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Banda mineira Pato Fu lança nono disco de estúdio, todo ele gravado com instrumentos de brinquedo

  • Cristiano Castilho
Pato Fu: criatividade, que sempre marcou o grupo, ganha ares lúdicos em Música de Brinquedo, novo trabalho da banda |
Pato Fu: criatividade, que sempre marcou o grupo, ganha ares lúdicos em Música de Brinquedo, novo trabalho da banda
 
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Além da criatividade inerente e da despretensão calculada, os mineiros do Pato Fu sempre tiveram um pezinho no jardim de infância. Pois a banda que fez fãs decorarem, por exemplo, “Nin­gemwa imamade osoroshimeni attekita/ Atsui genbakuo hitoride uketa Nippon”, em “Made In Japan”, música do disco Isopor (1999), dois anos depois saia-se com o som de um pianinho de brinquedo, desafinado que só ele, em “Tolices”, canção presente no álbum Ruído Rosa. Isso além de trilhas sonoras compostas para, por exemplo, o seriado infantil Sítio do Picapau Amarelo.

Música de Brinquedo (Roto­music), nono álbum de estúdio de Fernanda Takai, John Ulhoa, Ricardo Hoctus, Xande Tamietti e Lulu Camargo, é a aceitação espontânea de uma brincadeira que sempre esteve nos planos da banda. “Pensávamos nisso há muito tempo. Não sabemos como as pessoas vão receber o álbum, mas quem conhece o Pato Fu deve achar que esse disco marca o complemento de uma etapa”, explica a singelíssima Fernanda Takai.

Não há muito segredo. Música de Brinquedo é um disco de 12 covers de músicas nacionais e internacionais conhecidas e cantaroláveis. A novidade está nos arranjos, criados com instrumentos de brinquedo, e na participação de três crianças de seis anos nos vocais. “Foi uma grande brincadeira que deu trabalho”, resume a vocalista.

Então imagine o tecladista Lulu “com sua mão peluda tocando um piano de brinquedo”. Ou um “instrumento” limitado que não alcança determinada nota. Mais: a utilização de um antigo Genius – tradicional brinquedo eletrônico da década de 1980 – como um saxofone barítono, kazoos e apitos emulando uma “metaleira” e, claro, caixinhas de música a dar e vender. “Adoramos a brincadeira de ficar apertando, criando, rindo”, conta Fernanda.

O repertório escolhido privilegia claramente canções de refrões marcantes. Todas são dignas de citação. A docinha “Primavera (Vai Chuva)”, música de Cassiano sucesso na voz de Tim Maia; a suingadinha “Soní­fera Ilha”, dos Titãs; a delicadinha “Rock and Roll Lullaby”, de Bary Mann e Cynthia Weil; a eletronicazinha “Frevo Mulher”, de Zé Ramalho – nesta música, um drawdio, espécie de lápis com minicircuito de theremin acoplado é tocado por John Ulhoa; a ruralzinha “Ovelha Negra”, de Rita Lee; a debochadinha “Todos Estão Surdos”, de Roberto e Erasmo Carlos; a roqueirazinha “Live and Let Die”, de Paul e Linda McCartney; a bregazinha “Pelo Interfone”, de Ritchie; a japonesinha “Twiggy Twiggy”, do grupo Pizzicato Five; a romanticazinha “My Girl”, de Smokey Robinson e Ronald White; “Ska”, dos Paralamas do Sucesso, e por fim a canção de ninar “Love Me Tender”, de Elvis Presley.

Além do arranjo “lúdico”, que não descaracteriza as músicas, nem (ainda bem) a própria banda, em todas as faixas Nina Takai (filha de Fernanda e John), Matheus D’Alessandro, colega de escola de Nina, e Mariana Devin, filha de um casal de amigos, cantam, pintam e bordam. “Gravamos as crianças em dois dias, foi rapidinho. Queríamos coisas fáceis, que não precisassem ficar superafinadas para que a naturalidade não se perdesse”, diz Fer­nanda. Surpreenda-se também com as perguntas sobre a comida preferida das crianças e inserções vocais não muito ensaiadas, e por isso mesmo interessantes.

O show de estreia do novo disco, no próximo sábado, no Rio de Janeiro, será todo feito com instrumentos de brinquedos, embora o minicoral tenha ficado de fora. “Vamos resolver isso com uma surpresa”, revela a vocalista. Mais uma. GGG1/2

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