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Enviado por Marcio Antonio Campos, 14/06/12 3:52:00 PM

BBC recorda Georges Lemaître, o pioneiro do Big Bang

Arquivo Universidade Católica de Louvain
O padre Georges Lemaître, criador da teoria do Big Bang: ele também detectou evidências da expansão do universo, feito hoje atribuído a Edwin Hubble.

Semana passada, a BBC Radio 4 transmitiu um programa de meia hora sobre Georges Lemaître, o padre belga que elaborou a teoria do Big Bang (e cuja morte completa 46 anos no dia 20). O título do programa, The Father of the Big Bang, traz um daqueles trocadilhos que o jornalismo de língua inglesa adora, já que “father” pode ser tanto “pai” quanto “padre”.

William Crawley e seus entrevistados (que incluem físicos, teólogos, biógrafos e especialistas em ciência e religião) recuperam a história de Lemaître desde seus dias em Cambridge, como aluno de Arthur Eddington. Os convidados do programa explicam o que já se sabia à época de Lemaître (e qual a importância de Eddington na construção desse conhecimento), o que o belga trouxe de novidade e sua importância para a Cosmologia moderna.

John Barrow, biógrafo, ressaltou que Lemaître sabia perfeitamente conciliar sua fé com as teorias científicas que desenvolvia. Já decidido a se tornar padre, Lemaître serviu na Primeira Guerra Mundial e, quando aparecia um tempo nas trincheiras, lia o Gênesis e as obras de Poincaré; foi quando surgiu seu interesse pela Cosmologia. Logo depois de sua ordenação sacerdotal, ele foi para Cambridge.

Lemaître completou seus estudos em Harvard e, ao voltar para a Bélgica, ele era um dos poucos cientistas no mundo que compreendia profundamente as teorias de Einstein. Em Louvain, o sacerdote começou a ensinar, mas não abandonou seu objetivo de desvendar a história do surgimento do universo. O programa traz, inclusive, um trechinho de uma das últimas aulas de Lemaître (em francês) na universidade belga, e pessoas que conviveram com o padre revelam traços de sua personalidade, além de seu trabalho. Barrow ainda ressalta que Lemaître já havia visto as possibilidades do uso da computação na Cosmologia.

Marcio Antonio Campos/Gazeta do Povo
A capela do St. Edmund College, em Cambridge, é a única capela católica em toda a universidade; durante seu tempo na cidade inglesa, Lemaître provavelmente rezou muitas missas neste local.

O programa conta como Lemaître aplicou os conceitos de Einstein para chegar à ideia do “átomo primordial”, o primeiro nome daquilo que viria a ser o “Big Bang” (que, como sabemos, era o termo que Fred Hoyle criou para satirizar o trabalho de Lemaître), e como essa ideia finalmente chegou a sobrepujar as demais teorias sobre o surgimento e a expansão do universo, superando inclusive a oposição do próprio Einstein (mas não a de Hoyle, o que não impediu o inglês e o belga de serem bons amigos).

A parte final do programa volta a tratar de como Lemaître conciliou ciência e fé, sem no entanto cometer o erro de fazer misturas indevidas. Rodney Holder, do Instituto Faraday (que deu a este blogueiro uma bolsa, em 2011, para fazer um curso de uma semana sobre ciência e religião em Cambridge), conta o episódio em que Lemaître advertiu um Papa (Pio XII, no caso) que entendeu o Big Bang como uma evidência empírica do “faça-se a luz”. Pouco antes de morrer, Lemaître soube de descobertas que confirmavam seu modelo. Qualquer semelhança com Copérnico, dizem os entrevistados no programa, não seria mera coincidência.

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Divulgação

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      Ronald Rahal | 25/06/2012 | 15:44

      Prezado Carqueija, sem desmerecer Poe, imperdível. Devemos nos ater à experimentação e observação e não à especulação. Como sabe ele morreu em 1849, bem antes das observações de Slipher e a constatação do redshift do que consideravam nebulas dentro da galáxia. Creio que o seu conceito de expansão diferia do que conhecemos hoje como a Expansão do Universo.

      Miguel Carqueija | 22/06/2012 | 17:54

      AlÔ, Ronald, penso que o verdadeiro pioneiro da expansão do universo foi Edgar Allan Poe em "Eureka". Curiosamente, Poe escreveu uma poesia, pouco conhecida, louvando a Virgem Maria.

      Ronald Rahal | 20/06/2012 | 09:41

      Prezado Marcio gostaria de fazer uma correção. Vesto Slipher foi o primeiro astrônomo (1912) a descobrir o desvio para o vermelho das galáxias, precursor portanto tanto de Hubble como Lemaitre, sobre o distanciamento dos corpos celestes. O que posteriormente serviu de base para o Big Bang. Não desmereço Lemaitre, mas ressalto que Hubble se notabilizou por descobrir que as galáxias não faziam parte da Via Láctea e sim eram independentes, o que ampliou o Universo.

      Ronald Rahal | 16/06/2012 | 08:37

      Ou comportou-se como se comporta hoje o padre Coyne, que separa teologia da ciência, sem nunca misturá-las. Aproveito o espaço para citar Mario Novello, cosmólogo brasileiro, que atualmente critica a expansão do Universo e a própria existência da matéria escura. Seria interessante se pudesse tecer alguns comentários sobre seu trabalho. B

      Ronald Rahal | 16/06/2012 | 08:32

      Prezado Marcio, o trabalho de Lemaitre, revolucionou a astronomia, principalmente a disciplina da Cosmologia. Parece-me - não conheço a biografia completa - que estudou física antes de entrar num seminário. É um claro indicio que seu interesse maior era a Ciência. Tanto que tornou-se professor nesta área. Não está claro porque seguiu a teologia. Talvez para ter amparo financeiro do Vaticano, que lhe permitiria ter tempo para pensar, sem preocupar-se com familia e fonte de reda. Talvez. A

      os396 | 15/06/2012 | 22:32

      É interessante a afirmação do Pe. Lemaître que ao cristão nada de humano é alheio, ou seja, muito interessa à Igreja, e aos cristãos em especial, a ciência. Hoje a Igreja, a fé, pode e deve ajudar a ciência a se livrar do falso absolutismo do cientificismo que na verdade, como bem lembrado por Marcio, na matéria anterior, não é nada cientifico.

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