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Incoerência marca mostra com obras da Lava Jato

Segundo especialistas, exposição em cartaz no MON conta com boas obras, mas vale mais pela curiosidade

  • Isadora Rupp
Obras apreendidas pela Operação Lava Jato em exibição no MON | Henry Milleo/Gazeta do Povo
Obras apreendidas pela Operação Lava Jato em exibição no MON Henry Milleo/Gazeta do Povo
 
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Heterogêneo, mas não de uma maneira tão positiva: é assim que especialistas na área de arte definem o conjunto das obras apreendidas na operação Lava Jato, expostas no Museu Oscar Niemeyer (MON) na mostra “Obras Sob a Guarda do MON”.

Nomes como Cícero Dias, Vik Muniz e Iberê Camargo fazem parte da coleção de 48 trabalhos, dos dois primeiros lotes – outros dois estão na reserva técnica do museu, ainda sem previsão de serem expostos.

Confira algumas das obras expostas no MON

“Quando se fala em coleção, você pensa em uma linha, no gosto pessoal de quem compra. E no caso das obras da Lava Jato, não existe uma homogeneidade, longe disso”, fala a diretora do Centro de Artes da Escola de Música e Belas Artes do Paraná (Embap), Juliane Fuganti. Isso não significa que a exposição seja irrelevante: para ela, vale ir até ao MON só para ver “Manequins” (1991), uma aquarela sobre papel do gaúcho Iberê Camargo, e “Galeria” (2002), tela sobre madeira de Daniel Senise, um dos destaques da “Geração 80” no Brasil.

A tela de Senise, aliás, é um dos trabalhos com melhor valor de mercado, acredita o diretor da Bolsa de Arte, Jones Bergamin. “Deve custar cerca de R$ 200 mil”, diz. É o mesmo preço de “Rio de Janeiro” (2013) e “Édipo e a Esfinge” (2006), de Vik Muniz, brasileiro muito valorizado no mercado internacional – suas obras estão em acervos de museus como Tate Modern e o Victoria & Albert Museum, de Londres. “São dois trabalhos de boa qualidade”, fala Bergamin.

O diretor da Bolsa de Arte destaca que o segundo lote da apreensão tem “melhor qualidade” do que o primeiro, com uma linha contemporânea. O fato de incluir fotografia (além de Vik, há obras de Miguel Rio Branco), aponta uma característica mais sofisticada do comprador. “A fotografia há muitas décadas é valorizada como obra de arte, mas ainda existe uma certa rejeição no Brasil. Então, mostra que a pessoa que comprou tem uma cabeça mais aberta”.

Já o primeiro lote, para Bergamin, é “pouco significativo.” Os trabalhos de Cícero Dias, por exemplo, são do fim da vida, que não é sua fase mais valorizada. As pinturas de Orlando Teruz, da década de 1970 e 80, são “desprezadas no mercado há anos”, conta. “São trabalhos que vão a R$ 15 mil e não vendem.”

O trabalho de Heitor dos Prazeres, apesar de relevante artisticamente, virou quase domínio público. Por isso, o preço é baixo, diz Bergamin.

Para a galerista Zilda Fraletti, a variedade de suportes e a diversidade de nomes (que vão de Di Cavalcanti a Nelson Leirner), aponta que a coleção não é de alguém apaixonado por arte.

“Não tem uma obra alinhavada na outra, me parece que é mais pelo valor monetário mesmo. Provavelmente, o comprador foi a alguns leilões e comprou o que vale a pena, possivelmente com ajuda de um art advisor. Não é algo que emociona no todo. Só emocionam algumas obras separadamente”, acredita Zilda.

Obras sob Guarda do MON

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