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Caldinho de feijão e praça em seu nome

  • Cristiano Castilho
 
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TOPO

Ele sai de casa pelo menos três vezes por dia. A pé ou de táxi. É conhecido por toda a vizinhança, que, sem delongas, grita: “E aí, maestro?”. Quem conta as peripécias atuais de Waltel Branco é Celso Seixas, o vizinho. Seixas administra um estacionamento, que fica em frente de sua casa, na Ângelo Sampaio, a rua onde mora o violonista.

Os dois são amigos há tempos. Quando Waltel manca, Seixas pergunta se “é aquela dor na perna ainda?”. Quando Waltel ri, Seixas embarca junto. E quando o maestro toca ou lembra do passado, Seixas se emociona e não esconde isso de ninguém. “É um dos maiores músicos do Brasil. Mora logo aqui na frente e é amigo de todo mundo” diz, sentado em um banco de madeira no jardim de sua casa.

Por enquanto é só o banco, uma mesa redonda onde cabe um guarda-sol e a grama verdinha em volta. Mas a ideia é transformar o lugar em uma “praça” em homenagem a Waltel Branco. Com estátua e tudo. “Aí ele vai poder vir aqui a qualquer hora, para tocar e conversar”, se alegra o curitibano, que cita um punhado de artistas – Ary Fontoura, entre eles – que nasceram ou viveram naquela região da cidade.

Ainda que lentamente, Waltel Branco peregrina quase todos os dias os cerca de 200 metros que separam sua casa do Stereo Toaster, restaurante de Luiz Ferreira, ex-integrante da banda curitibana Beijo AA Força e atual membro da Maxixe Machine. Por quê? Tudo pelo caldinho de feijão, que pode fazer o maestro mudar de humor instantaneamente. “Aí sim”, diz Waltel, segurando a canequinha de barro.

O violonista é conhecido também por fazer músicas para amigos. De surpresa, chega com acordes montados e surpreende os mais próximos. Foi assim com as amigas Alice Ruiz (poeta e escritora) e Rogéria Holtz e Norma Cecy (cantoras). Uma das últimas criações do maestro foi a música que fez para Lana, filha de Luiz Ferreira. “Parece ser a forma de ele se comunicar mesmo”, diz Ferreira. A filha, de 7 anos, adorou.

Comprovando a simplicidade do mestre, a rotina de um dos maiores mestres vivos da música brasileira é essa: um passeio aqui, um papo ali e um caldinho de feijão na esquina mais próxima.

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