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Enviado por babbocamargo, 21/12/14 8:27:54 PM

Aberto sábado, o 41.º Salão Internacional de Humor de Piracicaba reúne mais de 200 charges, caricaturas e histórias em quadrinhos selecionadas, no Museu da Língua Portuguesa, região da Luz, na capital paulista. A mostra ficará em cartaz até 1º de março de 2015.

Para a Agência Brasil, o curador da mostra, Raphael Ramos da Costa Fioranelli Vieira, definiu a indignação como linha central da exposição. A partir dessa temática, diz o diretor do museu, Antônio Carlos Sartini, várias situações que afligem a sociedade são apresentadas, permitindo uma reflexão sobre as relações humanas e a própria condição da humanidade nos dias de hoje.

- O interessante da linguagem é que a reflexão sobre assuntos difíceis nos é permitida por meio de uma visão crítica e bem-humorada, tornando os temas não menos sérios, mas mais palatáveis.

A exposição tem uma área especial dedicada ao golpe civil militar de 1964, com uma reflexão sobre a importância da democracia. Afinal, o Salão de Humor de Piracicaba “nasceu como ato de resistência em plena ditadura militar e hoje é considerado o evento mais importante do gênero em todo o mundo”, acrescentou Sartini.

De volta ao salão número 1

De fato: um ato de resistência. A propósito, a Seção Achados&Pedidos, exclusiva do blog, pinçou um texto de 2012, aqui mesmo do blog, que levou o título Altamente subversivo:

- O 1° Salão de Humor de Piracicaba, em 1974, não foi brincadeira – em nenhum sentido. Depoimentos mostram que, além de talento, humor, traço e sacadas, era preciso ter mão firme e carregar nas tintas da coragem.

O livro “Piracicaba 30 anos de humor”, editado em 2003 pela Imprensa Oficial de São Paulo – Instituto do Memorial de Artes Gráficas do Brasil traz, entre outros, o depoimento de João Maffeis Netto. Título: Entre o humor e os homens de verde.

Rompendo o bloqueio

Para entender o Salão, ele ressalta que “é preciso retroceder às origens da revolução militar de 1964, que cerceou direitos fundamentais e instalou a censura prévia”. Cada um passou a resistir à sua maneira.

“Mesmo com toda essa pressão, a partir de 1964 formou-se toda uma geração de humoristas gráficos, que tentou romper o bloqueio imposto pelo governo. Millôr Fernandes, Fortuna, Jaguar, Henfil, Ziraldo fizeram parte desse grupo”.

E, cita, é claro O Pasquim, que, dirigido por Tarso de Castro, surgiu em 1969 – e brigou como pôde. Foi nesse clima que surgiu o Salão de Humor de Piracicaba, em 1974, “justamente um ano em que a censura se acentuou e o governo militar ganhava novos contornos”.

O general Ernesto Geisel acabara de assumir o poder. “Se de um lado existia o risco de apreensão do material e do indiciamento dos organizadores e cartunistas, o reverso da medalha estava na expectativa da população, da imprensa e dos visitantes em ver as peças que levavam temor ao governo”.

“Humor de bom gosto”

Apesar dos temores no ar, “o primeiro salão foi uma festa: até o representante do Exército em Piracicaba estava presente, causando uma certa apreensão, superada em parte quando ele declarou que ali se encontrava por curiosidade, e não a trabalho”.

Ao sair, o capitão “reforçou que achou o humor de bom gosto, nada ofensivo, cumprimentando todos os cartunistas e organizadores.”

Havia muita expectativa, até porque Piracicaba já tivera um prefeito, Francisco Salgot Castillon, cassado em 1969 devido a “dissensões políticas locais”. Dissensões “alavancadas por fotos de um protesto de funcionários da Estrada de Ferro Sorocabana, onde ele, Salgot, na época deputado estadual, aparecia deitado sobre os trilhos, em companhia de grevistas”. Foi a gota d’água para a cassação.

Da fábula do rei

A primeira comissão do Salão, formada por Millôr, Ziraldo, Zélio, Jaguar e Fortuna, selecionou 150 trabalhos entre mais de 700 inscritos. O cartum premiado foi o de Laerte Coutinho. Inspirado na fábula de Hans Christian Andersen, O Rei Está Nu, viajava no tempo e satirizava o governo. A cena: vítima da repressão, uma criança, suspensa no ar por correntes e com bolas de ferro nos pés, está no meio de torturadores. Em primeiro plano, numa forja, um deles prepara o ferro em brasa.

O torturado exclama, apavorado:

- O rei estava vestido!

E foi assim que, já segunda edição, o Salão de Humor de Piracicaba passaria a contar com a participação de artistas de outros países. Tornando-se uma referência mundial.

O preço da entrada no Museu da Língua Portuguesa é R$ 6. Aos sábados, a entrada é gratuita. Mais informações pelo site www.museulinguaportuguesa.org.br.

ENQUANTO ISSO…

22 dezembro (1)

 

Enviado por babbocamargo, 20/12/14 9:21:59 PM

Edição deste mês. A Revista de História da Biblioteca Nacional aborda Canudos em seu alentado Dossiê. Temos Canudos – Guerra dos Brasis. Como sempre, uma publicação para ler e guardar.

Como se sabe, ou se deveria saber, não é de hoje o uso de imagens fotográficas como arma de guerra. Ou reforço de guerra. No caso de Canudos, 1897, em pleno sertão baiano, a verdade factual foi posta de lado para justificar o que Euclides da Cunha apontou, diretamente, como um crime.

Na banca de revistas e jornais, olho de lince, já na imagem da capa professor Afronsius percebeu que havia algo de errado na foto intitulada “Prisão de jagunços pela Cavalaria”, batida por Flávio de Barros. De fato. Horas depois, indo ao texto, confirmou o que suspeitava. O fotógrafo simulou a prisão de combatentes. E por aí vai. Ou foi.

Engajamento das elites

Na Carta do Editor, Rodrigo Elias classifica Canudos como “a nossa guerra-símbolo”: “Uma comunidade pobre lutando contra os poderes locais e as condições difíceis do sertão baiano, liderada por um religioso carismático, é massacrada pelas forças do governo após o engajamento quase unânime das elites políticas, das populações urbanas e da imprensa”. Da imprensa, claro.

Mais: “Para a ‘opinião pública’ nacional, urbana, branca e instruída, tratava-se de um bando de miseráveis e fanáticos, mestiços, negros e índios que não se enquadrava na ordem civilizada que se espalhava a partir do sudeste desenvolvido”.

Censura e manipulação

Quanto ao uso da fotografia, Cícero Antônio F. de Almeida, professor de museologia da UNIRIO, diretor executivo do Centro Cultural Justiça Federal e autor de Canudos: Imagens da Guerra, Lacerda & Editores, 1997, mata a cobra e mostra o pau:

- Após o fracasso da expedição do coronel Antônio Moreira César, cuja vitória havia sido cantada antes da hora, o Exército vivia um momento bastante delicado. (…) Ser abatido por homens “despreparados” representava uma derrota constrangedora para o Exército nacional.

- Temendo a imagem negativa, os comandantes militares determinaram um rigoroso sistema de censura. Foi nesse contexto de controle da informação e da necessidade de valorizar a intervenção militar, especialmente de seus principais comandantes, que trabalhou o fotógrafo expedicionário Flávio de Barros.

- Quando ocorria um fato extraordinário, imprevisto, cujo registro era importante para o comando militar, Barros era deslocado especificamente realizar seu trabalho, como por ocasião da localização do cadáver de Antônio Conselheiro.

Simulacros da guerra

Ainda do professor Cícero Antônio:

- As fotografias de Flávio de Barros, revestidas do caráter de representação fiel do real, tornaram-se simulacros da Guerra de Canudos, destinados à afirmação da superioridade e da organização do Exército, desfazendo a ideia de despreparo das tropas e atenuando os exageros cometidos contra combatentes e prisioneiros.

- Dentre as imagens mais reveladoras está a fotografia intitulada “Prisão de jagunços pela Cavalaria”. Nela, o fotógrafo simulou a prisão de combatentes, o que é claramente identificado pela expressão dos retratados, bem como pelo esquema estático da composição – um dos soldados está olhando diretamente para o fotógrafo.

- Euclides da Cunha, então correspondente de O Estado de São Paulo e principal cronista da guerra, em sua obra Os Sertões (1902), escreveu: Canudos não se rendeu. Exemplo único em toda a história, resistiu até o esgotamento completo. Expugnado palmo a palmo, na precisão integral do termo, caiu no dia 5 (de outubro de 1897), ao entardecer, quando caíram seus últimos defensores.

ENQUANTO ISSO…

21 dezembro (1)

 

Enviado por babbocamargo, 19/12/14 9:02:37 PM

Nada de novo, mas a Pesquisa de Mídia Brasileira, divulgada pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, aponta que a televisão ainda é o principal meio de comunicação no país, mas os brasileiros já passam mais tempo navegando na internet do que na frente da TV. A turma passa, em média, quatro horas e 59 minutos por dia usando a internet durante a semana e quatro horas e 24 minutos/dia nos fins de semana.

- Isso é bom ou é ruim? – indagou professor Afronsius, lembrando Stanislaw Ponte Preta, para quem a televisão era a máquina de fazer doido.

ENQUANTO ISSO…

20 dezembro (1)

 

Enviado por babbocamargo, 18/12/14 8:14:04 PM

Com a divulgação do relatório final da Comissão Nacional Verdade, o prefeito da cidade gaúcha de Taquari não deixou por menos. Promoveu a retirada do marechal Arthur da Costa e Silva do principal ponto turístico da cidade. Como noticiou o jornal Zero Hora, “com auxílio de uma retroescavadeira, a prefeitura derrubou o busto que ficava na Lagoa Armênia, desde 1976”. Foi na tarde de terça-feira. Taquari, por supuesto, é a localidade onde nasceu o seu Arthur. Sobre uma estrutura, o busto chegava a mais de dois metros de altura. Mas, nesse tipo de iniciativa, os mineiros saíram na frente, como se verá.

No museu, com o relatório da CNV

Para o prefeito de Taquari, Emanuel Hassen de Jesus (PT), mais conhecido como Maneco, o relatório da CNV comprovou as atrocidades cometidas pelo presidente, que, assim, não merece uma homenagem na Lagoa.

— É o principal ponto de manifestações culturais da cidade, e a gente sabe que a ditadura foi contra qualquer manifestação, seja de música, dança ou arte. Não tinha mais sentido ficar ali – justificou. Além do mais, o monumental monumento, como diria o Beronha, postado entre o palco de apresentações artísticas e a plateia, atrapalhava a visão do público.

Uma placa explicava que foi na Lagoa Armênia que, na infância, Costa e Silva “organizou seu primeiro pelotão de meninos” e que, quando “presidente”, “comandou com altruísmo o Brasil e o povo brasileiro”.

O busto foi encaminhado para o museu instalado na casa onde Costa e Silva nasceu.

- Museu é para contar história. Vamos colocar lá também uma cópia do relatório da Comissão Nacional da Verdade – arrematou Maneco, agora segundo o jornal Correio do Povo.

De volta a 1980

E Dan (Daniel) Mitrione, quem se lembra? Agente da CIA, ministrou técnicas de tortura a brasileiros por conta da ditadura civil militar de 64. Em 1971, “um vereador amigo tomou a iniciativa de homenageá-lo, apresentando projeto para batizar com seu nome uma rua de Belo Horizonte”. Mas, nos anos 1980, a Rua Dan Mitrione, no Bairro das Indústrias, acabou rebatizada, passando a levar o nome José Carlos da Matta Machado, em homenagem a um dos mineiros mortos pela repressão.

Sobre Dan Mitrione, a Revista de História da Biblioteca Nacional, edição de julho de 2008, traz sob o título “O instrutor” um artigo assinado por Rodrigo Patto Sá Motta, professor de História da UFMG e autor dos livros Em guarda contra o perigo vermelho, o anticomunismo no Brasil (São Paulo: Fapesp-Perspectiva, 2002) e Jango e o golpe de 1964 na caricatura (Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2006).

Revela que, “antes de se tornar professor de tortura e acabar assassinado por guerrilheiros uruguaios, o americano Dan Mitrione treinou policiais em Belo Horizonte e virou até nome de rua”.

Do OPS ao cinema-verdade

Trechos do alentado artigo do professor Rodrigo Patto Sá Motta:

- Quando os tupamaros, revolucionários nacionalistas uruguaios, sequestraram o cidadão norte-americano Daniel A. Mitrione, ele era quase um desconhecido. Após negociações infrutíferas para trocá-lo por presos políticos, o refém acabou assassinado, em agosto de 1970.

- A repercussão internacional do episódio trouxe a público a atividade de Dan Mitrione: havia um ano que ele estava no Uruguai, com a missão de treinar policiais daquele país. Era um entre centenas de assessores policiais norte-americanos espalhados pelo mundo, atuando para o Programa de Segurança Pública (OPS, na sigla em inglês) da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (Usaid).

- O caso ganharia ainda mais notoriedade três anos depois, com o lançamento do filme Estado de Sítio (État de siège, 1973), do grego Constantin Costa-Gavras. Embora no cinema o protagonista se chamasse Philip Michael Santore e fosse interpretado pelo elegante francês Yves Montand (o Mitrione real fazia o estilo corpulento), a narrativa é fiel às informações disponíveis sobre o episódio.

De Richmond para BH

- Na época, já pipocavam na imprensa americana denúncias sobre a prática de tortura nos países aliados da América do Sul, principalmente no Brasil. E Mitrione, antes de embarcar rumo à morte no Uruguai, vivera dois anos em Belo Horizonte.

- Ex-chefe de polícia de Richmond, no estado de Indiana, ele chegou à capital mineira em 1960. Era um policial bastante experiente, mas sem envolvimento conhecido com atividades de repressão política. A estratégia da Usaid com seu programa de segurança pública era investir pesado para conter a ameaça comunista. Policiais locais, devidamente treinados, formariam a “primeira linha de defesa” contra subversivos, reprimindo greves e outras formas de desobediência civil e produzindo informações para desbaratar as organizações inimigas. Somente no caso de o aparato policial mostrar-se insuficiente é que as Forças Armadas locais deveriam ser acionadas.

Usaid comemora o golpe civil militar

Ainda do professor Patto Sá Motta:

- A assessoria aos mineiros terminou no fim de 1962, quando o policial americano recebeu uma promoção, sendo transferido para o Rio de Janeiro e assumindo uma função de supervisão no programa. Ele ficaria no Brasil por mais alguns anos, inclusive depois do golpe militar, evento, por sinal, comemorado pelo pessoal da Usaid. Um dos assessores policiais registrou, satisfeito, que em todos os estados onde atuavam a polícia ficou “do lado certo” no momento do golpe.

- Seu bom desempenho no Brasil o credenciou ao cargo de instrutor da Academia Internacional de Polícia, em Washington, onde lecionou entre 1967 e 1969. Foi quando aceitou ser transferido para Montevidéu, atrás de um salário mais alto.

Um erro fatal.

ENQUANTO ISSO…

19 dezembro (1)

Enviado por babbocamargo, 17/12/14 8:46:47 PM

Sugestão de leitura. Está no jornal Zero Hora, mais precisamente na coluna de Martha Medeiros, que escreve às quartas-feiras em ZH: “A internet é a maior rua que existe”.

Conta ela que, descendo uma ladeira do Chiado, em Lisboa, passou por um mendigo “cercado de cartazes dizendo que a esmola iria para o uísque, o vinho, a cerveja, a ressaca. Um mendigo engraçadinho. Fiquei observando. Os turistas passavam, riam e distribuíam moedas não por caridade ou desencargo de consciência. Era couvert artístico”.

E ele não está sozinho, faz parte da nova geração de mendigos. Com mais dois ou três amigos, forma os The Lazy Beggars. Que dispõem até de um site, para donativos online. Assim, “as pessoas não precisariam se aproximar de uns sujeitos sujos e fedorentos e podiam doar dinheiro de forma rápida e segura pelo PayPal”.

Bem-vindos ao século 21, ressalta Martha Medeiros.

Vale a pena ler o texto na íntegra.

ENQUANTO ISSO…

18 dezembro (1)

 

Enviado por babbocamargo, 16/12/14 8:33:55 PM

Fuleco causou alguma polêmica. Nome da mascote da Copa do Mundo de 2014, fusão de futebol e ecologia, foi escolhido em eleição que durou três meses e oferecia, além de Fuleco, duas alternativas: Amijubi (amizade + júbilo) e Zuzeco (azul + ecologia).

O uso de mascotes começou com a Copa de 1966, na África do Sul. O escolhido para representar o país foi um leopardo de cabelo verde, o Zakumi.

Agora, para Jogos Olímpicos e Paraolímpicos de 2016, marcados para o Rio de Janeiro, teremos uma dupla, e que dupla!: Vinícius e Tom. Muito justo. Da parceria de Vinícius de Moraes e Antonio Carlos Jobim nasceu Garota de Ipanema, apontada como uma das canções brasileiras mais famosas no mundo.

Do amarelo ao azul

Vinícius, mascote dos Jogos Olímpicos, é um animalzinho amarelo, com traços de desenho animado, representando a variedade da fauna brasileira. Tom, mascote dos Jogos Paraolímpicos, é de cor azul, cabelo feito de folhas, simbolizando, por supuesto, a riqueza da flora.

Será que eles aprovariam? Muito certamente que sim, posto que, entre muitas coisas, eram brincalhões, principalmente o poeta e diplomata, o Poetinha, que recebeu este apelido do amigo e parceiro Antônio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim, que, um dia, explicou a origem do Tom:

- Ninguém vai chamar um cara de Antônio Carlos se pode chamá-lo de Tom.

Sobre a amizade com o Vinicius, classificada de “maravilhosa”, contaria:

- A gente ria, a gente saía, comia umas coisinhas, comidinha de bêbado, como dizia ele. Uns camarõezinhos e aquele uísque todo. Antes de me conhecer, ele bebia chope no Alcazar. Depois, com a ida para o Itamaraty, foi levando a vida no uísque.

No mais, antecipadamente, boa sorte aos atletas.

ENQUANTO ISSO…

17 dezembro (1)

 

Enviado por babbocamargo, 15/12/14 9:35:50 PM

Muito já se comentou sobre o uso da crase, o que levou Ferreira Gullar a afirmar que “a crase não foi feita para humilhar ninguém”. Em texto publicado na Ilustrada, Folha de S. Paulo de 31 de julho de 2011 (“Uns craseiam, outros ganham fama”), o poeta confessa que “essa mania de inventar aforismos me veio dos surrealistas, que faziam uso deles com irreverência”.

E que foi em 1955, ao ganhar um exemplar do livro “Tudo sobre a Crase”, que sacou o tal aforismo sobre o uso da crase:

- Tomei o ônibus que me levaria à revista Manchete – então na Rua Frei Caneca -, comecei a ler o livro e, antes de descer, já havia sacado um aforismo: A crase não foi feita para humilhar ninguém. Era de fato uma brincadeira com a preocupação dos gramáticos com o uso da crase. Esse primeiro aforismo desencadeou uma série de outros, que publiquei, meses depois, no suplemento literário do Diário de Notícias.

Uns craseiam, outros…

Sobre os que “craseiam e os outros que ganham fama”, Gullar comprova que o aforismo é de sua autoria. Chegaram a atribuí-lo a Otto Lara Resende, Carlos Drummond de Andrade e outros intelectuais bem humorados.

Lembrando o episódio, professor Afronsius contou que, no Bar VIP da Vila Piroquinha, aquele que Beronha, sem nunca ter ouvido falar em aforismo diz frequentar “eventualmente todos os dias”, percebeu a importância da colocação da vírgula no lugar certo. Mesmo quando não se trata de texto, mas da comunicação oral. Aí, uma breve pausa substitui – e até com maior impacto – a vírgula.

Vírgula? Sim, aquele sinal de pontuação com que se marca a pausa no discurso. Discurso? Outra vez o mestre Aurélio: discurso, peça de oratória proferida em público, exposição metódica sobre certo assunto, arrazoado.

Dois exemplos do emprego da pausa no discurso, no também já citado Bar VIP. Quando um notório e indefectível cliente adentra ao recinto, Rosbife, o feliz proprietário do estabelecimento, não perde a vaza e dispara, numa espécie de saudação:

- Vai um ovo (pausa) cozido?

E, na sequência:

- Quer amendoim (pausa) torrado?

E segue o baile, etílico, ligeiramente ou não.

ENQUANTO ISSO…

16 dezembro (1)

 

Enviado por babbocamargo, 14/12/14 8:17:51 PM

A propósito do relatório final da Comissão Nacional da Verdade, vale a pena ler (ou reler) Operação Condor – O Sequestro dos Uruguaios, livro do jornalista Luiz Cláudio Cunha, 2008. E, talvez, pinçar breve episódio. A contribuição de um jornal paranaense para dar rosto a um dos agentes da Operação Condor.

Graças à coragem do então repórter Luiz Cláudio e do fotógrafo João Baptista Scalco foi possível impedir o sumiço (é, naquela época muitas pessoas simplesmente sumiam) de Lílian Celiberti e seus filhos, Camila e Francesca. Universindo Díaz já tinha sido levado, mas a operação deixara de ser secreta.

Tempos bicudos – e de pedaladas

Porto Alegre, 1978. Luiz Cláudio e Scalco trabalhavam da sucursal da Veja. Veja de melhores tempos. Um telefonema anônimo levou a dupla ao apartamento do casal uruguaio, onde topou com homens armados. O encontro frustrou a investida da repressão.

Apesar da censura e das forças ocultas, a imprensa nacional, depois da Veja, entrou em campo. Na reconstituição para continuar no caso, a partir da identificação dos policiais brasileiros envolvidos na etapa crítica da operação, marcou presença igualmente o vibrante CooJornal, editado pela Cooperativa de Jornalistas de Porto Alegre. E, em menor escala, mas não menos importante, um jornal paranaense, O Estado do Paraná.

Certo dia, um jornalista liga de Porto Alegre para Curitiba. Está à procura de foto de Orandir Ortassi Lucas.

- Quem?

- O ex-jogador do Atlético Paranaense.

- Quem? Orandir Ortassi Lucas?

Identificando o personagem

Graças ao então chamado setorista – repórter que cobria determinado clube diariamente – foi fácil matar a charada.

- É o Didi Pedalada.

O arquivo era um dos pilares do jornal, rico em fotos e textos – graças à iniciativa do jornalista Mussa José Assis, diretor de redação, um ex-Última Hora.

Havia muitas e variadas fotos de Didi. Em 1973/74, no Atlético, ele tinha sido titular e ganhou fama pelas pedaladas sobre a bola antes de dar o drible rumo ao gol. Jogavam na época Sicupira, Buião, Júlio, Torino, Alfredo, Neuri, Madureira e Sérgio Lopes. Uma das fotos era das mais apropriadas, quase 3×4. Aquela mesma, de registros oficiais.

O pedido foi prontamente atendido. A foto, batida bem de perto, quase fechada no rosto, a tal 3×4, foi feita ao ar livre, Didi à beira do campo, durante um treinamento no velho Joaquim Américo. Foi passada às pressas para Porto Alegre, sem pedir, é claro, o devido crédito – foto de fulano de tal.

Um dos envolvidos no sequestro já estava devidamente escrachado. Para o mundo, para quem quisesse ver.

Desfecho. Desfecho?

Além do então delegado Pedro Seelig, do DOPS, foram denunciados, entre outros, os policiais Orandir, o Didi, e João Augusto da Rosa, o Irno. Em 1980, Orandir e João Augusto foram a julgamento.

Mas o caso de Universindo Díaz e Lílian Celiberti, no entanto, ainda não está definitivamente encerrado.

A Operação Condor, também conhecida como Carcará, no Brasil, era uma  aliança político-militar entre ditaduras civis militares da América do Sul – Brasil, Argentina, Chile, Bolívia, Paraguai e Uruguai.

Devidamente instrumentalizada pela CIA e irrigada a mister dólar. Objetivo: coordenar a repressão e eliminar opositores nos países do Cone Sul.

ENQUANTO ISSO…

15 dezembro (1)

 

Enviado por babbocamargo, 13/12/14 6:37:28 PM

Inverno ou verão? As opiniões de dividem. Há quem prefira o frio e quem opte pelo calor. Unanimidade só quanto à maluquice do tempo que passou a impera por nossas bandas.

Basta ver registros recentes: em São Paulo, uma frente fria provocou chuva e uma brusca queda da temperatura na cidade. A sensação térmica na região do aeroporto de Congonhas, zona sul da cidade, era de 10°C, mas a temperatura real do ar era de 16°C.

Até granizo marcou presença

No Paraná, no início do mês, a mudança da temperatura fez muita gente sentir frio no começo da tarde, pois saiu de casa com roupa leve por causa da sensação de abafamento que predominava pela manhã.

Bem antes disso, em agosto, na segunda-feira 25, com temperatura amena, houve fortes pancadas de chuva em diversas áreas, inclusive com a ocorrência de granizo em algumas áreas como Londrina.

O dia 8 de dezembro, outra segunda-feira, foi “um dos mais quentes da primavera no Sul do Brasil”. A temperatura em Criciúma, sul de Santa Catarina, chegou a 41,5°C.

Prendam o suspeito de sempre

A culpa pelas lambanças climáticas é sempre do mordomo, no caso, a natureza. Até pela neve de 1975 em Curitiba, dia 17 de julho. Teria sido a maneira diplomática de a natureza dar seu recado, tomando as dores do inverno. À época, reclamava-se que o frio característico de Curitiba tinha sumido, já que o general inverno tinha sido rebaixado à condição de general da banda. Daí a natureza se despedir festivamente.

Até 1970, conforme depoimento de um pioneiro da região de Cianorte, “tínhamos chuvas constantes. Não existia seca. O frio também não era grande, mas as matas, me parece, absorviam todo aquele frio, aqueles ventos gelados. Hoje, infelizmente, os campos estão abertos, devastados, os ventos avançam”. Culpa do mordomo? Qual deles?

Da panela à xícara de café

Vale citar o físico Marcelo Gleiser sobre o comportamento do Universo e, por supuesto, da Terra:

- Embora aparentemente sereno, o Universo está em permanente ebulição, como se fosse o caldo de uma panela fervendo. Ou seja, em transformação.

E, para que o cidadão comum possa entender o que se passa, é ainda do físico a receita para fazer uma galáxia numa xícara de café.

- Basta você pôr um pouco de creme bem devagar sobre o café e misturar delicadamente os dois fluidos por alguns segundos. Em pouco tempo você verá uma galáxia espiral surgir na sua xícara.

ENQUANTO ISSO…

14 dezembro (1)

 

Enviado por babbocamargo, 12/12/14 8:04:14 PM

Embora um sujeito crédulo até a medula, Beronha deixou de lado certas coisas. No caso em epígrafe, como gosta de dizer o nosso anti-herói de plantão, depois de decorar trecho de uma frase recorrente nas falas do professor Afronsius (“em epígrafe”), quem dançou mesmo foi o horóscopo. Do dia e do mês.

Estava lá, leonino:

- Na carreira, notícias sensacionais virão no dia 17 ou 18, com as forças combinadas de Vênus e Júpiter. A Lua nova do dia 25 traz oportunidades financeiras: é o melhor momento do ano para pedir um aumento ao patrão.

Mas, ao contrário de reajuste salarial, Beronha recebeu cartão vermelho. Carta de demissão.

A partir daí, decorou outra máxima de, segundo ele, um tal de Albert Einstein:

- O único lugar onde o sucesso vem antes do trabalho é no dicionário.

ENQUANTO ISSO…

13 dezembro (1)

 

 

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