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Fringe escapa das quatro paredes

Espetáculos da mostra paralela optam por espaços inusitados para provocar interação com o público

  • Helena Carnieri
A atuação de Caminhos se mistura ao cotidiano das ruas e deixa os passantes intrigados ao propor uma caminhada para ver os atores em ação |
A atuação de Caminhos se mistura ao cotidiano das ruas e deixa os passantes intrigados ao propor uma caminhada para ver os atores em ação
 
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Fringe escapa das quatro paredes

Numa edição do Festival que começou com o público sentado nos paralelepípedos do Largo da Ordem, nada mais natural que haver peças – performances e intervenções – sendo encenadas em locais inusitados. A mostra paralela, Fringe, é o espaço ideal para isso. Além de diversos espetáculos de rua, foram e estão sendo encenados textos na praça, caminhando pela rua, numa penitenciária e até em quarto de hotel.

Saiba tudo sobre os espetáculos da Mostra Principal 2011 do Festival de Curitiba

O happening na Praça Santos Andrade já era conhecido do público curitibano. Espaço Outro (confira o serviço completo) estreou em maio do ano passado, e voltou a intrigar durante o Festival. Numa gaiola gigante de acrílico, o público é convidado a se espremer e ouvir vozes que contam uma história. Fora do cubículo, 11 atores representam e se misturam aos passantes da praça. Fica difícil saber quem é ator ou não. “Hoje as pessoas querem participar mais, tanto que muitas fazem curso de teatro. Ao mesmo tempo, não querem se sentir intimidadas”, conta Ana Ferreira, do grupo Acruel e uma das três criadoras da peça. “Pensamos em um espetáculo em que a presença do espectador seja necessária.”

Ainda mais participativo é Caminhos (confira o serviço completo), interferência urbana carioca que estreou no Fringe nesta semana. Munido de um aparelho MP3 com trilhas e áudio previamente gravados (e que precisa ser devolvido depois, obviamente), o público é convidado a partir numa caminhada de 43 minutos ao longo da qual observa os atores em ação. Também aqui, a ficção se confunde com a realidade das ruas. O trajeto é este: saída da Companhia dos Palhaços (Rua Amintas de Barros, 307), encenação no Café do Estudante, rave no Tubo do Ligeirinho, passa por trás do Teatro Guaíra e termina na Praça Santos Andrade.

O diretor José Alex Botelho de Oliva Júnior (Zé Alex, para os íntimos), do Rio de Janeiro, conta que o projeto da Cia EnvieZada tem objetivos tais como tornar os locais por onde a trupe passa totalmente novos para os espectadores. “A gente sempre acaba indo aos mesmos lugares sem perceber. Essa intervenção serve para que o público perceba que é ele quem muda os lugares e veja o cotidiano sob outro ponto de vista”, disse à reportagem.

Essa preocupação dos artistas com o meio urbano também levou o grupo de dança e performance Batton a inovar e lançar uma série de ações performáticas no Jardim Ambiental. “Queríamos construir um trabalho a partir de um espaço físico-urbano da cidade e nos interessamos por ele porque é como se fosse um parque próximo do Centro, com árvores, carros e pessoas”, comenta Luciana Navarro, integrante do Batton e artista de teatro e dança.

Após o início da programação, em março, o grupo transferiu as apresentações de Jardins para a Galeria de dança Pip du­­rante o festival.

Entre quatro paredes

Saindo do ar livre, há peças dentro do festival sendo realizadas em lugares diferentes e que podem ser muito claustrofóbicos. Diário de Uma Ladra, da Companhia de Teatro Os Shakespirados, do Piauí, esteve no MiniGuaíra nos primeiros dias de Fringe e encerrou a participação no festival com uma apresentação especial para as detentas da Penitenciária Feminina de Curitiba, na última terça-feira. Não foi apenas um ato beneficente, mas também o que pode ser considerado uma experiência sociológica: o texto traz relatos de presidiárias datados de mais de 100 anos – em que já se falava no problema da superlotação. A obra reverbera o Diário de um Ladrão, de Jean Genet, e o poema Balada do Cárcere de Reading, de Oscar Wilde.

Por fim, o texto de Plínio Marcos Navalha na Carne (confira o serviço completo), encenado pela primeira vez em 1967 com trechos censurados, foi parar num hotel do Centro. Repetindo uma experiência de seis anos atrás, o Roma Hostel recebe uma peça em um de seus quartos – para conferir a estética intoxicante do bordel que serve de cenário à obra, e onde uma prostituta, um cafetão e um homossexual sobrevivem numa existência marginalizada.

Riscos

Quem ousa e leva um espetáculo para fora dos teatros também arca com o ônus do espaço livre. No caso de Caminhos, a cena dentro do tubo do Ligeirinho só foi autorizada pela Urbs para a apresentação de amanhã pela manhã, já que no horário do rush ela seria um transtorno. E o texto gravado de Espaço Outro acabou vazando para fora da gaiola de acrílico porque um problema técnico impediu o teto de ser montado.

Mas esses são percalços numa trajetória interessante. Talvez dentro de alguns anos o estranho seja encenar uma montagem entre quatro paredes.

Serviço:

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