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Enviado por admin, 20/12/10 3:18:00 PM

Este blog mal engrenou e venho aqui me despedir. Estou de mudança para Belo Horizonte na próxima semana. Vou continuar a trabalhar com jornalismo cultural por lá e interessada na cena teatral curitibana, mas já não tão próxima. O Palco ficará fora do ar.

Não queria me perder em memórias aqui, mas ao menos dizer que foram quatro anos muito intensos e proveitosos trabalhando no Caderno G. Há pelo menos três, como setorista de teatro. Tive bons embates, alguns “violentos”, outros renderam diálogos transformadores para mim. Sobretudo, aprendi um bocado sobre essa arte, vi algumas montagens inesquecíveis e conheci artistas dos mais interessantes. Mencionar alguns seria esquecer outros.

Em janeiro, começo a escrever no caderno Magazine, do jornal mineiro O Tempo. Criei um blog pessoal também, o Travessias Culturais. Até lá, quem quiser fazer contato pode escrever para sobreteatro@gmail.com.

Um abraço a todos, vou sentir saudades.
A gente se esbarra novamente a qualquer hora.

Luciana

Enviado por admin, 03/12/10 11:58:00 AM
Elenize Dezgeniski/ Divulgação
Rodrigo Bolzan e Patrícia Kamis tocam trilha de Gabriel Schwartz.

Oxigênio estreou ontem na sede da Cia. Brasileira de Teatro. O espetáculo põe dois atores e um músico em um cenário que serve ao show musical tanto quanto ao desfile de moda. Duas referências à cultura pop, consumista ou underground marcantes para a geração retratada.

Os atores Rodrigo Bolzan e Patrícia Kamis narram a história de um crime passional cometido por um casal russo. Desse mote, porém, surge uma série de questões éticas que discutem a democracia, a vodka e a maconha, os árabes e os judeus, a Jihad e o amor. Os argumentos são polêmicos e contundentes. Sobretudo, extremamente vinculados à realidade mundial atual e à maneira como a ela reagimos.

Ontem publiquei matéria sobre a peça, mas deixei de fora uma boa parte da conversa com o diretor Márcio Abreu e os atores Patrícia Kamis e Rodrigo Bolzan. Tá aqui:

Narrativas
Márcio Abreu comenta o que o atraiu a encenar a peça do dramaturgo russo contemporâneo Ivan Viripaev: “Tinha muita relação, na dramaturgia, com a inquietação em que estamos metidos. Tomar a palavra e criar a ponte (com o público). A arquitetura de Oxigênio tem uma reflexão radical sobre isso. É radicalmente narativa. A história caba sendo um pretexto pra rever o lugar do teatro e como se estabelece a presença diante do público.”

Em algumas cenas, o diretor e os atores ainda discutem o como dizer: não necessariamente qual inflexão, mas o posicionamento artístico. “Como compartilhar, sem julgamento, com o público para pensar junto?”, pergunta Márcio.

Uma cena emblemática leva Patrícia junto à platéia para reclamar por nada mais ter a dizer, pois o autor, ocupado em defender as ideias dele, não escreveu para a atriz contra-argumentos.

Elenize Dezgeniski/ Divulgação
Trio em cena: o músico Gabriel Schwartz e os atores Patrícia Kamis e Rodrigo Bolzan.

Se o tema criminoso e a linguagem narrativa lembrar, por exemplo, Menos Emergências, montada pela Pausa, Giovana Soar responde, comparativamente: “O discurso é muito mais amplo.” Márcio explica: “Oxigênio não revê a história da Rússia – indiretamente é possível pensar na história recente do país -, mas revê a confusão mundial dessa geração” Cada cena é deflagrada por uma menção ao Sermão da Montanha, que levanta novas questões éticas. “Uma reflexão sobre o que é essencial a cada um e justifica seus atos.”

Em Vida, a companhia fugiu de se aproximar de Leminski pelo seu lado polêmico. Oxigênio comporta a polêmica, mas em outra chave.”O Leminski, como figura, é afogado pelas polêmicas ao redor dele e da obra dele, que é muito mais interessante. Aqui a polêmica constrói o texto, está na estrutura.”

Como em outras montagens da companhia (a banda em Vida ou a musicalidade nas falas de Suíte 1), Márcio aproveitou para usar a música dramaturgicamente. “O sentido nasce não só dos conteúdos, mas de sonoridades autônomas.” Patrícia toca bateria e Rodrigo Bolzan canta, acompanhados por Gabriel Schwartz, autor da trilha sonora que a executa ao vivo, ou Vadeco, com quem o músico reveza quando tem outros compromissos.

Tradução
Ivan Viripaev nasceu na Sibéria, extremo oriente da Rússia e berço do movimento do “novo drama russo”, como os irmãos Presniakov – de quem se encenou a peça Terrorismo, em São Paulo, há alguns anos. “Esse novo drama russo é das coisas mais interessantes com que tenho tido contato de tentativa de escrita para o teatro em relação com o próprio ambiente”, diz Márcio.

Elenize Dezgeniski
Rodrigo Bozan atua em Oxigênio

Traduzir a peça, porém, se revelou mais complicado do que parecia. Na tentativa de fazê-lo direto da língua original, a companhia chamou a professora russa Irina Starostina, a mesma que ensinou Ranieri Gonzalez a pronunciar os versos de Maiakovski em Vida, mas seu domínio do português não foi suficiente. Apoiados também no francês, Márcio, Giovana Soar e os atores assumiram juntos a tarefa. “Irina serviu mais para decifrar os enigmas. Foi quase uma transcriação.”

O universo de referências russas se mantém, atualizado por comparações à realidade brasileira e curitibana, trazendo a cena para o aqui e agora.

Atores
O paulista Rodrigo Bolzan, há quatro anos integrante da Cia. do Latão, já havia trabalhado com a Cia. Brasileira em Apenas o Fim do Mundo, substituindo Rodrigo Ferrarini nas temporadas de São Paulo e Rio de Janeiro. A curitibana Patrícia Kamis, por sua vez, se junta ao grupo pela primeira vez. “Queríamos atores que pensam, discutem, são maleáveis”, diz o diretor.

“O Márcio desde o começo sabia muito bem o que queria. Ele deixa um espaço aberto para a gente propor e criar, e se não está bom, sugere”, diz Patrícia. “Somos atores jovens, presos a padrões de um teatro antigo. Se a gente se descuida, volta à quarta-parede, à bobagem de interpretar e representar.”

Bolzan, acostumado ao teatro épico brechtiano, que trata de outra maneira da narrativa e da interlocução com o público, completa: “O Márcio tem essa obsessão de pegar os textos e assuntos que o interessam e elevar a palavra ao primeiro plano. É incansável.”

Enviado por admin, 23/06/10 11:10:00 AM
Fábio Alcover/Divulgação Filo
Odilon Esteves (em pé) e Marcelo Souza e Silva (à direita): Aqueles Dois fez três apresentação no Filo e continua viajando pelo país até novembro.

Confira a entrevista com Odilon Esteves e Marcelo Souza e Silva, atores da Cia. Luna Lunera, de Minas Gerais, sobre as viagens que fizeram Brasil adentro com o espetáculo Aqueles Dois.

No Festival de Curitiba, em março de 2008, conseguiram projeção. No Rio de Janeiro, fizeram dois meses de temporada com casa cheia. E pelo Palco Giratório, do Sesc, correram de norte a sul do país, conhecendo públicos diversos, desde os que nunca haviam visto uma peça de teatro, aos que não contiveram manifestações de preconceito.

Por onde vocês já passaram com o Palco Giratório?
Odilon Esteves: A primeira etapa teve três meses quase, começou dia 24 de março e foi até 16 de junho. Foram nove estados. Passamos pelo Maranhão, Rio Grande do Norte, Ceará, Bahia, Paraná, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Pernambuco e Rio Grande do Sul.

Qual foi a cidade mais desligada do teatro que encontraram?
Marcelo Souza e Silva: No Maranhão, São José do Ribamar. É uma cidade próxima a São Luis, uma comunidade rural praticamente. Foi o primeiro evento cultural que o Sesc realizou nessa cidade. A vivência daquelas pessoas era muito diferença da nossa no ambiente urbano.

Odilon: As referências da peça são muito urbanas e as deles eram rurais, de uma vida com outra estrutura. Gerou na gente um desconforto se a obra teria alguma relevância para eles.

Marcelo: Acho que a recepção foi muito boa. Ao preencherem o formulário sobre o espetáculo, algumas pessoas até disseram “não entendi muita coisa, mas eu gostei”.

Odilon: Principalmente porque é a primeira vez que o teatro ia a essa comunidade, tinha essa descoberta. A plateia era composta por 80% de crianças e adolescentes. Foi a apresentação em que a gente cortou a cena do nu e teve alguns textos mais didáticos, para tentar uma comunicação com eles. Mas tenho impressão que algumas coisas são mesmo universais: a questão da amizade, da solidão, eles reconhecem a troca de presentes, a perda da mãe, a morte.

Fábio Alcover/ Divulgação/ Filo
Rômulo Braga, ator da Cia. Luna Lunera.

Vocês perceberam alguma diferença na maneira como homens e mulheres reagem ao espetáculo?
Odilon: Normalmente, as reações femininas, pelo próprio jeito como a mulher se relaciona com a vida, tendem a ser mais abertas do que uma retração que educação masculina pede. A mulher tem uma permissão para brincadeira, enquanto universo masculino cobra um outro tipo de sobriedade. Por mais que isso já tenha sido quebrado, não tem como não dizer que é uma marca do masculino ainda. A gente teve no mailing reações masculinas expressivas. Um espectador disse: eu me identifiquei muito com a peça, eu sou o chefe da repartição, então na próxima coloquem atrizes nuas e me mandem uma cortesia.

Marcelo: A gente lida com esse universo masculino no espetáculo e fala de sentimentos que afloram mas não se expressam verbalmente.

Odilon: No Rio de Janeiro a gente teve a experiência de uma senhora mais idosa ir com as amigas. Já entraram comentando o aquecimento e as cenas de filmes, mas na hora da nudez falaram: “Aí já é demais!”, alto. E a plateia reagiu. Em uma apresentação em Vitória da Conquista, quando (os personagens) Raul e Saul são demitidos, de uma mulher da plateia escapuliu: “Bem feito”. É raro, mas a gente tem a calma de esperar que a própria plateia se reposicione em reação àquilo. No dia em que as senhoras mostraram a rejeição delas perante aquele universo, o aplauso da platéia teve um tom que eu credito em parte reativo a ela. Eram gritos de Bravo!, com um tom de “olhe como a senhora é preconceituosa”.

Marcelo: As reações nem foram tão intensas quanto eu esperava. Em algumas cidades, riam nervosos. No Rio Grande do Sul, no Paraná, uma ou outra.

Quantas vezes e por que vocês decidiram cortar a cena de nudez?
Marcelo: Em três, duas no Maranhão, porque tinha um público formado por adolescentes e crianças e naturalmente entendemos que não se justificava manter a cena, naquele momento era possível fazer esse tipo de concessão. E em Palmas, no Paraná. Quando a plateia entrou, não sei dizer, havia um lugar de acolhimento mas ao mesmo tempo de impossibilidade para fazer essa cena. Fizemos de calça. Achou que não era conveniente para aquela plateia, mais contida, mas receptiva. Foi uma decisão acertada.

Como foi essa experiência com o público do Paraná?
Marcelo: A gente tem no imaginário a ideia de que espectadores do sul são mais frios e distantes.

Odilon: Era um preconceito, a gente nunca tinha viajado para o interior do Paraná, muito menos para o interior do Rio Grande do Sul.

Marcelo: Tivemos uma experiência com o Perdoa-me por me Traíres em Porto Alegre, há uns 8 anos, e nessa ocasião tivemos uma reação um pouco mais fria. Acho que isso ficou no nosso imaginário. Mas foi muito surpreendente. Em duas cidades no máximo das 22, contando Paraná e Rio Grande do Sul, houve reação um pouco mais fria. Nos desancou nesse sentido.

Fábio Alvover/ Divulgação/ Filo
Odilon Esteves, de frente, e Cláudio Dias, de costas, em cena de Aqueles Dois, durante a apresentação no Festival Internacional de Teatro de Londrina.

Odilon: A gente foi a cidades que estavam recebendo o Palco Giratório pela primeira vez, como Palmas. Em Foz do Iguaçu, inauguramos o teatro. Numa cidade que vive do turismo e da fronteira, é muito legal o Sesc levar para quem vive ali uma outra referência. Mas é lógico que vai encontrar todas as dificuldades de uma cidade que se funda culturalmente sob essa influência. Dentro de um mesmo estado, não tem como generalizar, é de vastidão cultural impressionante. Fomos a Foz do Iguaçu, Palmas, Cascavel, Marechal Cândido Rondon, Campo Mourão, Umuarama, Paranavaí e Londrina.

Encontraram rostos sem olhos, como os do final do espetáculo, pelo Brasil?
Odilon: Acho até muito curioso quando alguém vem dizer para a gente que se viu lá na parede. Uma pessoa perguntou: “No final, nós somos aqueles?”, muito incomodada de pensar que talvez fosse. Isso cada um pode dizer por si e é uma resposta que interessa muito mais para a pessoa, o crescimento dela e a relação dela com a vida. Fico muito curioso de pensar o que seja uma pessoa sem íris nem pupila, como o Saul desenhava. Porque é o tipo de coisa que a gente pressente e a imagem é muito forte.

Nos lugares por onde passaram, quais as condições de instalação que encontraram?
Marcelo: Em São Luis (MA), a gente encontrou três situações muito interessantes. O Teatro Arthur Azevedo, para umas 700 pessoas. Em seguida o Boi da Matinha, em São José do Ribamar, que era um galpão de ensaio de bumba meu boi muito precário para apresentação teatral. E depois uma quadra esportiva de um colégio particular, em Paço do Lumiar. Isso já nos deu um pouco a dimensão dessa diversidade que seria o Palco Giratório.

Odilon: Às vezes, a gente chega a 70% do espetáculo e tem que ter humildade, alguns não tem e voltam para o hotel chorando. E mesmo assim o retorno da plateia foi muito bom. Foi uma grande lição do Palco Giratório entender que se não fosse ali, o espetáculo não estaria chegando naquela cidade. A gente fez tudo o que podia para melhorar as condições, no dia anterior fui avaliar as caixas de som de um parque de diversões ao lado para pedir que abaixassem as caixas de som na hora do espetáculo, em troca de divulgar o parque no fim.

Vocês sentiram que mexiam com a autoestima do público no interior?
Odilon: As reações de nudez, por exemplo. Quando um na plateia é muito efusivo, você percebe em alguns espectadores a preocupação: “que vergonha da nossa cidade”. Nos bate papos, em Gravataí e São Luis, pediram desculpas pela reação: “a gente não tem tanto acesso, as pessoas não estão acostumadas”. Tentamos quebrar esse mito, dizendo que mesmo nos grandes centros, que têm público mais letrado em teatro, isso acontece. Uma espectadora escreveu que tinha gostado da peça mas achado confusa, só foi entender no meio que eram Raul e Saul, mas que isso não era uma crítica, era burrice dela mesmo. Respondi pessoalmente que não era um erro, essa era a estrutura da peça e ela tinha entendido no tempo certo.

Marcelo: Em muitas cidades por onde a gente passou, às vezes o Palco Giratório era um dos únicos eventos culturais. As pessoas criam uma expectativa muito grande, vão ansiosas querendo que gostássemos da cidade. Esse tipo de reação é uma decepção para elas.

Odilon: Querem que os grupos voltem. Como a gente em BH, recentemente o grupo Autônomo foi para lá com Nu de Mim Mesmo. É um trabalho que eu adoro, e quando o produtor local me ligou dizendo que nos dois primeiros dias havia sete pessoas na plateia, fiquei penalizado.

Nos bate papos feitos depois da apresentação, quais são os temas mais debatidos?
Odilon: A questão da solidão sempre surgiu nos debates.
Marcelo: A amizade. E em algumas cidades, veio em pauta o direcionamento que você dá à sua vida. A gente não esperava por isso. Também a cena da nudez.

Diego Pisante/Divulgação
Odilon Esteves e Rômulo Braga, em momento de proximidade dos amigos Raul e Saul.

E a homossexualidade?
Marcelo: A homossexualidade surgia, mas muitas vezes o público transcende essa questão e fala de coisas para além disso.

Odilon: Nesse caminho todo, as pessoas têm aceitado essas possibilidade de o Raul e o Saul serem gays ou os dois serem heteros ou um gay e outro hetero. Elas se reconhecem, entendem que o amor entre os dois é igual ao dos heteros. “Então esse amor é igual ao meu? As questões são tão parecidas? Eles também sofrem com a perda da mãe, solidão, têm rotina de trabalho muitas vezes medíocre, assim como eu, independente da orientação sexual?” Assim como casais gays disseram que Raul e Saul são heteros, pois se fossem gays já teriam ficado no primeiro café. Mas esse é um dos jeitos de viver a homossexualidade.

Marcelo: No Rio Grande do Sul, uma plateia adolescente teve uma reação um pouco preconceituosa até. Mas essas pessoas não se manifestam para a gente.

Odilon: Em dois meses de temporada no Rio de Janeiro, fizemos 40 apresentações de quarta a domingo com a casa lotada. Isso dá uma experiência de dias em que a plateia riu de absolutamente tudo, como jamais riram depois, e outro em que não riram de nada do início ao fim, foi um silêncio sepulcral. No primeiro, o aplauso durou um minuto, a energia de expressão foi se diluindo ao longo. No outro, aplaudiram por cinco minutos com muita energia, contiveram e explodiram. Essa é uma possibilidade de leitura. Queria me debruçar e entender isso. Entram as condições do teatro, de acústica, inclinação, calor, conforto. A gente pode mexer nas nossas variáveis em função do que percebe das variáveis do público do dia. Quando a plateia está desesperada para rir de tudo, a gente segura, senão vira um Sai de Baixo. A gente não pode se contagiar, senão a plateia leva.

As reações do público ainda são imprevisíveis para vocês?
Odilon: A gente começa a mapear algumas formas de reação. Tem ações nossas que são reações à plateia. Recentemente, uma reação surpreendente me gerou outra reação em um tamanho que nunca tinha acontecido no espetáculo, (os outros atores) brincaram que eu estava quase brigando com a plateia. É uma cena em que se diz que Raul e Saul dormiram no mesmo quarto, mas cada um em um local, e no dia seguinte chegaram de cabelos molhados à repartição. “Ah, cabelos molhados? Quaquaquá (imita a plateia)!” Eu logo digo: Por isso (enfatizando a reação do público), nesse dia as mulheres não conversaram com ele. O recado era: se alertem, a reação foi desse jeito. Isso jamais teria nascido em uma sala de ensaio. Acho que é um diálogo saudável. Quando a plateia não compartilha desse preconceito a reação é completamente outra e me gera uma reação diferente. Vamos criando uma paleta de reações possíveis e vez ou outra nos surpreendemos e agregamos uma nova reação imprevista.

Fábio Alcover/ Divulgação/ Filo
O conto de Caio Fernando Abreu foi adaptado pela companhia, com a direção dos quatro atores mais Zé Walter Albinati.

Qual foi a consequência da passagem pelo Festival de Curitiba para a carreira da peça?
Odilon: Tínhamos feito duas temporadas em BH, mas Curitiba projetou o espetáculo. Não tem jeito, é a opinião que as pessoas têm sobre o espetáculo que garante a carreira dele, aopinião dos jornalistas, da classe artística e do público. Em Curitiba ganhou outra dimensão. A gente está vivendo uma experiência em que (há divergências, é claro) a receptividade do espetáculo por esses três pilares tem garantido a ele uma vida que era imprevisível.

Em 2011, vocês completam dez anos de companhia. O que planejam para a comemoração?
Marcelo: A gente está até novembro por conta de Aqueles Dois. E temos tentando entender como fazer essa comemoração, quais espetáculos trazer de volta, os que fizeram sucesso ou os que têm algum tipo de contribuição enquanto linguagem e fundamentação dos pilares do grupo?

Odilon: Os encontros que a gente tem tido ao longo do Palco Giratório foram só para trabalhar na versão em espanhol do texto. Talvez a gente vá ao México, o grupo de discussão Teatropeia nos chamou para um festival, mas estamos negociando passagens, porque eles não têm recursos.

Durante o Palco Giratório, vocês deram oficinas em todas as cidades? Quem era o público?
Odilon:
Em quase todas. Foram oficinas para iniciados e iniciantes. No Palco Giratório você encontra o Brasil real. Não tem as condições ideias do circuito de festivais de editais públicos. Em BH, Rio de Janeiro, São Paulo, Bahia, fizemos o espetáculo para 100 pessoas. No interior do Brasil, a gente tem que se adaptar. É caro viajar e há muitas pessoas querendo ver. Ou damos 100% para 100 pessoas ou 70% para 500. E a gente não tem como justificar para as outras 400 que só 100 vão entrar. A gente tem que entender que isso é lícito.

Marcelo: Em algumas cidades, a oficina era a única possibilidade (para os artistas locais) de formação continuada no ano.

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Errata: Na edição de hoje do Caderno G impresso, a foto publicada mostra Odilon Esteves e Rômulo Braga (em vez de Marcelo Souza e Silva, como informado).

Enviado por admin, 20/06/10 10:00:00 AM
Marcelo Elias/Gazeta do Povo
Alexandre França, Patrícia Kamis, Paulo Zwolinski e Preto: nova geração

Publico hoje no Caderno G impresso uma reportagem sobre os novos dramaturgos de Curitiba gestados no Núcleo de Dramaturgia do Sesi Paraná, que Marcos Damaceno coordena e Roberto Alvim orienta. As primeiras peças escritas durante o projeto acabam de ser lançadas em livro. São 17 obras, escritas por 16 autores, entre eles os quatro com quem conversei: Patrícia Kamis [(Em) Branco e Tempestade de Areia], Preto [Inverno], Alexandre França [(Você)] e Paulo Zwolinski [Como Se Eu Fosse o Mundo, a única já encenada, com direção de Alvim].

Eles me falaram das suas descobertas sobre a escrita teatral, que deve ser o mais pessoal e desatada de clichês possível, para ampliar a percepção humana. E comentaram o teatro feito em Curitiba atualmente, ainda muito preso a modelos de 40 ou 50 anos atrás. Leia trechos da conversa:

Vocês convivem no Núcleo de Dramaturgia, discutem as mesmas estratégias de escrita, leem os mesmos textos. De que modo isso traz questões recorrentes ao trabalho de todos?
Alexandre França – A maioria das pessoas ali tem seus grupos de teatro fora do núcleo, que acontece uma vez por mês. Retrabalham o que foi falado em sala de aula. Mas algumas coisas ficam, como a transubstanciação do sujeito, os vetores, a subjetividade.

Patrícia Kamis - A única coisa recorrente nem é temática. Como o Alvim traz dramaturgias de ponta pra gente ler e ideias novas, como a transubstanciação… (que é a questão do sujeito dentro da estrutura dramatúrgica: a fala dele vai se transformando em outro sujeito, numa mesma frase às vezes de repente não é mais ele falando). O que eu vejo mais recorrente, mas não em todos, é essa vontade de fazer escritas mais inovadoras que dialoguem com ideias mais recentes de Bernard-Marie Koltès (1948-1989), Valère Novarina (1947), Richard Maxwell, Gregory Motton (1961).

Alexandre – Um exemplo de transubstanciação do sujeito está naquela peça Quartett, do Heiner Mueller.

Paulo Zwolinski – Eu não faço parte de nenhuma companhia, escrevo e, tirando o Alvim, não tenho ninguém que vai apontar ou alterar alguma coisa no meu texto. A questão da temática, não que ela chegue a se repetir, mas nós estamos optando por temas tão densos, tão fortes, que é com o que estamos dialogando. A minha peça e a do Preto, se você analisar, têm muita coisa parecida, a questão do filho. Mas é outro caminho, se identifica e não se repete.

Preto – Como o Alvim cobra muito da gente, e quando se tem que escrever coisa muito densa, você vai para dentro de você e será único. Vai descobrir sua linguagem e sua forma de expressar. Mesmo que ele desse um tema cada peça seria única. Alvim valorizou a cada texto, desde o começo, a forma de escrever de cada um. Saía do “eu gosto” ou “não gosto” para outras questões e a gente aprendeu com isso a valorizar nosso trabalho. Demorei um ano para escrever uma peça de 23 páginas, foi difícil, mas aprendi muita coisa além de escrever uma peça, que é o ser humano enquanto artista.

Paulo – A melhor forma de exprimir a sua visão de mundo. Isso tem a ver na verdade muito mais com uma busca interna e com referências e trajetória de vida do que com essa troca de figurinhas de copiar o outro ou tentar criar estética de organismo único.

Patrícia e Alexandre, vocês tinham peças feitas antes de entrarem no núcleo. Como sua maneira de escrever teatro se alterou desde então?
Patrícia – Eu antes escrevia tentando me encaixar em determinada forma, lia as peças: personagem tem que ser dessa forma, colocar rubricas… O Alvim me falava: “não vai por aí não, muito clichê”. Ele foi limpando e eu comecei a desenvolver realmente a minha forma de escrever. Se você vir nos meus livros, são formas que talvez as pessoas até não entendam e não vejam como dramaturgia. Mas ele soube valorizar o que em mim era peculiar. Em vez de escrachar, ele falou que se isso que estava dentro de mim, esse era o caminho. Talvez não possa fazer uma crítica agora, mas daqui a dez anos possamos refletir sobre. Tempestade de Areia é um texto que eu não sei como faria de forma tradicional, o que eu gostaria de escrever é dessa forma que eu encontrei. Ele me disse que não sabia o que dizer sobre meu texto, mas que estava finalizado. Eu até agora estou insegura com o texto, quem vai encenar, porque se não for encenado não vai se transformar em teatro. É um incentivo à nossa singularidade.

Tempestade de Areia tem três vozes, o homem, a mulher e a tempestade. As intenções de fala são sugeridas pelos tamanhos das fontes do texto. E a movimentação em cena é sugerida pela disposição gráfica do texto, que se empilha e se enovela. Você pensou em como ele seria encenado?
Patrícia – A gente entrou em uma grande discussão que é: os nossos atores precisam de uma nova escola de atores, de diretores e encenadores que tratem eles como adulto e não digam “luz abre em foco no ator, uma cadeira, uma mesa e uma janela”. Você faz o que você quiser, é livre. Eu, como dramaturga, queria dizer isso. Nas nossas leituras (durante a mostra realizada no Festival de Curitiba), o Márcio Mattana (que dirigiu o outro texto de Patícia) falou que é muito poder para um diretor. Se percebe o quanto os diretores estão acostumados a serem mimados com rubricas.

O que diferencia Tempestade de Areia de um texto literário, sendo muito gráfico, e o faz teatral?
Patrícia – É a questão da palara falada. A partir do momento em que o ator fala e não narra sai do campo da literatura.

Você como atriz se imagina representando um texto desse?
Patrícia – Eu não sou atriz que sei me dirigir. Um texto desse eu não sei como faria, precisaria de um diretor para me ajudar a construir alguma coisa, mas eu embarcaria. Com o Alvim (em Como Se Eu Fosse o Mundo), foi uma forma de atuar diferente da que eu aprendi, cheguei ao final do trabalho pensando como era importante conhecer coisas novas.

Alexandre – O texto da Patrícia só ganha potencialiadade como dramaturgia, pelas texturas de voz e movimentos e ações que propõe.

E para você, Alexandre, o que mudou na escrita dramatúrgica?
Alexandre – Minha referência para escrever meus textos teatrais era a literatura, mas o núcleo me ajudou a conhecer novas dramaturgias. Eu conhecia os clássicos mesmo. Habituè, que era Habituès, transformei por causa do nucleo. Eram dois alcoolatras terminais num boteco dialogando sobre a vida. Nas conversas com o (ator) Paulo Linhares, percebemos que a segunda personagem é uma espécie de consciência da primeira. Eu nunca tinha sacado isso. Para mim eram duas. O Otavio Linhares sugeriu que eu chamasse a Maia (Piva) para fazer e me veio um turbilhão do que o Alvim falava sobre a projeção das mulheres desse cara. É tentar ressignificar alguma coisa. Vai pro palco em setembro.

Você dirige também, isso pesa na hora de escrever?
Alexandre – Pra mim pesa porque já imagino uma direção na minha cabeça quando vou escrever. Me forço um pouco a me livrar disso, porque às vezes acaba se enjaulando naquele seu estilo de direção. É uma provocação que foi feita no núcleo.

Rogério Viana/Divulgação
Roberto Alvim, orientador do Núcleo de Dramaturgia do Sesi Paraná, dirigiu a primeira peça do dramaturgo curitibano Paulo Zwolinski.

Paulo – No meu caso foi uma baita fissura, estava desacreditando na arte do teatro. Coomeçamos com um workshop da Marici Salomão, que trabalha as formas clássicas. O Alvim vem e dá uma rasteira nisso, começa colocando questionamentos. Mas nada impede que a gente volte depois. Como Se Eu Fosse o Mundo é linguagem do Alvim, mas a segunda peça que escrevi, Limões, está muito mais para clássico que outra linguagem. E agora tô querendo (re)escrever Prometeu Acorrentado, tenho só algumas imagens. Me ajudou a saber quem eu sou no teatro, o que eu quero falar. A bagagem que eu tinha anterior me serviu de contraponto.

O Alvim é contra os discursos hegemônicos, fala da novela, que não é reflexo da sociedade, mas a sociedade é um reflexo da televisão. É uma outra função, aquela mercadologica. A que eu quero com meu teatro é de fazer pensar e pessoas saírem diferentes de como entraram.

Alexandre – Uma metáfora que Alvim usa é a dramaturgia ser um tapete que tenta ampliar a percepção do ser humano. Ele apresentou o livro do Lobo Antunes, O Meu Nome É Legião, que mexe com questões de espaço, tempo e a idéia de que não somos um, mas muitos, e subjetividade deve ser trabalhada à exaustão para experiencia humana ser ampliada.

Patrícia – A televisão tem a sua função, mas ao teatro não é todo mundo que vai. Nós temos responsabilidade de fazer um trabalho mais reflexivo para aquele público, acabar com maniqueismo, porque ser humano é realmente complexo.

Preto – O teatro tem que vir para mostrar que o ser humano é tanta coisa e pode ser tanta coisa nova, que intuitivamente a gente sabe mas não consegue explicar. Com o núcleo, a nossa evolução é muito grande artisticamente. Talvez na prática ainda não se mostre na obra o quanto cada um se quebrou e se construiu. Cada um é maior que a obra, que com o tempo vai solidificando. Mas, nesse exato momento, talvez a gente não consiga transmitir tudo aquilo que conseguiu perceber do ser humano. Isso vai se refletir nos próximos 5 ou 10 anos de cada um de uma maneira muito forte.

Patrícia – Eu, o Preto e outras pessoas do núcleo, espetados pelo Alvim, estamos criando uma oganização sem fins lucrativos para reunir esses dramaturgos. POrque o Sesi faz um trabalho fenomenal que incentiva a escrita, mas não consegue bancar temporadas. E para os dramaturgos é imprescindível que os textos sejam encenados.

Qual o olhar de vocês sobre dramaturgia feita em Curitiba fora do núcleo?
Preto – A gente precisa urgentemente mostrar e criar dramaturgias de linguagens diferentes das que estão sendo feitas aqui. Tem muito trabalho reverenciado em dramaturgia muito antiga, estamos com pouca coisa nova, pouquíssimas singularidades. No teatro de Curitiba precisa entrar ar novo, autores, diretores novos, que já existam mas voltem seu olhar para novo. Nossa dramaturgia e nosso teatro estão muito antigos. Ator tem que ser retreinado. Diretores que estudem, se atualizem. Se você faz algo novo, é malhado que aquilo não é dramaturgia. Então precisamos de novos trabalhos para formar plateia e uma nova classe teatral para a dramaturgia que quer falar da gente e de como a gente pensa, porque essa aí parece que eu já vi nos livros de teatro de 40 anos atrás.

Como foi a experiência do contato com outros diretores nas leituras e na encenação das peças de vocês?
Patrícia – Choque. Na minha leitura houve. O Mattana é extremamente estudioso, mas sentiu que talvez precise de outra forma de encenação para dar conta dessa nova dramaturgia. No Como se Fosse o Mundo, o choque foi em relação ao público.

Preto – O comentário que a gente ouviu de outro ator é que não conseguia ver o rosto do atores. É uma visão rasteira de trabalho. Se você vai para ver o rosto do ator, o que está fazendo ali? É um questionamento tão banal. Muitas vezes o público espontâneo saca mais do que as pessoas que fazem teatro e estão muito viciadas. Não quer dizer que o teatro daqui é mal feito, mas o olhar pode ser por outro caminho. Vamos fazer outra coisa, ter outra impressão de ser humano, não precisamos rever isso que se vê na novela. Graças a nosso enlatamento americano, a visão é de ritmo ritmo imagem imagem.

Não adianta uma dramaturgia nova e atores interpretando de jeito antigo. A gente viu nas leituras o quanto as pessoas estão precisando perceber mais a obra, dialogar com ela e não colocá-la dentro de uma gaveta onde acha que cabe. A gente percebeu que os textos, de uma maneira geral, não foram percebidos (pelos diretores e atores).

Enviado por admin, 17/06/10 11:54:00 AM

O Guia Casa traz os móveis mais cobiçados do Salão de Milão.

Nesta sexta, na Gazeta do Povo. Não perca.

Enviado por admin, 01/06/10 4:03:00 PM

Espetáculos programados para passapor por Curitiba pelo Palco Giratório este ano:

1ª Etapa
O primeiro a vir foi o espetáculo de dança Ideias de Teto, da Bahia, em abril.

2ª Etapa
2 de junho: Mal Entendido. Direção de Marco André Nunes. Com o Núcleo Bacatá (RJ).
12 e 13 de junho: Obscena Senhora D. Direção de Rosi Campos e Donizete Mazonas. Com o grupo Circo do Silêncio (SP).
15 de julho: Conceição. Direção de Mônica Lira. Com o grupo Grupo Experimental (PB).

3ª Etapa
18 de agosto: Ele Precisa Começar. Direção de Felipe Rocha e Alex Cassal. Com Felipe Rochas ou Dani Barros (RJ)

4ª Etapa
30 de setembro, 1º e 2 de outubro: Dolores. Direção de Jomar Mesquita. Com a Mimulus Cia de Dança (MG)
15 de outubro: Filhas da Mata. Com o grupo Grupo O Imaginário. Direção de Chicão Santos. (RO).
6 de novembro: Agreste. Direção de Marcio Aurelio. Com a Cia Razões Inversas (ES).

1ª Etapa
Espetáculo – Idéias de Teto – Ba
07/04 – Oficina (8h)
08/04 – Apresentação

2ª Etapa
Espetáculo – Mal Entendido – RJ
Ficha Técnica
Texto: Albert Camus
Direção: Marco André Nunes
Co-Direção: Pedro Kosovsky
Elenco: Alexandre Dantas, Carolina Virguez, Ludmila Wischnsky, Maria Esmeralda Forte e Gustavo Damasceno.
Cenário e Figurino: Marcelo Marques
Luz: Renato Machado
Direção Musical: Diogo Ahmed
Produção: Galharufa Produções Culturais

Serviço
01/06 –+ Oficina de 8h
02/06 – Pensamento Giratório + apresentação

Obscena Senhora D – SP
Ficha Técnica:
Concepção e Interpretação – Susan Damasceno
Direção: Donizete Mazonas e Rosi Campos
Adaptação: Susan Damasceno e Germano melo
Cenografia e Figurino: Anne Cerutti
Iluminação: Pedro Brandi
Realização: Teatro Grafitti

Serviço
11/06 – Oficina 8h
12/06 – Apresentação
13/06 – Apresentação

Espetáculo – Conceição – PB
Ficha Técnica
Direção, coreografia e concepção: Mônica Lira
Coreografia: Mônica Lira
Produção e sonoplastia: Christianne Galdino
Bailarinos: Daniel Silva; Helijane Rocha; Jennyfer Caldas; Januária Finizola; Mônica Lira; Rafaella Trindade; Ramon Milanez e Sílvio Barreto
Figurino: Marcondes Lima e Maria Agrelli
Cenário: Marcondes Lima
Cenotécnico: Silvio Barreto
Iluminação: Beto Trindade
Operador de Luz: Saulo Uchôa
Trilha Sonora Original: Tomas Alves Souza

Serviço
14/07 – Oficina 8h
15/07 – Apresentação

3ª Etapa
Espetáculo – Ele precisa começar (RJ)
Ficha Técnica
Texto: Felipe Rocha.
Direção: Felipe Rocha e Alex Cassal.
Interpretação: Felipe Rocha ou Dani Barros
Direção de Movimento: Dani Lima.
Cenário: Aurora dos Campos.
Iluminação: Tomás Ribas de Faria.
Trilha Sonora: Felipe Rocha.
Assistente de Direção: Stella Rabello.

16/08 – Pensamento Giratório+ Oficina 4h
17/08 – Oficina 4h + Grupo Local apresentação
18/08 – Apresentação
19/08 – Intercâmbio 8h

4ª Etapa
Espetáculo – Dolores (MG)
Ficha Tecnica
Direção Artística: Jomar Mesquita
Elenco: Jomar Mesquita, Juliana Macedo, Bruno Ferreira, Mariana Fernandes,
Rodrigo de Castro, Andréa Pinheiro, Murilo Borges e Nayane Diniz.
Iluminação: Rodrigo Marçal
Cenário montagem: Paula Pazos
Som operação: Paula Pazos
Produção Executiva: Karla Danitza

28/09 – Oficina 4h
29/09 – Oficina 4h + Pensamento Giratório
30/09 – Apresentação
01/10 – Apresentação
02/10 – Apresentação

Espetáculo – Filhas da Mata (RO)
Ficha Técnica
Elenco: Zaine Diniz, Jória Lima e Gilca Lobo
Dramaturgia: Jória Lima
Concepção sonora: Bira Lourenço
Concepção cenográfica: Chicão Santos
Figurino: Zaine Diniz e Jória Lima
Poesias: Nilza Menezes
Operação de luz: André Luiz
Operação de som: Chicão Santos
Direção e produção executiva: Chicão Santos

15/10 – Apresentação
16/10 – Oficina 8h

Espetáculo – Agreste (ES)
Ficha Técnica
Texto/concepção: Newton Moreno
Direção: Marcio Aurelio
Cenário: Marcio Aurelio
Iluminação: Marcio Aurelio
Direção de produção Renata Araújo
Figurino: Marcio Aurelio
Trilha Sonora: Marcio Aurelio
Elenco: João Carlos Andreazza, Paulo Marcello
Técnicos: André Lemes

06/11 – Apresentação
07/11 – Repertório

Enviado por admin, 01/06/10 12:00:00 PM
Dvulgação
Lamartine Babo, musical dirigido por Antunes Filho.

Semana que vem, no dia 10 de junho, começa o Filo, o Festival Internacional de Teatro de Londrina. Curitiba participa com dois espetáculos, como eu já comentei aqui, Vida, da Cia. Brasileira de Teatro, e O Trenzinho do Caipira, da Cia. do Abração.

E a temporada de festivais de teatro continua pelos próximos meses:

Julho
São José do Rio Preto, no interior de São Paulo, vira sede momentânea das artes cênicas com o Festival Internacional de Teatro de São José do Rio Preto ou só Fit Rio Preto. A programação foi divugada hoje. Nada de companhias curitibanas.

Divulgação
Marca para Zenturo: encontro do Espanca!, de Minas Gerais, com o grupo XIX, de São Paulo.

Entre os nacionais, há a parceria dos mineiros do Espanca! (Amores Surdos e POr Elise) com os paulistas do XIX (Hysteria e Hygiene): Marca para Zenturo. O musical Lamartine Babo, do CPT, de Antunes Filho.

A montagem de O Pato Selvagem, do Ibsen (curiosamente, o texto que o “grande ator do Teatro Nacional que faz até telenovela” encena em Para Luís Melo, peça de Marcos Damaceno), pela Cia. Les Commediens Tropicales vai ao Filo e ao Fit Rio Preto. E mais Anatomia Frozen, da Cia. Razões Inversas, que passou pelo Teatro da Caixa em Curitiba e ganhou o APCA de melhor direção, além de indicação ao Shell.

Divulgação
O Pato Selvagem, do Ibsen, pela companhia Les Commediens Tropicales, de São Paulo.

Comparecem ainda uma leva de estrangeiros: o uruguaio Las Julietas, de Marianella Morena; o espanhol Kamchàtka, do grupo de mesmo nome; o americano Ode ao Homem que se Ajoelha, dos New York City Players; o alemão FatzerBraz, da andcompany &Co; o chileno Comida Alemana, de Cristian Plana; e o canadense Os Cegos, do Cie UBU Theatre.

Agosto
Seria a vez do Festival Internacional de Teatro de Palco e Rua de Belo Horizonte, o Fit BH. Mas a situação por lá anda complicada. Os organizadores da mostra bienal chegaram a anunciar seu cancelamento (ou adiamento para 2011, sem data fixada), alegando que realizar o festival em anos pares (de Copa do Mundo ou Olimpíadas) estava ficando inviável, embora circule que as causas reais da crise são financeiras. Voltaram atrás, prometendo uma edição reduzida, sem os curadores antigos que pediram desligamento.

Divulgação
Federico Luppi e Adrian Navarro atuam em Por tu Padre, convidado ao Porto Alegre Em Cena.

Setembro
Mês do 17º Porto Alegre em Cena, no Rio Grande do Sul. Costumaz congregador de espetáculos de países do Mercosul, o Poa Em Cena já adiantou parte da sua programação no twitter (@festpoaemcena). Dois nomes que devem chamar a atenção este ano são o americano Bob Wilson (dos mais importantes e influentes encenadores vivos), com Happy Days, do Beckett; e o ator argentino Federico Luppi (do filme Elza e Fred), com a peça Por Tu Padre.

Tem mais: da Lituânia, vem O Idiota (Dostoiévski), dirigido por Eimuntas Nekrosius. E o curitibano Marcos Damaceno leva Psicose 4h48, com Rosana Stavis.

Enviado por admin, 19/05/10 3:38:00 PM
Divulgação
Adriana Birolli em cena de manual Prático da Mulher Desesperada.

Uma curiosidade: Adriana Birolli anda preocupada. A atriz que fez fama nacional como a desbocada Isabel, de Viver a Vida, volta para casa pela primeira vez desde o fim da novela, com seu espetáculo Manual Prático da Mulher Desesperada. Dos tempos em que fazia teatro no bar Era Só o Que Faltava, diante de uma centena de espectadores e boêmios, se tanto.

Na nova realidade pós-sucesso nacional, ela se apresenta desta vez no Teatro Positivo, na quinta-feira da próxima semana, dia 27. Isso significa encarar uma plateia de mais de 2 mil lugares. Ou seja: ou seu público se multiplica por vinte, aumentando um bocado a responsabilidade da artista, ou o espaço fica meio vazio.

Não é o que a preocupa. Adriana teme um boicote dos curitibanos. Tanto que chegou a ligar para a redação do jornal para explicar que foi mal-interpretada na entrevista que deu meses atrás à Contigo. A mesma revista que recentemente a elegeu atriz revelação do ano.

Explica-se: Adriana falou à publicação sobre como se acostumou bem ao Rio de Janeiro. E fez algumas observações a respeito de Curitiba que, longe de serem ofensivas, assim estariam sendo lidas por pessoas daqui, motivando um suposto movimento de boicote à sua apresentação.

Ao telefone, ela esclarece espontaneamente que as frases foram tiradas de contexto e editadas para consolidar o elogio ao Rio de Janeiro, mas que sua vida está aqui. A prova, segundo ela, é que seu telefone celular continua com o código 41.

Zé Paulo Cardeal - TV GLOBO
A atriz como Isabel, na novela Viver a Vida.

Frases:

“Sou determinada e, quando vim pra cá, há dois anos, tinha a convicção de que era para sempre. Chega um ponto em que você não tem mais para onde crescer em uma cidade como Curitiba.”

“Curitiba é muito parecida com a Suíça, é uma cidade-modelo, toda organizada, limpa, todo mundo obedece, tudo funciona, é impressionante. É tudo muito careta, não num mau sentido, mas lá não tem ninguém na rua depois das 11 da noite. Eu gostava de lá, mas não tinha a experiência de morar no Rio. Ipanema é bem a minha cara.”

Serviço:
Manual Prático da Mulher Desesperada
Teatro Positivo (Rua Pedro Viriato Parigot de Souza, 5.300), (41) 3317-3283. Texto de Dorothy Parker. Direção de Ruiz Bellenda. Com Adriana Birolli. Dia 27 às 21 horas. R$ 64 e R$ 24.

Enviado por admin, 19/04/10 6:26:00 PM
Daniel Derevecki/Gazeta do Povo
Daniel Derevecki/Gazeta do Povo

Leia o perfil publicado na edição impressa.

Enviado por admin, 18/04/10 10:41:00 PM

Nadja Naira em Descartes com Lentes: Valmir Santos viu no Festival Alternativo, em Bogotá, e comentou no blog do Teatro Jornal, que mantém desde março

No Caderno G deste domingo, publiquei uma matéria sobre como o teatro demora mas começa a aproveitar a internet como um espaço pra debater e se disseminar. Uma das novidades no ciberespaço é o site (e o blog) Teatro Jornal, do jornalista e crítico teatral Valmir Santos. Tentei entrevistá-lo para a matéria, mas as respostas chegaram tarde demais. Aqui estão.

Qual proposta norteia o Teatro Jornal?
Disponibilizar meus escritos sobre teatro, ontem e hoje, textos para jornais, revistas, especialização, mestrado, etc. É um projeto pessoal, mas que se pretende alargar para uma equipe futuramente. Ao revolver os registros, vi que a primeira reportagem data de 1990, quando eu pensava ser 1992, ano em que passo a editar o caderno de cultura no jornal O Diário de Mogi, em Mogi das Cruzes.

Quando foi fundado? E por que você decidiu por um espaço na internet?
Fiz o primeiro post em 20 de março de 2010, segundo dia em Bogotá, onde fui acompanhar o Festival Iberoamericano de Teatro. A decisão de partir para a web decorre do meu afastamento da redação de jornal, desde 2008, quando sai da Folha de S. Paulo. As ferramentas site e blog injetam mais autonomia editorial e sinto-me contracenando mais diretamente com a produção teatral. Ainda é cedo para concluir, mas, em menos de um mês, meu entusiasmo é grande.

Qual o seu público-leitor? Como ele responde, reage, participa?
Mulheres e homens da comunidade do teatro, com esperança de que não sejam cirscunscritos aos artistas, mas, num futuro não muito longe, também aos espectadores, aos espectadores críticos. Por enquanto os comentários gravitam em torno dos próprios artistas vinculados às artes cênicas.

Pela sua prática, que possibilidades o espaço virtual abre para o teatro, pensando por exemplo em sua disseminação, debate e até na preservação da memória?
Acho que a reflexão e o registro histórico são os principais vetores em relação ao teatro e seu espaço na internet. A sensação é de que ela vem absorvendo o espaço cada vez mais restritivo dos cadernos de cultura dos jornais diários das grandes cidades em relação ao universo das artes cênicas. Se teatro, dança, circo e ópera são primos pobres da indústria cultural, o território virtual constitui, paradoxalmente, a salvação da lavoura para essas artes presenciais em termos de visiblidade e “cultivo”. Mas essa gradação ainda é lenta. A rigor, o teatro tem sido para poucos, não temos acesso a um sistema de educação que nos permita usufruir justamente uma cultura de teatro na qual, por exemplo, o espectador zele mais para que o celular não atrapalhe a apresentação.

Considera que o teatro brasileiro faz bom uso das potencialidades da internet?
Percebo que essa atração ainda é incipiente. Até agora, sobressaem a eficiência nas vendas de ingressos, na produção de conteúdos jornalísticos, mas, no campo da criação e da interface com os recursos do computador, tudo isso ainda engatinha. E talvez nunca se dê por completo, vai saber.

Páginas123
Este é um espaço público de debate de idéias. A Gazeta do Povo não se responsabiliza pelos artigos e comentários aqui colocados pelos autores e usuários do blog. O conteúdo das mensagens é de única e exclusiva responsabilidade de seus respectivos autores.
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