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À procura do terroir perfeito

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Em Colombo, São José dos Pinhais, Campo Largo e Toledo. Os produtores paranaenses estão em busca dos melhores locais e clima para a produção de vinhos de qualidade

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5 anos

é o tempo que leva, em média, para um vinhedo ter a sua primeira safra vinificada e engarrafada.

Fino X Mesa

No Brasil há a distinção entre vinhos finos e de mesa (coloniais). Ela se tornou necessária por uma questão econômica e difere de outros países. Por aqui, os vinhos finos são aqueles oriundos de uvas vitis viníferas (somente europeias). Já os rótulos de mesa são produzidos com outros tipos de uvas, como as americanas. Segundo a sommelière Tháys Ferrão, os vinhos coloniais ainda dominam a produção paranaense.

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Fino X Mesa
Ivonaldo Alexandre / Gazeta do Povo
Segundo os especialistas, o clima da RMC é parecido com o da Serra Gaúcha
Ivonaldo Alexandre / Gazeta do Povo
Vinhedos em Campo Largo: colheita começou em março

O Paraná não é conhecido como um grande produtor de vinhos, mas empresários do setor estão dispostos a mudar esta realidade. Nos últimos anos passaram a investir em pesquisas para encontrar as uvas que melhor se adaptam ao solo paranaense, aumentar a qualidade do produto e, é claro, a sua competitividade.

Da região metropolitana de Curitiba (RMC) até a região de Toledo, no oeste do Estado, a descoberta do tão sonhado terroir ideal (combinação do solo, clima e a forma de cultivo) passou a ser acompanhada mais de perto por enólogos e agrônomos. Até agora, as variações candidatas ao posto de uva do Paraná são cabernet sauvignon, merlot, chardonnay, cabernet franc, viognier, syrah e pinot noir.

Na vinícola Franco Italiano, em Colombo, além da contratação de especialistas foi necessária a troca dos barris por tipos mais sofisticados. Atualmente, comercializa 12 rótulos finos entre espumantes, brancos e tintos. Segundo um dos proprietários, Fernando Camargo, as uvas que mais se adaptaram ao terroir de Araucária foram a syrah e a viognier. “O que mais me impressiona no syrah é a característica do Velho Mundo, com toque de defumado e tabaco,” afirma.

Uma das explicações para essa característica é o solo calcário de Campo Largo, também na RMC. A Franco Italiano tem vinhedos em Colombo, mas boa parte das uvas são provenientes de Campo Largo. Da mesma forma atua a vinícola Araucária, de São José dos Pinhais. As duas produtoras fazem experimentos de variedades e compram outros tipos de uva de produtores campolarguenses. As vinícolas compartilham também equipamentos para a produção dos rótulos.

A Araucária começou os estudos em 2007 e lançou neste ano seus dois primeiros rótulos finos: o espumante Poty (R$ 59) e o tinto cabernet sauvignon Agustifólia (R$ 49). Cada um deles teve um envasamento de cinco mil garrafas. Segundo Renato Adur, um dos proprietários, a vinícola foi projetada para produzir 40 mil garrafas por ano. “Nossa expectativa é que em 2017 estaremos em capacidade máxima,” diz. Ainda segundo ele, a RMC é, em média, 5 graus C mais fria que Curitiba, o que ajuda a vinicultura.

Quem também faz experimentos em Campo Largo é o Grupo Famiglia Zanlorenzi, dona das marcas Campo Largo e Lunar. Há dois anos a empresa começou os testes com as uvas chardonnay, cabernet sauvignon, merlot e cabernet franc. Por enquanto, os rótulos do grupo são feitos com uvas do Rio Grande do Sul. “Hoje os vinhedos do Paraná representam 2% do bolo do grupo e só produzem suco de uva. Nossa meta é que em 2016 este número chegue a 15%,” afirma diretor-presidente Giorgio Zanlorenzi. Ainda segundo ele, o clima paranaense é muito parecido com o da Serra Gaúcha. “Com esses experimentos temos resultados iguais ou superiores ao da Serra. Com um trabalho bem planejado, não vejo dificuldade em concorrer”, afirma.

No Oeste

Quase na fronteira com o Paraguai, a vinícola Dezem descobriu o terroir de Toledo há quase 15 anos. A diretora da empresa, Susan Russ Dezem, lembra que foram seis anos de testes até que em 2005 lançaram o primeiro rótulo. Ela explica que diferentemente da RMC, no oeste o solo é argiloso e vermelho, o que auxilia no aroma e sabor mais complexo do vinho. “Dentre as vantagens estão o clima bem definido, as 14 horas de luminosidade e verão não muito chuvoso. As uvas chardonnay e malvasia foram as que melhor se adaptaram,” afirma. A Dezem produz 50 mil litros de vinhos e 15 mil de espumante anualmente, com 12 rótulos distintos. “Nossa perspectiva é em quatro anos produzir 100 mil litros.”

Tags: vinho
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