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Rolmops&Catchup

Enviado por babbocamargo, 31/08/15 8:50:03 PM

Em visita ao Alasca, Barack Obama defendeu políticas para reduzir o impacto das mudanças climáticas. E destacou “a necessidade de os EUA liderarem a luta em defesa do meio ambiente”. Isso depois de lembrar que os grandes glaciais do Ártico estão derretendo muito rapidamente, causando drásticas mudanças no volume de água dos oceanos e afetando a flora, a fauna e a população nativa daquele estado norte-americano.

Mas levou pau da comunidade ambientalista mundial, posto que, ao mesmo tempo, liberou a exploração petrolífera no Oceano Ártico.

A grana sempre fala mais alto, comentou professor Afronsius, acrescentando:

– E que não venham meter o bedelho no Pré-Sal.

Sobre os problemas do meio ambiente e o lucro de uma minoria, aproveitou para recomendar a leitura, ou releitura, do livro Aroma – A história cultural dos odores, de Constance Classen, David Howes e Anthony Synnott, lançado no Brasil em 1996, pela Zahar editora.

A água poluída e a “água maravilhosa”

Em 1709, até os rios de cidades da Europa eram verdadeiras cloacas. Insuportáveis. E eis que surge a Água de Colônia, que levou o nome da cidade.

Do livro: “Na Idade Média, a região chegou a ser a maior metrópole da Europa. Na época, os banhos eram esporádicos por se acreditar que a água transmitia doenças, mas a sociedade local ansiava por cheiros melhores”.

“Um alívio aos olfatos da cidade veio de fora”, com o imigrante italiano Johann Baptist Farina. Ele vendia artigos franceses de luxo, mas o produto que garantiu vida longa aos negócios da família Farina foi água. “A então chamada aqua mirabilis (água maravilhosa), que se tornou Água de Colônia em homenagem à cidade”.

O cheiro de uma bela manhã

Quem criou a tal água foi Johann Maria Farina, irmão de Johann Baptist, que assim descreveu o momento da concepção do aroma: “Encontrei um cheiro que me lembra uma manhã na Itália, narcisos da montanha e folhas de laranja depois da chuva. Ele me refresca e fortalece meus sentidos e minha fantasia”.

De Colônia para Londres, pulando no tempo, mas não no problema, temos o filme Frenesi, de Alfred Hitchcock, 1972. À beira do Tâmisa, políticos comemoram a despoluição do rio. E eis que, de repente, surge um corpo boiando…

ENQUANTO ISSO…

Enviado por babbocamargo, 30/08/15 9:00:14 PM

Um dos tormentos (para muita gente) é o uso, ou emprego correto, da crase. Ou seja, a contração ou fusão de duas vogais idênticas em uma só. Derruba até imortais da ABL, Academia Brasileira de Letras. Tanto que o poeta Ferreira Gullar chegou a escrever:

– A crase não foi feita para humilhar ninguém.

Mas, além da crase, há outros percalços quanto ao exercício da língua pátria.

Com este cenário ao fundo, agora no caso a ABLAcademia Brasileira de Litros -, o Água de Valeta, amigo do Beronha, ficou feliz da vida, dia desses, ao ser classificado numa roda do boteco de asinino. Aliás, um baita asinino, para ser mais exato. Ele quis saber o real sentido do enfático elogio. Recorreu ao Beronha, que, de bobo, não tem nada. Passou o abacaxi para o professor Afronsius.

Este, adepto do provérbio chinês “Não dê o peixe, ensine a pescar”, recomendou ao Valeta que consultasse um dicionário.

– Não adiantou. Não achei nada.

– Nada? Qual dicionário?

– O Mini Aurélio…

– Mini? Recorra ao Aurelião.

– Não, esse é muito grandão, recheado de letrinhas, pesado, cansativo, e até difícil de folhear…

O jeito foi retirar da estante o dicionário e dar o peixe. Frito, no capricho:

– Asinino. Adjetivo. De, ou pertencente ou relativo ao asinino, ou próprio dele. V. burro. S.m. Animal mamífero, da ordem dos perissodáctilos, equídeos, subfamília Asininal. São os jumentos, os mulos e os burros.

– Pombas! Uma palavra tão estranha que eu pensei que fosse um baita elogio. Vou dar o troco, chamando os caras de equídeos. Nas categorias ouro, prata e bronze…

O jeito foi recorrer novamente a Ferreira Gullar:

– Como a crase, o adjetivo não foi feito para humilhar ninguém.

ENQUANTO ISSO…

 

Enviado por babbocamargo, 29/08/15 9:53:05 PM

Da BBC na BBII: estudo conclui que água não resolve, a única maneira de evitar uma ressaca é beber menos álcool. Pesquisadores internacionais analisaram hábitos de consumo de alunos da Holanda e do Canadá, para descobrir se a ressaca pode ser amenizada ou se algumas pessoas estavam imunes a ela.

Mesmo bebendo muita água, “não houve diferença real na gravidade de suas ressacas”.

Beronha, que a tudo ouvia, sentenciou:

– Encher a cara com água é jogar cerveja e dinheiro fora…

ENQUANTO ISSO…

 

Enviado por babbocamargo, 28/08/15 8:27:24 PM

Há quem fique irritado com o modismo. Caso de um amigo do professor Afronsius. Contou ele que, amontoado dentro de um elevador, viu-se obrigado a ouvir, e até chegar ao décimo andar, mais de uma dezena de vezes a mesmíssima resposta aos mais variados e disparatados comentários:

– E o Atlético, hein, venceu o Joinville. Golaço do Nikão.

– Com certeza.

– O barulho desse elevador está meio estranho…

– Com certeza.

– Que coisa terrível o trânsito em Curitiba. Não se respeita mais nem o sinal vermelho.

– Com certeza.

– Me dá licença, vou descer no próximo andar…

– Com certeza.

– Obrigado, até mais ver.

– Com certeza.

A propósito de modismos, professor Afronsius contou que, décadas atrás, o que mais se ouvia era o “senti firmeza”.

– Era um tal de senti firmeza pra cá, senti firmeza pra lá e, às vezes, não senti firmeza. Haja paciência.

Beronha:

– Com certeza. Belê. Nos vemos no face…

Nosso anti-herói de plantão correu o risco de levar um cascudo, caso professor Afronsius estivesse de maus bofes.

– Certamente que sim – arriscou Natureza Morta.

ENQUANTO ISSO…

 

Enviado por babbocamargo, 27/08/15 7:47:16 PM

Sobre a informação da Nasa, de que o nível do mar subiu em média quase 8 centímetros (em todo o mundo) desde 1992, professor Afronsius ficou preocupado. Afinal, o motivo seria o aquecimento global e a tendência é de que as águas continuarão subindo nos próximos anos. Por conta do tal aquecimento.

Mas, só para assustar, pura maldade, comentou com o Beronha – e foi além, apocalíptico:

– Estamos à beira de um novo dilúvio. Pior, dilúvio sem contar com a ajuda do Noé – e sua arca.

Mais preocupado com o jogo do Atleticon pela Copa Sul-Americana (“O gordinho vai jogar?”), nosso anti-herói de plantão deu com os ombros.

– Dilúvio? Sem problemas. A turma do boteco já vive na água mesmo…

ENQUANTO ISSO…

 

Enviado por babbocamargo, 26/08/15 7:58:11 PM

Sobre o projeto de lei que tramita, ou cambaleia, na Câmara Municipal de Curitiba, liberando a venda de bebidas alcoólicas em arenas e estádios esportivos, há quem considere a matéria totalmente dispensável, posto que inócua. Caso de um amigo do Beronha, o Água de Valeta.

Conforme ele explica, o Água, amigo do nosso anti-herói de plantão, “do jeito que anda o futebol de certos times da capital, muito torcedor não bebe durante o jogo. Precavido, já chega cozidão no estádio”.

Embora a última partida do Paraná Clube tenha sido disputada em Fortaleza, o resultado da pugna confirmaria a tese do Água de Valeta:

– A gente vencia a peleja até os 45 minutos finais e aí tomamos um gols e mais um nos dois minutos de acréscimo. É mole – ou tem que beber mais?

Em tempo. Beronha esclarece porque o amigo é conhecido como Água de Valeta:

– Ele só bebe um drinque muito sofisticado. Underberg com soda, limão e gelo. Não necessariamente nessa ordem…

ENQUANTO ISSO…

 

 

Enviado por babbocamargo, 25/08/15 7:57:49 PM

Depois de ler (atchim!) notícia da revista (atchim!) Nature Medicine, sobre (atchim!) os promissores testes de cientistas americanos para desenvolver uma vacina (atchim!) de longa duração que proteja (atchim!) contra qualquer tipo de gripe (atchim!), professor Afronsius pediu licença para (atchim!) trocar de lenço.

Na volta, narigão vermelho, comentou, após um sonoro atchim!, que a tal vacina universal poderia eliminar (atchim!) o principal problema das atuais vacinas (atchim!) contra a doença, que devem ser tomadas anualmente porque (atchim!) só atacam (atchim!) partes mutantes do vírus.

– Vamos ver, mas (atchim!), desculpem, eu continuo esperando (atchim!) uma vacina específica – e milagrosa – para a gripe que faz e acontece em Curitiba… Atchim!

Beronha e Natureza Morta concordaram de pronto em uníssono e sonoro AHTCHOO!

ENQUANTO ISSO…

 

 

Enviado por babbocamargo, 24/08/15 8:23:26 PM

Deu na BBII Briosa, Brava e Indormida Imprensa: está de volta ao mercado a bala Juquinha, “uma das balas mais famosas do Brasil”. A fábrica, em Santo André (SP), fechou em maio, provocando, segundo o jornal O Dia, “comoção nacional, com repercussão até no exterior”. A partir daí, professor Afronsius quis saber:

– E a Zequinha, não volta mais?

No caso da Juquinha, “com o rosto de um loirinho sorridente estampado em papel amarelo”, a bala começou a ser produzida em 1950, “reinando no mercado brasileiro desde então como a primeira bala mastigável do país”. A “cobiçada fórmula secreta” foi comprada pelo empresário carioca Antônio Tanque e seu filho, conforme a BBII.

Coleção e o jogo do bafo

Quanto à nossa, muito nossa, bala Zequinha, que começou a ser produzida em Curitiba em 1929, e com acento no Zé (Zéquinha), a fórmula do sucesso foram as figurinhas – o personagem nas mais variadas situações, muitas “politicamente incorretas”, como bem acentuou a jornalista Helena Carnieri, em matéria no Caderno G, aqui da Gazeta do Povo, edição de 6 de agosto de 2013.

As figurinhas eram febrilmente colecionadas pela garotada, além de fomentar o jogo do bafo. Do Zequinha Esportista ao Zequinha Viúvo, gatuno, gângster e até o Zequinha Embriagado (e, depois, suicida), as figurinhas que abriam e encerravam as coleções (a primeira delas contou com 30 figurinhas, depois aumentou para 50, 100 e 200) eram, por supuesto, as mais disputadas.

– Bons tempos, até porque, hoje, o que restou por aí é o bala zequinha, aquelas figuras que adoram aparecer…

ENQUANTO ISSO…

 

Enviado por babbocamargo, 23/08/15 7:34:57 PM

A ventania que castigou Curitiba, no final da manhã de ontem, anunciando chuva e frio, não necessariamente nessa ordem, causou uma série de transtornos. Coisas e mais coisas saíram voando. Segundo levantamento feito pelo Beronha, no boteco mais próximo do epicentro, um cidadão foi atingido por uma bola na testa.

– Bola?

– Bola de sorvete. Sorvete de morango, pelo que consta.

O que mais decolou, no entanto, foram cartelas do EstaR, paus de selfie (cinco), notas fiscais com CPF (miríade), um cachecol, apostas (frustradas) da Mega-Sena, duas perucas e o bosquejo de uma delação premiada.

O levantamento, segundo nosso anti-herói de plantão, será concluído nos próximos dias – parece que ocorreu uma chuva de pinhão e penas de urubu em algumas áreas. Isto posto, Beronha saiu cantando a única música que conseguiu decorar a letra, após redobrados esforços.

– A ventania começou quando eu dormia/

acordei, fiz o sinal da cruz/

quis acender a luz/

não encontrei o lampião/

Úúú/

Era assim que fazia o furacão/

Levei uma pedra e um tijolo na cabeça/

tô machucado, tá doendo pra chuchu/

vai na farmácia que eu preciso de um doutor/

Úúú/

Era assim que fazia o furacão…

ENQUANTO ISSO…

 

Enviado por babbocamargo, 22/08/15 8:42:08 PM

Não poucos visitam Curitiba e, depois, disparam farpas contra a cidade e sua “estranha tribo de que se alimenta de pinhões”. Não foi o caso de Stanislaw Ponte Preta, “o filho de dona Dulce” e “neto do Dr. Armindo”, apesar de alguns percalços.

A Revista do Lalau, Agir Editora, 2008, perpetua o registro do registro:

– Em 1966, quando do lançamento do Concurso de Contos (governo Paulo Pimentel), Sérgio Porto era obrigado a driblar a censura por conta do Febeapá 2 – o Festival de Besteira que Assola o País. Tanto que, antes de vir a Curitiba, enfrentou problemas em Brasília na noite de autógrafos do livro.

Sobre o concurso, escreveu:

– Ele vem deixando tudo que é contista abilolado: são dez milhões de cruzeiros arcaicos por três contos premiados.

Ao chegar ao hotel, encontrou “o coleguinha jornalista Araken Távora”:

– Estás trabalhando de porteiro agora? – perguntei.

Araken explicou que não; dirigia a revista Panorama e estava ali, na entrada do hotel, para avisar que o Juiz de Menores de Curitiba (o “juiz escoteiro”) tinha apreendido o meu livro.

– Fiquei besta, mas reagi e pedi ao coleguinha que mandasse saber do governo paranaense o que é que eu ia assinar, já que o livro tinha ido pra cucuia.

Logo veio a resposta, como conta: “O pessoal da Fundepar informava que o sr. governador se interessava pessoalmente pela liberação do Febeapá 2”.

– Era o Febeapá 3 sendo escrito pelo Febeapá 2!

Cerveja, não um discurso

Houve um almoço “onde todo mundo comeu e ninguém fez discurso”.

– Sabem lá o que é isto? Tudo que é almoço oficial em que eu me meto – por contingências alheias à minha vontade, naturalmente, que eu não sou picadinho relations – fico comendo devagarinho, com medo de discurso.

– Por isso esfriei quando o Dr. Munhoz da Rocha, uma das figuras mais importantes do almoço, inclinou-se sobre a mesa. Pronto!, pensei, ele vai pedir a palavra. Mas, felizmente, o Dr. Munhoz da Rocha pediu foi uma cerveja.

Depois do lançamento oficial do Concurso de Contos, Stanislaw conta que,  à noite, antes do lançamento do Febeapá 2, “com farta distribuição de autógrafos, a gente foi jantar num restaurante onde a comida era tão boa que todo mundo falava baixinho”.

E, hoje, com  o Febeapá 4 e 5 comendo solto, o que escreveria o Lalau?

ENQUANTO ISSO…

 

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