Marielle não foi morta por defender bandidos ou por ser mulher
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Blog Ricardo Amorim

População dividida… os criminosos agradecem

Marielle Franco, a vereadora assassinada no Rio de Janeiro.
Marielle Franco, a vereadora assassinada no Rio de Janeiro.

Estou chocado com como a polarização política que hoje domina o país tem determinado e distorcido as reações da maioria dos brasileiros ao assassinato de Marielle Franco e Anderson Pedro Gomes.

Para deixar claro, discordo da imensa maioria das posições defendidas por ela. Ainda assim, não consigo aceitar que tanta gente diga que “ela defendia bandidos. Mereceu morrer”. Se discordar do que eu acredito fosse razão para alguém merecer morrer, não sobrava ninguém no mundo; nem eu mesmo, que a toda hora aprendo algo novo e, muitas vezes, mudo minhas crenças.

Outros perguntam: “com 60 mil pessoas assassinadas por ano no Brasil, por que o caso dela merece tanta atenção? Por que ela era vereadora?” Não, ele merece atenção porque ela estava envolvida na mais recente tentativa de combater a violência e foi executava. Seu assassinato é particular exatamente porque parece ser uma reação dos que não querem que a violência diminua. Se ela não diminuir, 60 mil vidas continuarão a ser perdidas por ano.

Por outro lado, tampouco dá para aceitar outros que, movidos pela ideologia oposta, transformaram sua execução no assassinato de uma mulher negra e pobre. Pelo que se sabe até aqui, sua execução não tem nada a ver com isso. Ao que parece, ela teria sido executada igualmente se fosse um homem, branco e rico.

Em resumo, enquanto cada grupo usar sua morte para justificar sua ideologia e continuarmos divididos e paralisados, 60 mil brasileiros continuarão a ser assassinados todo santo ano.

Que tal se focássemos no que a grande maioria dos brasileiros concorda e avançássemos a partir daí? Por exemplo, que tal endurecermos as leis contra violência e corrupção e sua aplicação, reduzindo a impunidade?

O Brasil passa por um momento crucial de sua História. As eleições deste ano definirão o caminho que tomaremos. Se não formos capazes de eleger líderes ousados, corajosos, realistas, aglutinadores e movidos por e que disseminem amor e compaixão perderemos uma oportunidade histórica de construir um país melhor. Acirrar polarizações, ódios e rancores não só não resolverá nossos problemas, mas os agravará. Independentemente de suas ideologias pessoais, estou seguro que não é isso que Marielle e Anderson desejariam para todos nós.