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Salmonelas

Enviado por benett, 25/11/16 5:57:10 PM

Há alguns anos um incidente no supermercado me deixou realmente envergonhado. Eu estava na fila do caixa rápido e era o próximo a ser atendido quando um sujeitinho mirrado entrou na minha frente e disse “… e eu vou entrar na tua frente.” Eu estava meio bêbado e custei a acreditar no que estava vendo. Ele vai fazer isso assim, na cara dura? O cara estava duplamente errado: primeiro por furar a fila, que era consideravelmente grande. E depois por ter um carrinho com bem mais de 15 produtos.

Eu não briguei, mas fiquei falando algumas ironias em voz alta e olhando fixamente para ele. Eu estava de bom humor, mas aquilo tinha me deixado meio emputecido. Não teria problema algum em deixar alguém passar na minha frente, desde que pedisse com educação e todos os demais da fila concordassem. Mas ali ele estava me comunicando que iria furar a fila.

Aí então comecei a dirigir uns impropérios para ele, que não levantava a cabeça. Então a mulher dele entrou na discussão e começou a me xingar alto. Percebi, pela atmosfera de ódio no ar, que eles já haviam brigado em outro caixa e, por isso, correram tomar a vez dos otários do caixa rápido. Nada é tão ruim que não possa ser piorado.

A mulher tinha um bebê no colo que estava chorando. O terceiro erro da dupla era levar um bebê para fazer compras as 23h, convenhamos, é meio que chato para a criança. Enfim, o casal conseguiu o que queria, passou na frente de todo mundo e eu acabei sendo vigiado de perto por seguranças grandalhões, como se EU estivesse errado – tá, eu tava meio bêbado e agora falando mais alto, mas mesmo assim acho que o erro é de quem fura a fila. Mesmo porque eu já estava ali há uns dez minutos.

Hoje no buffet do restaurante uma mulher furou a fila. Eu estava terminando de servir a salada quando ela sorrateiramente passou na minha frente. Outra vez eu não teria nenhum problema em ceder a vez, se ela e a filha estivessem desesperadamente com fome, mas passar assim, na malandragem, é bem irritante. Um belo exemplo para a filha, minha senhora.

Dia desses um sujeito estacionou o carro em frente a uma creche, numa vaga reservada para embarque e desembarque de crianças. Tem uma placa imensa de proibido estacionar ali. As professoras reclamaram e ele disse “eu tenho direito, pago meus impostos”. Até onde sei os pais das crianças da creche também pagam impostos e nem por isso eles vão estacionar o carro na entrada da garagem do filho da puta.

Esse tipo de pessoa que acha que tem privilégio sobre as demais, que o mundo tem que esperar a vontade delas é o que mais tem por aí. Um dia vi uma SUV imensa estacionada na rampa de acesso para pessoas portadoras de deficiência da calçada. Detalhe: o sujeito estava na missa!

E assim seguimos, com pessoas que não entendem bem o que é viver em sociedade, mas estão cheias de razão em reivindicar seus privilégios sobre todos os demais mortais.

 

Benett

Enviado por benett, 07/11/16 9:59:39 AM

“Quando o País vai mal, o chargista vai bem” – Ademir Paixão

Charges publicadas na Gazeta do Povo e Folha de S. Paulo.

Publicada na Gazeta do Povo

 

Gazeta do Povo

Gazeta do Povo

Publicada na Folha de S. Paulo

 

Folha de S. Paulo

Gazeta do Povo

Folha de S. Paulo

Gazeta do Povo

Folha de S. Paulo

P.S. – Não existe humor a favor.

Enviado por benett, 12/10/16 9:37:39 AM

Todo mundo um dia já foi uma criança – e se arrepende de deixar de ter sido.

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Enviado por benett, 06/10/16 6:14:12 PM

Dizem na Argentina que Messi é o melhor jogador do mundo. E um dos melhores da Argentina. Diziam isso de Maradona também. E de DiStefano. Isso porque aquele lugar do planeta é um manancial de jogadores geniais. Para alguns o melhor de todos foi um tal Trinche Carlovich. Um tipo que jogou na segunda divisão a maior parte da carreira, durante os anos 70 e 80. Não se interessava por treinar ou ganhar dinheiro. Foi descoberto em um amistoso entre seu time, o Central de Córdoba, e a seleção da Argentina. Carlovich destruiu em campo. Menotti teria parado o jogo e pedido para ele não “humilhar tanto os seus jogadores”. Depois fez a mesma coisa em um amistoso contra a Inter de Milão. Os poucos que o viram jogar dizem que ele lembrava um pouco Fernando Redondo ou mesmo Zidane, pela altura e elegância. O problema: só existe UMA imagem dele jogando, por sinal, dando um drible no adversário e estampando o número 10 gigantesco nas costas. A título de curiosidade: Quando Maradona foi jogar no Newell’s Old Boys, um repórter disse que ele era o melhor jogador a atuar em Rosário. Maradona lhe contestou: “Não. O melhor que já jogou aqui foi um tal de Trinche Carlovich”. Detalhe: era canhoto, como Messi e Maradona. Parece um personagem de Borges. Tá tudo aqui, nesse documentário:

 

Enviado por benett, 12/09/16 11:59:58 AM

Charge de hoje na Gazeta do Povo

Desenho digital sobre foto do poster do filme O Exorcista, de 1973, de William Friedkin. Para muitos, incluindo este cartunista, o filme mais medonho de terror de todos os tempos.

Enviado por benett, 11/09/16 8:52:02 PM

“Caminharam pelas ruas envolvidos nos cobertores imundos. Ele levava o revólver na cintura e segurava o menino pela mão. No outro lado da cidade encontraram uma casa solitária num campo e atravessaram e entraram e caminharam pelos quartos. Depararam-se consigo num espelho e ele quase sacou o revólver. Somos nós, Papai, o menino sussurrou. Somos nós.”

***

“À noite ele acordou na fria escuridão tossindo e tossiu até o peito ficar em carne viva. Inclinou-se na direção da fogueira e soprou os carvões e colocou mais madeira e se levantou e afastou do acampamento onde a luz lhe permitia. Ajoelhou-se nas folhas secas e nas cinzas com o cobertor por cima dos ombros e depois de algum tempo a tosse começou a passar. Pensou no velho em algum lugar lá fora. Olhou novamente para o acampamento através da paliçada negra das árvores. Esperava que o menino tivesse voltado a dormir. Ficou ajoelhado ali respirando com dificuldade e baixinho, as mãos sobre os joelhos. Vou morrer, ele falou. Diga-me como eu faço isso.”

***

“Quando acordou novamente achou que a chuva tinha parado. Mas não foi isso que o acordou. Ele tinha sido visitado num sonho por criaturas de um tipo que nunca tinha visto antes. Não falavam. Ele achou que tinham estado agachadas ao lado do seu catre enquanto dormia e que tinham escapulido quando ele acordou. Virou-se e olhou para o menino. Talvez compreendesse pela primeira vez que, para o menino, ele próprio era um alienígena. Um ser de um planeta que já não existia. Cujas histórias em suspeitas. Ele não tinha como construir para o prazer da criança o mundo que tinha perdido sem construir também a perda e achava que talvez o menino soubesse disso melhor que ele. Tentou se lembrar do sonho mas não conseguiu. Tudo o que restava era a sensação. Pensou que eles talvez tivessem vindo avisá-lo. De quê? De que ele não podia acender no coração da criança o que eram cinzas no seu próprio. Mesmo agora alguma parte dele desejava que nunca tivessem encontrado aquele refúgio. Alguma parte dele desejava que tudo tivesse terminado.”

***

Trechos do fantástico livro A Estrada, de Cormac McCarthy. Ed. Alfaguara, 2006.

Enviado por benett, 08/09/16 12:26:08 PM

Enviado por benett, 08/09/16 12:11:21 PM

Importante estudo científico publicado pela British Medical Journal diz que a cada salsicha que enfiamos goela abaixo perdemos 15 minutos de nossas preciosas vidas. Provavelmente não foi levada em conta a salsicha do cachorro-quente do Teobaldo, em Ponta Grossa, que quando ingerida tirava a vida da pessoa em 15 minutos.

O estudo me levou a pensar que isso pode facilitar o trabalho de suicidas em potencial. Por exemplo, um sujeito de aproximadamente 40 anos, que tem mais uns 30 de vida pela frente, poderia perfeitamente se suicidar simplesmente comendo salsichas.

Se ele comer 4 salsichas por dia, ele terá perdido uma hora de vida. Se comer 96 salsichas, terá perdido 24 horas de vida. Se ingerir 35.040 salsichas, terá encurtado sua presença miserável nesse mundo em um ano. Portanto, se ele quiser tirar os trinta anos restantes de sua pesarosa existência, basta ele comer em um dia 1.051.200 salsichas que dará cabo definitivamente de sua vida. (Benett)

P.S. – Quantidade que, convenhamos, para algumas pessoas nem é tão absurda assim, se as salsichas vierem acompanhadas de ketchup e refrigerante.

 

Enviado por benett, 23/06/16 2:55:14 PM

Vocês já pararam para pensar nos Sete Anões? Sobre como pode, por exemplo… terem nascidos em uma família SETE irmãos ANÕES? Estatisticamente é mais provável nascer uma foca em uma família de sete irmãos do que todos nascerem anões. Lembrando que a história se passa no século XV ou XVI, por aí, a densidade demográfica na época deixa as probabilidades ainda menores. A não ser que… o fato de eles terem contato diário com alguma substância tóxica, mercúrio, por exemplo, tenha influenciado na genética da família e todos nasceram com nanismo. Mas precisaria que eles tivessem contato há muitas gerações para isso ter acontecido. E outra coisa: não consta que o mercúrio possa causar isso. Como explica a confiabilíssima Wikipedia:

“Geralmente quem foi intoxicado pelo vapor do mercúrio pode apresentar sintomas como dor de estômago, diarreia, tremores, depressão, ansiedade, gosto de metal na boca, dentes moles com inflamação e sangramento na gengiva, insônia, falhas de memória e fraqueza muscular, nervosismo, mudanças de humor, agressividade, dificuldade de prestar atenção e até demência. Mas pode contaminar-se também através de ingestão. No sistema nervoso, o produto tem efeitos desastrosos, podendo dar causa a lesões leves e até à vida vegetativa ou à morte, conforme a concentração.”

Talvez o Zangado seja assim por causa do mercúrio, o Dunga não fale por causa da demência causada pelo mercúrio e o Soneca sofra de narcolepsia também por culpa do contato com o produto tóxico. Agora, o caso desse nanismo em série na mesma família é uma excepcionalidade no universo de bilhões de pessoas que já passaram por esse planeta, como aquela família que tem pelos no rosto, no México, e aquela das pessoas que nunca dormiam, na Itália, será?

A minha teoria favorita é de que eles não são realmente anões. O biotipo deles não indica isso, o que leva os estudiosos a crer que os Sete Anões são, na verdade, Hobbits, uma vez que, nas versões mais antigas do conto, a Rainha Má enfeitiça Branca de Neve com a ajuda de um anel, e não uma maçã.

Porém… quem disse que eles são irmãos? Como assim, não são? O que são então? Vítimas de preconceito, anões se juntam para morar longe da cidade, onde sofriam bullying e corriam o risco de serem usados como atração bizarra pelos circos de horrores que abundavam na época. Pode ser… mas o que explica eles terem uma mina de ouro? Pode ser que o proprietário da mina só contratasse anões para poderem entrar nas fendas e crateras perfuradas no solo. Aí me parece mais plausível. No entanto, existe uma outra hipótese que é a de que eles foram transformados em anões pela Rainha Má e trabalham como escravos para o reino – uma espécie de “prisão de trabalhos forçados”. Porque, se eles são donos de uma mina de ouro… como explicar o fato de eles morarem numa espelunca como aquela? E não terem nem ao menos alguém para limpar a casa.

Os Sete Anões são machistas e pervertidos. Machistas porque esconderam Branca de Neve da Rainha Má com a condição de que ela limpasse a casa todos os dias… DE GRAÇA! E pervertidos porque… eles não iam enterrá-la (achavam que ela estava morta), pois decidiram colocá-la num caixão de vidro para “ficarem admirando sua beleza”. Hmmmm… me veio às narinas um cheiro podre de necrofilia. Enfim, essa história tá muito mal explicada, assim como a de Joãozinho e Maria e a Bruxa da Floresta, que produzia doces de forma esquizofrênica e ainda por cima era canibal. Além da péssima fama que as madrastas ficaram depois dessa história (na verdade ela e a bruxa são a mesma pessoa, não?). Mas isso fica para outro post.

 

Benett

 

Enviado por benett, 12/04/16 2:33:50 PM

O Paixão, chargista da Gazeta do Povo, tem uma máxima que diz “quando o país vai mal, o chargista vai bem”. Quanto mais escândalos, mais assuntos e, portanto, mais piadas. Vocês podem odiar o Lula, mas acho que o tempo em que mais me diverti desenhando charges -acredite, nem sempre é divertido- foi quando Lula se tornou presidente. Cada frase rendia umas cinco charges.

Ele reapareceu meio desesperado nesses últimos meses e, adivinhe… já fiz uma dúzia de desenhos.

Abaixo, algumas charges publicadas na Gazeta do Povo e na Folha de S. Paulo durante seu segundo mandato e o começo do governo Dilma.

01

Quando Lula lançou um livro falando sobre as realizações de seus dois mandatos

02

Quando reclamou que a imprensa só publicava notícias ruins do governo.

03

“Em nome da governabilidade”.

04

Sobre o fim da reforma da famosa estátua de Cristo, no Rio.

05

Não me lembro o contexto da charge, mas acho que essa é meio atemporal.

06

Lula internado para exames no coração, se revelara impaciente para voltar a percorrer o país inaugurando até casinha de cachorro.

07

A charge é autoexplicativa.

08

Do final do governo Lula, quando ele não sentava a bunda no gabinete nem por um minuto.

09

“O” Cara.

10

Lula vai à Cuba e se recusa a falar com dissidentes do governo Castro.

11

Uma das primeiras que publiquei na Folha.

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Foi isso que os levou a cair, não?

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Uma das minhas favoritas, a da inauguração do Museu do Lula.

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Quem é coadjuvante na história?

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O título diz tudo.

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Acordos, conchavos, distribuição de cargo. Nada de novo no front.

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19

Ele realmente disse isso. Sempre uso frases reais ditas por seus autores.

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Uma foto que ficou famosa da esposa de Temer com seu nome tatuado na nuca inspirou essa charge.

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Mais uma do Sarney, para não perder o hábito.

 

 

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