Guilherme Rodrigues

Os seis melhores vinhos chardonnay chilenos até R$ 70

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Coluna Notas Báquicas degustou diversos rótulos disponíveis no mercado brasileiro e aponta quais são as melhores compras nesta faixa de preço

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Chardonnay do Chile: a aposta certa em brancos

Nos dias quentes do verão tenho encontrado refúgio seguro nos vinhos brancos mais casuais. Alvarinhos, Vermentinos, Pinot Grigios, Sauvignon Blanc, Viognier e tantos outros. Nada de rótulos grandiosos e caros. O maior prazer está na simplicidade de bom gosto. E olhem que apesar dos brancos não gozarem de grande reputação perante muitos, sou fã deles e cada vez encontro vinhos mais bem feitos, definidos e estimulantes, sem furar o bolso. Escolhi uma seara onde é difícil se decepcionar. Os excelentes Chardonnays chilenos. Ainda por cima a preço mais convidativo, abaixo de R$ 70. Nem pensar em abrir o mais celestial dos brancos secos do mundo, o Montrachet, da Borgonha, 100% Chardonnay que custa mais de mil dólares a garrafa. Ou o Domaine de la Romanée Conti e de uma safra especial, que passa dos 10 mil.

Fomos ao local perfeito, o restaurante Espaço Depósito. Situado no Rebouças, fica num terreno grande, com belíssimo, amplo e bem cuidado jardim. Ideal para um fim de dia quente de verão. Arejado, sem prédios à volta, nem parece que estamos em Curitiba, mas no campo.

Os vinhos saíram-se lindamente. Afinal, são feitos com a mais emblemática das uvas brancas, com menção documentada de dar os melhores vinhos desde o século XVI, na França, num perímetro que engloba a Borgonha e as nascentes do Loire. O nome refere-se ao vilarejo homônimo, no Mâconnais, berço da casta, ou pelo menos de sua difusão. Alguns dos grandes Chardonnays da Borgonha envelhecem bem, casos de até mais de 30 anos. Contudo, especialmente em faixa de preço mais acessível, o ideal é aproveitá-los nos primeiros cinco anos de vida. São resistentes, mais que a grande maioria dos brancos rivais, mas como os demais, não ganham muito com o tempo na garrafa.

A virtude especial da casta é harmonizar untuosidade e frescor. Maciez e vivacidade. Potência e equilíbrio. Não é tão dura ou cortante como a Sauvignon Blanc, nem tão cheia e pesada como a Marsannay, por exemplo. É perfumada, mas sem exagero. O frutado remete a maçãs, por vezes cítricos. A mineralidade aparece bem, por vezes também um voluptuoso amanteigado, coberto por nuances sofisticadas. Os maiores Chardonnays devem ser pouco refrescados, na casa dos 12 graus C. Os demais, por volta dos 8 graus C, pouco abaixo se estiver muito calor. Gostam de arejamento.

A prova foi às cegas, sem que o degustador soubesse que marca estava provando. Os copos são trazidos à mesa servidos e em ordem numérica. Somente após completas as notas de prova, são revelados os rótulos. Foram 14 amostras, das quais as seis campeãs aparecem a seguir. O competente serviço esteve a cargo de Aderival Pereira Damato. Após a degustação, o exímio assador Pedro Stein serviu as deliciosas carnes da grelha do restaurante.

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Guilherme Rodrigues é advogado, enófilo, membro de importantes confrarias internacionais. Dedica-se ao estudo e à degustação de vinhos há 25 anos. guilhermer@gazetadopovo.com.br

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