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A ciência torna obsoleta a crença em Deus?
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Enviado por Marcio Antonio Campos, 16/09/08 4:50:00 PM

A ciência torna obsoleta a crença em Deus? – Parte 3: William Phillips

Depois de divagar um pouco sobre a máquina do fim do mundo, e mostrar os problemas do entendimento atual de morte encefálica, hoje damos seqüência às respostas que 13 personalidades do mundo científico e religioso deram à Fundação John Templeton sobre a questão acima. O texto de hoje traz a resposta mais enfática – é a única que, no original, veio com um ponto de exclamação:

William D. Phillips: De jeito nenhum!

Divulgação/National Institute of Standards and Technology
William Phillips conquistou o Nobel de Física em 1997.

Em 1997, William Daniel Phillips ganhou o Prêmio Nobel de Física com dois colegas por seu trabalho sobre o uso de luz para resfriar átomos de gases, diminuindo sua velocidade e permitindo que sejam melhor estudados. Mas, em vez de escrever uma resposta profundamente “científica”, Phillips optou por uma abordagem muito pessoal, e nem por isso menos eficaz. Eu, particularmente, me surpreendi positivamente com seu texto.

Primeiro, ele se descreve como um cientista “como qualquer outro”: ele pesquisa, publica suas conclusões em revistas especializadas, apresenta seus trabalhos em congressos, orienta pós-graduandos. E, ao mesmo tempo, é uma pessoa de fé “como qualquer outra”: vai à igreja, canta no coro, reza e participa das formações oferecidas por sua igreja (o texto não diz, mas Phillips é metodista, como seu pai; sua mãe era católica). E aí está a grande sacada: como a mídia costuma dar atenção aos extremos – seja religiosos fanáticos que desprezam a ciência, seja cientistas ateus que desprezam a religião –, passa batido o fato de que a maioria das pessoas é como Phillips, ou seja, concilia os dois tipos de conhecimento.

E o físico nos conta a chave para a conciliação: são duas perguntinhas. A primeira é Como eu posso acreditar em Deus? Para um cientista, isso é possível porque a existência (ou inexistência) de Deus não é algo que pode ser provado em laboratório. Afirmações científicas devem ser “desmentíveis” (ou seja, demonstradas como falsas por fatos), mesmo que ainda não o tenham sido. E Phillips nos lembra que todos nós, todo santo dia, fazemos afirmações que não são de caráter científico. “Lewis Hamilton dirigiu muito no domingo passado” ou “os caras do CQC são engraçadíssimos” (Phillips dá exemplos melhores, como “eu amo você”). E nem por isso dizemos que essas afirmações, por não terem caráter científico, não têm valor, ou seja, nas palavras do físico: “Ciência não é o único modo útil de ver a vida”.

A outra pergunta é Por que eu acredito em Deus?, e seu olhar de físico entra em ação, ao perceber um mundo em que os fenômenos podem ser explicados por um conjunto de equações matemáticas, e um universo em que estrelas e planetas, bactérias e gente, nunca teriam surgido se qualquer variável fosse minimamente diferente. E isso é um indício de um Deus inteligente, mas Phillips não avança o sinal – a ordem do universo aponta para a existência de Deus, mas ela continua sendo questão de fé (se fosse cientificamente evidente, não precisaríamos de fé, concordam?). E Phillips tem outros motivos para crer, esses acessíveis para físicos e não-físicos: “creio em Deus porque posso sentir Sua presença em minha vida, porque posso ver a evidência da bondade divina no mundo, porque acredito no Amor e acredito que Deus é Amor.”

E aqui o cientista demonstra uma grande humildade. Ele pergunta se acreditar faz dele uma pessoa (e um cientista) melhor que os outros. Como ganhador de Prêmio Nobel, Phillips podia simplesmente subir no pedestal e dizer “prestem atenção, eu sei do que estou falando”. Mas, em vez de se comparar com seus colegas ateus, ele prefere se comparar a si mesmo: “eu tenho certeza de que a fé me faz melhor do que eu seria se não acreditasse.” Está aí uma lição de vida muito interessante, de alguém que consegue conciliar um conhecimento científico impressionante e uma fé igualmente sólida.

——

Mais sobre William Phillips:
Autobiografia para a comissão do Prêmio Nobel

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      Paulo de Tarso Kops | 26/09/2008 | 23:52

      Boa noite Lampedusa. Como disse anteriormente, estou fora e voltarei em cerca de duas semans. Muito obrigado pelo seu esclarecimento.

      Lampedusa | 25/09/2008 | 19:45

      Em outras palavras, Paulo, haveria de ser algo mais do que simples suposições de alguém que, por motivos puramente ideológicos, afirme que a Templenton seja FINANCIADA por igrejas cristãs. E, veja, não considero isso nenhum óbice à sua existência ou ação. Apenas discuto sua afirmação que, apenas, gostaria de me certificar de que seja correta para passá-la adiante.

      Lampedusa | 25/09/2008 | 19:41

      Caro Paulo, chamo de fontes sérias aquelas que trazem algo mais do que simples ilações. Isto é, para ficar no mesmo exemplo seu, não creio que suspeições levantadas pelo jornal "O Trabalho" ou o "Granma" para acusar a CIA de golpista seriam suficientes. Imagino algo na linha de um governo democrático que prendeu espiões da CIA ou apresentou provas de que a CIA patrocinou um golpe, por exemplo. E veja que também creio que a CIA tenha feito isso. Apenas cito isso à guisa de exemplo. (continua)

      Paulo de Tarso Kops | 25/09/2008 | 08:53

      Bom dia Lampedusa. Estarei fora por cerca de duas semanas. Na volta farei uma busca e apresentarei outras fontes, inclusive para eliminar a hipótese de suspeições conspiratórias. P.S.: Qual é a sua definição de "fontes sérias", pois dependendo dela a minha busca pode ser inócua.

      Lampedusa | 24/09/2008 | 22:54

      Sr. Paulo de Tarso, Convido-o a trazer alguma outra evidência de fontes sérias - pode até ser o Le Monde - de suas suspeições conspiratórias.

      Paulo de Tarso Kops | 24/09/2008 | 18:39

      Boa noite Lampedusa. Refleti sobre as suas palavras acerca da Fundação Templeton colocadas no último "post", no qual V. Sa. afirmou que tinha apenas "a versão dela". Para comparar e pensar: No "site" da CIA não há menção sobre golpes de estado mas todos sabem que ela promoveu e ou participou deles. Ou seja, não é possível acreditar (apenas) na versão oficial, principalmente de instituições ligadas a pensamentos monolíticos, como é o caso de certas correntes políticas, religiosas, entre outras.

      Lampedusa | 22/09/2008 | 15:03

      Ao Paulo de Tarso: agradeço sua cordialidade e espero que possamos nos enriquecer mutuamente num diálogo frutuoso e cordial com a ajuda do dono do blog que teve a feliz idéia de lançar esse fascinante tema do relacionamento fé e ciência. Quanto à Fundação em tela, sinceramente não tenho elementos para afirmar nem uma nem outra versão. Tenho, apenas, a versão dela própria que seu sustento vem do aporte de seu criador.

      Paulo de Tarso Kops | 22/09/2008 | 14:11

      Para Lampedusa. Obrigado por suas ponderações. Na sua primeira resposta ficou a (agora falsa) impressão de um tom rancoroso. Deste modo vou por uma "pedra" em cima da parte inócua da nossa discussão e doravante manterei apenas a parte que pode levar ao nosso enriquecimento intelectual bem como dos demais leitores. P.S.: Eu li no Le Monde, há cerca de 4 anos, que a fundação objeto desta discussão era patrocinada por um conjunto de igrejas cristãs.

      Lampedusa | 22/09/2008 | 12:38

      Paulo de Tarso: Você escreveu: "Porquê aquela fundação não faz perguntas para estas pessoas? (os cientistas ateus)?". E eu apenas respondi que a Fundação fez, sim, perguntas a essas pessoas. Eu é que não entendo porque não fazê-las também à minoria crente. Penso que isso não seria uma forma de promover o "algo deve mudar para que tudo continue como está", mas, não fazê-lo seria, antes, evitar que "alguns caiam do cavalo". Tanto não subestimo outros leitores que li com respeito seus posts.

      Lampedusa | 22/09/2008 | 12:27

      Sr. Paulo de Tarso: "Não é açodamento, e sim uma constatação." Não questionei a defesa de teses não-científicas por essa fundação, mas, sim, sua afirmação de que ela é financiada por igrejas. E não creio que haja evidências disso. (continua)

      Paulo de Tarso Kops | 21/09/2008 | 12:27

      Para Lampedusa (continuação e final). Por fim, quero deixar claro que todos os cientistas na acepção pura da palavra, incluindo eu que sou geólogo, não descartam a hipótese de deus e seus correlatos, mas a colocam como pouco provável quando confrontada com o conjunto de evidências e teorias de natureza cosmológica, física, química, geológica e biológica. Se V. Sa. quiser poderemos discutir isto em um fórum mais adequado, sem menosprezo ou pedantismo. Basta entrar em contato.

      Paulo de Tarso Kops | 21/09/2008 | 12:18

      Para Lampedusa (continuação). Qual o objetivo de fazer uma pergunta sobre deus para dois grupos compostos por crentes e não crentes, se as respostas serão óbvias? Seria criar uma polêmica, na qual os não crentes seriam vistos como aberrações pela população? Se V. Sa. é cristão e um acólito daquela fundação, está no seu direito. Mas não substime outros leitores. Afinal, "algo deve mudar para que tudo continue como está", não é mesmo Lampedusa? (continua)

      Paulo de Tarso Kops | 21/09/2008 | 12:09

      Para Lampedusa. Não é açodamento, e sim uma constatação. Aquela fundação quis tornar obrigatório o ensino do "criacionismo científico" (ou "design inteligente") em 45 estados dos EUA, tudo sob os auspícios da direita cristã. Felizmente esta iniciativa foi barrada pela Suprema Corte. Este conjunto de informações V. Sa. encontra em exemplares da Science, Nature, Scientific American, New York Times, New Yorker, Washington Post e Le Monde. (continua)

      Lampedusa | 19/09/2008 | 12:20

      Sugeriria ao Sr. Paulo de Tarso pesquisar um pouco mais sobre a Fundação Templeton antes de emitir opiniões açodadas. E, além disso, faria bem ler sobre o assunto antes de emitir opinião... Essa pergunta que o físico Philips respondeu foi dirigida a 13 pessoas e 7 delas são ateus ou agnósticos!

      anastacia garcia gouvea | 19/09/2008 | 04:36

      "Queridos amigos, avida não é governada pela sorte,nem é casual.A vossa existência pessoal foi querida por Deus, abençoada por Ele,tendo dado uma finalidade(cfgn 1,28)A vida não é uma mera sucessão de fatos e experiências por mais úteis que muitos deles possam se revelar.Mas é a busca da verdade, do bem e da beleza - encontramos verdadeira alegria. Bento XVI aos jovens em Sidney.Deus é amor e se faz "oculto"+ vivo em Jesus Crito! Felis quem O acolhe! Anastácia Garcia gouvêa.maringá/pr

      Paulo de Tarso Kops | 16/09/2008 | 17:38

      A Fundação John Templeton é a responsável pela divulgação do "criacionismo científico". Portanto o fato dela ter feito "perguntas" para cientistas não significa nada, pois ela os fez para os poucos cientistas religiosos. Como a maioria dos principais cientistas é atéia, fica a questão: Porquê aquela fundação não faz perguntas para estas pessoas? É obvio. Por que ela (a fundação) é uma entidade financiada por igrejas e na qual a ciência visceral jamais florescerá.

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