Publicidade

Microcervejarias criam growlers e rótulos únicos para aumentar receita

por

Os microprodutores da região de Curitiba criam novas formas de venda e visitas guiadas às fábricas para conquistar mais consumidores

Compartilhe

Esta década será lembrada em Curitiba como a da explosão do mercado das cervejas artesanais. Na onda de resgate da cultura cervejeira, a capital paranaense se afirmou como um dos polos mais importantes da produção artesanal no Brasil. No Paraná são dezenas as microcervejarias, a maioria se concentra em Curitiba e região, que abastecem o mercado local, participam com sucesso de competições nacionais e internacionais e fomentam a economia.

Chopeiras da cervejaria Pfau. Foto: Antônio More/Gazeta do Povo

Chopeiras da cervejaria Pfau. Foto: Antônio More/Gazeta do Povo

“Boa parte das microcervejarias da região nasceu há uns 7 ou 8 anos. Esse crescimento é atrelado à cultura do curitibano que busca sempre novidades, boas bebidas e é um público bastante crítico, o que acaba nivelando a qualidade por cima”, avalia Luciano Wengrzinski, proprietário da Wensky Bier e presidente da Procerva, associação que reúne 39 microcervejarias do Paraná, 25 das quais estão instaladas na região de Curitiba.

>>> O que são e como funcionam as cervejarias ciganas

Para conquistar mais mercado, os fabricantes tentam se diferenciar das grandes marcas criando estilos e sabores únicos e promovendo a sustentabilidade, seja ambiental seja financeira.

Nessa onda, os growlers, charmosos recipientes de vidro, plástico e alumínio utilizados para repor a cerveja ganham cada vez mais adeptos. Além de fidelizar o cliente, permitem conservar melhor a bebida, já que são enchidos diretamente dos tanques das fábricas. Geram também uma boa economia para o cliente, já que o litro de cerveja acaba saindo até 60% mais barato do que no varejo. O tamanho dos recipientes varia de 1 a 5 litros e são encontrados no mercado a partir de R$ 70.

Só a Bodebrown calcula ter espalhados pela cidade cerca de 6 mil garrafões retornáveis. “Esse modelo diminui a poluição, reduzindo garrafas, rótulos e a distribuição, e permite que o cliente tenha um produto fresquíssimo que não ficou parado em depósitos, lojas ou mercados. Sem contar que incentiva a interatividade, já que o cliente vai até a fábrica, faz uma visita, pode levar a família e há uma troca cultural e de experiências”, explica o empresário Samuel Cavalcanti, que inaugurou a escola de cervejaria da Bodebrown, em 2009.

Samuel Cavalcanti, da Bodebrown, é um dos pioneiros da produção artesanal que transformou Curitiba em polo cervejeiro. Foto: Albari Rosa/Gazeta do Povo

Samuel Cavalcanti, da Bodebrown, é um dos pioneiros da produção artesanal que transformou Curitiba em polo cervejeiro. Foto: Albari Rosa/Gazeta do Povo

Para aproximar o público, as cervejarias organizam diversos tipos de eventos, geralmente nos fins de semana, como os “growlers day”, feiras gastronômicas e visitas guiadas para conhecer as instalações, o processo de produção e, claro, dão direito a uma refrescante degustação.

Renascimento

O resgate da cultura cervejeira remonta ao final da década passada quando o empresário Samuel Cavalcanti. “Graças aos cursos, as pessoas começaram a entender o que é a cerveja artesanal, o lúpulo, o malte, a fermentação. Na mesma época abri também uma pequena loja de insumos e instrumentos para fazer cerveja em casa, isso permitiu que os alunos se encontrassem para trocar informações e fazer suas receitas em casa”, explica Cavalcanti.

Desde então passaram pela escola cerca de 3.500 alunos, alguns dos quais se tornaram reconhecidos mestre-cervejeiros, como os fundadores das marcas Way Beer, Morada Cia. Etílica, Tormenta, Bastards Brewery e Ogre Beer. “As microcervejarias paranaenses geralmente são empresas familiares em que o dono é diretamente envolvido na produção junto com outros parentes. O que difere da grande indústria é a dedicação integral e o cuidado especial com o produto e com os ingredientes de qualidade”, diz Wengrzinski.

Way Beer organiza visitas guiadas na fábrica para conhecer a produção e degustar a cerveja direto dos tanques. Foto: Antônio More/Gazeta do Povo

Way Beer organiza visitas guiadas na fábrica para conhecer a produção e degustar a cerveja direto dos tanques. Foto: Antônio More/Gazeta do Povo

Atualmente, os cervejeiros se dividem em duas categorias: os que têm fábrica própria e os “ciganos” (também chamados de associados), que produzem de forma terceirizada em outras cervejarias. “Os dois modelos se complementam: de um lado quem não tem fábrica vai poder produzir e comercializar sua cerveja; do outro mantêm as fábricas funcionando”, explica Ronaldo Flor, sócio proprietário da Gaudenbier, cervejaria que além de produzir as cervejas próprias, é local de fabricação de cinco marcas terceirizadas. De acordo com a Procerva, as microcervejerias paranaenses produzem entre 1 mil e 300 mil litros por mês, embora a maioria delas não ultrapasse os 100 mil.

South Beer Cup

Maior concurso de cervejas da América Latina, a 6ª edição do South Beer Cup já tem data marcada para desembarcar em Curitiba. O evento será realizado de 9 a 11 de junho no Museu Oscar Niemeyer (MON). A programação contará com palestras, degustações e uma competição para eleger os melhores estilos de cervejas.

Conheça as 25 marcas de cervejas artesanais produzidas em Curitiba e região metropolitana, as fábricas que realizam tours guiados e enchem os growlers. 

Compartilhe
Publicidade

Assine a Gazeta do Povo e receba mensalmente o Bom Gourmet.