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2009 – Ano Internacional da Astronomia
A ciência torna obsoleta a crença em Deus?
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Enviado por Marcio Antonio Campos, 27/11/09 3:44:00 PM

Bola cheia, bola murcha, bola fora…

Mike Rozulek

Eu tenho grande apreço por cientistas que se dispõem a explicar ao leitor comum assuntos às vezes muito complicados. Melhor ainda quando o fazem com um texto elegante e gostoso de ler, como no caso do neurologista Oliver Sacks. Entre os brasileiros, o time ainda é pequeno; acho que o maior craque no elenco seria Marcelo Gleiser. Agora, o biólogo Sandro de Souza quer um vaguinha no elenco, e por isso lançou A goleada de Darwin (Record, 221 p. O meu exemplar é cortesia da editora, e o preço mais em conta é o da Fnac), com o objetivo de explicar a teoria da evolução e a controvérsia com o criacionismo. Pelo título do livro, vocês já entenderam por que essa resenha começou com metáforas futebolísticas, que o autor, são-paulino (gosto não se discute, só se lamenta), também emprega em sua obra. Minha opinião é a de que ele passou pela peneira, mas não sei se tem bola suficiente para sair jogando como titular. E é com a resenha desse livro que encerramos o especial Darwin do Tubo de Ensaio.

Primeiro, vamos aos pontos fortes do livro: os três capítulos dedicados a narrar os “gols de Darwin” explicam direitinho a quem não é familiarizado os conceitos de seleção natural, de ascendência comum, como a genética se relaciona com a teoria da evolução, o que o registro fóssil mostra sobre as espécies que já se foram e sua ligação com as atuais. Os biólogos saberão me dizer se nesse ponto Sandro joga como a Holanda de 74 ou o Brasil de 82, de forma genial, ou se está mais para a Alemanha de 90 e o Brasil de 94, sem brilhantismo, mas com eficiência. Eu, pelo menos, me dei por satisfeito, e o uso de infografias ajuda a compreender melhor os mecanismos evolutivos. Ou seja, para quem quer saber o que é a evolução e como ela funciona, o livro é bom, vale o ingresso.

Divulgação
“A goleada de Darwin” alterna lampejos dignos de Garrincha com alguns momentos Júnior Baiano.

O problema é que, antes de chegar aos capítulos 3, 4 e 5, a torcida e os comentaristas já tinham motivos para se impacientar um pouco com Sandro. Afinal, se quando fala estritamente de ciência o autor manda bem, na hora de colocar a religião no assunto o meio de campo desanda. No capítulo 2, por exemplo, o autor dá a escalação do time criacionista: criacionistas de Terra plana, de Terra jovem, de Terra antiga, pessoal do Design Inteligente… e por último vem uma tal “evolução teística”: pessoas que aceitam a evolução, mas mantêm Deus como agente causal. Esperem um pouco: colocar essa turma no time dos criacionistas é querer escalar jogador com documentação irregular, porque não tem nada de criacionismo nessa “evolução teística”. A não ser que o autor tenha alargado demais o conceito de “criacionismo” a ponto de englobar nele todo mundo que acredite num Deus criador – o problema é que isso não tem respaldo na bibliografia sobre evolução e criacionismo. É mais ou menos como querer convocar o Lugano para a seleção brasileira porque um dia o Uruguai fez parte do território do Brasil. E Sandro insiste na bola fora na página 131: “A grande maioria dos criacionistas, mesmo aqueles que acreditam na evolução e tentam conciliar a fé com a ciência, ainda postula um tratamento diferente para a espécie humana.”

Mas tem coisa pior. O autor cita na página 22 o biólogo Ernst Mayr, segundo o qual “Darwin desafiou com A origem das espécies os quatro pilares do dogma cristão, a saber:” Antes de continuar, devo dizer ao autor (porque ao Mayr não dá mais, ele morreu em 2005) que os pilares do dogma cristão não têm nada a ver com os quatro itens que serão enumerados abaixo. Mas continuemos, Mayr em itálico e depois meus comentários:

Daniel Castellano/Gazeta do Povo
Pois é, amiga torcedora, esse Mayr pisou na bola…

1. A crença em um mundo constante: acreditava-se em 1859 que o mundo refletia o planeta Terra da época da criação. Bom, em 1859 a interpretação corrente do texto bíblico via o relato da criação como alegoria. Como já tivemos a oportunidade de mostrar aqui ao longo da semana, o literalismo total em relação a Gênesis 1 e 2 é um fenômeno do século 20.

2. A crença em um criador: era praticamente consensual a crença na existência de um criador, cuja ação gerava tanto o mundo físico como o natural. As espécies sob essa ótica eram imutáveis e foram criadas pelo criador. Onde raios a evolução desmente a crença em um criador? Se o próprio Darwin dizia o contrário… a evolução traz uma nova compreensão sobre os mecanismos da criação, mas nunca se propôs a derrubar a própria noção de criação.

3. A crença de que haveria propósito tanto no mundo físico quanto no natural. A evolução, como teoria científica, não faz esse tipo de afirmação metafísica. A existência ou não de propósito no mundo está fora do alcance da ciência. Há evolucionistas que dizer haver propósito (como vimos o Giberson falando), e outros para quem só existe o acaso cego (como os ateus militantes). Mas nenhuma das duas afirmações é científica, e sim filosófica.

4. A crença em uma posição diferenciada do homem entre os organismos vivos. Se Mayr soubesse que a “imagem e semelhança” vêm de atributos espirituais, e não físicos, veria que a evolução não tira esse status especial do ser humano.

E, por essa coleção de jogadas, Ernst Mayr é o bola murcha dessa semana.

Também dei pela falta de The Genesis flood quando Sandro contou a história do criacionismo. Henry Morris é até citado no livro, mas sua obra não. E foi justamente ela que botou fogo na partida, lá na década de 60. E não julgo que o Design Inteligente seja um “gol impedido de Deus“, pois está mais para gol impedido de gente que acha que pode contar com Deus no seu time…

Eu ainda cito como melhores momentos o capítulo 8, que descreve o movimento criacionista no Brasil; e o capítulo final, em que o autor defende a possibilidade de ser “devoto” e “darwinista” ao mesmo tempo (eu concordo, mas então que tal tirar os “teístas evolucionistas” do time criacionista?). E, como lance de efeito – daqueles que deixam a gente meio impressionado, mas não servem pra nada –, a frase idiota do Carlos Minc, na época deputado e hoje ministro, para quem o ensino do criacionismo “é o caminho de volta à Idade Média, com o risco de se incentivar as crianças a queimar os livros de Darwin” (p. 156). Se o Minc soubesse que na Idade Média não existia criacionismo, e que foi justamente nessa época em que se lançaram as bases da revolução científica…

O meu exemplar do livro é da primeira edição (apesar de só estar sendo resenhado agora, recebi logo após o lançamento); merecia uma revisão mais cuidadosa, pois tem vários nomes grafados incorretamente, como os do professor John Scopes (“Scope”), do ator Spencer Tracy (“Track”), do biólogo Kenneth Miller (“Keneth Muller”, inclusive na bibliografia), do filósofo William Dembski (“Dembsky”) e do senador Rick Santorum (“Rich”). Espero que tenham sido corrigidos nas edições seguintes; falhas no gramado podem até não atrapalhar o jogo, mas deixam uma impressão ruim. Além disso, e talvez mais importante que a questão dos nomes, tenho a sensação de que, na maioria das vezes em que se empregou no livro o termo “descendência”, na verdade o que se queria dizer era “ascendência”; afinal, o macaco e o homem têm ascendência, e não descendência comum. É uma tremenda diferença.

——

Então, caros leitores, o especial Darwin termina hoje. Espero sinceramente que tenha agradado e que as pessoas que descobriram o Tubo de Ensaio ao longo dessa semana continuem acompanhando o blog e participando das discussões na caixa de comentários. Depois desse pequeno tour de force, o ritmo de atualizações volta ao normal, duas ou três por semana.

——

Não é porque o especial Darwin acabou que você vai parar de seguir o Tubo de Ensaio no Twitter, certo? Aliás, hoje é dia de #FF!

Este é um espaço público de debate de idéias. A Gazeta do Povo não se responsabiliza pelos artigos e comentários aqui colocados pelos autores e usuários do blog. O conteúdo das mensagens é de única e exclusiva responsabilidade de seus respectivos autores.
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      Paulo K. | 22/12/2009 | 01:16

      Quanto à questão da percepção temporal para os mortos eu me recordo, de meus encontros de para discussão da Bíblia, que há um famoso trecho que afirma que para eles não mais existe a perspectiva temporal (Eclesiastes, 9: 5-6, 10). Deste modo talvez eu conheça um pouco mais sobre os assuntos dos quais o senhor já decidiu que estou em estado de ignorância. Agradeço a sua atenção e tenha um muito bom dia senhor Manzoni.

      Paulo K. | 22/12/2009 | 01:15

      Caro senhor Manzoni. A minha pergunta em relação ao senhor Rafael foi mais no sentido de conhecer a sua opinião sobre qual seria o efetivo destino do senhor Rafael no caso de Javé existir. Pelo que eu sei, tanto a teologia como a filosofia cristã não se restringem à visão do Catolicismo Romano. No caso do destino das pessoas que não crêem em Javé há interpretações algo distintas em alguns ramos do Protestantismo, inclusive sobre a própria noção de ‘inferno’.

      Manzoni | 18/12/2009 | 23:19

      E, além disso, sr. Paulo K., se o sr. conhecesse minimamente a filosofia cristã saberia que não faz sentido falar em milênios ou mesmo em tempo para o após morte. Recomendo que o sr. procure conhecer aquilo que tanto critica!

      Manzoni | 18/12/2009 | 23:17

      Paulo K., você afirmou "Porque o senhor Rafael não terá que viver milênios para aguentar o 'inferno'? Ele não será ressuscitado, julgado e condenado por sua rejeição ao 'grande projeto de Javé para os homens' conforme descreve o Apocalipse (20, 7 a 10 e 21, 11" e eu digo, o Rafael não acredita nisso - como você me parecia que não -, logo, ele não precisa se preocupar com os milênios...

      Paulo K. | 16/12/2009 | 00:56

      Porque o senhor Rafael não terá que viver milênios para aguentar o 'inferno'? Ele não será ressuscitado, julgado e condenado por sua rejeição ao 'grande projeto de Javé para os homens' conforme descreve o Apocalipse (20, 7 a 10 e 21, 11 a 15)?

      Paulo K. | 16/12/2009 | 00:45

      Qual o critério objetivo que permite afirmar com convicção que o inferno não é 'um local físico de sofrimento' como afirma Lucas, o apóstolo, e sim um 'estado de auto-exclusão definitiva da comunhão com Deus' como afirma Wojtyla, o papa?

      Paulo K. | 16/12/2009 | 00:37

      Em relação à idade da Terra e do Universo, o grande avanço no Ocidente no século XIV foi feito por Jean Buridan, que em seu trabalho denominado ‘Questões sobre o Tratado dos Meteoros’ (c. 1.348) admite uma idade de pelo menos 120 milhões de anos.

      Paulo K. | 16/12/2009 | 00:37

      O primeiro autor que expôs dúvidas sobre os textos bíblicos, no que concerne a sua capacidade de explicação científica, foi James Hutton no final do século XVIII. Mas vale a menção de que muitos autores entre os séculos XII e XIV consideravam a idade da Terra como sendo de pelo menos 36.000 anos, pois tal período de tempo já havia sido estabelecido na Antiguidade pelos egípcios, que observaram o movimento de precessão.

      Paulo K. | 16/12/2009 | 00:35

      que o ‘relato do Gênesis continua intocável, pois somente a mão de deus podia explicar a formação de hemisférios continentais (leia-se “continentes”) separados por um formidável oceano durante o dilúvio’. Tal pensamento continua com Descartes, Burnett, Perrault, Ray, Stenon, Hooke, Leibniz, Buffon, Soulavie, todos dos séculos XVII e XVIII. A grande questão da primeira metade do século XVII era saber ‘se as montanhas haviam se originado no dilúvio ou na criação’ (DAVIES, 1.969).

      Paulo K. | 16/12/2009 | 00:33

      Caro senhor Márcio. A interpretação literal do Gênesis não é um fenômeno do século XX. Ela remonta pelo menos ao século XIII, já com Roger Bacon e Alberto Magno. Estes autores reconhecem que feições da superfície terrestre foram geradas por processos naturais sob inspiração divina e que o livro do Gênesis retrata de maneira fiel, ainda que de forma geral os acontecimentos (DUHEM, 1.958). Jean Buridan e outros conterrâneos seus do século XIV como Nicole Oresme e Alberto de Saxe afirmam...

      Paulo K. | 15/12/2009 | 23:16

      Caro senhor Hans. O senhor poderia me fornecer a fonte da qual o senhor extraiu a informação na qual a probabilidade de que uma proteína com 150 aminoacidos seja formada ao acaso seja de 1x10 elevada a 164?

      Manzoni | 01/12/2009 | 15:57

      Não se trata de um "jogo de passa-repassa", mas de um exercício da liberdade humana de aderir ou não ao projeto de Deus. E é definitivo porque a mudança é próprio da matéria - princípio fílosófico clássico adotado pela teologia - à qual o homem deixa de se constituir após a morte. E fica tranquilo que você não viverá milênios para ter de aguentar isso! :)

      Rafael | 01/12/2009 | 14:58

      ...sofrimento". Isso para não entrar no mérito do propósito do universo. Deus fez tudo para colocar suas criaturas "superiores" num jogo de "passa-ou-repassa"? Haja saco pra aguentar milênios disso.

      Rafael | 01/12/2009 | 14:57

      Caro Manzoni, o apóstolo Lucas em seu texto afirma: "lugar de pena definitiva, sem possibilidade de retorno ou de mitigação do sofrimento" (cf. Lc 16, 19-31). Se o "lugar de pena definitiva" não é um lugar físico e sim um estado de espírito (escolha como interpretar) pouco importa, pois o aviso trata da possibilidade de condenação eterna. Seja qual for o "pecado mortal" cometido em vida, me parece um tanto quanto desproporcional uma condenação "sem possibilidade de retorno ou de mitigação do...

      Manzoni | 01/12/2009 | 12:10

      Em outra parte afirma: "E é este estado de auto-exclusão definitiva da comunhão com Deus e com os bem-aventurados que se designa pela palavra "Inferno"» (n. 1033). A «perdição» não deve, por isso, ser atribuída à iniciativa de Deus, pois no Seu amor misericordioso Ele não pode querer senão a salvação dos seres por Ele criados. Na realidade, é a criatura que se fecha ao Seu amor. " E assim há outras partes que dizem o mesmo!!!

      Manzoni | 01/12/2009 | 12:08

      Veja o que o texto diz dois parágrafos abaixo do que você citou: \"3. As imagens com que a Sagrada Escritura nos apresenta o inferno devem ser interpretadas de maneira correcta. Elas indicam a completa frustração e vazio de uma vida sem Deus. O inferno está a indicar, mais do que um lugar, a situação em que se vai encontrar quem de maneira livre e definitiva se afasta de Deus, fonte de vida e de alegria.\" (...)

      Manzoni | 01/12/2009 | 12:04

      Rafael, você tem certeza de que leu todo o texto da audiência? Tentou ler com o mínimo de boa vontade exigida para a compreensão (não digo aceitação) do que o debatedor ou expositor de uma tese pretende afirmar? Essa sua interpretação foi a que você, aprioristicamente, quis ler no texto e não a que lá está exposta. Não sou contra a "leitura preconceituosa", mas ela não pode levar à distorção ou à 'não-leitura'.

      Rafael | 01/12/2009 | 10:36

      Caro Márcio, li o texto sobre o Inferno segundo Karol Wojtyla. DEFINITIVAMENTE, não consigo entender como você pode acreditar em um "lugar de pena definitiva, sem possibilidade de retorno ou de mitigação do sofrimento" (cf. Lc 16, 19-31). Pior, não consigo entender como você pode achar possível a conciliação entre ciência e esse tipo de pensamento. O carrasco mais cruel de todos os tempos é fichinha perto desse deus que a sua igreja defende.

      Hans Niemandwitz | 30/11/2009 | 21:12

      Márcio, não conhecia a obra de Giberson, mas li sua resenha de "Saving Darwin". Agradeço-lhe a resenha, muito boa. Muito há a ser dito. Por ora, fiquemos com a tese Gibersoniana de que a evolução à la Darwin é descritiva e não propositiva, e de que não há juízo de valor em A Origem das Espécies. Perdoe-me, mas não posso concordar com isso, porque o juízo de valor ficou implícito na Origem, e depois foi explicitado no "The Descent of Man". É ler e ligar os pontos: a eugenia nasce dali, sem peias.

      Marcio Antonio Campos | 30/11/2009 | 19:13

      Rafael, "sustentar" significa que Deus mantém a existência do universo por sua vontade. Ou, nas palavras do Catecismo: "Com a criação, Deus não abandona suas criaturas para si mesmas. Ele não lhes dá somente vida e existência, mas também, e a cada momento, as mantém e sustenta na vida, habilita-as a agir e as traz ao seu objetivo final." Quanto ao inferno, recomendo o texto da audiência de João Paulo II em 28 de junho de 1999, é fácil de achar em português no site do Vaticano.

      Rafael | 30/11/2009 | 17:34

      Caro Márcio, vc diz ali que "Acreditar em criação, para mim, não significa que Deus tenha criado todos os seres; Ele certamente tirou o universo do nada, Ele sustenta a existência desse universo, mas as leis físicas, químicas e biológicas se encarregam do restante, sem que isso diminua Sua grandeza." Diante disso pergunto: o Inferno é sustentado por Deus ou é resultado de leis físicas, químicas e biológicas? Abraço

      Marcio Antonio Campos | 30/11/2009 | 15:42

      Hans, na verdade tanto a questão de Darwin "inspirar" Haeckel e a eugenia nazista, quanto às consequências "teológicas" da existência da vespa icneumônida foram tratadas por mim na resenha de Saving Darwin. Acreditar em criação, para mim, não significa que Deus tenha criado todos os seres; Ele certamente tirou o universo do nada, Ele sustenta a existência desse universo, mas as leis físicas, químicas e biológicas se encarregam do restante, sem que isso diminua Sua grandeza.

      Hans Niemandwitz | 29/11/2009 | 16:43

      Você, Márcio, e eu escolhemos o primeiro, mas Darwin escolheu explicitamente o segundo. Não existe acomodação entre idéias que se excluem mutuamente. Darwin acreditava em geração espontânea, e desapontou-se com Pasteur. Neste início de século XXI, felizmente, já sabemos qual é a probabilidade de, ao acaso, formar-se uma proteína (umazinha só) de 150 aminoácidos (tamanho mediano): 1 em 10 elevado a 164. E agora, quem ainda topa fazer suas apostas?

      Hans Niemandwitz | 29/11/2009 | 16:42

      Com isso eu quero dizer o seguinte: OU escolhemos acreditar que o Verbo Divino se fez carne entre nós, e por nós, mostrando-nos que estamos neste mundo, mas não somos deste mundo, OU, AO INVÉS, escolhemos acreditar que somos tão-somente uma fração de um universo físico auto-referido, sem aberturas ao supracósmico, ao necessário e ao eterno, com todas as coisas bióticas valendo tanto quanto vale seu sucesso adaptativo na luta pela sobrevivência e procriação, no limite de sua contingência.

      Hans Niemandwitz | 29/11/2009 | 16:38

      se o homem é tão-só um resultado possível, contingente, fruto de um processo estocástico, ateleológico, assim como todos os demais entes bióticos, tal qual uma bactéria, ou uma “vespa cujas larvas são programadas para se alimentar dos órgãos internos de seu hospedeiro na ordem exata para fazê-lo viver o máximo possível enquanto seja devorado”, então não somos a criatura digna de ter recebido entre nós o Logos encarnado na forma humana, de quem os evangelhos nos dão testemunho.

      Hans Niemandwitz | 29/11/2009 | 16:33

      O especial Darwin pode ter terminado em 27.11.09, mas os tópicos e as controvérsias nele abrigados continuarão, espero, a voltar a este valoroso blog. Permita-me, no entanto, uma resposta à sua pergunta posta aí acima: "Onde raios a evolução desmente a crença em um criador?" É muito simples: {resposta nas quatro caixas acima}

      Marcio Antonio Campos | 28/11/2009 | 14:20

      Gilberto, na verdade a minha resenha só foi escrita usando metáforas do futebol porque o próprio livro do Sandro de Souza foi escrito assim (tanto que o resto do blog não segue essa linha). Obrigado pelos elogios e continue acompanhando as discussões!

      Gilberto Lozano | 28/11/2009 | 10:40

      Descobri o seu blog justo nesta semana do especial sobre Darwin. Gostei muito dos posts anteriores ao último. Simplesmente não é por estar no Brasil que tudo deva ser visto pela ótica do futebol. Há tanto disso que uma discussão como a que você estava fazendo tão acertadamente se torna um lugar comum com a introdução de analogias relacionadas ao futebol. Pretendo continuar lendo o seu blog. Obrigado pela cuidado e atenção que você põe na escrita deste blog. Keep up the good work.

      Lampedusa | 27/11/2009 | 17:27

      E, finalmente, parabéns ao Márcio pelo excelente "especial Darwin". Acompanho a grande imprensa escrita do eixo RJ-SP e a Gazeta do Povo e posso afirmar que foi a melhor matéria sobre essa efeméride.

      Lampedusa | 27/11/2009 | 17:25

      O ponto 1 "1. A crença em um mundo constante: acreditava-se em 1859 que o mundo refletia o planeta Terra da época da criação" não era uma das bases da crença religiosa até 1859, mas, sim, da própria ciência até então! E as outras 3 bases não foram abaladas pela teoria de Darwin.

      Lampedusa | 27/11/2009 | 17:22

      Ué... como ele me classificaria, dado que creio em Deus criador dos céus e da Terra e, ao mesmo tempo, que tal criação se deu pelas leis do acaso e da seleção natural???

      Fernando Luz | 27/11/2009 | 16:45

      Conheci o blog essa semana e achei-o, simplesmente, genial. Já assinei o Reader e até indiquei no twitter. :) Excelente conteúdo, que muito interessa quem acredita no Cristianismo Inteligente. abs

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