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Salmonelas

Enviado por benett, 12/09/16 11:59:58 AM

Charge de hoje na Gazeta do Povo

Desenho digital sobre foto do poster do filme O Exorcista, de 1973, de William Friedkin. Para muitos, incluindo este cartunista, o filme mais medonho de terror de todos os tempos.

Enviado por benett, 11/09/16 8:52:02 PM

“Caminharam pelas ruas envolvidos nos cobertores imundos. Ele levava o revólver na cintura e segurava o menino pela mão. No outro lado da cidade encontraram uma casa solitária num campo e atravessaram e entraram e caminharam pelos quartos. Depararam-se consigo num espelho e ele quase sacou o revólver. Somos nós, Papai, o menino sussurrou. Somos nós.”

***

“À noite ele acordou na fria escuridão tossindo e tossiu até o peito ficar em carne viva. Inclinou-se na direção da fogueira e soprou os carvões e colocou mais madeira e se levantou e afastou do acampamento onde a luz lhe permitia. Ajoelhou-se nas folhas secas e nas cinzas com o cobertor por cima dos ombros e depois de algum tempo a tosse começou a passar. Pensou no velho em algum lugar lá fora. Olhou novamente para o acampamento através da paliçada negra das árvores. Esperava que o menino tivesse voltado a dormir. Ficou ajoelhado ali respirando com dificuldade e baixinho, as mãos sobre os joelhos. Vou morrer, ele falou. Diga-me como eu faço isso.”

***

“Quando acordou novamente achou que a chuva tinha parado. Mas não foi isso que o acordou. Ele tinha sido visitado num sonho por criaturas de um tipo que nunca tinha visto antes. Não falavam. Ele achou que tinham estado agachadas ao lado do seu catre enquanto dormia e que tinham escapulido quando ele acordou. Virou-se e olhou para o menino. Talvez compreendesse pela primeira vez que, para o menino, ele próprio era um alienígena. Um ser de um planeta que já não existia. Cujas histórias em suspeitas. Ele não tinha como construir para o prazer da criança o mundo que tinha perdido sem construir também a perda e achava que talvez o menino soubesse disso melhor que ele. Tentou se lembrar do sonho mas não conseguiu. Tudo o que restava era a sensação. Pensou que eles talvez tivessem vindo avisá-lo. De quê? De que ele não podia acender no coração da criança o que eram cinzas no seu próprio. Mesmo agora alguma parte dele desejava que nunca tivessem encontrado aquele refúgio. Alguma parte dele desejava que tudo tivesse terminado.”

***

Trechos do fantástico livro A Estrada, de Cormac McCarthy. Ed. Alfaguara, 2006.

Enviado por benett, 08/09/16 12:26:08 PM

Enviado por benett, 08/09/16 12:11:21 PM

Importante estudo científico publicado pela British Medical Journal diz que a cada salsicha que enfiamos goela abaixo perdemos 15 minutos de nossas preciosas vidas. Provavelmente não foi levada em conta a salsicha do cachorro-quente do Teobaldo, em Ponta Grossa, que quando ingerida tirava a vida da pessoa em 15 minutos.

O estudo me levou a pensar que isso pode facilitar o trabalho de suicidas em potencial. Por exemplo, um sujeito de aproximadamente 40 anos, que tem mais uns 30 de vida pela frente, poderia perfeitamente se suicidar simplesmente comendo salsichas.

Se ele comer 4 salsichas por dia, ele terá perdido uma hora de vida. Se comer 96 salsichas, terá perdido 24 horas de vida. Se ingerir 35.040 salsichas, terá encurtado sua presença miserável nesse mundo em um ano. Portanto, se ele quiser tirar os trinta anos restantes de sua pesarosa existência, basta ele comer em um dia 1.051.200 salsichas que dará cabo definitivamente de sua vida. (Benett)

P.S. – Quantidade que, convenhamos, para algumas pessoas nem é tão absurda assim, se as salsichas vierem acompanhadas de ketchup e refrigerante.

 

Enviado por benett, 23/06/16 2:55:14 PM

Vocês já pararam para pensar nos Sete Anões? Sobre como pode, por exemplo… terem nascidos em uma família SETE irmãos ANÕES? Estatisticamente é mais provável nascer uma foca em uma família de sete irmãos do que todos nascerem anões. Lembrando que a história se passa no século XV ou XVI, por aí, a densidade demográfica na época deixa as probabilidades ainda menores. A não ser que… o fato de eles terem contato diário com alguma substância tóxica, mercúrio, por exemplo, tenha influenciado na genética da família e todos nasceram com nanismo. Mas precisaria que eles tivessem contato há muitas gerações para isso ter acontecido. E outra coisa: não consta que o mercúrio possa causar isso. Como explica a confiabilíssima Wikipedia:

“Geralmente quem foi intoxicado pelo vapor do mercúrio pode apresentar sintomas como dor de estômago, diarreia, tremores, depressão, ansiedade, gosto de metal na boca, dentes moles com inflamação e sangramento na gengiva, insônia, falhas de memória e fraqueza muscular, nervosismo, mudanças de humor, agressividade, dificuldade de prestar atenção e até demência. Mas pode contaminar-se também através de ingestão. No sistema nervoso, o produto tem efeitos desastrosos, podendo dar causa a lesões leves e até à vida vegetativa ou à morte, conforme a concentração.”

Talvez o Zangado seja assim por causa do mercúrio, o Dunga não fale por causa da demência causada pelo mercúrio e o Soneca sofra de narcolepsia também por culpa do contato com o produto tóxico. Agora, o caso desse nanismo em série na mesma família é uma excepcionalidade no universo de bilhões de pessoas que já passaram por esse planeta, como aquela família que tem pelos no rosto, no México, e aquela das pessoas que nunca dormiam, na Itália, será?

A minha teoria favorita é de que eles não são realmente anões. O biotipo deles não indica isso, o que leva os estudiosos a crer que os Sete Anões são, na verdade, Hobbits, uma vez que, nas versões mais antigas do conto, a Rainha Má enfeitiça Branca de Neve com a ajuda de um anel, e não uma maçã.

Porém… quem disse que eles são irmãos? Como assim, não são? O que são então? Vítimas de preconceito, anões se juntam para morar longe da cidade, onde sofriam bullying e corriam o risco de serem usados como atração bizarra pelos circos de horrores que abundavam na época. Pode ser… mas o que explica eles terem uma mina de ouro? Pode ser que o proprietário da mina só contratasse anões para poderem entrar nas fendas e crateras perfuradas no solo. Aí me parece mais plausível. No entanto, existe uma outra hipótese que é a de que eles foram transformados em anões pela Rainha Má e trabalham como escravos para o reino – uma espécie de “prisão de trabalhos forçados”. Porque, se eles são donos de uma mina de ouro… como explicar o fato de eles morarem numa espelunca como aquela? E não terem nem ao menos alguém para limpar a casa.

Os Sete Anões são machistas e pervertidos. Machistas porque esconderam Branca de Neve da Rainha Má com a condição de que ela limpasse a casa todos os dias… DE GRAÇA! E pervertidos porque… eles não iam enterrá-la (achavam que ela estava morta), pois decidiram colocá-la num caixão de vidro para “ficarem admirando sua beleza”. Hmmmm… me veio às narinas um cheiro podre de necrofilia. Enfim, essa história tá muito mal explicada, assim como a de Joãozinho e Maria e a Bruxa da Floresta, que produzia doces de forma esquizofrênica e ainda por cima era canibal. Além da péssima fama que as madrastas ficaram depois dessa história (na verdade ela e a bruxa são a mesma pessoa, não?). Mas isso fica para outro post.

 

Benett

 

Enviado por benett, 12/04/16 2:33:50 PM

O Paixão, chargista da Gazeta do Povo, tem uma máxima que diz “quando o país vai mal, o chargista vai bem”. Quanto mais escândalos, mais assuntos e, portanto, mais piadas. Vocês podem odiar o Lula, mas acho que o tempo em que mais me diverti desenhando charges -acredite, nem sempre é divertido- foi quando Lula se tornou presidente. Cada frase rendia umas cinco charges.

Ele reapareceu meio desesperado nesses últimos meses e, adivinhe… já fiz uma dúzia de desenhos.

Abaixo, algumas charges publicadas na Gazeta do Povo e na Folha de S. Paulo durante seu segundo mandato e o começo do governo Dilma.

01

Quando Lula lançou um livro falando sobre as realizações de seus dois mandatos

02

Quando reclamou que a imprensa só publicava notícias ruins do governo.

03

“Em nome da governabilidade”.

04

Sobre o fim da reforma da famosa estátua de Cristo, no Rio.

05

Não me lembro o contexto da charge, mas acho que essa é meio atemporal.

06

Lula internado para exames no coração, se revelara impaciente para voltar a percorrer o país inaugurando até casinha de cachorro.

07

A charge é autoexplicativa.

08

Do final do governo Lula, quando ele não sentava a bunda no gabinete nem por um minuto.

09

“O” Cara.

10

Lula vai à Cuba e se recusa a falar com dissidentes do governo Castro.

11

Uma das primeiras que publiquei na Folha.

12

Foi isso que os levou a cair, não?

13

Uma das minhas favoritas, a da inauguração do Museu do Lula.

14

Quem é coadjuvante na história?

15

O título diz tudo.

16

Acordos, conchavos, distribuição de cargo. Nada de novo no front.

17

18

19

Ele realmente disse isso. Sempre uso frases reais ditas por seus autores.

20

Uma foto que ficou famosa da esposa de Temer com seu nome tatuado na nuca inspirou essa charge.

21

Mais uma do Sarney, para não perder o hábito.

 

 

Enviado por benett, 09/04/16 12:09:46 PM
Snoopy, de Charlie Schulz na versão de Benett

Snoopy, de Charlie Schulz na versão de Benett

Querida Minha Dona,

Você sabe melhor do que ninguém que eu te amo mais do que tudo tudo tudo na vida. Nem aquela pessoa peluda e flatulenta, que dorme com você na nossa cama, te ama tanto quanto eu te amo. Ninguém da sua espécie faz a festa que eu faço quando você chega em casa. A alegria é tanta, mas tanta que eu pulo, lato, corro e lambo a sua cara inteira de orelha a orelha. Sabe o que é isso? Amor puro e incondicional. Tenho quase certeza que eu te amo mais do que a mim mesmo e ao pacote de ração. Se você for até a esquina comprar pão eu vou fazer a mesma festa de saudades que eu faria se você tivesse viajado para Timbuktu por um mês. Entende o que eu quero dizer?

Sabe, tem poucas coisas na vida que são essenciais para mim. Comer a sua comida, dormir no sofá e… você me levar para passear. Esse é o mais sagrado de tudo. Eu vivo para esse momento. Não vê a festa que eu faço quando você me mostra a coleira? É a melhor coisa da vida ever!

Então, quando você estiver me levando para passear ou fazer xixi e cocô na grama dos vizinhos, e se você me ama metade do que eu te amo… NÃO LEVE ESSE MALDITO CELULAR!!!!

Eu fico querendo andar e você fica parada alisando essa porcaria. Eu quero correr e você não me deixa porque está olhando para essa maldita telinha com luz. Eu quero esticar meu nariz para cheirar a moita que a cadelinha do andar de baixo acabou de batizar e você fica simplesmente imóvel, no celular, como se ele fosse seu bichinho de estimação e eu não passasse de um saco de lixo que você não pode se livrar.

Quando a gente sai e você carrega o celular, você nem ao menos olha para mim, não presta atenção nos meus sinais, não me deixa correr, não me deixa ficar sentado, encurta a corrente… ei, eu existo! Eu tenho vontades, tenho desejos e você me frustra a cada segundo.

Ponha-se no meu lugar. Passear é o MEU momento de felicidade. Eu fico trancado nesse apartamento há semanas, meses, anos. Fico latindo o dia todo só para incomodar os vizinhos porque o tédio é insuportável. Eu conto os segundos para você me levar passear. Uma voltinha que seja na quadra, mas desde que com paciência, um pouco de liberdade – convenhamos, eu ter que andar numa coleira sendo puxado por uma corrente não é exatamente uma demonstração de amor digna, não é mesmo? Deixe eu passear o tempo de poder cansar um pouco minhas pernocas, ao menos.

Se você, minha linda e querida Dona que eu amo, estiver lendo essa carta, por favor, considere esse meu pedido: quando me levar passear preste um pouquinho de atenção em mim. Seja paciente, deixe-me sentir a grama e a terra tocarem as minhas patinhas. Deixe-me cheirar as plantas e árvores. Deixe-me tomar chuva. Deixe-me tomar sol. Deixe-me sentir o prazer de fazer cocô e xixi sem o olhar impaciente de quem está ali por mera obrigação.

Por mais que a tecnologia esteja avançada, eu nunca vi um celular correr, pular e lamber a cara de sua dona de orelha a orelha por pura e simples felicidade.

 

Obrigado,

 

Atenciosamente, Totó.

 

 

Enviado por benett, 29/03/16 7:11:16 PM

Nos anos 60 um sujeito bem vestido e perfumado chamado Joe Colombo liderou uma cruzada contra a estereotipação de imigrantes italianos que eram retratados como mafiosos em séries de TV como Os Intocáveis e filmes do James Cagney.  Ele obteve conquistas importantes como o comprometimento dos estúdios em não associar termos como “máfia” e “Cosa Nostra” a italianos americanos, incluindo de O Poderoso Chefão, de Francis Ford Coppola, que estava em pré-produção. Colombo alegava que isso era discriminação e invenção da indústria do entretenimento, e que prejudicava os cidadãos ítalo-americanos “de bem”.

Colombo mobilizou a população e se tornou rapidamente uma das pessoas mais conhecidas dos EUA e líder da comunidade italiana, o Martin Luther King siciliano, diziam. Durante um discurso para uma multidão de simpatizantes em Nova York, foi alvejado com um balaço e ficou quase uma década em coma antes de morrer. A tentativa de assassinato foi coisa da própria máfia, provavelmente de um facínora chamado “Crazy” Joe Gallo.

Joe Colombo era um notório mafioso da Cosa Nostra, que ele dizia não existir, e chefe de Gallo na Colombo Crime Family, uma das cinco famílias mafiosas da Cosa Nostra que dominava os EUA. Colombo foi colocado como líder da organização depois de trair Joe Bonanno e Joe Profaci (todo mundo se chamava Joe… e ainda reclamavam de serem estereotipados!), que planejava matar Carlo Gambino, Gaetano Lucchese e o chefe da família Genovese para formar uma única família, sob suas ordens. Eles entregaram a tarefa a Joe Colombo, que abriu o bico sobre o plano para Gambino. Gambino acabou com Bonanno e conduziu Colombo a boss da família Profaci, renomeada para Colombo Crime Family, como é conhecida até hoje.

Claro que o PMDB não é uma família do crime (há controvérsias), mas quando vi uma foto de Sarney com o microfone em mãos, ao lado de Renan Calheiros, Michel Temer e, principalmente, “Crazy” Joe Cunha imediatamente me veio à mente a história de Joe Colombo, o líder da Cosa Nostra mafiosa que lutou contra termos como “Cosa Nostra” e “máfia”. A imagem dos líderes do PMDB, agora numa cruzada contra a corrupção, é de fazer vomitar. Isso não é uma tapa na cara do brasileiro… é um croc no cocuruto.

A sociedade escolheu trocar o partido mais corrupto da história pelo que é corrupto há mais tempo. É o conservadorismo mantendo as tradições no lugar onde ela têm que estar.

XXX

Charges de 2013 e 2014 sobre PMDB, publicadas nos jornais gazeta do Povo e Folha de S. Paulo.

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Assim como os petistas levaram o PMDB goela abaixo quando votaram na Dilma, a direita levará também o PMDB goela abaixo. O PMDB nunca deixa o poder, impressionante!

 

 

Enviado por benett, 23/03/16 12:22:15 PM

Mais charges sobre o momento de turbulência da política no Brasil e de violência no mundo.

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Uma nova sessão:

Explicando a charge

Na charge Terror, com a bandeira da Bélgica, fizeram a seguinte pergunta no fosso macabro das caixas de comentários: “o Terror é negro?”.  A pergunta traz de brinde uma casca de banana com a inscrição “eu entendi bem ou você está dizendo que o terror é coisa de negros?”. Não, não meu chapa, essa não é nem de longe a interpretação mais razoável da charge.

Não sei o significado das cores da bandeira da Bélgica e nem é isso que interessa. Usei a cor negra da bandeira como a ideia de luto, escuridão, obscurantismo, causado evidentemente por atentados terroristas em nome de interpretações obscuras de uma religião. E a pomba branca (oh, Deus! Só falta me acusarem de racismo por isso também) ali, impotente, tentando impedir que isso, o obscurantismo, tome conta de toda a bandeira. Eu poderia ter usado o Tintin, mas quando pensei nisso já tinha sido tarde demais.  Além, é claro da bandeira do IE ser colorida como arco-íris (isso foi uma ironia).

Benett

 

Enviado por benett, 22/03/16 4:04:00 PM

Uma cronologia capenga de charges da nossa política capenga. Enquanto eu estava na prancheta o tenebroso José Serra conspirava nas sombras com o tenebroso Temer e a morte explodiu Bruxelas. Posto mais tarde os desenhos. A História corre mais rápida do que minha mão consegue desenhar:

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