Seu app Gazeta do Povo está desatualizado.

ATUALIZAR

Enkontra.com
PUBLICIDADE

ESTREIA

”A Garota Dinamarquesa” retrata transgênero de forma conservadora

Qualidade de “A garota dinamarquesa”, sobre pintor que se descobre mulher, passa pela coadjuvante Alicia Vikander

  • Helena Carnieri
Eddie Redmayne (à direita) vive o pintor Einar Wegener, que mudou de sexo em 1930. | Divulgação
Eddie Redmayne (à direita) vive o pintor Einar Wegener, que mudou de sexo em 1930. Divulgação
 
0 COMENTE! [0]
TOPO

Filmes em que o tema passa pela própria arte costumam render boas imagens. Esse é um destaque de “A garota dinamarquesa”, cujo protagonista é o pintor Einar Wegener (Eddie Redmayne, indicado ao Oscar). Suas telas com paisagens de banhados escandinavos cobertos de neve e a luz fria do inverno acrescentam poesia à trama.

Confira no Guia onde assistir ao filme

Ela ganha cores vibrantes quando a mulher do pintor, Gerda (Alicia Vikander, que concorre como atriz coadjuvante) descobre sua própria identidade artística, mais selvagem e focada em retratos.

Essa é a melhor camada do filme, já que os fatos que tornaram o casal famoso são entregues de forma um tanto artificial. Einar entrou para a história não apenas por seus quadros que vendiam bem, mas por ter sido uma das primeiras pessoas transgênero a se submeter a uma cirurgia de mudança de sexo, em 1930 – uma infecção decorrente o mataria em 1931. Os parcos recursos e as crenças da época relacionadas ao tratamento das questões de gênero são apresentados de forma didática, quase que para não chocar.

Logo no início do filme começa a emergir a personalidade feminina de Einar, que ganha o nome de Lili Elbe – um ícone do movimento trans. O processo de descoberta, ao mesmo tempo chacoalha e inspira Greta a pintar melhor. A modelo de seus retratos é a própria Lili, que ela estimula a florescer e nunca abandona, não sem sofrimento.

A contradição inerente ao papel da esposa, descrita por David Ebershoff, autor do romance que deu origem ao filme, como “uma combinação incomum de independência e fidelidade” confere peso ao drama do casal.

Mas os trejeitos que o personagem Einar/Lili assume em sua busca são demasiado marcados pelo clichê, e irrita um pouco o fato de ele não ter dúvidas sobre submeter-se à perigosa cirurgia. Por outro lado, esse quadro faz parte de sua busca desesperada por referências, que o levam a percorrer Paris atrás de respostas e modelos para uma nova vida.

*

Assista ao trailer:

o que você achou?

deixe sua opinião

PUBLICIDADE

mais lidas de Caderno G

PUBLICIDADE