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Enviado por babbocamargo, 22/11/14 8:05:58 PM

Graciliano Ramos ficou conhecido não apenas por Vidas Secas e Memórias do Cárcere, entre outras obras, mas pela sua passagem pela prefeitura de Palmeira dos Índios.

A propósito, a Seção Achados&Perdidos, exclusiva do blog, pinçou a edição de maio de 2000 da revista República, que tinha como editor Luiz Felipe d’Avila e, como diretor de redação, Wagner Carelli. E temos uma preciosidade, a matéria A princesa nua e suja de Graciliano. Quem assina o texto é José Luiz Vitu do Carmo, que foi a Palmeira dos Índios. As fotos são do arquivo do Instituto de Estudos Brasileiros da USP.

Breves trechos:

- O escritor arredio foi um tocador de obras que enfrentou fazendeiros e moralizou o comércio.

- Prefeito a contragosto, mandou os pedintes quebrar pedras em troca de dinheiro. Eles não foram mais vistos na cidade.

- Um fiscal hesitou em multar o pai de Graciliano. “Prefeito não tem pai”, ouviu do Velho Graça.

Brincalhão ou poço de azedume

O escritor, “tido ora como brincalhão, ora como um poço de azedume”, foi eleito prefeito em 1927 e empossado no ano seguinte. Em 1932, renunciou e se transferiu para Maceió, onde foi nomeado diretor da Imprensa Oficial. Nascido em 27 de outubro de 1892, em Quebrangulo, sertão de Alagoas, era o primeiro dos dezesseis filhos de Sebastião Ramos de Oliveira e Maria Amélia Ferro Ramos.

A lista do voto de cabresto

Graciliano foi eleito com 433 votos. Não teve adversário. Imperava o voto de cabresto, só votava quem estava na lista elaborada pelos donos do poder. Aceitou concorrer depois de muito hesitar, sendo afinal convencido por amigos de diferentes grupos políticos de que, por sua honradez, era o único nome de consenso. Não participou da campanha eleitoral, não fez promessas nem se envolveu em composições políticas para a escolha dos conselheiros municipais (vereadores).

E diria:

- Se a minha estada na prefeitura dependesse de plebiscito, talvez eu não obtivesse dez votos.

Fazendeiros poderosos desrespeitavam as terras dos vizinhos. Graciliano os enquadrou. E promoveu demissões para ajustar sua equipe e teve superávit de quase 20% nos dois anos em que foi prefeito.

Sobre o Código de Posturas

Era um mundo governado pelo bacamarte, mas ele pôs em vigor um Código de Posturas que igualava pobres e riscos, impedia a venda de carne estragada, cobrava impostos de pecuaristas mal-acostumados. Um destes, que também era conselheiro municipal, cargo equivalente ao atual de vereador, foi cobrar-lhe explicações, dizendo que nunca vira semelhante desproposito. Graciliano respondeu que convinha pagar logo o tributo, ou seria acrescido de multa. A lei existia, explicou, e até o reclamante era um dos que a haviam subscrito:

- Não tenho culpa de você ser burro e assinar papel sem ler.

Para finalizar, ainda do texto de José Luiz:

- É improvável que nos próximos anos – 70 ou mais – a literatura brasileira produza muitos outros exemplares da espécie de Graciliano Ramos. Já a política brasileira, essa nem parece interessada.

ENQUANTO ISSO…

23 novembro (1)

Enviado por babbocamargo, 21/11/14 7:58:07 PM

Demorou, mas, finalmente, a capoeira de roda vai ser reconhecida como Patrimônio Cultural da Humanidade pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).

Dança, luta, um símbolo de resistência. Na semana que vem, em Paris, o Comitê Intergovernamental para a Salvaguarda do Patrimônio Cultural e Imaterial da Unesco anunciará sua decisão.

Sobre capoeira, professor Afronsius citou um filme: O Homem do Sputnik, 1959, de Carlos Manga, com Oscarito, Alberto Peres, César Viola, Cyll Farney, Jô Soares, Neide Aparecida, Norma Bengell, Oscarito e Zezé Macedo. Resumindo: o Sputnik cai no Brasil, em plena guerra fria. E provoca uma corrida de espiões, das duas potências. O satélite soviético vai parar nas mãos de Anastácio Fortuna (Oscarito).

Lá pelas tantas, Cyll Farney, que faz o papel de Nélson, enfrenta Jô Soares, ele mesmo, que é american spy. Diante da malemolência do gringo, o brasileirinho recorre à da capoeira – e leva a melhor.

Já Natureza Morta optou por invocar Upa Neguinho, 1967, de Edu Lobo e Gianfrancesco Guarnieri, na voz de Elis Regina, é claro. E tascou o vinil na radiola:

Upa neguinho na estrada

Upa pra lá e pra cá

Vigi que coisa mais linda

Upa neguinho começando a andar

Upa neguinho na estrada

Upa pra lá e pra cá

Vigi que coisa mais linda

Upa neguinho começando a andar

Começando a andar, começando a andar

E já começa a apanhar

Cresce neguinho me abraça

Cresce me ensina a cantar

Eu vim de tanta desgraça mas muito eu te posso ensinar

Capoeira, posso ensinar

Ziquizira, posso tirar

Valentia, posso emprestar

Liberdade só posso esperar

Beronha elogia e reclama:

- Excelente, mas, pombas, este nosso blog é mudo, não tem som…

ENQUANTO ISSO…

22 novembro (1)

 

Enviado por babbocamargo, 20/11/14 8:39:44 PM

O que seria da gente sem o delivery? Diante da pergunta de Natureza Morta, professor Afronsius foi obrigado a confessar:

- O caos, mas eu fui obrigado a dispensar tal serviço. Culpa do Schnaps.

E explicou: o pessoal que trabalha como motoboy é ótimo, demonstrando muita perícia e coragem para enfrentar o trânsito. Faça chuva ou faça sol. Mas, assinante de um jornal, observou uma paulatina mudança de humor de Schnaps. Schnaps vem a ser o seu cãozinho de estimação. Apesar do tamanho – quase uma baleia – e do peso.

Como é criado solto no quintal e no jardim, Schnaps passou a latir feito um endemoninhado pela manhã, momentos antes da passagem do motoboy.

Para elucidar o mistério de premonição canina, deu uma de Sherlock Holmes, ou, na versão brasileira, Berloque Xolmes.

- O eficiente motoboy, ou motobói, passava pela rua em velocidade e ia atirando as encomendas com uma pontaria incrível, sem parar. Depois, bastava ao morador ir ao jardim, quando quisesse, e apanhar os pacotes plásticos.

Ocorre que, conforme depoimento de um vizinho, de certa feita, quando do lançamento do embrulho, atingiu Schnaps. Na cabeça.

- Ainda bem que não era a edição de domingo. Volumosa.

Daí a bronca do cachorro, que passou a uivar cada vez que ouvia o barulho de uma moto que se aproximava.

De qualquer modo, professor Afronsius viu-se obrigado a concordar com Beronha:

- Esse motoboy, ou motobói, está na profissão errada. Daria um excelente cestinha na seleção brasileira – garantiu nosso anti-herói de plantão.

ENQUANTO ISSO…

21 novembro (1)

Enviado por babbocamargo, 19/11/14 7:40:43 PM

Segundo a BBI – Briosa, Brava e Indormida Imprensa -, o robô Philae estudou por 60 horas o cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko. E, alvíssaras!, encontrou na superfície do cometa “uma grande quantidade de gelo”.

Ao saber da descoberta, Beronha também comemorou:

- Tem gelo? Ótimo, genial! Então, basta levar a cerveja! É pra lá que eu vou!

Único probleminha, segundo professor Afronsius e Natureza Morta:

- Para chegar lá, você terá de percorrer 400 milhões de quilômetros da Terra. Ou, seguindo o roteiro do Philae, fazer uma viagem de 6 bilhões de quilômetros pelo espaço, durante 10 anos,  e de carona na sonda Rosetta, que desembarcou o Philae no cometa.

É meio complicado, admitiu nosso anti-herói de plantão, que decidiu optar pelo Bar VIP da Vila Piroquinha:

- Bem mais perto. E não precisa levar a cerveja.

ENQUANTO ISSO…

20 novembro (1)

Enviado por babbocamargo, 18/11/14 8:29:34 PM

No mais recente dedo de prosa junto à cerca (viva) da mansão da Vila Piroquinha, Natureza Morta quis saber do professor Afronsius se ainda existe bolacha Maria.

- Não faço ideia.

- E enceradeira?

- A última vez que ouvi falar em enceradeira foi quando do lançamento da enceradeira industrial…

De qualquer modo, sobre a bolacha Maria, disse ter lido que ela surgiu em 1874, por obra e graça de um padeiro inglês. Salvo engano, para os festejos de casamento da grã-duquesa Maria Alexandrovna, da Rússia, com o Duque de Edinburgo.

Quanto às enceradeiras, foram aposentadas até pela cera de brilho instantâneo, para não falar dos novos pisos, os, outrora, assoalhos. Aliás, também tiveram fim a caixinha de costura, o rolo de macarrão e a sacolinha de crochê, sempre bem guardados em algum ponto da casa?

Beronha mete a colher e põe a enceradeira novamente em campo:

- Sucesso mesmo foi o Zinho enceradeira. Na Copa de 1994, Zinho foi titular absoluto no meio-campo de Carlos Alberto Parreira. Mas, preso ao esquema de marcação, sem poder avançar para o ataque, recebeu muitas críticas por ficar girando num espaço limitado. Com a conquista do tetracampeonato, muita gente teve que engolir suas críticas. Ou varrer as críticas para baixo do tapete. Com vassoura – arrematou nosso anti-herói de plantão.

Mas, aproveitando a sessão nostalgia, quis saber se ainda tem uso o chá de arnica, o chá de boldo, o emplastro Sabiá, a Emulsão de Scott – com o terrível óleo de fígado de bacalhau – e o chá de losna.

Diante do silêncio sepulcral, deu tchau e se mandou.

- Está na hora de ouvir o Repórter Esso.

ENQUANTO ISSO…

19 de novembro

 

Enviado por babbocamargo, 17/11/14 8:30:08 PM

Beronha, nosso anti-herói de plantão, não concorda, mas há certas ocasiões em que frequentar um boteco (a contento) é impraticável. Dia de Atletiba, por exemplo, com transmissão pela TV. Mas há outras circunstâncias, quando aparece o cliente chamado gangorra: quando ele desce o tundá, a turma do outro lado levanta. E sai de fino.

Dia desses, no Bar VIP da Vila Piroquinha, apareceu um cabôco que não parava de falar. Pior, falava com o dom da verdade, ou como “proprietário exclusivo da verdade, um latifúndio totalmente improdutivo”.

Sem que ninguém tivesse perguntado, começou a falar de sua última viagem.

- Estive no Mato Grosso do Sul. Pescaria. Uma beleza. Já marquei outra viagem, agora para conhecer o Mato Grosso do Norte

Aí, professor Afronsius, recordando passagem do livro autobiográfico Meu Último Suspiro, 1982, de Luís Buñuel, citou uma passagem. Ao fazer uma radiografia do cliente de boteco, Buñuel diz que ele, o dito cujo cliente de boteco, é movido por dois objetivos:

- Participar de uma peña, algo como um alegre e barulhento reencontro com amigos, ou simplesmente ficar bebendo e olhando, tal qual um guru de monastério, para a parede.

- É, mal comparando, o meu caso, o de cada vez mais guru de monastério – arrematou professor Afronsius.

ENQUANTO ISSO…

18 de novembro

Enviado por babbocamargo, 16/11/14 8:35:22 PM

Tropeiros nos preparativos para nova marcha, conforme a ordem emanada do historiador Carlos Roberto Solera. Na segunda quinzena de abril de 2015, teremos o Encontro Nacional – Tropeirismo na Serra Catarinense, “na pequena e aconchegante Urupema, capital estadual da truta”.

- Por que no mês de abril?

- É tempo de chegada do papagaio-charão, espécie em extinção, ave migratória que vem dos campos platinos e gaúchos em busca de alimento e acasalamento. Tornou-se um ritual. Quando as araucárias estão prontas para oferecer-lhe a dádiva maior – o pinhão -, os moradores da cidade já escutam a algazarra dos bandos. Segundo pesquisa, 22.000 aves ali se hospedam de abril a agosto. Também no mês de abril é época da colheita da maçã, goiaba serrana e da nativa erva-mate das florestas de araucárias.

Muito a ver e aprender

A cidade, em região considerada uma das mais frias do país, oferece uma série de atrativos.

O visitante pode se debruçar sobre a murada da ponte em pleno centro da cidade e, nas águas límpidas do rio que vem da cascata que congela, ver a truta arco-íris.

Mais: conhecer o Morro das Torres (1.750 m de altitude) e, dali, ter uma visão panorâmica da região. Os costumes da lida campeira, torneios de laço, tropeadas, festivais e bailes gauchescos, o projeto Medicamentos Fitoterápicos da Saúde Municipal, o Centro de Tradição Gaúcha Nordeste de Urupema, corais, os orgânicos do Berçário das Araucárias, além da hospitalidade dessa gente serrana são motivos mais do que suficientes para a realização do Encontro Nacional Tropeirismo na Serra Catarinense.

Há que se destacar, também, a marcante presença do Instituto Federal de Santa Catarina – Campus Urupema -, que oferece uma grade de cursos profissionalizantes e, a partir de 2015, o curso superior de enologia. Urupema teve como nome inicial Povoamento de Santana – uma das santas protetoras dos tropeiros.

Já o papagaio-da-serra, papagaio-charão ou simplesmente charão, é um papagaio que circula do estado de São Paulo ao norte da Argentina, em regiões onde existe o Pinheiro do Paraná, de cujas sementes se alimenta.

Portanto, todos convidados.

ENQUANTO ISSO…

17 de novembro

 

Enviado por babbocamargo, 15/11/14 10:08:55 PM

Talvez – um talvez, certamente um talvez bem distante – a corrida de pelados em Porto Alegre tenha causado algum espanto e, até, indignação, mas, certamente, escândalo mesmo ocorreu no Rio de Janeiro em 1948: moças de biquíni.

Está lá, no livro 80 Anos de Brasil, da Souza Cruz, 1983.

Tumulto:

Moças de biquíni!

- Três moças argentinas causaram o maior furor numa tarde de 1948, na praia de Copacabana, no Rio, em frente ao importante Copacabana Palace. Todo mundo parou para ver. As moças estavam lançando uma nova moda: era o maiô de duas peças!

Duas peças muito bem comportadas, que escondiam quase totalmente as formas e só deixavam (quando deixavam) aparecer o umbigo. Na verdade, as três argentinas estavam lançando o precursor do biquíni.

Mesmo assim foi um escândalo. A parte de baixo era semelhante a um calção e a parte de cima era bem fechada, encorpada, deixando apenas entrever o início da curvatura dos seios. Aos poucos ele foi sendo adotado pelas cariocas, depois de muita polêmica, e logo se transformou em moda. Era mais uma barreira que caía.

- Não tem foto? – interessou-se Beronha.

- Não. Só texto.

Mas o biquíni pegou, virou moda e abriu caminho para o monoquíni. Quanto à nudez explícita que campeia hoje em dia, resta aguardar.

- Ou temer pela falência do setor de vestuário – segundo Natureza Morta.

Já o nosso anti-herói de plantão, pensando outra coisa, voltou à carga:

- Espero que, Porto Alegre, tenha sido uma prévia do que será o Carnaval no Rio… Quanto as moças (?) peladonas, desejo, no mínimo, que sejam a próxima capa da revista Playboy.

Aliás, ainda existe a Playboy?

 

ENQUANTO ISSO…

16 de novembro

 

Enviado por babbocamargo, 14/11/14 8:47:20 PM

O petróleo é nosso. Pelo menos, bate na madeira, até agora. E olha que a conquista não foi fácil. Mesmo assim é preciso estar permanentemente alerta contra os inimigos internos e externos, sempre solertes, tanto ontem como hoje.

A propósito, depois da convocação, professor Afronsius, para refrescar a memória de muita gente, citou outra guerra. A guerra do café solúvel, título, aliás, de um livro de Hélio Duque, o combativo cidadão, deputado federal (1978-1991), doutor em ciências pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) e autor de vários trabalhos sobre a economia brasileira.

Na abertura de A Guerra do Café Solúvel, editora Leitura, janeiro de 1970, Duque cita John Foster Dulles:

- Uma nação não tem amigos: tem interesses.

Sem medo do AI-5

Em 1967, conta Hélio Duque, Horácio Coimbra, proprietário da Companhia Cacique Café Solúvel, de Londrina, era presidente do IBC – Instituto Brasileiro do Café. Era. Perdeu o cargo por conta da pressão norte-americana para que o Brasil não passasse de mero exportador de café (café? só em grão) a exportador de café solúvel.

Mesmo com o AI-5 em plena vigência, em 1970 o então deputado Helio Duque denunciou o caso do “protecionismo infamante”. Afinal, a simples transformação do café para solúvel, incluindo mais trabalho no valor do produto, já era “um elemento de combate ao subdesenvolvimento”.

Detalhe: o café industrializado vale 20 vezes mais do que o produto em grão.

Rompendo barreiras, sempre

Hélio Duque voltaria ao assunto em maio de 2007:

- No passado, o café foi a riqueza instrumentalizadora da industrialização brasileira. Por mais de um século respondeu por dois terços do total das exportações nacionais. De meados do século XIX até a década de 60 do século XX, a economia cafeeira foi o pólo dinâmico responsável por um crescimento integrador de vastas áreas do território brasileiro. Do Paraná e São Paulo a outros estados.

- No mundo globalizado o protecionismo e a geração de barreiras tarifárias vem sendo uma prática comum utilizada pelos países desenvolvidos. Agora é um bloco econômico com mais de duas dezenas de nações que impõe essa prática nociva contra os países em desenvolvimento. Aceitar sem luta essa prática é deixar o caminho aberto para a sua ampliação, em detrimento dos interesses e do desenvolvimento nacional.

Professor Afronsius, em comentário à margem, ou, mais apropriadamente, à beira-mar: depois de vencida em terra, a nova batalha do petróleo é nosso já vem sendo travada: em gabinetes aqui e acolá, e a até 8 mil metros abaixo do nível no mar. No pré-sal, por supuesto.

ENQUANTO ISSO…

15 de novembro

 

Enviado por babbocamargo, 13/11/14 8:36:17 PM

Leitor assíduo desde o primeiro número da Revista de História da Biblioteca Nacional, novembro de 2003, professor Afronsius não se conteve: passou a recomendar, de modo especial, a edição deste mês da RHBN, que vai fundo, e seriamente, na questão das drogas.

O professor Henrique Carneiro, da Universidade de São Paulo e autor de Bebida, Abstinência e Temperança na História Antiga e Moderna (Senac-SP, 2010), por exemplo, ensina que “o fascínio da humanidade por sustâncias psicoativas vem dos rituais xamânicos da Antiguidade e chega à indústria farmacêutica atual”. Sic.

Por dentro da História

Para a edição do Dossiê Drogas, a historiadora Nashla Dahás reuniu estudiosos do tema, “abordando aspectos que vão do quase universal uso de substâncias alteradoras de percepção aos diversos sentidos que atribuímos a elas ao longo do tempo”. E aí entram tabaco, a cachaça e os poucos visados cacau e amendoim…

Na Carta do Editor, Rodrigo Elias destaca que, séculos depois do pito do pango, “é mais do que hora de refazer o caminho e começar a nos desarmarmos em relação ao tema drogas – a começar pelo estado de espírito”.

Beronha, depois de ouvir a peroração do professor Afronsius, não se conteve:

- Mas o que vem a ser o tal pito do pango?

- Maconha.

- Eu, hein, cruz credo, tô fora…

A saída foi emprestar o exemplar na RHBN. Sob a solene promessa do boas de volta.

- Leia na página 23 o artigo “Uso se branco, abuso se preto”, do professor Lucas Avelar, da Universidade Estadual de Roraima, autor da dissertação A moderação em excesso: estudo sobre a história das bebidas na sociedade colonial (USP, 2010).

- Leia e devolva – reforçou.

Lá, nosso anti-herói de plantão deverá ficar sabendo que na América Portuguesa, durante todo o período colonial, as “drogas” (isso mesmo, entre aspas) “foram estimuladas ou proibidas ao sabor de seus benefícios ou riscos sociais”.

- No Rio de Janeiro, o Código de Posturas de 1830 proibia a venda e o uso do pito do pango, prevendo multa de 20$000 para o vendedor; “e três dias de cadeia para os escravos e mais pessoas que dele usarem”. Em 1854, o novo Código aumentou para oito dias de prisão a pena para “escravos e mais pessoas”. Começando, é claro, pela turma da senzala. Casa grande é outro departamento.

Cigarro, produto obrigatório

E, antes de acender o seu Muratti Rossointernational brand, professor Afronsius citou o cigarro, que, “para espantar o tédio, encorajar, consolar ou promover companheirismo”, virou produto obrigatório para as tropas nas Grandes Guerras.

- Tanto que os acampamentos das tropas americanas eram lembrados pelos nomes das marcas: Campo Pall Mall, Campo Chesterfield, Campo Lucky Strike e Campo Philip Morris.

ENQUANTO ISSO…

14 de novembro

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