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Blog Palpite de Alice

A história dos três porquinhos antes do Lobo Mau!

Saudações!

Era um dia de festa na fazenda onde nasceram Prático, Heitor e Cícero. Os adoráveis irmãos gêmeos estavam finalmente completando a maior idade suína! Teve banho de lama, ração de primeira e aquela música animada que só os animais de celeiro conseguem tocar.
Lá pelas tantas, a mamãe porca, D. Sapere, pediu a palavra. Em singelo discurso, proferiu palavras de amor e júbilo aos filhos. Foi o finalzinho de sua fala que surpreendeu:
– E pelo meu amor infinito, meu presente para vocês será a partida!

Fonte: Visual Hunt

Os convidados se olharam uns aos outros, com olhares de dúvidas. Milhares de hipóteses foram elaboradas em segundos, na tentativa de compreender aquele enigma. Aquele balbucio se fez até que ela continuou:
– Não estou doente, nem vou partir! Meus filhos sim! Estou ofertando a eles o melhor presente: a oportunidade de conhecer o mundo! Eles viverão algum tempo em uma floresta, de modo a conhecerem mais da vida, de si próprios e expandirem sua visão de mundo. Este intercâmbio cultural será transformador !
Depois disso entregou a cada filho um envelope.
Prático foi o primeiro a abrir e a deparar-se com um mapa e uma nota fiscal contendo diversos itens de materiais de construção.
Cícero e Heitor não se deram nem ao trabalho de abrir seus envelopes. Depois que tiveram ciência do conteúdo, iniciaram uma série de perguntas e pleitos:
– Mas mamãe! Pra que material de construção no hotel? Onde está o voucher dos hotéis? Vamos para uma casa de família? E o dinheiro para nos sustentarmos?
D. Sapere sorriu e respondeu: – Estes envelopes contém tudo que vocês precisam para este período de viagem. Aproveitem a festa para se despedirem dos nossos amigos porque vocês partem amanhã cedo.
E assim foi feito. A viagem foi agradável apesar de demorada. Heitor se dizia cansado e parava toda hora para recuperar as energias e comer um tantinho da comida que Sapere havia enviado nas mochilas de viagem.
Quando chegaram à floresta, no início da noite, a primeira surpresa desagradável. No local indicado do mapa, havia apenas um monte de tijolos, cimento e mais nada.
Assim descobriram que teriam que conseguir um local para dormir e que teriam que se “virar nos 30” dali em diante.
No dia seguinte, apesar da noite mal dormida, Prático levantou cedo para começar as obras de construção de sua casa. Fez um pequeno projeto desenhando em seu pequeno bloco de papel e logo começou a empreitada.
Horas depois, desperto pelos barulhos da construção do terreno ao lado, Heitor e Cícero acordaram. Animados, levantaram e foram ter com o irmão.
-Prático, larga disso! Temos muito tempo para construir as casas! Vamos conhecer os arredores e curtir nossa liberdade!
Prático maneou a cabeça e respondeu: – Primeiro a obrigação, depois a diversão. Além do que, não conhecemos a floresta e ficar dormindo ao relento pode ser perigoso! Vocês deviam iniciar a construção de vocês! Isso sim!
Ambos gargalharam do irmão “certinho” e foram em busca de aventuras e curtição.
E todos os dias foram assim. Prático trabalhando e os irmãos festando. Diziam um ao outro: – Amanhã né? Amanhã a gente começa!
Um belo dia, quase que inesperadamente, o inverno chegou. Prático estava com sua linda casinha pronta e uma hortinha viçosa.
Neste mesmo dia, não tão belo assim para Heitor e Cícero, “a ficha começou a cair” e eles, preocupados, foram conversar com o irmão.
-Prático! O inverno chegou e nem começamos nossa casa! Podemos ficar aqui com você?
– Não meus irmãos! Esta casa é para apenas um porquinho. Lamento não poder ajudar.
Cícero e Heitor saíram arrasados e no íntimo de seu coração, sabiam que eram eles mesmos os responsáveis por aquela situação.
Foram até seus terrenos, resolvidos a iniciarem os trabalhos naquele mesmo instante. Ao se depararem com os tijolos úmidos e com o cimento duro, caíram em sentido pranto!
-Nosso material de construção estragou todo! Como faremos nossas casas!?
Heitor resolveu buscar umas madeiras e Cícero foi atrás de umas palhas. Assim fizeram um barraco e uma choupana.
Findadas as “construções”, chamaram todos os amigos para festa de inauguração. Música alta e folia a noite toda!
Eles não se emendavam! Mesmo com as constantes reclamações do Sr. Lobo, era festa todas as noites.
Algum tempo depois, D. Sapere apareceu, de surpresa, para visitar os filhos. Entre abraços e beijos, falou de suas saudades!
Até que a pergunta “fatal”, saiu de sua boca: -O que fizeram com os presentes que eu lhes dei?”
Prático levou a mãe a sua linda casinha e mostrou, orgulhoso, sua horta.
Cícero e Heitor mentiram que haviam terminado a casa mas que o Lobo Mau derrubará ambas as construções para tentar comê-los! Apontaram para o barraco e choupana, alegando ser o que restará de tamanha atrocidade.
Animados com sua própria narrativa mentirosa, ainda contaram como haviam vencido o Lobo “Mau”, como foram corajosos e como haviam o expulsado dali.
Do rosto de Mamãe Sapere verteram lágrimas e ela revelou: – Estive morando ao lado de vocês durante todo este período que vocês acreditaram estarmos afastados. Eu queria me assegurar que estivessem bem e também observar o comportamento de vocês!
-Prático, seu senso de responsabilidade e pró-atividade me encantaram! Você foi além do que pedi! Fez sua casa, uma bela horta, um lindo jardim! Você está pronto para viver sua liberdade!
-Heitor e Cícero, a procrastinação e a preguiça de vocês, são lamentáveis! Por deixar tudo para amanhã perderam todo o material de construção. Por sua preguiça, não foram em busca da tarefa de construírem suas casas! Aliado a tudo isso, ainda quiseram culpar o Sr. Lobo pelo que “não fizeram”. Falaram mal do pobre para toda a floresta! E saibam, que uma fofoca pode arrasar a vida de uma pessoa para sempre!

Suspirou tristemente e prosseguiu:

-Meus filhos, a vida nos dá OPORTUNIDADES, que são únicas e que devem ser agarradas com unhas e dentes! Para tal, devemos nos esforçar e sermos PROATIVOS e RESPONSÁVEIS.
-A PROCRASTINAÇÂO e a PREGUIÇA são verdadeiras vilãs que roubam oportunidades e sonhos. Além disso, elas te induzem à MENTIRA, a DESCULPA e futuramente a CULPA.
Assim, a cada um, conforme suas obras:
-Cícero e Heitor! Vocês ainda não merecem a liberdade e voltam para casa comigo para mais um período de formação.
Depois, virando-se para Prático disse: – Aqui está o presente de fato! Uma passagem para você conhecer o mundo e viver feliz para sempre!

Fonte: Visual Hunt