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Exposição celebra uma década de Amely, a feminista

Personagem da cartunista Pryscila Vieira festeja dez anos de existência com exposição na Gibiteca; livro e peça saem até o fim do ano

  • Isadora Rupp
Artista diz que recebe sugestões de temas por e-mail, e acaba virando conselheira de leitoras. Personagem (uma boneca inflável) tornou-se, de certa forma, porta-voz da mulher moderna. | Fotos: Albari Rosa/Gazeta do Povo
Artista diz que recebe sugestões de temas por e-mail, e acaba virando conselheira de leitoras. Personagem (uma boneca inflável) tornou-se, de certa forma, porta-voz da mulher moderna. Fotos: Albari Rosa/Gazeta do Povo
 
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Faz 10 anos que a cartunista Pryscila Vieira namorou uma “criatura” que não gostava de discutir a relação – parecia mais afeito a conviver com uma mulher-objeto, que não pensa, não fala, nem reclama. O relacionamento terminou, e ela foi para a prancheta se vingar. Criou a Amely, boneca inflável que chega “encantada” ao comprador, o frustrado José Ronaldo, com questões e indagações como qualquer mulher. Pryscila festeja o aniversário de uma década da personagem na quinta-feira (16), na mostra “Amely 10 Anos”, que abre na Gibiteca de Curitiba às 19h30.

“Eu não criei a Amely para me acompanhar por 10 anos, é obra do destino mesmo”, diz Pryscila, uma das poucas mulheres cartunistas do Brasil.

A exposição – que passará por São Paulo, Rio de Janeiro e Roma –traz 60 histórias selecionadas pela autora, todas elas impressas em azulejo. Há também cinco esculturas da boneca. Para realizá-las, a cartunista teve aulas, desde dezembro do ano passado, com o artista Thiago Provin. A famosa “Amely de Luto” foi esculpida, assim como a “Amely Eva”, retratada em várias tirinhas.

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Fico 24 horas por dia com a Amely paralela ao meu lado, pensando como ela, além de pensar como eu e outros personagens

Pryscila Vieira cartunista.

A artista nem se deu conta, mas as histórias da Amely, que questionam assuntos como preconceito, celulite e vício em chocolate, acabaram chamando a atenção de feministas. Não era a intenção de início – a personagem autobiográfica surgiu para dar vazão aos seus próprios sentimentos, mas foi além. “Nesses 10 anos, ela foi convidada para participar de exposições sobre direitos da mulher. Nesse tempo, tivemos avanços na Lei Maria da Penha, já temos uma lei do feminicídio. Ela foi acompanhando essas mudanças da sociedade, e evoluiu”, fala.

Pryscila afirma que, sim, Amely é uma feminista. Mas não a enquadra em um único modelo. “Hoje em dia, o feminismo tem várias vertentes. Acho que a Amely é porta-voz dessas agruras que a gente passa. Representa bem a voz das mulheres”. Além disso, o humor de tirinha de jornal, frisa a cartunista, sempre foi feito por homens e para homens. “A mulher sempre foi o objeto da piada. Uma mulher cartunista, falando de celulite, da manicure que é quase uma psicóloga, conversa com as mulheres. A gente está mudando a cara do humor”.

Amely, entretanto, costuma agradar “gregos e troianos”, diz Pryscila: a autora recebe muitos e-mails de homens agradecendo certas “elucidações” sobre as mulheres. Acontecimentos da própria vida também acabam indo para os quadrinhos, assim como histórias de amigas, conhecidos e anônimos, que ela escuta de canto em algum café. “Eu vivo antenada, com a Amely paralela, 24 horas por dia. Em cada situação, consigo extrair alguma comédia da tragédia”, conta a cartunista, que se interna no que ela chama de “sede campestre”, em Ponta Grossa (onde vive atualmente), para desenhar, esculpir e ter ideias.

A autora também recebe muitos pedidos pela internet (“Pryscila, sou chocólatra, fala sobre isso!”), e acaba virando conselheira das leitoras – seja de assuntos banais ou graves (volta e meia, mulheres a procuram perguntando o que fazer, porque apanham do marido). “Às vezes, as histórias têm um teor que nem eu reconheço, e que toca de alguma maneira essas pessoas”.

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Outros vivas

Pryscila fez de 2015 o “ano Amely”: fora a exposição, a artista também lança nesta terça-feira (14) o site amelyreal.com. Todas as tirinhas da mostra na Gibiteca estarão à venda – o e-commerce tem ainda canecas, relógios e outros produtos.

Na página, a cartunista também vai atualizar um blog e publicar as tirinhas. As histórias, que começaram a ser publicadas no jornal Metro e estavam na Folha de S. Paulo, por enquanto, estão sem canal de divulgação impressa.

Uma peça sobre a personagem, de autoria de Pryscila, e um livro de Amely devem sair até o final do ano. “Ela parece uma pessoa mesmo, a vida leva. A gente perde o controle da bicha!”.

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