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Enviado por admin, 19/09/09 10:55:00 AM

A intertextualidade: cuidados e vantagens na produção dos textos

Recolho das janelas informativas da imprensa o material para analisar hoje o tema da intertextualidade, recurso poderoso sempre disponível às redações em geral. Aliás, você já reparou como a maioria dos blogueiros conta, muito mais do que produz material próprio, com a retaguarda do que outros já escreveram , desenharam, infografaram , fotografaram e filmaram? As opções para alimentar maior sentido ao que se deseja destacar são abundantes, mas há também situações e quem ofereça postagens autorais que compartilham com os demais o estilo pessoal, a concatenação das ideias e os arranjos visuais estabelecidos. É uma questão de escolha e de conveniência – e o leitor sempre ganha com o caminho bem selecionado pelo blogueiro. Observe.

Tiago Recchia - GP,  19 / 9 / 2009

Hoje, por exemplo, quero destacar a charge do Tiago Recchia, porque aprecio o traço inconfundivelmente elegante dos desenhos dele. Atente, sobretudo, à temática ressaltada, uma vez que está bem ao gosto das bancas nos vestibulares, portanto, a charge deverá seguir lépida e fagueira para o cardápio das análises do vestibulando. Costurar as informações fornecidas pelo IBGE e ainda revelar as impressões autorais do chargista são os dois itens que alimentam a escolha da ilustração na postagem de hoje. Vá nessa confiante.

Examine a infografia preparada pela Gazeta; a fonte é o PNAD 2008/IBGE, mas para ficar mais informado leia a reportagem Analfabetismo estacionou em 10% do André Gonçalves e Agencia Estado, também na Gazeta de hoje. Veja a costura informativa chegando na bandeja para você apreciar. Aproveite, porque esses dados reveladores apontam as direções para o seu olhar, seja ele de leitor interessado e curioso ou de vestibulando e inscrito no ENEM.


Veja que houve uma pequena redução nas taxas de analfabetismo no PR

Examine a seguir o excerto:

“Em dez anos, o Paraná conseguiu reduzir em 35% o número de adolescentes que engravidaram. A informação consta da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) referente ao ano de 2008, divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geo­grafia e Estatística (IBGE). Em 1998, 62,3 mil meninas de 15 a 19 anos declararam ter filhos. Em 2008, este número caiu para 40 mil no estado. No Bra­sil, a redução foi menor: 18,2%. Em 1998, 1,15 milhão de adolescentes neste grupo de idade disseram ter filhos, contra 946 mil, em 2008.

A redução mostra uma consciência maior por parte dos jovens no que diz respeito ao uso de métodos contraceptivos, na opinião da chefe da divisão de promoção da saúde da mulher, criança e adolescente da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), Patrícia Danielle Torres Matille. “Verificamos isso com o aumento da procura por atendimento para uso de contraceptivos nas unidades de saúde”, diz.”

As informações acima foram retiradas da reportagem Cai o número de meninas grávidas, de Tatiana Duarte, na GP; agora analise a fotografia feita pelo Daniel Castelanno. São duas contribuições que articulam maior sentido ao tema da natalidade no Paraná. Ficar atento às costuras informativas e apreciar a intertextualidade presente ajudará ao estudante, ao blogueiro ou ao leitor interessado a tirar o bom proveito dos recursos intertextuais.

Daniel Castellano/ Gazeta do Povo
As irmãs Laís e Lizandra aprenderam com a experiência da própria mãe, que engravidou aos 14 anos. Hoje, elas não querem nem saber de filhos

Quem fez, quando e onde foi publicada? – Uma constatação entristecedora para quem corrige redações na escola básica e também acadêmica é a frequente apropriação informativa sem a devida indicação da fonte, ou seja, quem fez, quando e onde foi publicada. As crianças e os jovens precisam desde as primeiras séries escolares a reconhecer o trabalho intelectual alheio, caso contrário aprenderão na escola, diante do afrouxamento das exigências dos colegas professores, a fazer do CtrlC e do CtrlV o alimento único da composição dos seus trabalhos de pesquisa e redação.

A intertextualidade é citação, a conhecida menção dos dados informativos de outras fontes e, quando bem empregada, revela ao leitor não apenas a capacidade articuladora do produtor do texto na condução das vozes autorais, mas também a seriedade e a justiça no trato das informações, concorda comigo?

Quer treinar a escrita sobre o tema de hoje?

>Na composição das suas redações e trabalhos de pesquisa qual o lugar oferecido às citações? Costuma utilizá-las com regularidade acentuada? Comente.

> Seus professores costumam mostrar como se articulam as informações intertextuais? Aprendeu a contar com a ajuda dos sinais de pontuação para melhor introduzi-las no seu texto? Há alguma orientação escrita sobre a elaboração de trabalhos de pesquisa na escola onde você estuda, sobretudo nas aulas de Redação? Responda e argumente.

Sugestões – Para bem elaborar a composição dos trabalhos escolares e aprender a explorar a intertextualidade sugiro aos estudantes e professores do ensino fundamental e médio as duas primeiras leituras abaixo; e, aos universitários, apesar de dirigida ao campo da saúde, a última indicação aponta a direção universal à pesquisa e produção de textos acadêmicos.

> A grande jogada: Manual construtivista de como estudar, de Celso Antunes, Editora Vozes

> Projetos de pesquisa: estratégias de ensino e aprendizagem em sala de aula, de Jorge Santos Martins, Editora Autores Associados

> Metodologia da pesquisa em saúde: fundamentos essenciais, de Neusi Tomasi e Rita Yamamoto, da UFPR

Até a próxima!

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      Luciana do Rocio | 20/09/2009 | 20:32

      Isto foi há uns três anos atrás . O problema é que, na época, me aconselhei com uma outra professora que disse que o diretor poderia argumentar intertextualidade pois Literatura e Artes Cênicas são atividades diferentes. Porém agora ficarei mais esperta!Obrigada!Tenha uma excelente semana !

      Doralice Araújo | 20/09/2009 | 19:12

      Credo, Luciana. Você ficou quietinha? Eu exigiria uma retratação, mas antes me aconselharia com um advogado entendido em direito autoral. Não há no seu caso a intertextualidade, porque em momento algum a autoria ficou pública, ao menos citada no folheto/ cartaz da peça. No dia que o espertinho diretor corrigir o erro e explicitar que o texto é baseado naquele que você escreveu a intertextualidade acontecerá; eu exigiria a retratação se pudesse comprovar a autoria do texto, prezada leitora.

      Luciana do Rocio | 20/09/2009 | 17:29

      Não fizeram menção nenhuma a minha autoria . Daí eu telefonei para o diretor da peça e , simplesmente , ele pediu desculpas. Só isso .

      Doralice Araújo | 20/09/2009 | 14:47

      Primeiro responda: você encontrou alguma menção à autoria, Luciana?

      Luciana do Rocio Mallon | 20/09/2009 | 14:25

      Professora Doralice, tenho uma dúvida: há 3 anos atrás pegaram um texto, de minha autoria que estava no meu blog, sem autorização, e transformaram em uma peça de teatro . Neste caso houve plágio ou intertextualidade ?

      Giovane | 20/09/2009 | 13:32

      No entanto, na minha atual escola nem todo mundo teve essa sorte. Lá mesmo, é até curioso os professores cobrar tanto as normas e, diante da realidade da turma, não orientar direito. É somente e sempre a mesma frase: "Dentro das normas, sem Ctrl+C Ctrl+V". Isso fica mais agrava mais ainda quanto, no nosso caso, a escola tem as próprias normas.

      Giovane | 20/09/2009 | 13:25

      Na minha escola, nós aprendemos na sétima série como fazer os trabalhos. Foi bem legal, a professora de história, Irmã Tarcila, apresentou algumas regras da ABNT e nos orientou como por em prática, em um trabalho sobre o MST. Foi um trabalho bem legal que eu levei pro meu colegial, já que nele nós formamos nossas proprias ideias lendo vários textos, de diversas fontes. No final fizemos as devidas referências.

      Luciana do Rocio Mallon | 20/09/2009 | 12:01

      Intertextualidade é a capacidade de dialogar com um texto já existente , criando outros elementos da forma que torne a obra mais rica . Por isto é que gosto muito de Dorothy e o Mágico de Oz , afinal ela faz intertextualidade com Alice No País das Maravilhas , outra obra prima .

      junior | 19/09/2009 | 20:39

      ...no campo dos textos, cabe registrá-los, das ideias, patenteá-las, evitando-se assim o plágio. Na intertextualidade, respeitadas as fontes, me parece ser gratificante ter um texto ou uma ideia sendo relevantes à uma discussão, ainda que seja para ser rechaçado.

      junior | 19/09/2009 | 20:34

      Acredito que, quem torna públicos um texto ou uma ideia quer compartilhá-los.Quando compartilhamos ideias pensamos não só em influenciar opiniões mas em gerar um ponto de partida, colocando-as à mesa para que sejam desenvolvidas (ou descartadas) por outras pessoas.Devemos sempre citar os criadores da criatura original, porém é praticamente impossível identificar a fonte de textos já desenvolvidos ou muito discutidos, ou seja alguns pensamentos acabam caindo no domínio público...

      Doralice Araújo | 19/09/2009 | 14:59

      A intertextualidade, Fiori, é um recurso textual, assim como o vocabulário, a pontuação, a concordãncia entre as palavras, os recursos coesivos, entre outros. Você pode e deve utilizá-la, mas com a devida menção à fonte das informações. Textos apoiados equilibradamente na intertexualidade são poderosamente articulados e valiosos. É completamente diferente de se usar uma referência como se fosse um produto seu.

      José Aparecido Fiori | 19/09/2009 | 14:14

      O que parece se dizer é que intertextualidade é usurpar ou ser usurpado por algum texto, sem a devida menç?o ou respeito ? fonte, o mesmo que plágio. É isso?

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