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Enviado por babbocamargo, 01/09/14 9:04:51 PM

Na busca desesperada de votos, como se sabe, vale tudo. Foi o que constatou, com uma certa surpresa, professor Afronsius. Ao dar sua tradicional caminhada pelo bairro, a certa altura deu de cara com um decalque, afixado no vidro dianteiro de um carro estacionado.

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Ficou encucado. Só mais tarde, ao dirigir seu possante Fusca 66, conhecido na vizinhança como Stallone, homenagem ao ator Sylvestre Stallone, que, a bem da verdade, se chama Michael Sylvester Gardenzio Stallone, isso mesmo Gardenzio, matou a charada.

Ao ver pelo retrovisor que se aproximava uma ambulância, deu passagem ao veículo, que, tradicionalmente, traz bem visível o alerta: aicnâlubma – aicnâlubma que, na imagem invertida no espelho, vira ambulância.

- Já estão usando até a linguagem do espelho para garimpar votos nos engarrafamentos do trânsito curitibano.

Natureza Morta concordou. E, sem recorrer ao espelho, decifrou o decalque de propaganda eleitoral:

- Vote Múmia – 13-13-13.

Beronha:

- Eu não voto em múmia, nem seco, molhado ou invertido. Mas vou aproveitar o número como palpite no bicho que corre às 6 da tarde. E não falha.

ENQUANTO ISSO…

2 setembro

Enviado por babbocamargo, 31/08/14 8:07:38 PM

Sinal dos tempos. Ou, como prefere professor Afronsius, sinal do fim dos tempos. É que, de passagem pelo Bar VIP da Vila Piroquinha, o que mais ouviu no início, meio e fim das conversas foi “eu vi na internet que…”

- Eu vi na internet, nunca eu li na internet.

Talvez por isso os constantes desencontros na informação. O famoso “pegou o recado na escada”. Ou seja, tudo na base da orelhada, do ouvi dizer. Na hora de dar o recado, o efeito pode ser catastrófico mesmo quando de mensagem positiva.

Não que, até o advento da internet e das ditas mídias sociais, a informação fosse totalmente confiável, segura. Basta lembrar um episódio do século XIX, envolvendo o Imperador Pedro II. Retornando de viagem, desembarcou no porto do Rio de Janeiro. Como havia machucado a perna, precisava de auxílio para andar.

Um dos jornais, diário dos mais influentes, noticiou que “o Imperador desceu do navio apoiado em duas maletas”.

No dia seguinte, publicou a errata:

- O imperador desceu do navio apoiado em duas mulatas.

ENQUANTO ISSO…

1 setembro

Enviado por babbocamargo, 31/08/14 12:41:53 PM
Enviado por babbocamargo, 30/08/14 9:08:15 PM

Cada um na sua. Do dito guardador de carro ao catador de papel, passando pelo revendedor de folhas do EstaR e o cambista de moedas, é preciso madrugar e defender com unhas e dentes o seu pedaço. E alguns trocados. Como tudo é reflexo da sociedade, há quem fature mais explorando o trabalho alheio.

Assim, do gato que arrebanhava trabalhadores no campo, os chamados boias-frias, chegamos, inevitável, ao gato urbano.

Privatizando a via pública

Um desses boias-frias do asfalto mora no Boqueirão, mas trabalha no Juvevê, nas ruas próximas a um hospital. Virou guardador de carros. Isso em ponto privilegiado pelo movimento de veículos. Para não perder o espaço, disputadíssimo pelos colegas, é obrigado a amanhecer no pedaço. Assim, quem o traz (ou arregimenta) numa velha Kombi é o malandro federal, gato moderno. Que não traz só ele. Outros guardadores credenciados vão descendo em locais de propriedade exclusiva. Bobeou, dançou, perdeu o ponto.

- Pode deixar, eu cuido do carro, doutor! Tudo limpo!

Do talão que não vale 1 milhão

Já o revendedor de EstaR é explorado por quem adquire em quantidade os talões de estacionamento e repassa os ditos cujos para venda, ou revenda, folha por folha, acima do preço. No fim da jornada, presta contas. O grosso do faturamento fica com o patrão; sobram alguns trocados para o empregado sem vínculo.

Em algumas estações tubo, fim do expediente parte, das moedas é substituída por dinheiro papel. As moedas vão socorrer o pequeno comércio, onde ajudam a resolver o problema da falta de troco. O cambista é ressarcido, mas há, evidentemente, uma especie de bônus. Nos bares, ou em alguns bares, um aperitivo e um salgadinho. Na faixa, por supuesto.

O catador de papel, puxando carrinho ou não, também é obrigado a defender seu território. Principalmente de concorrentes que, ao menor descuido, atacam seu depósito, geralmente reduzido a um cantinho sob a marquise de um prédio.

- Ei, brother, isso tem dono!

“Atire uma moeda”

A propósito de sobrevivência, professor Afronsius citou um documentário de 1960: Tire Dié, “atire uma moeda”, de Fernando Birri. Apontado como o criador do Cinema Novo argentino, Birri mostra o drama de moradores da periferia de Santa Fé, nos anos 1950, quando a Província atraía o grande capital em investimentos industriais. De uma vila campesina muito pobre saem crianças para, junto aos trilhos, acenar aos passageiros do trem e pedir que joguem alguma moeda.

“Sem nada em suas mãos para trocar pelo dinheiro, correm apenas com um grito na goela sedenta, pedindo para que os passageiros lancem uma moeda”, como bem destacou um crítico de cinema.

ENQUANTO ISSO…

31 agosto (2)

Enviado por babbocamargo, 29/08/14 9:11:14 PM

Pode parecer estranho, ou puro masoquismo, mas professor Afronsius não perde a propaganda eleitoral. E, caso necessário for, explica essa obstinação:

- Fiquei mais de 20 anos à espera do reencontro com as urnas, o voto direto. Subtraíram décadas de minha cidadania, e isso eu não perdôo. Aliás, levei até borrachadas da polícia, na rua, com a UNE. Não abro mão do meu sagrado direito ao voto.

E tem na ponta da língua o comentário de Winston Churchill:

- Ninguém pretende que a democracia seja perfeita ou sem defeito. Tem-se dito que a democracia é a pior forma de governo, salvo todas as demais formas que têm sido experimentadas de tempos em tempos.

Natureza Morta concorda em número, gênero e grau – e título de eleitor. Apesar dos engazopadores de sempre, prefere a arma do voto para o rodízio no poder. A propósito de engazopadores na política atual, a questão é, por supuesto, antiga, muito antiga, de milênios. Basta ver um tal de Chnemhotep. No Egito Antigo, conforme o livro História da Arte, de E. H. Gombrich, ele não deixava por menos, até porque não era escolhido por votação da patuleia. Era nomeado. A ficha, ou cartão/papiro intimidatório do dito cujo:

Chnemhotep  

Administrador do Deserto Oriental, Príncipe de Menat Chufu, Amigo Confidencial do Faraó, Conviva Real, Superintendente dos Sacerdotes, Sacerdote de Horo, Sacerdote de Anúbis, Chefe de Todos os Segredos Divinos e Mestre de Todas as Túnicas.

De certa forma, com a devida distância do tempo, lembra alguns dos nossos candidatos às eleições de outubro.

ENQUANTO ISSO...

30 agosto (3)

Enviado por babbocamargo, 28/08/14 8:06:20 PM

Não deve ser privilégio de um só boteco o chamado cantinho da farmácia.

- Cantinho da farmácia?

- Sim, cantinho da farmácia. Onde só tem xarope.

Embora também se considere um xarope (afinal, “a autocrítica sempre prevalece”), professor Afronsius gostou da informação que lhe foi passada no Bar VIP da Vila Piroquinha. E, com ela, a prova, visível e audível: um cabôco visivelmente irritado com o papo furado na mesa ao lado. Furado e em voz alta. Quase megafone.

Ele, o cabôco, simplesmente pretendia acompanhar o jogo de futebol na TV tomando uma bem gelada. Não era possível. A todo instante era instado a responder coisas descabidas e obrigado a ouvir os mais mirabolantes comentários. Os assuntos iam da política de Obama para o Iraque ao dinheiro do vizinho (“ele ganhando por mês 15 mil real“) e o cartão transporte em Curitiba.

Tudo em tom professoral, ou, como diz Mino Carta, aquelas pessoas que “falam com o dom da verdade”.

Tratado Geral dos Chatos

Xarope, chato de galocha, gangorra (quando ele senta você levanta), mala, maçante e por aí vai. Os adjetivos proliferam. Tanto que chato ganhou espaço no Dicionário do Aurélio, com direito a mais um verbete – maçante.

O assunto, sem ser chato ou maçante já sendo, chegou a merecer um estudo profundo, de fôlego. Tratado Geral dos Chatos, 1962, livro de Guilherme Figueiredo. Nele, o irmão do general João Figueiredo monta até um painel com catálogo dos tipos de chatos, do catalítico ao logotécnico.

E é definitivo ao provar que o problema é para sempre, já que ”os chatos não se chateiam”.

Mas, isto posto, é melhor ir ficando por aqui, seguindo o conselho do professor Afronsius.

- Está parecendo uma roda gárrula. Ou tagarela, a quem assim o preferir.

ENQUANTO ISSO…

29 agosto (2)

Enviado por babbocamargo, 27/08/14 8:18:01 PM

27 de agosto de 1999. Aos 90 anos, morria dom Hélder Câmara. Bispo, arcebispo emérito de Olinda e Recife, um dos fundadores da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Único brasileiro indicado 4 vezes para o Prêmio Nobel da Paz. Durante a ditadura civil-militar de 64, foi duramente perseguido. Embora nunca tenha aceitado o marxismo, era chamado de “bispo vermelho” e “padre de passeata”. Em setembro de 1970, a censura proibiu qualquer notícia a respeito dele.

Viver é perigoso

A propósito, professor Afronsius lembrou que dom Hélder, cearense de Fortaleza, defendia uma Igreja simples, voltada para os pobres e à não-violência. Por sua atuação, recebeu diversos prêmios nacionais e internacionais

Mas, para ver como são as coisas, em 1932, a convite de Plínio Salgado, ingressou na Ação Integralista Brasil (AIB), a versão tupiniquim do nazi-fascismo. E chegou a ser ativo divulgador do movimento, cuja saudação, e não só no gestual e no grito, remetia a Mussolini e Hitler – era Anauê. O lema dos integralistas: Deus, Pátria e Família.

Anauê, que virou o nome da revista editada pela AIB, seria um vocábulo calcado da língua tupi. Uma saudação do tipo “Você é meu irmão”. Por causa dos uniformes, os garbosos e geralmente barrigudos integralistas passaram a ser chamados de camisas verdes – ou, alvos de pilhérias, de galinhas verdes. Eles se identificavam erguendo o braço direito, mão espalmada, bradando “Anauê”.

Embora marcado por sua “malfadada passagem pelo integralismo”, como apontou um historiador, dom Hélder jamais ingressou na política partidária.

Sua opção era bem outra.

- Quando dou comida aos pobres, me chamam de santo. Quando pergunto por que eles são pobres, me chamam de comunista e subversivo.

ENQUANTO ISSO…

28 agosto (2)

Enviado por babbocamargo, 26/08/14 7:58:47 PM

Consta que ela foi inventada na China, para banir o caos do trânsito de veículos. No Brasil virou rotatória, enquanto em Portugal é rotunda e, em Angola, bolacha. Mas, conforme o estado brasileiro, pode ser chamada de balão, círculo, rótula, redondo, joelho e até de queijinho.

Não importa, o que importa é que, por aqui, com o passar do tempo, a rotatória passou de solução para a categoria de (mais um) problema. Tanto que, cansado de enfrentar a rotatória da Rua Deputado Mario de Barros com a Marechal Hermes, ao lado do Palácio Iguaçu, um motorista amigo do professor Afronsius não deixou e não deixa por menos:

- Pela manhã e no fim da tarde, o fluxo de veículos é intenso, impactante (sic), vindo de todos os lados. E empaca. Vira teste de resistência. E de paciência. Ou seja, é preciso instalar, e com urgência, um sinaleiro bem grandão na rotatória.

Professor Afronsius:

- Já que, época de eleições, chovem promessas de todos os tipos, a maioria irrealizável, fica a sugestão. Semáforo nas rotatórias.

ENQUANTO ISSO…

27 agosto (2)

Enviado por babbocamargo, 25/08/14 8:34:51 PM

A dica saiu no jornal Zero Hora: Viva o Centro a Pé. Um roteiro para conhecer Porto Alegre, no pé dois, é claro. Vale a pena, como assina embaixo professor Afronsius, que conserva vivas lembranças, principalmente do Gasômetro. Mas, no caso, teve que explicar:

- Gasômetro. É o prédio da antiga usina termelétrica do Gasômetro. Inaugurado em 1928, abrigava a Companhia Brasil de Força Elétrica, subsidiária da Eletric, Bond & Share Co., empresa (por supuesto) americana que geriu a eletricidade e o transporte elétrico de Porto Alegre até 1954. Recebeu o nome de Gasômetro devido à proximidade com a antiga Usina de Gás de Hidrogênio Carbonado, que fornecia gás destinado à iluminação pública e abastecimento de fogões. A chaminé de 107 metros foi construída em 1937, para amenizar os problemas causados pela fuligem. A usina foi desativada em 1970. Mais tarde, após passar por reformas, foi tombada e transformada em centro cultural. Um lugar belíssimo.

E um dos pontos mais privilegiados para ver o pôr do Sol no Guaíba.

- Ótimo. Mas, outra dica importante para ver o entardecer no Guaíba é trocar a caminhada por um passeio de barco…  Ou seja, substituir o pé dois por uma suave embarcação.

ENQUANTO ISSO…

26 agosto (2)

PS: em russo.

 

Enviado por babbocamargo, 24/08/14 7:53:14 PM

Sobram candidatos e escasseiam as sacadas inteligentes na propaganda eleitoral. Inteligentes até porque de baixo custo. Um exemplo de tirada genial foi aquela que anunciava:

- Não vote em branco.

Vote colorido.

E aí vinha o nome do candidato – Zé das Cores.

Paralelamente, determinados assuntos são explorados à exaustão. Combate ao crime, aos corruptos e às drogas. Não que os possíveis futuros representantes da sociedade não devam abordar esses temas, mas o traço de oportunismo é evidente.

Aí, professor Afronsius e Natureza Morta lembraram a campanha que transformou um delegado federal em deputado. Federal, é claro. Como foi registrado na época, abundavam cartazes por Curitiba usando, com destaque, foto de um traficante. A mensagem, ou ameaça: “Só o homem que prendeu Abadía pode vencer o crime”.

Não poucos eleitores fizeram um reparo, sem diminuir, por supuesto, o trabalho do policial. Afinal, um servidor público. Ocorre que a propaganda creditava somente a ele, o delegado, a grande proeza. É claro e evidente que quem pegou notório traficante foi a corporação Polícia Federal – e não apenas um de seus integrantes.

Ainda sobre o encontro marcado com as urnas, Beronha não abre mão de uma antiga decisão: para evitar transtornos, só vota em trânsito. Pode ser trânsito lento, trânsito engarrafado ou trânsito louco… O fundamental é que seja engarrafado, sempre.

ENQUANTO ISSO…

25 agosto

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