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Vivendo de arte – Atuando em filme de cinema

Ontem, dia 17 de novembro de 2016, estreou o filme O Amor de Catarina, minha primeira participação nos cinemas! E vou contar aqui como foi o processo.

Em 2014, a produção do filme estava procurando um casal de atores que se parecesse fisicamente com os atores Glória Menezes e Tarcísio Meira mais jovens, nos anos 70.
Foi assim que, pelo Facebook, chegaram à mim e ao ator Neto Oliveira.

O primeiro encontro com o pessoal da produção foi na reunião com o diretor, Gil Baroni, que entregou nossas falas impressas com a qual fizemos a primeira leitura para acertar o tom das falas. Ele nos contou sobre o processo de gravação e que seria todo filmado em Curitiba, com atores locais. As cenas das nossas participações eram do casal fazendo propaganda da Enceradeira Glória, que passaria na televisão no intervalo comercial da novela O Amor de Catarina.

 

Com o texto em mãos, começamos a pesquisar sobre os atores reais. Assim analisamos o tempo de fala, o timbre da voz, a movimentação corporal, os olhares, tudo para deixarmos a atuação o mais próxima possível da realidade.

AS GRAVAÇÕES

Chegamos na manhã de gravação no Museu Paranaense, no bairro São Francisco. Uma das salas foi transformada em camarim. Araras, maquiagens, sapatos pelo chão, uma mesa com lanchinhos e muita movimentação.
Lá começamos a nos transformar em Tarcísio e Glória. Com figurino, cabelo e maquiagem prontos, nos levaram para outra sala para gravarmos as cenas dos comerciais.

Depois da gravação, chegou a hora de sermos fotografados, para com esse material, recriarem uma das revistas da época a ser usada no filme.
No vasto jardim do Museu Paranaense, recriamos as fotos antigas do casal.

Em seguida entramos novamente no museu para a criação de uma fotonovela. As cenas eram explicadas e nos posicionamos para os cliques. Como não haviam falas, nossas expressões faciais e corporais deveriam bastar como atuação.
Foi uma experiência nova e desafiadora. Fiquei até interessada em reviver este formato de contação de histórias!

A segunda gravação aconteceu à noite, no Mercado das Pulgas, local onde foram realizadas a maioria das cenas do filme. Gravar neste espaço cheio de móveis e memórias foi um grande acontecimento. O lugar já traz um estranhamento e fascínio pela quantidade de móveis e objetos em um só lugar. Juntando a arte cênica, as luzes e os atores, no silêncio e escuridão da noite, foi como se estivéssemos em um outro mundo.

MATERIAL DE RÁDIO

Depois de interpretar Glória, a produção do filme entrou em contato comigo para gravar material de rádio e televisão utilizando locuções e uma canção. E foi assim que encerrei minha participação no filme: gravando uma locução de propaganda de vestidos de noivas para televisão, interpretando a cozinheira Palmirinha dando uma receita em um programa de rádio, e cantando a música “Último Desejo”, de Noel Rosa, no estilo de Dalva de Oliveira.

Ontem assisti a estreia do filme. Quando gravamos as cenas, são recortes de uma história que ainda não conhecemos. Quando vemos todos estes recortes alinhados, conhecemos a história e nos envolvemos de forma tão intensa que por vezes esquecemos de todo o processo envolvido. Foi um privilégio participar do projeto, uma produção independente com orçamento em torno de 180 mil reais, que trouxe um olhar sobre a vida real, que em muito se assemelha aos dramas da televisão.

O filme “O Amor de Catarina” foi selecionado pela curadoria do Festival de Cinema de Sundance para a 18ª edição dos Encontros com o Cinema Brasileiro, nos Estados Unidos.
Torço que o Brasil sempre consiga expressar sua arte e tocar o coração das pessoas!

Por Karen Giraldi