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Rolmops&Catchup

Enviado por babbocamargo, 27/04/15 7:22:15 PM

A vitória do Atleticon sobre o brioso, intimorato e poderoso Prudentópolis, 4 a 1, sábado, redesenhou o sorriso na face do professor Afronsius.

Na breve conversa com Natureza Morta e Beronha (“tenho que concluir a minha declaração do Imposto de Renda, e o tempo urge e o Leão ruge”), tratou de animar os parceiros rubro-negros.

– Já pensaram se ocorresse um empate em Prudentópolis? O sofrimento seria ainda muito maior. Iríamos ficar dependendo do resultado de Nacional x Rio Branco. Nosso sufoco com a bonificação de mais 90 minutos de acréscimo. Dose pra mamute.

Mas, afastado o risco de rebaixamento, o professor voltou a sugerir:

– Vamos comemorar mais um título. Campeão do TM, o que não deixa de ser, pelas circunstâncias, uma façanha.

– TM?

– É, TM, bem mais chique que Torneio da Morte.

ENQUANTO ISSO…

 

Enviado por babbocamargo, 26/04/15 7:56:54 PM

Dando uma meia banda pelo centro de Curitiba, professor Afronsius topou com cartazes afixados em paredes e muros:

Auxiliar de veterinário – Curso

Seja um profissional da área pet.

Já de volta à Vila Piroquinha, foi abordado por um distribuidor de panfletos. Em papel de alta qualidade, colorido e fartamente ilustrado, com capricho, coisa de profissional, a mensagem:

Lançamento 2014/2015.

Perfume primavera/verão. Um perfume com essências de flores e frutas. Uma flagrância tropical única que é a cara do Brasil!

Detalhe: tudo para uso (exclusivo) em cachorros, ops!, em pets.

E aí, por conta do consumismo desenfreado, temos: shampoo limpeza profunda, suave, branquinho, pretinho, hidratante, anti-oleosidade e anti-queda, secagem rápida; condicionador e condicionador sem enxágue; sabonete vegetal e sabonete hidratante; perfume linha tradicional (chá verde, ervas raras, flor de lótus, lavanda do mar, mandarim, orvalho do campo) e linha jardins pet (freesia, girassol, hibiscus, lis, verbena, zínia); linha hidratação ouro marroquino; perfume chic animale (macho, fêmea) e BB cream shampoo para gatos.

Mais tarde, ainda tentando recuperar o fôlego, professor Afronsius encontrou uma vizinha. Três Band-aid junto à boca. Dela.

– O que houve?

Com dificuldade, explicou:

– Coisa da Fofinha. Fui dar uma beijoca em seu focinho e crau!… Levei uma mordida da malvadinha.

Pano rápido, ou, como preferiu Beronha, nosso anti-herói de plantão:

– Focinheira, rápido. E já para a casinha no fundo do quintal!

ENQUANTO ISSO…

 

Enviado por babbocamargo, 25/04/15 8:41:55 PM

Discutir o filme Terra em transe (1967), de Glauber Rocha, em sala de aula favorece o ensino de História? Sim. E a sugestão é do professor Sander Cruz Castelo, da Universidade Estadual do Ceará, em artigo publicado na Revista de História da Biblioteca Nacional, edição deste mês.

Com Terra em transe, assinala, “Glauber ataca todos os interesses do tempo do golpe civil-militar de 1964”. Para o professor, o filme “favorece a reflexão social e política no calor da recém-instaurada ditadura”.

Livros e mais livros

A quem interessar possa, o alentado texto também pode remeter a outros registros sobre a obra do cineasta, que, inclusive, na Universidade de Paris VIII-Vincennes, mereceu estudo de um grupo de análise fílmica. “Na decupagem técnica, a escrita se afirma como processo e não como reflexo. Trata-se, então, de analisar as representações ideológicas produzidas por esta escrita, recusando-se a considerar a formulação política como o significado direto do filme, mas atribuindo-lhe também a instância e de significante (articulada a outros significantes) e de referente último, cujo sentido não pode ser apreendido senão na construção de sistemas de significação.”

De Glauber sobre o próprio

Glauber: câmera na mão e uma ideia na cabeça: “Mais fortes são os poderes do povo!”

Em maio de 2005, a revista Indústria Brasileira, ao abordar o projeto de recuperação dos filmes de Glauber Rocha e outros diretores, como Joaquim Pedro de Andrade, publicou trechos inéditos de um press book escrito pelo cineasta para o lançamento de Terra em transe:

– É um filme urbano, direto, concentrado, violento, direto. É um filme onde não existem efeitos técnicos nem sequências de brilho. O que interessa é o seu todo dramático, a história que narra, os problemas que debate numa atmosfera onde o real e o fantástico se misturam dentro da maior liberdade possível. Recuso qualquer influência. Terra em transe é um filme meu, individual, sem referências abertas e sem qualquer macaqueamento.

– Não tenho pretensões de fazer grandes filmes. Tenho apenas a justa ambição de expressar a minha realidade da maneira que posso expressar. Viso todas as camadas do público. Se meus filmes são às vezes herméticos, reconheço que isso é uma falha minha. Mas só me sentirei bem como o cinema no dia em que, sem fazer concessões à pornografia e ao mau gosto, atingir o público. (…)

- Terra em transe é um filme sobre política e é um filme político. Ele não contém mensagens acabadas, eu não sou professor. É um espetáculo sobre política, um espetáculo sobre os problemas morais da política, um espetáculo sobre a consciência política e um espetáculo sobre os movimentos políticos.

– Técnica de filmar? Improviso total com os atores e a câmera. Mas antes dois anos de roteiro, setecentas páginas escritas e reescritas. Depois podemos improvisar à vontade, recriando o mundo, a atmosfera, os sentimentos.

O cinema vem do ator, do ar, da luz, dos cenários, do humor da equipe, da alegria ou da tristeza, do cansaço ou da disposição – conclui.

Da censura do Itamaraty à prisão

Terra em transe foi selecionado para a mostra competitiva do Festival de Cannes apesar da oposição do Itamaraty, que indicou para o festival Todas as Mulheres do Mundo, de Domingos de Oliveira.

Glauber foi preso em novembro de 1965 por participar do protesto contra a ditadura durante uma reunião da Organização dos Estados Americanos (OEA) no Rio de Janeiro. Ficou preso durante 23 dias.

De 1971 a 1976, banido pela ditadura civil-militar, viveu no exílio.

Terra em transe conquistou o Prêmio da Crítica do Festival de Cannes, o Prêmio Luis Buñuel, na Espanha, o Prêmio de Melhor Filme do Locarno International Film Festival e o Golfinho de Ouro de melhor filme do ano, no Rio. Já com O Dragão da Maldade contra o Santo Guerreiro (1968),  Glauber ganhou o prêmio de melhor direção no Festival de Cannes e, outra vez, o Prêmio Luiz Buñuel, na Espanha.

Ainda de Glauber:

– Inventar-te-ia antes que os outros te transformem num mal-entendido.

A quem interessar possa 2: parte do texto acima foi extraído dos  livros Cinema Moderno/Cinema Novo – José Álvaro Editor, 1966, de Glauber Rocha mais Gustavo Dahl, Luiz Carlos Maciel, Norma Bahia Pontes, Paulo Perdigão, Flávio Moreira da Costa, Jaime Rodrigues Teixeira e David Neves; Revisão Crítica do Cinema Brasileiro, de Glauber Rocha, Editora Civilização Brasileira, série Retratos do Brasil, 1963; e Roteiros do Terceyro Mundo, 1985, de Glauber.

ENQUANTO ISSO…

Enviado por babbocamargo, 24/04/15 8:16:07 PM

Fiel a uma marca cerveja até a última gota – em todos os sentidos -, Natureza Morta chega ao Bar VIP da Vila Piroquinha e vai pedindo:

– A de sempre!

Vai daí que, ao topar com a propaganda de uma cerveja com o rótulo Proibida, ficou meio encucado. Conversando com o professor Afronsius e Beronha, foi informado que existem outros nomes também estranhos, como DevassaVilã e etc.

Mas, como não conhece ninguém que seja dado ao estranho hábito de consumir rótulos, sossegou o pito.

No entanto, sem pretender invadir o balcão alheio, o dos publicitários e do pessoal de marketing, resolveu dar algumas dicas para futuras pirotecnias em lançamentos cervejísticos:

– Por que não Bem Gelada? Já que a maioria dos consumidores chega pedindo “uma bem gelada”, seria sucesso garantido. De vendas. Poderia ser, também, Mais Uma! Com ponto de exclamação. Ou A Antepenúltima.

Beronha, nosso anti-herói de plantão, gostou: A Antepenúltima.

– Afinal, como todos sabem, gelada ou quente, a última a gente só toma no cemitério.

ENQUANTO ISSO…

 

Enviado por babbocamargo, 23/04/15 8:45:17 PM

Embora não abra mão de sua leitura diária, até pelo fascínio só das palavras, professor Afronsius está longe da pretensão de ser um filólogo.

– Filólogo? Que diacho vem ser isso? – atalhou, iracundo, Beronha.

– O estudioso da filologia, que vem a ser o estudo de uma língua em todos os seus aspectos e também dos escritos que a documentaram.

Breve pausa:

– Obrigado, Aurélio!

Vai daí que ele, o Afronsius, tem sempre à mão o Dicionário do Aurélio. Aliás, recentemente, lendo um artigo sobre paleografia…

– Pale, pale… o quê? – Beronha de novo.

– A paleografia é o estudo das escritas antigas. Deriva do grego palaio que significa antigo e graphia que significa escritura.

– Ah, entendi – Beronha outra vez, agora já preparado para afofar o pelo. Pelo de peludo sem o chapeuzinho.

Do códice à supressão do fonema

Graças ao artigo sobre paleografia, ficou sabendo o professor Afronsius  que códice (substantivo masculino) é a forma característica do manuscrito em pergaminho, semelhante à do livro moderno. E que a tinta ferrogálica é composta de sulfato de ferro, ácido galotânico e um aglutinante, em geral a goma-arábica dissolvida em água.

E a letra cursiva?

Essa, sem trocadilho, ele tirou de letra, dispensando o dicionário: letra manuscrita, geralmente pequena, traçada de maneira rápida e corrente.

E dextrogiro?

O que vira para a direita. No caso, o ângulo da letra. O antônimo vem a ser levogiro.

– Antônimo? Você quis dizer antonômio… – Beronha, desistindo de afofar pelo.

– Antônimo. Palavra com significado oposto ao de outra.

Enfim, chegando onde pretendia, professor Afronsius citou o desconcertante substantivo feminino apócope.

– Simples. Apócope, ensinam os filólogos, vem a ser a supressão de fonema ou de sílaba no fim de uma palavra. Exemplo: bel por belo. Daí, quem sabe, inconscientemente, chegamos ao hoje maçante porque recorrente “tudo belê?”, que vem – ou vinha a ser – tudo beleza?

ENQUANTO ISSO…

Enviado por babbocamargo, 22/04/15 8:03:00 PM

No dedo de prosa com Natureza Morta e Beronha, debaixo de guarda-chuva, é claro, professor Afronsius comentou que tinha agendado uma compra de DVDs. É que, lendo a coluna Calçada da Memória, de José Geraldo Couto, Carta Capital de 4 de fevereiro deste ano, ficou sabendo de três lançamentos. Filmes de Rock Hudson – no caso, ao lado de James Stewart e Gina Lollobrigida.

A saber:

- E o Sangue Semeou a Terra (1952), de Anthony Mann.

Nele, Hudson faz o papel de um jogador que ajuda o líder de uma caravana de colonos (James Stewart) a perseguir ladrões de gado e de víveres.

- Herança Sagrada (1954), de Douglas Sirk; aqui, Hudson aparece como índio.

- E Quando Setembro Vier (1961), de Robert Mulligan, “deliciosa comédia romântica” com Gina Lollobrigida.

A vida paralela 

No texto central de José Geraldo Couto (Rock Hudson – Uma vida secreta), algo que os  fãs certamente ignoravam até 1985, por conta da hipocrisia do star system hollywoodiano.

– Símbolo de beleza viril, Rock Hudson só teve a homossexualidade revelada pouco antes de morrer, aos 59 anos, vitimado pela Aids.

– Nascido em Winnetka, Illinois, filho de um mecânico de automóveis e uma telefonista, Hudson parecia ter pouco mais que a beleza e o porte atlético a oferecer ao cinema. Nas peças de colégio não conseguia decorar as falas. Trabalhou como empregado do correio e, durante a Segunda Guerra Mundial, serviu como mecânico de aviões. Depois foi motorista de caminhão.

– Descoberto pelo pioneiro Raoul Walsh, que o lançou em Sangue, Suor e Lágrimas (1948), passou a ter lições de atuação, canto, dança, esgrima e natação. Atuou em papéis secundários em faroestes e filmes de ação.

– Foi Douglas Sirk, com quem trabalhou em melodramas notáveis como Sublime Obsessão e Palavras ao Vento, quem descobriu nele densidade e sutileza que iam além dos dotes físicos e da voz profunda.

– Foi indicado ao Oscar por Assim Caminha a Humanidade (1956), de George Stevens.

Aí, professor Afronsius se mandou, atrás dos DVDs.

ENQUANTO ISSO…

Enviado por babbocamargo, 21/04/15 7:23:29 PM

Depois de uma espera que, para ele, parecia interminável (quase duas semanas), finalmente chegou à banca favorita do professor Afronsius a edição de abril da Revista de História da Biblioteca Nacional.

– Leitura mais do que recomendável. Talvez, sem sabe, obrigatória.

Alimentação – decifrando o ato de comer é o assunto de capa. Na Carta do Editor, Rodrigo Elias assinala que, “da disponibilidade e escolha dos itens constitutivos da dieta à forma de consumo, os grupos humanos imprimem em seus modos de comer as marcas de suas formações sociais”.

Já viu galinhando ciscando?

De um estágio onde estávamos próximos da produção dos alimentos, chegamos à produção de alimentos maciçamente industrializados. E, como frisa o editor, “hoje, pessoas que nunca viram uma galinha ciscar consomem – e desperdiçam – seus lanches crocantes de frango diariamente”.

Mas, pulando de assunto, ou mudando de prato, professor Afronsius leu primeiro a matéria Salve os Invasores!, de Angélica Fontella, na seção Em Dia, que mostra o trabalho e o avanço das bibliotecas comunitárias da Bahia.

– Afinal, leitura alimenta o espírito – justificou.

O projeto é promovido pela rede EMredando Leituras, a partir de ideia que nasceu em Salvador, na Biblioteca Comunitária do bairro Calabar, em 2007.  Rodrigo Pita, coordenador da biblioteca e diretor da Associação Ideologia Calabar, explica o porquê de invasão:

– Sentíamos o peso dessa palavra na pele, pois ela era usada pela grande mídia para discriminar, rebaixar, humilhar.

Concluída a leitura, professor Afronsius não resistiu. Fez questão de mostrar aos amigos uma das fotos da “Invasão Literária”. Nela, sensacional, um dos manifestantes exibe um cartaz onde se lê:

Eu só abaixo a cabeça para ler um bom livro.

ENQUANTO ISSO…

 

Enviado por babbocamargo, 20/04/15 8:42:05 PM

O velho e manjado Leão da Receita Federal anunciou ter dado início a um esforço estratégico (mais um) de fiscalização no Imposto de Renda Pessoa Física 2014, ano-base 2013, para combater fraudes e infrações à legislação tributária. Nada contra.

Mas, segundo a BBII Briosa, Brava e Indormida Imprensa -, de imediato serão intimadas 80 mil pessoas em março e abril e, até o fim do ano, mais 200 mil contribuintes serão notificados para prestar informações.

Beronha, nosso anti-herói de plantão, reagiu com certa revolta:

– Mas que pressa! Eu que nem comecei a preencher a declaração de 2012, ano-base 2011…

Professor Afronsius:

– Mais terrível mesmo é o outro Leão, o Leão da Estradinha…

ENQUANTO ISSO…

Enviado por babbocamargo, 19/04/15 8:12:14 PM

Muito já se falou sobre o tempo em Curitiba. Afinal, ao que parece, São Pedro dedica uma atenção toda especial à cidade. E gosta de inovar, surpreender.

– E de modo tão desconcertante quanto os últimos desempenhos do Atleticon… – segundo professor Afronsius.

A nova novidade, como Beronha insiste em dizer, foi registrada no início da tarde de sábado.

Dando sua salutar caminhada até o Bar VIP da Vila Piroquinha, Natureza Morta, que, pra variar tinha esquecido o guarda-chuva, foi pego de surpresa. Um toró. Acelerou os passos e, na quadra seguinte, a chuva era bem mais leve. Na outra quadra, nada de chuva, nem um pingo.

– É aquela coisa de quando você rega o jardim. Despeja água num ponto, ergue o bico do regador e passa para outro ponto. É a chuva tipo regador, que está vigorando por nossas bandas.

Faz sentido.

ENQUANTO ISSO…

 

Enviado por babbocamargo, 18/04/15 10:13:03 PM

Com as exceções de praxe, o underdog Flávio Stege Júnior entre elas, quem acompanha (de longe) o beisebol americano estranhou os jogos da quarta-feira: todos os times usavam camisa com o mesmo número, 42. Todos, sem distinção.

É que, “aposentado” em 1997, o número só passou a ser utilizado no Dia Jackie Robinson, que foi mais do que um jogador, como se verá.

Na Revista de História da Biblioteca Nacional, edição de janeiro 2014, sob o título História de uma lenda, texto assinado por Bruno Garcia conta que foi no dia 15 de abril de 1997, numa partida entre Dodgers e Mets, que o então presidente Bill Clinton e Bud Selig (comissário, ou chefão da Liga) “declararam que o número 42 seria aposentado de toda a Liga”. A partir de então, “o dia 15 de abril era declarado feriado nacional, e o 42 significaria mais que um simples número na cultura estadunidense”.

Muito antes da luta pelos direitos civis

Ainda da RHBN:

– Em 1947, quase vinte anos antes do grande movimento pelos direitos civis, Robinson foi contratado pelo Brooklyn Dodgers,  provocando um imenso alvoroço nos Estados Unidos. Conhecido pelo temperamento difícil, ele precisou de muito sangue frio no seu primeiro ano na Liga. Onde quer que fosse, uma multidão o seguia. Além dos negros, que o julgavam um herói, também apareciam os inconformados racistas. Torcedores que xingavam, cuspiam e gritavam, rivais que se recusavam a jogar com um negro e mesmo companheiros de time que se diziam ofendidos pela presença de Robinson.

– Tudo isso é narrado, inclusive, no filme 42 – A história de uma lenda, de Brian Helgeland, de forma simples e direta. Destaque para o confronto com o Philadelphia Phillies e seu treinador, Ben Chapman que insultava Robinson todas as vezes que entrava em campo. Mais tarde, a agressividade do treinador rival seria vista como momento chave para união dos Dodgers, já que mesmo aqueles que ainda tinham alguma resistência a Robinson passaram a partilhar um pouco do preconceito que ele sofria.

A outra guerra, dentro de casa

– Sua entrada em cena teve o apoio de Branch Rickey, gerente do clube. Como o filme esclarece aos poucos, Rickey tinha suas razões para quebrar o resistente tabu de negros no esporte. Os Estados Unidos do pós-guerra não escondiam o conservadorismo de um patriotismo triunfante, preparando-se para enfrentar o que ficaria conhecido como Guerra Fria.  Soldados negros que lutaram contra o racismo nazista voltavam para seu país e eram intimados a assumir seu lugar dentro de uma sociedade extremamente hierarquizada.

De medalhista de prata a faxineiro

– Robinson testemunhara na própria família a dificuldade de ser um atleta negro. Seu irmão, Mack Robinson não conseguiu nada além de um emprego como faxineiro depois de conquistar uma medalha de prata nas Olimpíadas de 1936 (em Berlim).

– Depois de uma bem sucedida carreira como atleta universitário, Robinson foi convidado a participar dos treinos do Montreal Royals na Flórida. Como não podia ficar no mesmo hotel dos seus companheiros, foi hospedado na casa de um político negro. O ótimo desempenho no treino valeu um contrato com o Dodgers, de Rickey. A partir daí, o que se vê é o desafio de um atleta fenomenal e um homem de raro caráter contra um país que naturalizava o racismo.

Ao longo de toda temporada, Robinson conquista o apoio do time, dos seus torcedores, confronta e convence jornalistas e se destaca de tal forma que ganha o prêmio de Novato do Ano. Ao longo de sua vitoriosa carreira, foi eleito o melhor jogador da temporada de 1949 e campeão da Liga em 1955.

– Em reconhecimento a sua carreira e contribuição não apenas ao esporte, em 1997, mais de vinte anos depois da sua morte (1972), seu número 42 foi aposentado de todos os times da Liga.

Em 200 foi criado o Dia Jackie Robinson, no qual todos os jogadores de todos os times vestem o número 42. Nada mais justo.

Afinal, todos nós, de uma forma ou de outra, nascemos ou somos 42. Ou qualquer número que seja.

ENQUANTO ISSO…

 

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