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Rolmops&Catchup

Enviado por babbocamargo, 03/07/15 7:49:52 PM

Na Alemanha, segundo informa a BBII – Briosa, Brava e Indormida Imprensa -, descobriram que um homem convivia com centenas de ratos dentro de casa. Todos de estimação.

Cofiando o bigode, professor Afronsius não deixou por menos:

– Entre homem e ratos, prefiro e recomendo Ratos e Homens.

Referia-se ao livro de John Steinbeck (1902-1968), Prêmio Nobel de Literatura 1962. Publicado originalmente em 1937, o romance teve em português uma edição de alta qualidade da L&PM Pocket, Porto Alegre, em 2005.

Lutando pela vida na Grande Depressão

A história: dois amigos (George, “pequeno, porém astuto”, e Lennie, “grandalhão, uma verdadeira fortaleza humana, mas com a inteligência de uma criança”)  sobrevivem fazendo bicos em fazendas da Califórnia durante a Grande Depressão, década de 1930.

Com maestria, por supuesto, JS aborda a solidão e a ânsia por uma vida digna. Não poucos críticos apontaram no caso de George e Lennie “traços da história de Caim e Abel”.

O livro foi transposto para o cinema (Of Mice and Men) em 1939 por Lewis Milestone e, em 1992, por Gary Sinise. Outra obra famosa de Steinbeck adaptada para as telas foi As Vinhas da Ira (The Grapes of Wrath), com direção de John Houston, em 1940.

ENQUANTO ISSO…

 

Enviado por babbocamargo, 02/07/15 7:38:51 PM

Beronha foi à Baixada na quarta-feira para prestigiar o Furacão. Mas só ficou sabendo do resultado quando a Arena estava praticamente vazia. E isso por conta de um atencioso funcionário, que o cutucou.

– Amigo, desculpe, mas está na hora, estamos de fechando o estádio…

– Hãã… Desculpe… Sabe quanto foi o jogo?

Por conta do já chamado infeliz horário (22 horas, pombas! É demais), nosso anti-herói de plantão, que costuma dormir cedo, pegou no sono aos 15 minutos do primeiro tempo. Não viu os 2 gols da vitória que manteve o tabu de 33 anos – em Curitiba, isso mesmo, o São Paulão Futebolzão Clubão, como diz Natureza Morta, não canta de galo diante do Rubro-Negro.

E, como completaria o professor Veronese, o Boca de Pato Branco:

– Essa rotina me cansa…

Quanto ao nocauteante horário de 10 da noite para jogos de futebol, desagrada até mesmo quem curtia a Sessão Corujão.

Tanto que, ao deixar a Baixada, rumo ao ponto de ônibus mais próximo (8 quadras), Beronha, apesar da vitória e a volta ao G4, lamentava:

– Saudade do meu beliche…

Em tempo: parece que mais gente dormitava durante a partida, caso do goleiro Wewerton, que, aos 27 do segundo tempo, entregou a bola para o Centurión marcar. Mesmo sem bocejo, foi uma tremenda cochilada.

ENQUANTO ISSO…

 

 

Enviado por babbocamargo, 01/07/15 7:16:13 PM

Coincidência. Depois de reler trechos (sublinhados a lápis) de Casa Grande&Senzala, Gilberto Freyre, Livraria José Olympio Editora, 1964, professor Afronsius ficou sabendo que a Organização Mundial de Saúde (OMS) certificou Cuba como o primeiro país (do mundo) a eliminar a transmissão entre mãe e filho de sífilis e HIV.

Quase um milhão de grávidas em todo o mundo se infectam com sífilis anualmente. E, sobre a doença infecciosa causada pela bactéria Treponema pallidum, está lá, no estudo de Freyre sobre a formação da família brasileira sob o regime de economia patriarcal, página 440:

– É absurdo responsabilizar-se o negro pelo que não foi obra sua nem do índio, mas do sistema social e econômico em que funcionaram passiva e mecanicamente. Não há escravidão sem depravação sexual.

Já fomos “A terra da sífilis por excelência”

Mais, de Freyre:

– O negro se sifilizou no Brasil. Um ou outro viria (da África) já contaminado. A contaminação em massa verificou-se nas senzalas coloniais.

E conta que Joaquim Nabuco colheu um manifesto escravocrata de fazendeiros com as seguintes palavras, “tão ricas de significação: a parte mais produtiva da propriedade escrava é o ventre gerador”.

De Freyre – ainda: “A sífilis fez sempre o que quis no Brasil patriarcal. Em princípios do século XVIII já o Brasil é assinalado em livros estrangeiros como a terra da sífilis por excelência”.

Já as cobaias no Alabama…

Pulando do livro do mestre de Apipucos para outro registro histórico, classificado de “um dos episódios mais vergonhosos do século XX: de 1932 a 1972, em Tuskegee, cidade do Alabama, foi realizado um estudo sobre a sífilis. Num atentado contra a ética e a moral, um grupo de negros americanos permaneceu sem tratamento para que o curso da doença pudesse ser avaliado, mesmo com a existência de medicamentos efetivos.

O polêmico estudo rendeu diversos artigos que foram publicados em renomadas revistas científicas. As questões sobre a ética do estudo foram denunciadas pela repórter Jean Heller do New York Times em 26 de julho de 1972 e em novembro de 1974 foi publicado o relatório final do estudo”.

Nada a acrescentar.

ENQUANTO ISSO…

 

Enviado por babbocamargo, 30/06/15 9:02:09 PM

Como se sabe, na semana passada, e numa iniciativa ousada, a Disney em Orlando, Paris e Hong Kong proibiu o uso de pau de selfie nos domínios do Mickey Mouse. O tal bastão já tinha sido proibido em algumas filas, mas agora a decisão vale para toda e qualquer fila nas dependências dos parques.

Como alguém já disse, e até fez uma charge, depois do self-made man chegamos ao selfie-made man

Segundo Beronha, no Luzitano com Z, às vezes pintam alguns selfies por lá.

– Mas o que tem mesmo a dar com o pé são os paus. Pau-d’água.

ENQUANTO ISSO…

 

Enviado por babbocamargo, 29/06/15 7:52:20 PM

Reza o provérbio: “nada é tão ruim que não possa piorar”. Sobre isso, a coluna de ontem de Diogo Olivier, no jornal Zero Hora, não deixa por menos:

– O futebol da Seleção Brasileira ainda pode piorar.

E vai explicando: “O futebol da Seleção eliminada pelo Paraguai, lanterna das Eliminatórias e cheio de refugos de clubes brasileiros, foi uma vergonha. Nada justifica atuação tão ruim contra um time cujo centroavante é o mesmo há 15 anos”.

Afinal, “é preciso mecânica também para atacar, e não só para defender. Triangulações pelos lados, o falso 9 recuando para abrir espaço, um dos volantes se somando aos homens de frente. Nada. Sem Neymar, a Seleção foi medonha”.

E, como o presidente da CBF garantiu a permanência de Dunga na Seleção, conclui o articulista: “Pode piorar: é só chegar em 6.º nas Eliminatórias e ficar fora de uma Copa pela primeira vez. Você duvida? Eu, não”.

– Nem eu – assinou embaixo professor Afronsius, com a anuência do Natureza Morta e do Beronha.

ENQUANTO ISSO…

 

Enviado por babbocamargo, 28/06/15 7:25:21 PM

- Falando o português escorreito, foi uma catástre.

A queixa do Beronha, inteiramente procedente, menos quanto ao escorreito português, procede inteiramente. Nosso anti-herói de plantão comentava o jogo do Brasil contra o Paraguai, pela Copa América.

Segundo a crônica especializada, o time de Dunga “começou o jogo dando aquela pinta de que não passaria sufoco, mas terminou asfixiado. Abriu o placar com Robinho no primeiro tempo, se encolheu de maneira inexplicável, tomou o empate de Derlis González em uma besteira de Thiago Silva e foi superado nas penalidades: 4 a 3”.

Resumo: não teremos Brasil e Argentina na semifinal.

No mais, professor Afronsius citou uma frase do escritor Mark Twain, um dos primeiros grandes críticos da imprensa e, isso, há mais de um século.

Existem leis para proteger a liberdade da imprensa. Mas não existe nada decente para proteger as pessoas da imprensa.

Na versão futebolística brasileira, temos:

– Existem leis para proteger os jogadores, seus altos salários e o comando da seleção e da Fifa. Mas não existe nada decente para proteger os torcedores do mau futebol.

Mais complacente, Natureza Morta interveio:

– Poderia ser pior. A rigor, poderíamos ter perdido não de 4 a 3, mas de 4 a O. Melhor do que 7 a 1.

ENQUANTO ISSO…

 

Enviado por babbocamargo, 27/06/15 9:15:57 PM

Diante do inevitável, a morte, cada um pipoca a sua maneira. Há, inclusive, quem recorra à tanatologia. Mas, sem nenhuma confirmação vinda do além, parece que o melhor caminho é se socorrer no bom humor. Caso de um curitibano que quase bateu com as 10 devido a um problema cardíaco.

Superado o obstáculo, ao reencontrar os amigos, aflitos em saber o que tinha ocorrido, ele abria um sorriso e respondia, candidamente:

– Ora, apenas fiz um tour pelas UTIs de Curitiba.

A caminho do centro cirúrgico

Já um outro cabôco, amigo do Beronha, ao ser removido do quarto do hospital para a sala de cirurgia, aproveitou os últimos segundos de lucidez antes do efeito nocauteante da anestesia: acenava para as pessoas que estavam ou percorriam o corredor, profetizando:

– Adeus, adeus! Foi um prazer conhecê-los! A gente se reencontra lá, do outro lado!

Horas depois, acordou no leito do hospital. A primeira coisa que viu foi o dedo indicador da patroa, que disparava impropérios numa tremenda bronca:

– Seu palhaço! Tinha que fazer aquilo? Assustou pacientes, médicos e visitantes!

O insuperável humor bíblico de Lauand

Mas, e se ainda é preciso sair em defesa do bom humor, poder-se-ia citar um livro, O Bom Humor na Bíblia, do professor Luiz Jean Lauand.  Ensina ele:

– Na Bíblia, o bom humor de Deus se expressa inspirando ao hagiógrafo certos relatos e formulações divertidas que, pela acuidade, tornam-se mais sugestiva e facilmente recordáveis.

Em seus provérbios, comparações e nessa oriental arte de associação de realidades, o humor bíblico é insuperável. Alguns exemplos: “Goteira pingando sem parar em dia de chuva e a mulher briguenta são semelhantes!” (Pro 27, 15); “O preguiçoso põe a mão no prato: levá-la à boca é muita fadiga”.

Mais:

– Ao indicar, por exemplo, que é necessário prudência na escolha do conselheiro, o Eclesiástico (37, 11 e ss.) ensina – de modo vivo e concreto – que não se deve pedir conselho: “à mulher sobre a rival; ao medroso, sobre se é o caso de fazer guerra; ao negociante, sobre a mercadoria; ao comprador, sobre venda; ao invejoso, sobre gratidão; ao egoísta, sobre generosidade; ao preguiçoso, sobre qualquer trabalho; ao empreiteiro, sobre o acabamento de uma tarefa; ao servo indolente, sobre um trabalho”.

E o Quincas morreu sorrindo

Para encerrar, temos A Morte e a Morte de Quincas Berro d’Água, de Jorge Amado, 1959. Joaquim Soares da Cunha, “respeitável cidadão casado e com filhos, que leva uma vida pacata de funcionário público”, decide viver como um vagabundo, “entregando-se aos vícios mundanos, especialmente a bebida, quando recebe o apelido de Quincas Berro D’água”. Recebe o apelido de Berro D’água “por um dia estar em um boteco, a Venda do López, e quando vai beber algo que pensa ser cachaça, assusta-se e berra para o Mercado todo ouvir, dizendo em alto e bom tom Ááááááguuuua! As pessoas junto dele em um primeiro momento assustam-se, mas depois caem na gargalhada e passam a chamá-lo não apenas de Quincas, mas sim, Quincas Berro D’água”.

Quanto à morte e a segunda morte de Quincas, restou a controvérsia: para a família, morrera de causas naturais; para os amigos, tirou a própria vida ao atirar-se nas águas do mar, pois temia ser enterrado num caixão. Rumo à cova, exibia um sorriso.

É preciso mais?

ENQUANTO ISSO…

Enviado por babbocamargo, 26/06/15 7:26:32 PM

Fumante desde os tempos em que fumava no fundo do quintal e, pior, supondo estar escondido dos pais, mesmo assim o professor Afronsius não recomenda o vício.

– Vício por vício, que tal ser viciado em jogo de xadrez e leitura de bons livros?

De qualquer modo (é o tal faça o que eu mando, não faça o que eu faço), está com a pulga atrás da orelha. Ele que até admite ter começado a pitar por obra e graça do cinema americano, principalmente quando em cena Humphrey Bogart, notadamente em Casablanca.

Na década de 1960, estávamos às voltas com a intimação “venha para o mundo de Marlboro”.

Come to where the flavor is. Come to Marlboro Country.

Para o público feminino, o recado era delicado: suave como maio.

Mild as may.

E assim foi indo, até chegar ao Galaxy. De repente, para ele, saiu do mercado. Testou outras marcas até atracar no Muratti – international brand – Rosso.

Quais boas notícias?

Recentemente, ao ir fumar lá fora (é proibido fumar dentro de bar, principalmente no Luzitano com Z), ao abrir a carteira, tipo box, professor Afronsius topou com uma cartela muito estranha:

Boas notícias estão chegando & a qualidade é a mesma de sempre.

Pensou que, finalmente, estivessem anunciando um cigarro que nenhum mal faz à saúde do cabôco. Que nada.

Do outro lado da cartela estava lá, o já célebre aviso/alerta:

– Este produto contém mais de 4.700 substâncias tóxicas, e nicotina, que causa dependência física ou psíquica. Não existem níveis seguros para consumo destas substâncias.

Por conta dos “sabores” do mercado

Numa banquinha próxima, obteve a tradução da enigmática mensagem: o Muratti está com os dias contados. Vai sair de cena, dando lugar, pelo que consta, ao L&M, do mesmo fabricante. O que continua sendo vendido é o resto do estoque.

– Na dúvida, tratei de zerar a prateleira para curtir o meu Muratti por mais algumas semanas. Também para evitar até esse tipo de contratempo, eu endosso plenamente o alerta: deixe de fumar.

Por sua vez, Beronha, o nosso anti-herói de plantão, não vê problemas hoje e pela frente:

– Eu só fumo o famosíssimo Simidão. Que quase sempre está em falta no maço de cigarros do bolso dos outros…

ENQUANTO ISSO…

 

 

Enviado por babbocamargo, 25/06/15 8:02:12 PM

Já de sapato cheio com os demagogos de ontem, hoje e sempre, professor Afronsius não esconde o seu himalaia de irritação. Vai daí que decidiu tomar uma atitude. Pinçar a frase do mês da Revista de História da Biblioteca Nacional, com direito a ser reproduzida e colocada num quadro, em local bem visível:

- O segredo do demagogo é se fazer passar por tão estúpido quanto sua plateia, para que esta imagine ser tão esperta quanto ele.

Karl Kraus (1874-1936), escritor austríaco.

Interessado no Crau!, Beronha quis saber mais.

E obteve resposta.

Outra dele, o Crau!, ou Kraus:

- A exigência de um lugar ao sol é conhecida. O que é menos conhecido é que este se põe mal aquele foi conquistado.

Atochando A Tocha

Além de escritor, Kraus, ou Crau!, como prefere nosso anti-herói de plantão, foi também panfletário e um mestre em matéria de sátira. Consta que, “com grande virulência nas páginas do Die Fackel (A Tocha) – revista que fundou e da qual foi praticamente o único redator durante quase quarenta anos – cobrou compromissos, injustiças e a corrupção, notadamente a corrupção da língua, na qual via a fonte dos maiores males de sua época, responsabilizando principalmente a imprensa. (A nossa BBII?) É considerado um dos maiores escritores satíricos em língua alemã do século XX”.

Para encerrar o papo, mais uma do Crau!, ou melhor, o Kraus:

– Escolho o meu inimigo pelo alcance da minha flecha.

ENQUANTO ISSO…

Enviado por babbocamargo, 24/06/15 7:11:52 PM

O convite veio da Gibiteca de Curitiba: amanhã, sexta-feira, teremos a 1.ª Conferência Livre dos Profissionais de Caricatura, a partir das 18 horas, no Solar do Barão, Rua Presidente Carlos Cavalcanti, 533. E haverá o lançamento do Catálogo da 1.ª Bienal Internacional de Caricatura – Brasil, de autoria de Luciano Magno.

A publicação (304 páginas) reúne obras de 180 artistas apresentadas em 800 imagens. Após a sessão de autógrafos, o caricaturista, historiador e também autor do livro História da Caricatura Brasileira estará à disposição para um bate-papo com o distinto público.

Hora de regulamentar a profissão 

Com a Conferência Livre dos Profissionais de Caricatura pretende-se reunir profissionais do setor com o objetivo de mobilizar a turma visando regulamentar a profissão, além de debater a produção atual de caricaturas, entre outros temas.

Sobre a História da Caricatura Brasileira: o tal do Pancho já tem o volume I, e devidamente autografado, “ao colega do traço Pancho, com o apreço do autor L. Magno 2013”. E mais: a revista Carta Capital de 13 de fevereiro daquele ano, em matéria assinada por Rosane Pavan, destaca:

– A obra tira da obscuridade inúmeros desenhistas. Narra a história da caricatura brasileira a partir de seus marcos inaugurais e da verve dos artistas que desancaram o poder desde o Império.

Um em tempo, sugerido pelo Beronha:

– Ao comprar o livro do Lucio Muruci, ou melhor, Luciano Magno, pseudônimo, prepare os músculos. É um livrão de peso, e não só pelo conteúdo. O volume I, Gala Edições de Arte, tem 528 páginas e pesa 3,5 quilos. É preciso comer muito feijão.

ENQUANTO ISSO…

 

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