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Enviado por admin, 24/06/12 7:30:00 AM

Aprendendo duplamente

O que é, o que é… Rosto adusto. Noctâmbulo. Zelote. Arrimar… Quem se habilita? Certos livros têm essa capacidade, a de remeter os interessados a uma leitura paralela, a do dicionário. Mas vale a pena. Não se trata de livro de medicina ou de mecânica quântica.
Dessa maneira, sem esconder o entusiasmo, o professor Afronsius contou, no dedo de prosa junta à cerca (viva) da mansão da Vila Piroquinha, que tinha lido “1961 – O Golpe Derrotado – Luzes e sombras do Movimento da Legalidade”, do jornalista Flávio Tavares, L&PM Editores, que teve a segunda edição lançada no mês passado.
O professor Afronsius não leu, propriamente, devorou, não literalmente, as 231 páginas em duas noites seguidas.
- É livro em que você mergulha e só volta à tona no fim da última linha que traz o ponto final. E lamenta.

Pelas liberdades democráticas

Flávio Tavares é autor de outro livro fundamental para entender os sobressaltos institucionais das últimas décadas, cujo ápice foi o golpe civil-militar de 1964: “Memórias do Esquecimento – Os segredos dos porões da ditadura”, Editora Record, 2005 (quinta edição).
Aí, Natureza Morta aproveitou para incluir na lista de imperdíveis “Abaixo a Repressão! – Movimento estudantil e as liberdades democráticas”, dos jornalistas Ivanir José Bortot e Rafael Guimaraens, 2007, da Libretos, também de Porto Alegre, como a L&PM.
- Ivanir foi presidente do DCE/PUC-RS no final da década de 70. Como jornalista, atuou como repórter da Folha de S. Paulo e da Gazeta Mercantil. Na Gazeta, foi também secretário e chefe de redação. Em 1997, exerceu o cargo de diretor do jornal para os três estados do Sul.
No livro, ele e Rafael contam a história da resistência à ditadura militar, do ponto de vista do movimento estudantil gaúcho. Um painel que abrange o período do AI-5 até a Anistia e a reorganização partidária, “num somatório de dramas e conquistas que definiria o país das próximas décadas”.
- Esse eu conheço: tem café no bule! – interveio Beronha.

O segundo tiro

Voltando ao Tavares: o jornalista participou de corpo e alma dos movimentos de resistência organizados pelo governador Leonel Brizola, no Palácio Piratini, em defesa da posse de Jango, o vice-presidente. Jânio Quadros tinha renunciado – ou foi renunciado. Com um tresoitão na cinta, Tavares foi à luta, enquanto o companheiro Brizola mantinha pendurada no ombro uma metralhadora INA (Indústria Nacional de Armamentos, para quem não sabe).
Brizola, pela Rede da Legalidade (o rádio era o grande veículo de comunicação), tinha anunciado aos golpistas que não daria o primeiro tiro. Mas, o segundo, seria seu.
- Uma resistência popular bem-sucedida. Diante da corajosa reação civil, os militares recuaram.

Está faltando algo

Mas, afinal, quis saber nosso anti-herói de plantão, o que é rosto adusto? Noctâmbulo? Zelote? Arrimar?
- Adusto: queimado, abrasado, enegrecido (descrição do rosto do general Machado Lopes, comandante do III Exército). Noctâmbulo: que anda de noite, sonâmbulo (o pessoal em permanente vigília). Zelote: membro de um partido judaico do tempo de Cristo que se opunha à dominação romana. Arrimar: pôr em ordem, apoiar-se, encostar-se (“nos arrimávamos na janela do palácio”).
No fim do bate-papo, o professor Afronsius, Natureza e Beronha não resistiram. Até porque também seria uma homenagem à jornalista Patrícia Antoniazzi Saldanha, de Caçapava do Sul, e ao violeiro Breno Saldanha Bortot, aniversariantes do fim de semana. E o trio atacou de “Ala pucha”, do Gaúcho da Fronteira:
Ala pucha tchê não se assustemo/
Que no perigo a bala vem nóis se abaixemo/
Ala pucha tchê não se assustemo/
Que no perigo a bala vem nóis se abaixemo.

ENQUANTO ISSO…


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