Assinaturas Classificados
Seções
Anteriores
Publicidade

Rolmops&Catchup

Quem faz o blog
Seções
Posts
Enviado por babbocamargo, 18/04/14 7:58:16 PM

Lendo a edição deste mês da (sempre imperdível) Revista de História da Biblioteca Nacional, professor Afronsius e Natureza Morta encontraram na página 90 um artigo sobre a época em que “matar cachorros na rua era a política pública para evitar a raiva no Rio. E o governo ainda incentivava o método, digamos, mais barato”, como ressalta a autora do texto “A pauladas”, Rafaella Bettamio, da Fundação Biblioteca Nacional.

- Imagine hoje. Tempos de pet shop e desenfreada opção preferencial pelos cães, haveria uma convulsão social – arriscou comentar Natureza.

Assunto corriqueiro

Trecho: “Vinte e seis cães: 2.800 réis; paus para matança: 480 réis; vinte e oito cães: 2.800 réis. As despesas foram apresentadas à Câmara Municipal da Corte em 20 de maio de 1851. Longe de espantar alguém, os itens dessa prestação de contas eram assunto corriqueiro para o poder público. A matança de cães à paulada já foi prática comum e institucionalizada no Rio de Janeiro”.

“Encarados como uma ameaça de proliferação da raiva, os cães que fossem flagrados na rua poderiam ser surpreendidos pela carrocinha. Mesmo aqueles com donos e coleira. Não interessava à Câmara Municipal da Corte quais seriam os meios de extermínio, o importante era limpar esses animais do espaço público, de preferência barateando o serviço. Matar a paulada era talvez a solução mais barata possível. E, portanto, a mais atraente”.

Prestação de contas

O “Ofício remetendo a conta das despesas feitas com a matança de cães, na freguesia do Sacramento, foi encaminhado por Bernardino José de Souza, então fiscal das freguesias da Glória e do Sacramento, região que abrangia grande parte do atual centro da cidade do Rio de Janeiro. Pertencente ao Fundo Câmara Municipal da Corte, este documento pode ser consultado na Divisão de Manuscritos da Biblioteca Nacional”.

Fechando o texto, Rafaella Bettamio ressalta que o crescimento dos movimentos em defesa dos animais até os dias de hoje demonstra que, “embora a espécie humana não prime pela humildade, às vezes acaba se curvando ao conhecimento e ao bom senso. A convivência com os animais, quem diria, nos ensina a ser menos bárbaros”.

ENQUANTO ISSO…

19 abril (1)

Enviado por babbocamargo, 17/04/14 8:44:19 PM

O governo do Estado acaba de lançar o programa Nota Fiscal Paranaense. Para estimular o consumidor a exigir nota fiscal. Uma espécie de delação premiada? Haverá prêmios que chegam a R$ 100 mil por trimestre e R$ 10 mil por semana.

Ao ler a notícia, professor Afronsius deixou de cofiar o bigode para cruzar os dedos, fazendo figa. É que lhe veio à lembrança a campanha Seu talão vale um milhão – e, por supuesto, a guerra do pente.

A tal nota fiscal e o pente

Foi no dia 8 de dezembro de 1959, quando da venda – ou da compra – de um pente, numa lojinha da Praça Tiradentes. O consumidor pediu a nota fiscal. Diante da negativa do comerciante, exigiu a nota. Outra negativa. Acabaram indo, como dizia e acentuava o noticiário policial da época, às vias de fato. E que fato, sem falar das vias.

Beronha quis saber se era pente Flamengo. Foi olimpicamente ignorado.

Voltando à briga. Ela foi aumentando e Curitiba parou. Inclusive por conta de quem usava peruca. A ordem só foi restabelecida, dois dias (e noites) depois, com a intervenção do Exército. Intervenção, no caso, legal, sem violentar a Constituição Federal, posto que solicitada pelas autoridades policiais, já que a Polícia Civil e a PM não conseguiam resolver a parada.

Uma febre nacional

Mas, voltando à campanha Seu talão vale um milhão, há um excelente artigo da Revista de História da Biblioteca Nacional, edição de 2 de maio de 2011, de autoria do professor Elson Oliveira Souza, pesquisador do Projeto Pró-História Institucional da PUCPR e autor do livro A CEU Ontem e Hoje (Protexto, 2009), que abre o leque quanto ao episódio.

Breves trechos:

- A campanha do talão “virou uma febre nacional a partir do final dos anos 1950 e chegou a inspirar uma marchinha de Carnaval no ano seguinte. O objetivo do governo de Juscelino Kubitschek (1902-1976) era incentivar o consumidor a pedir a nota fiscal sempre que fizesse uma compra. Cada três mil cruzeiros em notas poderiam ser trocados por um cupom que daria ao cidadão o direito de participar do sorteio de um milhão de cruzeiros. Mas o que aconteceu em Curitiba ultrapassou todas as expectativas. Quem poderia imaginar que, por conta da promoção, a simples venda de um pente daria início a um embate que teria consequências catastróficas para a cidade?”

Ainda transcrevendo o texto do professor Elson:

- Quando o governador do estado, Moysés Lupion (1908-1991), resolveu promover a campanha no Paraná, não imaginava até que ponto certo consumidor estava disposto a lutar pelos seus direitos em um estabelecimento conhecido como Bazar Centenário. Ali, após lhe terem negado a nota fiscal pela compra de um pente, o subtenente da Polícia Militar Antônio Haroldo Tavares, indignado, insultou com palavrões de baixo calão o comerciante que o havia atendido, dando início a uma séria discussão.

Pois é, espera-se que os tempos tenham mudado.

Ou seja, que o pente  de ontem não tenha virado Smartphone e, a nota fiscal, cupom eletrônico.

ENQUANTO ISSO…

18 abril (1)

 

Enviado por babbocamargo, 16/04/14 9:22:14 PM

Ponto de táxi. O cabôco chega, abre a porta, dá boa tarde e meio que ordena:

- Toca pro Cristo Rei.

- Qual rua?

- Presidente Beaurepaire Rohan.

- Hein? O senhor deve estar brincando…

Não estava. Existe mesmo uma rua com esse nome pouco familiar. Além de difícil de pronunciar, dá nó na língua, chama a atenção mesmo quando surge em letras de fôrma.

Vai daí que a Seção Achados&Perdidos, exclusiva do blog, foi acionada e saiu à cata de Beaurepaire. Foi vice-presidente da Província do Paraná, de 27 de julho de 1855 a 1 de março de 1856.

Como chegou lá: Henrique Pedro Carlos de Beaurepaire Rohan, membro da nobreza, foi militar e político. Acabou no Partido Liberal. Filho de Jaques Antônio Marcos de Beaurepaire, conde de Beaurepaire, e da anglo-portuguesa Maria Margarida Skeis de Rohan, filha de cônsul inglês que serviu no Rio de Janeiro. O pai, marechal de campo do exército francês, estava na mira de Napoleão Bonaparte. Buscou refúgio em Portugal e, pelos “relevantes serviços prestados à Coroa Portuguesa”, acabou fazendo parte do grupo que acompanhou D. João VI quando da vinda da Corte para o Brasil.

De província em província

Além de ser brindado com a Província do Paraná, foi presidente das Províncias do Pará, de maio de 1856 a outubro de 1857, e da Paraíba, nomeado por carta imperial. Em 1864, chegou a ministro da Guerra. Formado em física e matemática, foi membro do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro e da Sociedade Auxiliadora da Indústria Nacional.

Títulos e mais títulos

Com as “honras de grandeza”, por decreto de 13 de junho de 1888 recebeu o título de Gentil-Homem da Imperial Câmara, além da Grã-Cruz da Imperial Ordem de Avis e de dignitário da Imperial Ordem da Rosa e comendador da Imperial Ordem de Cristo.

Escreveu a Corografia da Província da Paraíba do Norte, publicada na Revista do Instituto Histórico da Paraíba, em 1911.

- Corografia? E ainda tem mais essa? Cacildis! Do que se trata? – trucou Beronha.

Aí, até o professor Afronsius recorreu ao dicionário:

- Corografia, s. fem. Estudo ou descrição geográfica de um país, região, província ou município, as suas características mais notáveis.

- Pombas, o cabôco era importante mesmo…

Em tempo, para quem não reside na região: a Rua Presidente Beaurepaire Rohan fica, singelamente, entre a Tocantins e a Prefeito Ângelo Lopes.

ENQUANTO ISSO…

17 abril (1)

Enviado por babbocamargo, 15/04/14 9:14:44 PM

Já que congestionamento virou mais do que rotina no trânsito de Curitiba, onde a única possível corrida é contra o tempo, tempo para aprontar tudo para a Copa, havia quem, no compasso de espera, ficasse conferindo as placas de veículos. Chegou a ver AC – Rio Branco, que vem a ser a capital do Acre, e PB – Cabedelo. Nada contra, muito pelo contrário, todo mundo é bem-vindo. Com ou sem Copa.

Agora, curte os adesivos em automóveis.

Juntos – engarrafados no trânsito tornou-se o mais comum.

Há outros que merecem registro, conforme Natureza Morta, que, em matéria de passatempo, saltou das palavras cruzadas e charadas para a leitura dos recados acoplados na traseira dos carros.

Alguns:

- Go fishing.

Beronha, nosso anti-herói de plantão, não entendeu, mas disse preferir aquele outro, Stressado? – vá pescar.

Voltando à breve lista de Natureza:

- Vende-se eça coiza. 500 pila.

- Não sou sanfoneiro, mas toco a noite toda.

- Tua buzina não me helicopteriza!

- A pior sexta-feira ainda é melhor do que a melhor segunda-feira.

- Amor de mulher é REAL.

- Duas palavras que abrem muitas portas: puxe e empurre.

Mas o recado que não entendeu foi um, sem texto, que se limitava a desenhos de uma família, mãos dadas: o homem, a mulher, duas crianças e um cachorro.

- Só que rasparam a primeira figura, a do maridão. Só ficaram visíveis o cocuruto e os pés. O que será que aconteceu?

- O maridão teve ter levado um pontapé no traseiro. Ou era um recado, algo preventivo – arriscou professor Afronsiu, voltando às palavras cruzadas.

ENQUANTO ISSO…

16 abril (2)

 

Enviado por babbocamargo, 14/04/14 8:16:52 PM

Natureza Morta se divertiu muito com as prosas que aconteceram na reunião pública da Câmara Municipal de Curitiba, quinta-feira passada. Dificuldade mesmo foi amarrar seu cavalo junto à porta…

Quem confidenciou, em off dos offs, foi o escritor Carlos Solera, que, agora, oficialmente, continua com a palavra – e a cuia ao alcance da mão:

- Mais de 120 pessoas – aficionados, historiadores e representantes de 21 instituições públicas – lotaram o salão de Atos da Câmara. Até um “vereador tropeiro”, o pastor Luis Santos, se pôs em marcha e veio de Sorocaba para valorizar o encontro.

Lindos momentos artísticos, com o Arco Iris, grupo sênior de senhoras que faz danças circulares; o pessoal do CTG 20 de Setembro com seu gaiteiro e dançador de Chula, além do Douglas, sempre instruindo a juventude; Silvestre Alves, o Cancioneiro da Rota e seu inseparável violão; a declamatória do tropeiro Velocino Fernandes.

Chimarrão da melhor qualidade, rodando de mão em mão, no ato significativo de amizade.

Vitamina na prosa tropeira

Recebendo os visitantes, o presidente da CMC, vereador Paulo Salamuni, agora Comendador Tropeiro Brasil, junto com os também novos comendadores, vereador Jorge Bernardi, proponente da reunião pública e Moacir Carvalho, assessor jurídico de seu gabinete parlamentar. Eles transmitiram a todos a conhecida cortesia e hospitalidade paranaense.

Prosa tropeira pelo Vitamina e Solera, resgatando a historia do Paraná. Debates e inúmeras sugestões para a formalização da Carta Tropeira de Curitiba marcaram o gabarito cultural dos que se faziam presentes. Registradas e reconhecidas por todos as proposições. Elas agora receberão seu formato documental para compor o Banco de Dados que vai sendo montado para encaminhamento ao IPHAN e Unesco, em breve. A busca e titulação como Patrimônio Imaterial do país pelo IPHAN e Cultural da Humanidade pela Unesco ao Tropeirismo brasileiro e ao seu executor chefe, o Tropeiro.

Foi instituída também a Semana da Cultura Tropeira  de Curitiba, com data maior comemorativa anualmente a 19 de setembro.

Logo tudo estará pronto para divulgação e recolhimento pelos interessados.

Encerrando o dedo de prosa, a mensagem de Solera:

- Abraços e inté o próximo pouso…

Inté.

ENQUANTO ISSO…

15 abril (1)

Enviado por babbocamargo, 13/04/14 7:43:23 PM

Por conta do boom imobiliário – ou, recorrendo às onomatopeias, como prefere o professor Afronsius, o BUM! Imobiliário -, temos outro grande negócio paralelo. Estacionamentos. Até pela Copa do Mundo. Na região da Arena da Baixada, por exemplo, eles brotam do dia para a noite.

Inclusive, a Primeira Igreja Batista de Curitiba, na Rua Visconde de Guarapuava, esquina com a Desembargador Westphalen, deu lugar a um imenso parking.

Na cola de São Paulo

Para quem anda reclamando do trânsito em Curitiba (e quem não anda?): a coisa está feia e vai piorar. Basta ver que vaga de garagem na capital São Paulo já chega a custar R$ 200 mil. “E pode piorar”. A notícia saiu no iG São Paulo. A matéria de Marília Almeida dá conta ainda que “ o Rio passa por situação semelhante e, neste cenário, cresce o mercado informal de aluguel de boxes, e novo plano diretor pode restringir mais as garagens em prédios na cidade”.

Como ex-Quinta Comarca não ficamos muito atrás de São Paulo…

Espaço cada vez mais disputado

No início do ano, a Gazeta do Povo noticiou, em reportagem de Angieli Maros, que o Paraná fechou 2013 com a marca de 6.159.417 veículos em circulação. O número supera em praticamente 360 mil a frota registrada em dezembro de 2012, quando eram cerca de 5,8 milhões de veículos em todo o estado. Com o atual índice, a média fica em praticamente um veículo registrado a cada dois paranaenses.

Como a frota no estado tem crescimento médio de 7% ao ano – taxa que fez com que o número de veículos mais do que dobrasse nos últimos dez anos, quando eram pouco mais de 2,9 milhões de veículos registrados no estado -, dá para imaginar o que nos aguarda. O que nos aguarda. A placa LOTAÇÃO ESGOTADA.

Bem visível, na entrada da cidade.

ENQUANTO ISSO…

14 abril (1)

Enviado por babbocamargo, 12/04/14 11:16:59 PM

Poeta e diplomata. O que, talvez, poucos saibam sobre Vinicius de Moares é que a sua paixão se estendia ao cinema. Foi, inclusive, crítico, assinando comentários em jornais. Não seria para menos.

Matéria de Paulo Virgilio, da Agência Brasil, em outubro do ano passado, por ocasião do centenário de nascimento do Poetinha, mostra o intelectual de múltiplas facetas. Jogava nas onze, como se diria hoje. Ou ontem.

E, também no caso do cinema, ia fundo.

- Ao longo de toda a década de 40 e na primeira metade dos anos 50, Vinicius de Moraes exerceu, paralelamente à carreira de diplomata, intensa atividade como crítico de cinema para os jornais A Manhã e Última Hora e para as revistas Diretrizes e Sombra.

Meio de expressão total

Em agosto de 1941, sua profissão de fé, no jornal A Manhã:

- Creio no cinema, meio de expressão total em seu poder transmissor e capacidade de emoção, possuidor de uma forma própria que lhe é imanente (conceito religioso e metafísico que defende a existência de um ser supremo e divino (ou força) dentro do mundo físico) e que, contendo todas as outras, nada lhes deve.

Parte do acervo literário de Vinicius, sob a guarda da Fundação Casa de Rui Barbosa, os escritos revelam que o poeta produziu análises aprofundadas sobre os grandes mestres do cinema na época, como Orson Welles, Charles Chaplin, Alfred Hitchcock, René Clair, Fritz Lang, Sergei Eisenstein, Vittorio de Sica e o brasileiro Alberto Cavalcanti.

Um cineclubista

Os rumos do cinema brasileiro e o resgate da obra de nossos primeiros cineastas também estavam nas preocupações do poeta, conta Paulo Virgilio, “Vinicius de Moraes foi importante não só como crítico de cinema, mas também como cineclubista. Foi por meio do Vinicius e das pessoas que integravam a turma dele, de cinéfilos, que o público tomou conhecimento da existência de Limite. O filme (1931) de Mário Peixoto que estava perdido há anos”, disse Fabiano Canosa, um dos curadores do Festival do Rio.

Adendo: Limite foi festejadíssimo no exterior.

Ao lado de Orson Welles

Entre 1946 e 1950, vice-cônsul do Brasil em Los Angeles, Vinicius estudou cinema com Welles e teve uma convivência muito grande com o meio cinematográfico de Hollywood.

- Ele frequentava muito a casa de Carmen Miranda e promoveu a aproximação de muitos nomes da cultura brasileira com Hollywood nos anos posteriores à 2ª Guerra Mundial, como por exemplo o escritor Érico Veríssimo, declarou Canosa, ex-programador da Cinemateca do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro e do Public Theatre de Nova York.

É de Canosa, ainda, a informação de que “Vinicius teve uma antológica contribuição, juntamente com Pixinguinha, na criação da trilha sonora do filme Sol sobre a Lama, de Alex Viany. Com relação a Orfeu Negro, do diretor francês Marcel Camus, adaptado de sua peça Orfeu da Conceição, Vinicius não teve uma participação direta na produção.

- É interessante o fato de que a peça, que estreou em 1956, três anos depois, em 1959, já era um filme que ganhou o Festival de Cannes e o Oscar de melhor filme estrangeiro daquele ano. Normalmente, se leva de cinco a seis anos para que uma peça ganhe sua versão para o cinema.

ENQUANTO ISSO…

13 abril (1)

 

Enviado por babbocamargo, 11/04/14 9:25:09 PM

No contínuo mexer e remexer de seus arquivos (às vezes) implacáveis, a Seção Achados&Perdidos, exclusiva do blog, encontrou uma coisa que vem a calhar, se não por outras coisas, pela proximidade da Copa do Mundo. Uma edição do jornal O Globo. Mais precisamente a do dia 22 de junho de 1970, uma segunda-feira.

Manchetão, letras ampliadas, garrafais:

- TRI

 CARNAVAL EM JUNHO

Colado ao logotipo (nome do jornal), a bandeira do Brasil (colorida) e o informe Edição da vitória.

Três fotos na página. Na maior, o gol de Pelé, abrindo o placar contra a Itália: “Tostão cobrou um ‘out side’, Rivelino lançou sobre a área e Pelé saltou para fulminar o arco de Albertosi com possante cabeçada”. Título: O primeiro: o salto de Pelé.

Na segunda, O “goal” do alívio, o terceiro “goal”, assinalado por Jairzinho, que “trouxe o alívio que a equipe esperava”. Na terceira, “C. Alberto ergue em triunfo a Taça Jules Rimet”.

Nas três, o devido crédito à UPI – United Press International.

Em segundo destaque, a chamada:

Médici acertou o placar

Texto: “O Presidente Médici, que acompanhou pela televisão todos os jogos da seleção tricampeã do mundo, provou ser mesmo um entendido de futebol ao fornecer na sexta-feira a O GLOBO seu palpite para a finalíssima de ontem: Brasil 4 x 1. Ontem, logo após a emocionante vitória, o Presidente dirigiu mensagem à Seleção, na qual  expressa que, como homem comum, sente-se profundamente feliz, “pois nenhuma alegria é maior no meu coração que a de ver a felicidade de nosso povo no mais puro sentimento patriótico”.

Outra chamada:

Facultativo hoje e amanhã

Texto: “Os brasileiros terão mesmo um carnaval em junho. Ontem, logo após a conquista da Taça Jules Rimet, o Presidente Médici recomendou ao chefe do Gabinete Civil, professor Leitão de Abreu, que expedisse portaria considerando ponto facultativo nas repartições públicas, federais e autárquicas, segunda e terça-feiras. Ao dar a ordem, o Presidente frisou que ‘os brasileiros merecem um carnaval extra e a nossa seleção a homenagem de todos’. O governo do Estado vai decretar ponto facultativo amanhã, a partir das 14 horas”.

Eram os tempos do Pra Frente Brasil, salve a seleção, Ame-o ou deixe-o etc e tal.

PS: a página memorável está, por supuesto, também na internet.

ENQUANTO ISSO…

12 abril (1)

Enviado por babbocamargo, 10/04/14 8:24:37 PM

Não se trata propriamente de um dia de cão como o do filme de Sidney Lumet, Dog Day Afternoon, 1975, até porque, neste caso, temos Al Pacino no elenco. Mas, por força de expressão, professor Afronsius, mais irritado e irritadiço do que de costume, não deixou por menos:

- Um dia de cão. Cão sem pet shop.

Acordou às 6 da manhã, para manter o costume, mas a falta de energia elétrica se encarregou de quebrar a rotina. Não pôde tomar banho (chuveiro elétrico), sorver o seu Nescafé Tradição (preparado com leite no micro-ondas), usar o elevador (estava no 11º andar), tirar o carro da garagem (portão eletrônico de correr, sem, no entanto, o sistema de socorro nobreak para casos de apagão). Mas, decidido, foi em frente. Chuva no meio do caminho. Não precisa dizer que esquecera o, nestas horas, bendito ou maldito guarda-chuva.

Ainda caminhante, foi brindado por uma desova fecal de um passarinho. Menos mal – poderia ser um urubu ou ave de igual porte.

Finalmente no banco, para pagar pequenas contas, uma tremenda fila. Que não andava, parecia se arrastar. Motivo: o feixe de luz dos caixas eletrônicos não lia o código de barras. O jeito era digitar o número dos documentos. Simples, não fosse o tamanho.

- 47 algarismos!

No seu caso, repetiu a operação cinco vezes.

Mais fácil é acertar os números premiados da Mega-Sena, pensou.

Horas depois, resolveu almoçar. No restaurante, tratamento pouco cordial. Diálogo de arame farpado.

- Tem menu?

- O senhor quer comer o quê?

- Tem frango a passarinho?

- Temos.

- Dá para uma pessoa?

- Depende do tamanho do frango…

- Tem cerveja?

- Só a Itupaiva

De volta ao lar, só de birra, foi conferir na folhinha. Não era sexta-feira 13, muito menos de agosto. Mas, sair de casa, foi uma ideia de péssimo mau gosto – como disse alguém, um jornalista.

E, antes de deitar, mais dois choques: o 1.º – só um mísero cigarro na carteira. O 2.º – acendeu do lado errado, o do filtro.

ENQUANTO ISSO…

11 abril (1)

Enviado por babbocamargo, 09/04/14 8:42:56 PM

Por conta da Copa, visitantes já formam um contingente visível na cidade e, como a turma tende a aumentar ainda mais, professor Afronsius já está preparado para atender os turistas. Caso pretendam decifrar o Brasil. Não o futebol do Brasil.

- Leiam! Leiam História do Brasil, do poeta Murilo Mendes.

Um dos expoentes do surrealismo brasileiro, nunca deixou de lado a ferramenta do humor. Basta ver (ou ler) o poema-piada Homo Brasiliensis, no qual proclama, em alto e bom som:

- O homem é o único animal que joga no bicho.

Pinzón descobriu o Brasil

Um texto de Marcello Scarrone, na edição de outubro de 2007 da Revista de História da Biblioteca Nacional, conta que História do Brasil foi publicado em 1932, pela Editora Ariel. E, lá, eis que temos: Tiradentes numa cadeira elétrica; Antônio Conselheiro enfiado na igreja por seis meses enquanto o Exército dispara tiros contra Canudos; Pinzón é quem descobre o Brasil, mas a colônia portuguesa paga o Caminha para difundir outra versão. Ou seja, “a história nacional virada de cabeça para baixo, seus protagonistas retratados de forma irônica e irreverente, os fatos mais importantes revisitados com humor!”

Frutas a cem mil réis

De Murilo Mendes, numa espécie de canção do exílio, sem sair do país:

Minha terra tem macieiras da Califórnia

onde cantam gaturamos de Veneza.

Os poetas da minha terra

são pretos que vivem em torres de ametista,

os sargentos do exército são monistas, cubistas,

os filósofos são polacos vendendo a prestações.

A gente não pode dormir

com os oradores e os pernilongos.

Os sururus em família têm por testemunha a Gioconda.

Eu morro sufocado

em terra estrangeira.

Nossas flores são mais bonitas

nossas frutas mais gostosas

mas custam cem mil-réis a dúzia.

Outro verso de MM:

Ai quem me dera chupar uma carambola de verdade

e ouvir um sabiá com certidão de idade!

O autor! O autor!

Murilo Monteiro Mendes nasceu dia 13 de maio de 1901, em Juiz Fora, Minas Gerais. Aos 9 anos diz ter tido uma revelação poética ao assistir a passagem do cometa Halley. Em 1920, vai para o Rio.  Destino comum, na época. Foi arquivista do Ministério da Fazenda e funcionário do Banco Mercantil. Nesse período publica poemas em revistas modernistas como Verde e Revista de Antropofagia. Seu primeiro livro, Poemas, é publicado em 1930. Leva o prêmio Graça Aranha. Converte-se ao catolicismo em 1934. Torna-se inspetor de ensino em 1935. Em 1940, conhece Maria da Saudade Cortesão, com quem se casaria em 1947. Com tuberculose, é internado em sanatório na região de Petrópolis, em 1934. Em 1946, torna-se escrivão da 4ª Vara de Família do (então) Distrito Federal. Cumpre missão cultural na Europa, proferindo conferências. Muda-se para a Itália em 1957, onde se torna professor de Cultura Brasileira na Universidade de Roma. Foi também professor na Universidade de Pisa. Seus livros são publicados na Europa. Em 1972, recebe o Prêmio Internacional de Poesia Etna-Taormina. Vem ao Brasil pela última vez. Murilo Mendes morreu em Lisboa no dia 13 de agosto de 1975.

De Paraibuna a Juiz de Fora

Sobre a sua cidade natal, Juiz de Fora, professor Afronsius foi beber em várias outras fontes. Juiz de Fora era um magistrado, nomeado pela Coroa Portuguesa para atuar onde não havia juiz de Direito. Alguns estudos indicam que um juiz de fora esteve de passagem na região e ficou hospedado por algum tempo numa fazenda que, mais tarde, próximo a ela, surgiria o povoado de Santo Antônio do Paraibuna. Que, na sequência, viraria Juiz de Fora.

ENQUANTO ISSO…

10 abril (1)

Páginas12345... 162»
Este é um espaço público de debate de idéias. A Gazeta do Povo não se responsabiliza pelos artigos e comentários aqui colocados pelos autores e usuários do blog. O conteúdo das mensagens é de única e exclusiva responsabilidade de seus respectivos autores.
Publicidade
Publicidade
Publicidade
«

Onde e quando quiser

Tenha a Gazeta do Povo a sua disposição com o Plano Completo de assinatura.

Nele, você recebe o jornal em casa, tem acesso a todo conteúdo do site no computador, no smartphone e faz o download das edições da Gazeta no tablet. Tudo por apenas R$ 49,90 por mês no plano anual.

SAIBA MAIS

Passaporte para o digital

Só o assinante Gazeta do Povo Digital tem acesso exclusivo ao conteúdo do site, sem nenhum custo adicional ou limite.

Navegue com seu celular ou baixe todas as edições no tablet - um novo jeito de ler jornal onde você estiver.

CLIQUE E FAÇA PARTE DESSE NOVO MUNDO

»
publicidade