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Pista 1

Enviado por Cristiano Castilho, 25/06/15 12:56:38 PM

Em janeiro deste ano, vários jovens, via Twitter, perguntaram “quem era esse tal de Paul McCartney” quando o baixista dos Beatles anunciou que iria gravar com o rapper norte-americano Kanye West. “Ele deve ser grande, hein”, escreveu uma garota. Parte do mundo virtual ficou indignado. Afinal, onde viveriam estas pessoas?

Durante todo o dia de ontem, no meu círculo de amigos e colegas de trabalho, a pergunta foi “quem é Cristiano Araújo?” Isso enquanto a Globo interrompia a Sessão da Tarde (pela terceira vez em dois anos) para continuar a repercutir a morte do cantor e de sua namorada, Allana Moraes. Em que mundo vivemos?

A cobertura intensa justifica-se, em parte, pelas circunstâncias trágicas do acidente, da idade dos mortos (29 ele, 19 ela). E acaba por escancarar o abismo cultural existente no país (que às vezes se intersecciona com o abismo político, agora travestido de bipolaridade, e o econômico, até agora sem remédio).

A crítica cultural nunca esteve tão descolada da indústria. Mea culpa: escrevemos, basicamente, sobre produtos dos quais gostamos. É um privilégio conquistado, mas que reflete bolhas de consumo, às vezes traduzido como preconceito cultural.

Por outro lado, a carreira de um jovem cantor sertanejo se constrói sozinha, sem a necessidade de legitimação por parte da crítica. Há uma indústria paralela que se apropriou do gênero outrora ingênuo, caipira, e muito, muito público. Isso faz a roda do rodeio andar. Na lista de álbuns com mais downloads no iTunes, diz matéria do El País, cinco dos 15 são de música sertaneja. Não conheço nenhum. Talvez você também não.

Se os comentários sobre Paul (73 anos, um dos maiores músicos do planeta) denotam simplesmente ignorância, o desconhecimento sobre quem é Cristiano Araújo (29 anos, autor de “Bará, Berê”), para além de questões musicais e estéticas, revela a força brutal da indústria sertaneja do entretenimento (gravadoras, programas de tevê, publicidade específica, casas do ramo). Porque, como disse uma colega de jornal, não é tão fácil assim fazer alguém famoso depois de morto.

Enviado por Cristiano Castilho, 20/06/15 1:43:28 PM

Após três anos, o Sónar volta a São Paulo. O evento de música e artes acontece entre os dias 24 e 28 de novembro (terça a sábado) no Espaço das Américas. As atrações anunciadas até agora são o duo The Chemical Brothers, Hot Chip (que está de disco novo), o DJ e produtor francês Brodinski, e o britânico Evian Christ, sensação do hip hop.

The Chemical Brothers (Foto: Divulgação).

The Chemical Brothers (Foto: Divulgação).

Além de shows (SónarClub), está programada uma mostra audiovisual (SónarCinema) e uma conferência internacional voltada à indústria tecnológica, criativa e artística (Sónar+D)”. Os três pilares do evento são “música, criatividade e tecnologia”. Haverá também edições em Santiago (5/12), Bogotá (7/12) e Buenos Aires (3/12).

Informações sobre preços e venda de ingressos serão anunciadas em breve. Aqui está o site oficial do evento.

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Em 2012, acompanhei a primeira edição brasileira do Sónar, no Anhembi. As principais atrações eram Mogwai e Kraftwerk. Foi fantástico. Bem organizado, com ótima estrutura e um line-up certeiro com aquilo que eles chamam de “música avançada.”

Relembre o show do Mogwai (todo mundo saiu catatônico depois dessa pedrada na cabeça):

 

Enviado por Cristiano Castilho, 19/06/15 5:01:55 PM

A banda Sonora Coisa, força local do shoegaze e do noise garageiro, está com uma vaquinha virtual no ar. O objetivo é arrecadar fundos e mundos para gravar um disco sob os cuidados do norte-americano Mark Kramer, produtor de Galaxie 500 (!!!), Low, Bongwater, White Zombie e Butthole Surfers, entre outras. Kramer também participou ativamente da trilha sonora do filme Pulp Fiction (1992) – a inserção da música “Girl You’ll Be A Woman Soon”, do Urge Overkill, é culpa dele.

(Abaixo, o EP Long G; aqui, o que escrevemos sobre ele).

Kramer é de casa: o cara produziu o primeiro EP do Sonora Coisa, ao descobrir a banda no finado Myspace. O grupo surgiu em 2010, e hoje é formado por Rafael Buher (baixo e voz), Aphonso Buhrer (guitarra e voz), Daniel Nascimento (guitarra e voz) e Willian Pelacine (bateria).

O disco irá se chamar “Don’t Let he Poets lie to You”. Aqui, o link para colaborar e saber das recompensas todas.

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Loucura na floresta, girafa, caçador de borboletas. A banda Trombone de Frutas continua no seu clima de amigável psicodelia ao lançar o primeiro clipe oficial da carreira. “Brastempp”, uma ladainha jazzy em três línguas, ganhou um vídeo muito maluco. A direção é de Vinni Genaro.

O grupo lançou um disco (leia resenha aqui);. e prepara outro lançamento para 2016.

Veja o clipe abaixo:

 

Enviado por Cristiano Castilho, 10/06/15 5:20:27 PM

Há algum tempo falamos por aqui sobre o coletivo Atlas, projeto que reúne interessantes bandas da cidade para promover novos artistas. Outra ideia, com a mesma essência altruísta e colaborativa, foi lançada nesta semana: é o selo Som e Fúria, de Claudio Romanichen, da banda Lindberg Hotel (dona de um dos melhores discos da terrinha em 2014).

Pedi uma explicação a Claudio, que prontamente escreveu: “A ideia foi se expandindo, e o objetivo passou a ser ajudar artistas e bandas a terem mais visibilidade junto ao público por meio de ‘ações entre amigos’, nas quais os artistas ajudam-se mutuamente na divulgação de seus trabalhos, ampliando o número de pessoas atingidas. O selo, de certa forma, ajuda a organizar essas ações, e ao mesmo tempo pode ‘encaminhar’ uma identidade para os seus elementos.”

Da mesma forma que o Atlas, as bandas podem utilizar o estúdio caseiro de Claudio para gravar seus registros, “sempre seguindo a filosofia do-it-yourself e som lo-fi.”

O primeiro lançamento foi o EP Cotton Chains, do Lindberg Hotel (com o apoio de distribuição da Transtorninho Records, do Recife, e da The Blog That Celebrates Itself, de São Paulo). Para breve, estão previstos materiais das bandas She Is Dead (em estúdio) e April Seven (em pré-produção). “A grana é pouca e o tempo curto, mas a vontade de fazer música é grande”, diz Romanichen.

Gentileza de volta

Na última segunda-feira, a Banda Gentileza ressurgiu do lugar onde estava (onde estava?) com um clipe insano em plano sequência (dirigido por Max Leean) para a música “Casa”, faixa que estará presente no disco “Nem Vamos Tocar Nesse Assunto”, a ser lançado no dia 6 de julho.

Novo disco da Banda Gentileza será lançado dia 6 de julho (foto: Vinicius Grosbelli).

Novo disco da Banda Gentileza será lançado dia 6 de julho (foto: Vinicius Grosbelli).

Será o segundo disco dos gentis, sucessor do álbum homônimo, de 2009. Vê o clipe aí:

 

 

 

Enviado por Cristiano Castilho, 05/06/15 5:43:31 PM

Boogarins (GO), Aldo The Band (SP) e Audac (CWB) são as atrações da quarta edição da Volcano Apresenta, que acontece no dia 10 de julho, sexta-feira (ingressos já à venda, veja lá embaixo). A novidade é que agora a festa, que desde novembro de 2014 faz um intercâmbio entre artistas independentes, acontece no Jokers Pub, e não mais na Sociedade 13 de Maio.

Boogarins: psicodelia do cerrado (foto: Ninja Franz/Divulgação).

Boogarins: psicodelia do cerrado (foto: Ninja Franz/Divulgação).

A Boogarins, atração do Lollapalooza deste ano e uma das apostas de renovação do rock nacional (?), ficou conhecida por seu pop psicodélico-melancólico. A banda foi formada por Fernando Almeida e Benke Ferraz, e recentemente incorporou o baterista Ynaiã Benthroldo (ex-Macaco Bong). O único disco do grupo tem o sugestivo nome de As Plantas que Curam (2013). O álbum foi lançado nos Estados Unidos pelo Other Music Recording (com distribuição da bacanuda Fat Possum Records, que tem em seu catálogo Black Keys, Dinosaur Jr., Band of Horses e Iggy & The Stooges).

O grupo fez turnês pelos Estados Unidos – com passagens pelos festivais SXSW e Austin Psych Fest – e participou do Primavera Sound, gigantesco festival de Barcelona, na Espanha.

A Aldo The Band é um projeto dos irmãos Murilo (DJ Mura) e André Faria. No palco, a dupla recebe Érico Theobaldo (das bandas Thelepatiques e Embolex) na bateria, e Isidoro “Snake” (ex-Jumbo Elektro), no baixo.

Aldo The Band (foto: José de Holanda/Divulgação)

Aldo The Band (foto: José de Holanda/Divulgação)

O único disco, Is Love, também é de 2013. Com referências que vão de Happy Mondays a Chemical Brothers, a sonoridade do Aldo The Band é um pop extrovertido feito para a pista, mas essencialmente orgânico.

Em 2014, a banda circulou por alguns festivais do Brasil, como Bananada (GO), Se Rasgum (PA), Coquetel Molotov (PE) e Dosol (RN).

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Volcano #4

Boogarins, Aldo The Band e Audac

Dia 10 de julho, a partir das 21h.

Jokers Pub (R. São Francisco, 164).

Ingressos a R$ 25 (1.º lote), à venda pelo site Sympla

 

Enviado por Cristiano Castilho, 19/05/15 12:11:35 PM

Rosanne Machado não tem pressa. E seu novo “momento” dá as caras aos poucos. Em 2013, lançou o single “Chino”, que a reintroduzia ao público carente de Rosie and Me, banda de indie folk que chegou a tocar no Festival South by Southwest e acabou sem dizer tchau.

Há alguns dias, Rosie Mankato – é este o nome do projeto atual – lançou um cover de “True Colors”, clássico oitentista de Cyndi Lauper. Veja o clipe abaixo:

Prometido para o ano passado, seu novo disco deve sair em breve.

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Quem também tem música nova é o Lemoskine. “Pedra Furada” é o primeiro single de Pangea I Palace II, futuro álbum de Rodrigo Lemos e cia., previsto para os próximos meses. O clipe da faixa – quente, quebradiça e sinestésica -, será apresentado na próxima quinta-feira (21), durante um pocket show no Centro Cultural Sesi Heitor Stockler de França (Av. Marechal Floriano, 458), com sessões às 19h e às 20h.

Na ocasião, a banda irá mostrar mais faixas inéditas do disco. E vender uma edição limitada de “Pedra Furada” em compacto lo-fi quadrado, produto desenvolvido pelo selo Vinyl-Lab e customizado pelo APOC Studio. Ouça o single:

 

 

 

Enviado por Cristiano Castilho, 04/05/15 2:54:07 PM

No dia 25 de abril, o Coletivo Atlas estreou nos palcos e levou ao Wake Up Colab três bandas de seu “catálogo”: Veenstra, Farol Cego e Dunas. No evento, um zine bem bolado também estava à disposição. Bem como a coletânea do coletivo, em formato físico, divulgada agora virtualmente.

Atlas é um apanhado de novos e interessantes artistas locais, que dialogam entre si de maneira colaborativa. Há músicas novas do Glowe – o “synth pop progressivo” do qual tratamos aqui. Uma faixa do Ankou, projeto que apresentamos no Pista 1 em março. A estreia da banda Cora. Músicas novas de Farol Cego e Veenstra. Uma ótima faixa da Marrakesh. Trabalhos paralelos de integrantes de alguns deste grupos, além de “Algum Lugar Dentro do Céu”, faixa recente da Dunas, que vive um momento de criação e de “iluminação” de dar gosto – no show na Wake Up Colab, a plateia, munida de instrumentos de percussão, foi convidada a criar junto com a banda.

Dá uma ouvida aí. É um recorte válido de um novo momento sonoro em Curitiba.

 

 

Enviado por Cristiano Castilho, 07/04/15 12:31:14 PM

Mais uma. Whales é o nome do projeto musical de Gianlucca Pernechele. Pink Floyd encontra Morphine, que esbarra um jazz maroto à sombra de Bon Iver. Curitiba, boa música. É só querer ouvir. “A cena em Curitiba é extremamente atrasada, meio conservadora.” Conheça a Whales:

Qual foi a última música que ouviu antes de responder a estas perguntas?

“Warm Shadow” – Fink

Quem faz parte do projeto Whales?

O projeto é, a princípio, solo. As composições, arranjos e execução das músicas até agora são de minha autoria. Mas a ideia é expandir, colaborar com outros músicos e trazer mais coletividade ao projeto.

Quando ele começou?

Em 2013, quando gravei “Somewhere Across the Water” no meu quarto, com um interface recém-comprada. Foi a pedido da artista Távia Jucksch, que queria utilizar a canção como trilha sonora em um vídeo para um projeto da época. Grande parte do incentivo de criar uma página, um “pseudônimo”, e soltar a composição na internet devo a ela.

Quais suas principais influências?

Principalmente Bon Iver, pelo estilo e atmosfera como um todo. Mas acho que o projeto bebe um pouco de tudo. Passando desde as últimas fases dos Beatles até Sigur Rós. Tem muito Pink Floyd também.

Pretende gravar ou lançar algo em breve?

Sim, o EP está em processo de gravação e criação. Por enquanto, existem só duas músicas gravadas e disponibilizadas na internet, lançadas em um espaço de mais de um ano. Agora, a intenção é levar mais a sério. Reunir outros músicos para colaborar, e assim ter o EP em mãos para mostrar até a metade do ano.

Como vê a cena musical em Curitiba?

Extremamente atrasada, meio conservadora. Pouco espaço para o cenário independente. Não vemos muitos bares e locais de eventos que incentivam a comunidade autoral, principalmente da onda jovem-indie que ultimamente vem mostrando muita qualidade.

De que forma se sente parte dela?

Não me sinto. Conheço, por exemplo, o circuito de eventos por tocar numa banda de jazz. E é um cenário desgastante em que as pessoas não comparecem propriamente para escutar a música. É muito mais um negócio do que arte. Quem sabe a porta de entrada para a cena efetivamente MUSICAL esteja no Whales.

Tem algum show marcado?

Não. A ideia é consolidar bem o material do EP e futuramente reunir músicos para uma performance ao vivo. Daí pra frente é tudo breu.

Enviado por Cristiano Castilho, 20/03/15 5:07:08 PM

O guitarrista e compositor Jesse Harris, conhecido por sua parceria com a cantora Norah Jones, irá se apresentar em Curitiba no dia 28 de março, um sábado. O show faz parte da série de eventos que celebram os 322 anos da cidade e estão previstos para acontecer na Praça de Bolso do Ciclista e na Rua São Francisco. A programação cultural tem início no dia 26, com a exibição do documentário Traço Concreto, de Eduardo Baggio e Danilo Pschera (veja abaixo).

A apresentação de Jesse Harris será na Bicicletaria Cultural, com transmissão ao vivo na Praça de Bolso do Ciclista, a partir das 21h30. A entrada será gratuita. Harris tem uma longa carreira como cantor e compositor (gravou também com Madeleine Peyroux) e lançou 14 discos desde 1995. O último deles é No Wrong no Wright (2015), um álbum de rock com toque folk-jazz. Em 2003, Harris venceu o prêmio Grammy de “Melhor Música” pela canção “Don’t Know Why”, interpretada por Norah Jones.

Cantor e compositor mistura folk, jazz e world music.

Cantor e compositor mistura folk, jazz e world music.

No dia 29 de março, aniversário de Curitiba, haverá ainda “um acontecimento especial”, marco dos envolvidos na produção da série de eventos (Fundação Cultural de Curitiba, Prefeitura de Curitiba, Bicicletaria Cultural, Ciclo Iguaçu, Pixel Soluções Audiovisuais, Festival de Curitiba e Orpec).

Veja parte da programação (mais atrações serão anunciadas nos próximos dias):

 

Dia 26, às 20 horas

Traço Concreto

Documentário | Praça de Bolso do Ciclista

O filme conta a construção de três casas pela visão de três arquitetos.

Direção: Eduardo Baggio e Danilo Pschera

Censura: Livre | Duração: 90 minutos | Gratuito

*Após a sessão, haverá debate com o arquiteto Lolô Cornelsen e os diretores do filme, mediado pelo consultor do documentário, Irã Dudeque

 

Dia 27, às 20 horas

Três: Um Solo em Trio

Comédia Clown | Praça de Bolso do Ciclista

Direção: Fernanda Fuchs | Autoria de texto: Vanessa Vzorek | Elenco: André Daniel, André Daniel, Fernanda Fuchs, Vanessa Vzorek

Censura: Livre | Duração: 30 min | Gratuito

 

Dia 28, às 15 horas

Fissura

Experimental | Praça de Bolso do Ciclista

Performance em que atores (e público) experimentam espaço, tempo e movimento a partir da ocupação poética dos corpos.

Companhia: Itinerários Produções Artísticas | Direção: Eliza Pratavieira | Elenco: Carol Scabora, Flávio Magalhães

Censura: Livre | Duração: 40 min | Gratuito

 

Dia 28, às 18 horas; e dia 29, às 20 horas

Vegan VJ Theatre

Performance Art | Praça de Bolso do Ciclista

Criação conjunta dos fundadores da Cia. Lúdica (SP), Marcya Harco e Paulo Drumond, o espetáculo é um mix de performances, cenas teatrais e vídeos focados na libertação animal. No programa serão apresentadas cinco performances, duas com atores e três em projeções

Companhia: Cia. Lúdica | Direção: Marcya Harco | Elenco: Marcya Harco, Paulo Drumond

Censura: 14 anos | Duração: 32 min | São Paulo / SP | Gratuito

 

Dia 28, às 21 horas

Notícias da Rainha

Documentário | Praça de Bolso do Ciclista

Uma rainha esquecida no tempo. Uma filha que tenta de dez em dez anos resgatar a história da mãe. Um lugar onde esta história existe entre lampejos e fragmentos de memórias. Documentário de 20 minutos sobre uma rainha da era do rádio num diálogo com o teatro-cinema-instalação.

Companhia: Capicua Filmes | Direção: Ana Johann | Autoria de texto: Ana Johann

Censura: Livre | Duração: 19 min | Gratuito

 

Dia 28, às 21h30

Jesse Harris

Show na Bicicletaria Cultural (R. Presidente Faria, 226)

Transmissão ao vivo na Praça de Bolso do Ciclista. Gratuito.

 

Dia 29, às 15 horas

Lugar de Ser Inútil

Comédia Dramática | Praça de Bolso do Ciclista

Dois personagens em um lugar abandonado ou desprezado. Qual a diferença? Por meio da linguagem imagética da poesia de Manoel de Barros, viajam pelo mundo rupestre que o autor suscita. Nesse caminho descobrem a palavra “bocó”. Não sabem seu significado, mas o poeta ajuda na descoberta.

Companhia: Grupo Olho Rasteiro | Direção: Grupo Olho Rasteiro | Elenco: Paulo Chierentini, Rana Moscheta

Censura: Livre | Duração: 55 min | Gratuito

Enviado por Cristiano Castilho, 09/03/15 4:18:24 PM

Uma pitada de misticismo, um empurrãozinho, boas referências, paciência. Leonardo Gumiero, vocalista, tecladista e guitarrista da banda Farol Cego, lançou há poucas semanas, pelo coletivo Atlas, seu projeto solo, Ankou. Metade orgânico, metade eletrônico, Ascending Dive é uma espécie de viagem xamânica contemporânea, em que a citação a Bertrand Russell em uma música (“Two Lessons”), não impede que outra (“Future Beach”) esteja em breve numa pista de dança alternativa.

A força do disco — “as coisas estão acontecendo fora do meu controle,” diz Gumiero — está na harmonia de seu conjunto, naquilo que significa. Com colagens musicais inspiradas e transições elegantes, Gumiero conseguiu criar uma narrativa original, que começa com as guitarras gotejantes de “Pillars” e acaba na redenção de “First Touch of Your Fingertips”, que, ao piano, soa como um passeio na praia durante o outono. Em tempos de singles efêmeros, a experiência proposta por Ascending Dive funciona de acordo com a bula: é um disco para se ouvir do começo ao fim. “Um álbum leva uma pessoa para um lugar do qual ela só volta com o mesmo álbum”, explica o músico.

ankou web

De tão subjetivo e pessoal (e por isso mesmo corajoso), é difícil estabelecer comparações ou pescar influências. Pode-se dizer que há algo de Aphex Twin, ou Boards of Canada. Mas seus ingredientes parecem vir de outro lugar. Um lugar além do que se vê. “Poderia me colocar no álbum e não precisar me explicar para ninguém,” avisa. Abaixo, você ouve o disco e lê a entrevista completa.

Qual a última música ouviu antes de responder a esta entrevista?

The Envy Corps. Parou na “Fools (How I Survived You & Even Laughed)”. Bem boa.

O Ankou é um projeto de um homem só?

Sim. Mas tive valiosos conselhos do Lorenzo [Molossi, baterista da banda Dunas e a cabeça à frente do Veenstra], que também tem o projeto eletrônico dele.

Quando e como ele começou?

Eu gostava de gravar coisas em casa desde uns 15 anos. Acústicas, claro. Depois de um tempo comecei a adicionar uns elementos eletrônicos para deixar mais interessante. Só que mexer nos programas virou uma coisa divertida por si só. Mas Ankou começou mesmo quando o Lorenzo me convenceu a juntar umas músicas que eu tinha e lançar, porque eu nunca tive (e ainda não tenho) pretensões com essas composições. Faço músicas no computador faz uns três anos, e é uma coisa que de gosto muito. Posso fazer por cinco horas e perceber que ainda não comi nada.

Tecnicamente, como foi o processo de gravação?

As músicas começaram sendo puramente eletrônicas. Até eu ficar com preguiça de programar certas coisas, e aí tocava na guitarra mesmo. Ankou é bem essa mistura. Metade samples e bateria programada e metade as gravações que faço, geralmente de guitarra e teclado, ou alguma coisa diferente que me vem à cabeça. A graça desse projeto é jogar qualquer ideia no computador e ir modificando, torcendo, recortando, reafinando, e explorar as ideias mais imediatas. Aí eu faço a mixagem, que demora milênios.

O Ascending Dive tinha alguma ambição artística? Alguma influência específica direcionou a composição das músicas?

Então, eu já tinha várias músicas, que o Lorenzo me convenceu a lançar. Era para ser um compilado, mas achava elas bem toscas. Daí comecei do zero (aproveitei só a faixa “Future Beach”) com uma ideia em mente. Ideia essa que foi se consolidando a cada música e, no final, estava bem forte. A principal influência foi de rituais xamânicos, e os símbolos que são usados em suas meditações. O álbum é dividido em Leste, Sul, Oeste e Norte. O nome Ascending Dive diz um pouco disso, e serve de uma metáfora para meditação, em que quanto mais o xamã mergulha para dentro dele mesmo, mais ele ascende a outras realidades.

Há muita coesão entre as faixas, uma espécie de narrativa musical. Você ainda acredita na força do álbum?

Sim, bastante. Poucas vezes uma faixa diz muito por si só. Um álbum é a criação de um mundo inteiro. Quando bem feito (espero que eu tenha conseguido fazer um pouco disso, haha), um álbum leva uma pessoa para um lugar do qual ela só volta com o mesmo álbum. Além disso, as possibilidades narrativas são muito interessantes: eventos recorrentes, referências dentro do disco etc. Enfim, espero que mais pessoas continuem dando a atenção devida na construção de seus álbuns.

De quem é a voz no início de “Two Lessons”?

É um episódio daquele programa britânico antigo, Face to Face. É uma entrevista com Bertrand Russell que achei bem interessante. Se não der para entender o que ele fala, sugiro que procure no YouTube. O sample da música é o da última pergunta da entrevista.

Ankou é uma personificação mitológica da morte. Toda a “cara” do disco tem esse lance meio místico — é emocionante e quase perturbador ao mesmo tempo. Você estuda ou pensa muito nessas coisas que estão além do que se vê?

Eu gasto uma parte da minha energia no estudo dessas coisas que estão além do que se vê porque acho que nosso mundo é regido por elas. Bom, sem me aprofundar muito nessa questão, acabei passando isso no Ankou porque é um trabalho mais pessoal e mais subjetivo que a Farol Cego. Eu poderia me colocar no álbum e não precisar me explicar para ninguém. Então, coloquei no Ankou essa coisa mística, e às vezes fantasiosa, para que ela exista em um mundo, um mundo longe daquele da Farol Cego.

As músicas foram lançadas pelo coletivo Atlas, que trabalha com uma porção de gente talentosa e prolífica. Sente que é um momento interessante para a cena de Curitiba com esses trabalhos saindo do forno?

Bom, é complicado dizer cena porque o coletivo abrange muita coisa. É um grupo de músicos de Curitiba, que são amigos e que admiram o trabalho um do outro, e onde todos se ajudam. Se a união realmente fizer a força, talvez saia uma cena futuramente. Mas por enquanto estou feliz em fazer música com um grupo de amigos que se estende além da minha banda, e participar do trabalho deles, dos quais gosto muito.

Aliás, como vê a cena musical em Curitiba e de que forma se sente parte dela?

Ainda tem muita gente dividida. Não da para unir todos os músicos de Curitiba num grupo só, mas se bandas e pessoas que pensam parecido se unissem mais, seria de grande ajuda. Mas, sei lá. Uma cena depende de mais do que músicos. Depende também de espaços para tocar e de público ouvinte. Se tivermos sorte em todos os quesitos, Curitiba dá certo. Enfim, só espero que não achem que nós do Coletivo estejamos fazendo uma panelinha, haha.

Pretende fazer shows com o projeto Ankou? Tem algo marcado?

Não pretendo, mas as coisas estão acontecendo fora do meu controle com esse projeto, então pode aparecer uma oportunidade. Enquanto isso eu vou compondo mais. Alguns ouvintes “clandestinos” que ouviram músicas que não foram para o Ascending Dive estão me pressionando bastante para lançá-las também. Então, logo eu vou lançar algumas delas com uma mixagem melhor.

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