilhadas foi a de uma paciente de hidroterapia (em uma interpretação grosseira, é fisioterapia na água), que não conseguia realizar um determinado movimento. Depois de muito trabalho, ela conseguiu fazer o tal movimento e o atendimento caminhou para uma outra direção. Quando a mãe dessa menina viu a filha fazendo isso pela primeira vez, ficou muito feliz e foi em direção à água da piscina. Chegando à beira, colocou a mão na água e repetiu algumas vezes “essa água é milagrosa, gente”.

O que me fez pensar não foi a alegria da mãe em ver a filha progredir. Isso é fantástico, claro. Mas mais uma vez ouvi um caso em que a palavra “milagre” tem destaque no sentimento de quem espera por um resultado. Na minha opinião essa postura é um pouco deslocada, porque reforça a crença que temos de que a deficiência é uma doença e precisa ser eliminada da pessoa e deixa de lado todo o esforço feito por quem suou diariamente para que aquilo fosse conquistado.

Há um segundo caso que eu gosto muito de compartilhar. Tenho uma amiga que é mãe de um garoto de 16 anos com Síndrome de Williams e um dia ela comentou comigo como vê hoje as possibilidades educacionais dele. O rapaz estudou a vida toda em um colégio regular, viveu a inclusão dele dessa forma e agora está na idade de passar pelo Ensino Médio. A minha amiga conhece profundamente as limitações e possibilidades do filho e me contou que percebia que o Ensino Médio convencional não é compatível com a situação dele, então, a partir de agora, ele terá contato com outra metodologia de ensino.


Eu nasci prematuro de seis meses, nunca andei e meus pais nunca cobraram isso de mim. O trabalho que fizemos em conjunto com muitos profissionais foi de progressão diária e conforme avançávamos, novas metas eram traçadas e sem a necessidade de alcançarmos a marcha sem apoios e com 100% de equilíbrio, por exemplo.

Por fim, essa semana soube da história de Jacob Barnett, um menino americano e autista que aos 14 anos está fazendo mestrado em física quântica e é apontado por alguns especialistas como o próximo vencedor do Nobel de Física. Quando li a matéria sobre Jacob, não me atentei às características do autismo, mas fui direto aos comentários que os leitores fizeram (e foram muitos).

A maioria cogitou a possibilidade do físico ter nascido no Brasil e teceu impressões do tipo “Aqui no Brasil seria diferente. Seria assim, ou seria assado…”. Eu achei isso interessante, porque ninguém falou em superação. Algumas pessoas questionaram a precisão do diagnóstico e de alguns depoimentos da mãe, que parecem contraditórios, mas ninguém disse que ele superou o autismo.

Juntando as histórias todas, eu penso mais uma vez em como a nossa cultura lida com a presença de barreiras em nossas vidas. No caso de pessoas com deficiência, percebo que temos uma tendência a querer que a barreira seja completamente eliminada e ainda carregamos um sentimento de que isso é um castigo, ou um fardo.

É da nossa natureza projetar expectativas em relação à vida de outras pessoas, da mesma forma como é esperado que essas expectativas não sejam atendidas de maneira plena, ou de maneira nenhuma. Assumir que uma deficiência pode ser uma condição permanente não é fácil e requer muita coragem. Sem dúvidas, a ideia de convivermos com uma limitação relevante pelo resto de nossas vidas não é nada agradável.

Mas o que aconteceria se o nosso foco de dedicação, energia e fé fosse no alcance do máximo de autonomia e independência conquistado, ao invés de um estado autônomo que desejamos?

E se ao invés de eliminarmos a limitação, nós aprendermos com ela e ficarmos mais atentos à maneira como ela molda a nossa personalidade e forma de estar no mundo?

Como nós podemos transformar realidades aproveitando nossos limites?

Enviado por admin, 10/03/13 4:08:00 PM

Se um dia eu escrever a minha história, ela começará assim:

Antes de ler, leia isso

Eu nasci em 1982, então em 2012 eu completei 30 anos. São três décadas. Depois desse tempo todo convivendo com uma condição que moldou absolutamente toda a minha forma de ver e estar no mundo, achei que seria uma boa ideia compartilhar uma série de memórias.

Como foi passar por uma infância sem nunca ter jogado bola? Ou nunca ter ido dar uma volta de bicicleta com os meus amigos? Como foi passar por uma adolescência nos anos 90, época em que o forró universitário invadiu as festinhas de garagem que eu frequentava, e nunca ter dançado uma música sequer com quem me deu vontade?

Como foi viver durante 30 anos em um corpo limitado, que não me possibilitou algumas pequenas coisas que poderiam ter feito a diferença na minha vida? Passar a maior parte do meu tempo sentado, olhando para pessoas debaixo para cima e nunca ter certeza do que o mundo via primeiro: se a deficiência, ou eu.

Como foi ser deficiente por 30 anos e saber que eu serei deficiente até o último dia da minha vida? Foi e é fantástico. Eu não trocaria essa experiência por nada.

drachenhaus
A foto original é desse site: http://drachen-haus.de/lonely-wheelchair

Essa não é uma história de superação e nem uma trajetória que mostra que apesar da deficiência é possível ser feliz e realizado. Não é apesar de nada e não deveríamos ter “apesar” de coisa nenhuma. As coisas são como são e pronto. As coisas na nossa vida dificilmente vão acontecer exatamente do jeito que a gente quer. O segredo é entender isso e dançar conforme a música.

Ah é mesmo, eu nunca dancei forró. Por isso, esse livro não é uma autobiografia.

Enviado por admin, 06/03/13 3:19:00 PM

Na semana passada eu conversei com alguns amigos sobre a diferença entre nascer com uma deficiência e adquiri-la em algum ponto da sua história.

O meu caso é a primeira situação, me colocando então como uma pessoa com deficiência que não tem outro referencial de vida. Em momento nenhum da minha vida eu troquei um passo sem apoios, ou levantei da minha cadeira de rodas e sai correndo. Mas e o outro lado? Como lidar com uma nova realidade que invade a sua vida sem pedir licença e que pode ser uma condição permanente? É uma boa pergunta que não tem resposta exata.

Sem dúvidas etapas diferentes precisarão ser encaradas, começando pela internação, ou convivência com a realidade hospitalar. Depois de sobreviver a um episódio de acidente de trânsito, violência urbana, ou após o diagnóstico médico de uma adversidade na sua saúde que afetou as suas habilidades sensoriais, naturalmente amigos, familiares e a própria pessoa passarão por um momento de negação. A cura precisa chegar e a situação se reverter.

Rafael Camargo e Rafael Bonfim

Depois de trabalhar a negação (cada um a sua maneira) é momento do reaprender. Pode ser reaprender algumas atividades pontuais, ou readaptar toda uma vida à nova condição. Nesse momento uma segunda onda de mobilização começa a tomar corpo. É hora de ampliar o circulo de pessoas que são afetadas, indo além da comunidade médica e familiares próximos. Profissionais das mais diferentes áreas da reabilitação, empresários, professores, vizinhos e amigos mais distantes. Esse é o momento em que todo mundo passa a perceber que aquele camarada nunca mais será o mesmo. Nem eles, se resolverem participar da inclusão conjunta.

Com a limitação bem incorporada, é momento então de encarar como o mundo ao redor da pessoa vai receber (ou não) essa nova condição. Voltar a estudar, retomar o mercado de trabalho, reatar relações com pessoas, voltar a desenhar projetos de vida: nada disso é simples, nem fácil.
Muitas pessoas com deficiência encontram energia e propósito se engajando em projetos ligados diretamente à inclusão. Existe um número expressivo de pessoas que passam a fazer parte de organizações, entram para movimentos políticos, passam a compartilhar a sua experiência de vida com outras pessoas, ou são convidadas para palestrar. Eu vibro com histórias assim, porque são respostas à limitação e ajudam a eliminar um preconceito frio, ignorante e persistente.

Rafael Camargo e os Super Normais

Depois de 30 anos convivendo com a minha deficiência, passei a olhar cada vez mais não para os limites que ela coloca diante de mim, mas para as possibilidades que eu tenho, exclusivamente porque ela existe. Pode parecer uma coisa sem lógica, mas para mim faz total sentido.

Como aproveitar uma situação que aparentemente só te tira coisas? Tira habilidades, tira movimentos, tira autonomia, tira rapidez, tira agilidade, tira características que te enquadram ao padrão de beleza e tira possibilidades para a sua vida.

Entenda que se você tem uma deficiência, você pode falar sobre um tema com uma propriedade tão grande, que dificilmente alguém não vai querer te ouvir. Você pode falar de você mesmo. Fale sobre como passou a ver o mundo e fale sobre como o mundo passou a te ver também.

Rafael Camargo e os Super Normais

No mês de setembro do ano passado, eu e um grupo de amigos resolvemos criar uma iniciativa que falaria sobre inclusão da pessoa com deficiência por meio de histórias em quadrinhos. Criamos os Super Normais, como uma ação divertida e despretensiosa. Compartilho essa jornada com Mirella Prosdócimo, Manoel Negraes e Rafael Camargo. Juntos somos empreendedores e bons amigos.

Rogerio Theodorovy
Os criadores dos Super Normais, Rafael Bonfim, Manoel Negraes, Mirella Prosdócimo e Rafael Camargo, acompanhados por Regiane Ruivo Maturo, em palestra durante o encerramento do curso Diversidade e Inclusão. O curso foi ministrado pelo SESI, para profissionais de RH das indústrias ligadas à FIEP.

Conheça outras tirinhas:

Apostamos na viralidade das redes sociais e publicamos nosso material exclusivamente no Facebook. A resposta foi surpreendente. Ao longo dos seis primeiros meses de publicações, conquistamos mais de 1.100 seguidores, com uma média de 6 mil leitores alcançados semanalmente, tendo 92% do público que curte os nosso conteúdos compartilhando as tirinhas.

Depois de sentirmos a resposta do público, começamos a consolidar o motivo de criação dos Supers.

Ao usar o suporte das histórias em quadrinhos para debater o assunto, os Super Normais visam democratizar essa discussão, levando as questões ligadas à inclusão para qualquer ambiente de debate.

Além disso, a iniciativa traz uma abordagem mais holística em relação ao tema central, comunicando por meio dos seus conteúdos, que ao debater a inclusão da pessoa com deficiência, fala-se ao mesmo tempo de preconceito, respeito às diferenças, resiliência e muda-se culturas em relação aos padrões estéticos, à saúde preventiva, à relação entre pacientes e médicos, entre outros.

A nossa repercussão chamou a atenção da mídia, garantindo matérias nos principais veículos de comunicação do pais e ainda nos rendeu um convite para participar da Semana do Empreendedorismo do Sebrae.

Renata Aquino
Rafael Bonfim, um dos criadores e personagem dos Super Normais, apresentou a inciativa na Semana do Empreendedorismo Sebrae.

Hoje estamos transformando os Super Normais em uma iniciativa de negócio, encarando nossas limitações e a forma que lidamos com ela como um diferencial de mercado de peso.

Para mim, os Super Normais é o um caminho que me leva ao entendimento e materialização do meu propósito de vida. Nasci prematuro de seis meses, então minha vida está atrelada a essa condição desde o primeiro dia. Motivo tem.

Enviado por admin, 16/10/12 7:35:00 PM

Curitiba ganhou uma opção gastronômica diferenciada nas instalações, no cardápio e no atendimento. O New York Café, localizado na XV de Novembro, é um estabelecimento especializado na culinária americana, com ambiente brilhantemente decorado e que apresenta um conjunto de soluções em acessibilidade de destaque.

Danile Pedrozo
Entrada do New York Café

Uma série de veículos de comunicação explorou a questão da acessibilidade como diferencial e esses veículos ficaram tentados a chamar o New York Café de “o primeiro café acessível de Curitiba”. Eu estive com Diele Pedrozo e Luiz Santo, proprietários do NYC, que me contaram detalhes da história do empreendimento e compartilharam posicionamentos que nenhum outro veículo explorou.

Afinal, qual é a vantagem em apostar na acessibilidade de maneira séria e holística? Isso dá resultado? Por que fazer isso?

Nenhuma dessas perguntas foi levada em conta no momento de planejamento e idealização do New York Café. As características inclusivas do empreendimento são resultado da vontade de empreender e abrir o próprio negócio, aliada à criatividade genuína da dupla proprietária, somada a uma visão de mercado. A motivação não foi orientada por legislações obrigatórias, mas sim porque a ideia é ser assim. O diferencial é esse.

Danile Pedrozo
Espaço interno do café

Diele é professora e coordenadora do projeto Ver com as mãos, uma iniciativa artística e pedagógica do Instituto Paranaense de Cegos. Luiz é um chef apaixonado pela culinária americana, publicitário e tem na bagagem experiências profissionais em diferentes restaurantes do Brasil e do exterior. A união desses dois contextos proporcionou a idealização de um espaço em que “tudo é bom para todos”.

“A minha vivência com alunos cegos me aproximou do mundo da inclusão. Antes de abrirmos o café, eu já observava os obstáculos de acesso que pessoas com deficiência enfrentam e percebia que a vontade de frequentar, de sair, de participar existe, o que não existe é visão para que isso seja possível”, comenta Diele.

O New York Café foi projetado não só para ter as portas dos banheiros largas, ou mesas em boa altura, ou rampas de acesso. É um espaço onde o cliente pode exercer o seu direito pleno de escolha e autonomia.

Danile Pedrozo
A equipe de atendimento é parte fundamental no projeto de acessibilidade do espaço.

“Quando trabalhamos no projeto da reforma do espaço, pensamos que cada detalhe deveria ser feito para que qualquer pessoa venha até nós e tenha total condições de ser um cliente autônomo e independente. Do momento da escolha do prato, ao pagamento da conta”, pontua a proprietária.

E nessa missão de oferecer meios de autonomia para qualquer pessoa, a criatividade torna-se uma grande aliada. O café já conta com cardápios em braile e caracteres ampliados, mas isso não é o suficiente para os criadores: “Estamos tentando encontrar alternativas tecnológicas para que o cliente com deficiência visual tenha ao seu dispor um cardápio em áudio, por exemplo, ou possa ouvir a descrição do ambiente do café”, ilustra Luiz Santo.

Atendimento personalizado

Outro pilar importante (até mesmo dentro do desenho universal de acessibilidade do café) é o treinamento que a equipe recebeu e que vem sendo aprimorado pouco a pouco. Para que um cliente com deficiência tenha uma experiência de autonomia, é essencial que quem o atenda também contribua para que isso aconteça e colocar essa ideia em prática pode parecer bem mais simples do que se parece.

Acessibilidade no atendimento

“A ideia de ter algo 100% acessível é um pouco distorcida. Isso vai depender da necessidade de cada pessoa. Nós respeitamos isso”. A declaração de Diele explica porque a equipe do café trabalhou não só em um projeto arquitetônico diferenciado, mas apostou também no treinamento dos atendentes.

Saber indicar a posição dos talheres, prato e copo a um cliente com deficiência visual, sugerir a mesa com estrutura mais adequada ao cliente cadeirante, atender ao deficiente intelectual sem qualquer diferenciação de tratamento e respeitando o seu ritmo de escolha, ou ainda, receber treinamento básico de LIBRAS.

Esse conjunto de diretrizes faz parte da prestação de serviços do estabelecimento. Ao perceber que teriam que trabalhar com um atendimento diferenciado, os fundadores notaram que o tempo de coleta dos pedidos corria o risco de ser mais lento, o que em partes, pode complicar o fluxo global da prestação de serviço. O risco foi incorporado ao New York Café e acabou se tornando um diferencial relevante. Para Diele “Os clientes notam essa postura dos atendentes e entendem isso”.

Danile Pedrozo
Colaboradora do New York Café acompanha cliente com deficiência visual na entrada do café

“Vamos imaginar que um atendimento a um cliente com deficiência demore duas vezes mais do que o normal. Se ele for bem atendido aqui, acaba voltando e com isso os atendentes passam a conhecê-lo pelo nome. É claro que isso é bom para qualquer pessoa e no fim das contas, todo cliente que é bem atendido volta e passa a ser chamado pelo nome. Por conta de tudo isso, não estamos sendo comparados a ninguém”, comemora Luiz.

Então vale a pena?

Alguns amigos já me perguntaram coisas sobre a invisibilidade da pessoa com deficiência. Quem tem alguma deficiência tem mais vergonha de sair? Por que não se vê tanta gente com deficiência na rua? Deficiente vai pra balada?

Retomando o questionamento: é uma boa escolha investir em acessibilidade, pensar nesse público, considerar a pessoa com deficiência como nicho de mercado e achar que isso é diferencial? Muita gente acha que não, inclusive professores acadêmicos, como um que barrou um trabalho de TCC que propunha uma iniciativa muito parecida com o NYC. Saiba os motivos da negação dele, clicando aqui.

Luiz e Diele apostaram e investiram na ideia, inauguraram um estabelecimento que tem uma série de vantagens competitivas únicas e tiveram uma exposição na mídia notável. Foram cerca de 7 reportagens, em veículos impressos, online e de televisão, depois dos 14 primeiros dias de funcionamento. Isso significa aparecer na mídia um dia sim, um dia não, por duas semanas.

Então você, meu caro empresário, ou gerente, que nunca nem pensou nisso, você está perdendo tempo e dinheiro.

Serviço:

New York Café

Rua XV de Novembro, 2916

De terça à quinta – Das 12h às 20h
Sexta e sábado – Das 12h às 22h
Domingos – Das 14h às 20h

NYC no Facebook: http://www.facebook.com/NewYorkCafeCwb

Enviado por admin, 23/09/12 2:46:00 PM

Ter personagens com algum tipo de deficiência no mundo dos quadrinhos não é necessariamente uma inovação. Empresas de alcance mundial, como a Marvel Comics, já apostaram na ideia e lançaram há anos personagens como Matt Murdock, o advogado cego que encarna o Demolidor, ou ainda o lendário Charles Xavier, o professor paraplégico com poderes psíquicos imbatíveis e líder dos X-Men.

No Brasil a Maurício de Sousa Produções também passou a trabalhar a inclusão em suas tirinhas há um bom tempo, com personagens como Luca, um garoto cadeirante, apelidado pela turminha de Paralaminha de Rodas, ou Dorinha, menina deficiente visual. Maurício de Sousa criou outros personagens e chegou a publicar um material da Turma da Mônica especial sobre o tema da inclusão, chamado Caminho Livre.

Mas e se ao colocar personagens com deficiência em quadrinhos você adicionasse elementos como acidez, mensagens subliminares e um humor mais afiado? E se esses personagens fossem espelhados em pessoas reais e as histórias fossem pensadas por um cartunista e por essas três pessoas com deficiência?

Rafael Camargo
Mirella, Manoel e Rafael formam os Super Normais

Esses são os diferenciais dos Super Normais, criados por Manoel Negraes, Mirella Prosdócimo, Rafael Camargo e por mim. Rafael Camargo é o cartunista que por meio de um talento muito particular consegue traduzir em desenho os questionamentos, inquietações, críticas e piadas que estão presentes no discurso dos três personagens com deficiência que juntos ou individualmente não têm medo de falar sobre o tema de uma forma mais visceral, aberta e verdadeira.
As tirinhas estão sendo publicadas no Facebook, na página oficial dos Super Normais.

Confira algumas delas:

Rafael Camargo e Mirella Prosdócimo
Rafael Camargo e Rafael Bonfim
Rafael Camargo e Manoel Negraes

O traçado diferenciado adotado por Camargo e o fato dos roteiros serem criados a partir de vivências muito verdadeiras dá aos Super Normais a possibilidade de apresentar a inclusão da pessoa com deficiência como um tema que pode fazer parte de qualquer roda de conversa e que está mais presente no dia a dia do que as pessoas imaginam.

Super Normais: Filosofia, inclusão e vicissitudes da vida sob o ponto de vista de três personagens espelhados em pessoas reais, que acham que ter uma deficiência é super normal. Toda segunda-feira tem tirinha nova na página dos Super Normais.

Acesse e curta: www.facebook.com/supernormais

Páginas12345678
Este é um espaço público de debate de idéias. A Gazeta do Povo não se responsabiliza pelos artigos e comentários aqui colocados pelos autores e usuários do blog. O conteúdo das mensagens é de única e exclusiva responsabilidade de seus respectivos autores.
Publicidade
Publicidade
Publicidade
«

Onde e quando quiser

Tenha a Gazeta do Povo a sua disposição com o Plano Completo de assinatura.

Nele, você recebe o jornal em casa, tem acesso a todo conteúdo do site no computador, no smartphone e faz o download das edições da Gazeta no tablet. Tudo por apenas R$ 49,90 por mês no plano anual.

SAIBA MAIS

Passaporte para o digital

Só o assinante Gazeta do Povo Digital tem acesso exclusivo ao conteúdo do site, sem nenhum custo adicional ou limite.

Navegue com seu celular ou baixe todas as edições no tablet - um novo jeito de ler jornal onde você estiver.

CLIQUE E FAÇA PARTE DESSE NOVO MUNDO

»
publicidade