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Case de sucesso

Conheça a história de 40 anos da Empada Original em Curitiba

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Data de 19 de março marca a inauguração da casa na capital, mas a receita das empadinhas é centenária - veio da Áustria com Jacob Ewy

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Família Ewy e suas empadas - seu José Alfredo e dona Alice e as duas filhas, Joclene e Joselem. Foto: Jonathan Campos.

Família Ewy e suas empadas – seu José Alfredo e dona Alice e as duas filhas, Joclene e Joselem. Foto: Jonathan Campos.


Quem senta em uma das mesinhas da Empada Original, no Centro de Curitiba, não sabe, mas a história das empadinhas vai longe. Mais precisamente, até a Áustria e, de preferência, em cima de uma corda bamba. A casa abriu as portas oficialmente neste mesmo dia 19 de março, há exatos 40 anos, mas a receita dos salgados é centenária.

E quem a trouxe para cá foi Jacob Ewy, um austríaco que por aqui chegou como uma das grandes atrações do Circo Europeu, em 1885 – ele era violinista, equilibrista e andava sobre a corda bamba. Além disso: sabia cozinhar. E mais: se apaixonou pelo Brasil.  “Ele veio uma vez, voltou, veio outra, voltou… Na terceira, ficou”, conta a bisneta de Jacob, Joclene Ewy, da quarta geração da família que faz empadas por essas bandas.

Jacob Ewy, o austríaco que começou a tradição das empadas da sua família no Brasil. Foto: acervo familiar.

Jacob Ewy, o austríaco que começou a tradição das empadas da sua família no Brasil. Foto: acervo familiar.

Jacob casou-se com Doroteia, cuja origem é incerta – há pistas de que talvez fosse alemã. Tiveram dez filhos, entre eles Otto, nascido em 1908 na região de Ponta Grossa. Diz a lenda que desde novinho era ótimo padeiro e confeiteiro, e foi justamente ele que continuou a tradição da família. Otto trabalhou durante 22 anos nos Correios, mas fazia empadas (seguindo a clássica receita do pai, é claro) para os amigos. Aos poucos, começou também a vendê-las – andava pela cidade com uma cesta de empadinhas, além de fornecê-las também para lugares como o Armazém São José e Clube Verde, em Ponta Grossa. Fez sua fama – não só com as empadas, mas também com a queijadinha, feita com a mesma massa.

Desde o início da história dos Ewy no Brasil, a empada mais famosa sempre foi a de palmito. “Na verdade, a gente não sabia qual era o recheio original das empadas na Europa, talvez champignon, mas sabemos que meu bisavô quando chegou se encantou por palmito, que não tinha por lá e assim a receita foi adaptada”, explica Joclene. Depois dela, depois surgiram as de frango e palmito com camarão, mas a invenção de Jacob continua sendo a mais famosa e vendida até hoje.

O caso das 10 mil empadinhas

Otto Ewy e um funcionário da Empadinhas Otto em frente ao forno da casa, em Ponta Grossa. Foto: acervo familiar.

Otto Ewy (à direita) e um funcionário da Empadinhas Otto em frente ao forno da casa, em Ponta Grossa. Foto: acervo familiar.

Em 1946, Otto abriu a Empadinhas Otto, que funciona até hoje em Ponta Grossa. Teve quatro filhos, entre eles José Alfredo, o primogênito, que se casou com Alice Thereza Justus. Lá pela década de 1960, deixaram os Campos Gerais para se fixar em Curitiba, onde tiveram uma padaria durante alguns anos (Panificadora Elite, que também funciona até hoje, no número 54 da Doutor Carlos de Carvalho, mas não é mais da família).

José Alfredo Ewy olha foto da sua turma do curso de fermentação e panificação que fez na década de 1960. Foto: Jonathan Campos.

José Alfredo Ewy olha foto da sua turma do curso de fermentação e panificação que fez na década de 1960. Foto: Jonathan Campos.

Uma das histórias mais marcantes dos Ewy, porém, é de 1976, quando a Empadinhas Otto registrou recorde de encomendas e vendas no balcão: foram 10 mil unidades feitas na véspera de Natal. “Meu Deus, foi uma loucura! Todo mundo da família teve que ajudar, inclusive as crianças, que ajudavam a contar – viramos a noite para conseguir”, diverte-se Joclene.

Empada Original

A empada de palmito é até hoje a mais famosa. Foto: Jonathan Campos.

A empada de palmito é até hoje a mais famosa. Foto: Jonathan Campos.

Um ano depois disso, em 1977, José Alfredo e Alice inauguram a Confeitaria Rio, em Curitiba, na rua Professor Fernando Moreira – o mesmo imóvel onde hoje funciona a Empada Original. O nome era outro, mas as empadinhas eram as mesmas. O lugar só foi assumir sua alcunha atual em 1993, quando Joclene começou a vender as empadas também nas feirinhas noturnas de Curitiba, onde ficou durante 14 anos. Depois, a família resolveu voltar a focar no que faz de melhor: atender clientes atrás do balcão e, claro, colecionar histórias (literalmente: Joclene tem até um caderninho onde anota causos curiosos que já aconteceram por lá).

Hoje, os Ewy fabricam cerca de três mil empadas por dia. Sempre tem as de palmito, frango, palmito com camarão e bacalhau e os preços variam entre R$ 6 e R$ 9, dependendo do recheio e tamanho. Mas eles fazem empadinhas, empadas e empadões sob encomenda com o recheio que o cliente quiser – até de sardinha e leitão eles já fizeram.

Dona Alice Ewy é a responsável pela massa das empadinhas. Foto: Jonathan Campos.

Dona Alice Ewy é a responsável pela massa das empadinhas. Foto: Jonathan Campos.

Dona Alice, hoje aos 80 anos, é a responsável pela massa; as duas irmãs, Joclene e Joselem, fazem o recheio e a montagem. Curiosamente, seu José Alfredo, hoje aos 85 anos, apesar de conhecer bem a receita da sua família, não faz empadas (mas adora fazer cuques, pães e fabrica também sua própria vodka, que também são vendidos na Empada Original).

Serviço

Empada Original, Rua Professor Fernando Moreira, 565, Centro – (41) 3233-3225. Abre de segunda a sexta-feira das 11h às 19h30 e aos sábados das 11h às 17h30.

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