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Garotos propaganda também precisam se posicionar após escândalo da Carne Fraca

Operação da Polícia Federal fez com que opinião pública pressionasse celebridades que emprestam sua imagem a produtos

Tony Ramos, protagonista da marca Friboi há três anos. |
Tony Ramos, protagonista da marca Friboi há três anos.
 
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O escândalo que sucedeu o anúncio da Operação Carne Fraca, que investiga 40 empresas do ramo alimentício envolvidas em um esquema de corrupção que coloca no mercado produtos impróprios para o consumo, atingiu a parte mais visível dessas marcas: seus garotos-propaganda.

Tony Ramos, garoto propaganda da Friboi, Fátima Bernardes, da Seara, ambas empresas ligadas à JBS, e o casal Luciano Huck e Angélica, da Perdigão, que pertence à BRF Brasil, têm estrelado também os memes e paródias distribuídas pelas redes sociais. Com a crescente desconfiança com relação a essas e outras empresas que comercializariam carne podre ou misturada a produtos químicos, essas celebridades também têm sido questionadas. Mas será que o esquema estragaria também sua imagem?

Segundo Marcos José Zablonsky, professor da Escola de Comunicação da PUCPR, a tendência é que, quanto antes o caso ficar esclarecido, menos danos causará às marcas, o que inclui as celebridades, elas mesmas um produto rentável que emprestam sua imagem e credibilidade. O que será necessário, a partir do momento em que as investigações avançarem, é um rápido posicionamento. “A propaganda, nesses casos, está ligada a um testemunhal dessas celebridades, que não saem arranhadas se procurarem esclarecer o caso”.

E é assim que Tony Ramos, imagem da Friboi há três anos, tem se comportado. O ator, que chegou a visitar a fábrica da marca e enaltecer o controle de qualidade em um dos comerciais que protagonizou, foi cuidadoso em sua primeira entrevista sobre o caso. Ao site “Ego” na sexta-feira (17), dia em que a operação da Polícia Federal foi deflagrada, disse estar surpreso e afirmou ter carnes da marca em casa, que usava em “churrascos”. “Sou apenas contratado pela empresa de publicidade, não tenho nenhum contato com a JBS”, frisou também.

Nesta segunda-feira (20), em entrevista à rádio Jovem Pan, ele já admitiu a possibilidade de romper o contrato. “Vamos aguardar a manifestação do Ministério Público. Tudo comprovado, está tudo certo, foi pontual? Poderei vir a público, sim, esclarecer. Se alguma coisa desabone essa relação, eu tenho direito de interromper o contrato. Eu preciso contratualmente dar esse tempo. Vou dar um tempo legal”, afirmou ele.

No Brasil, lembra Jablonsky, isso seria novidade, já que é raro que uma celebridade desista de uma marca. “Em geral, é o contrário. Quando um garoto propaganda traz problemas, é a marca que rompe o contrato”. Foi assim com Ronaldo Fenômeno, que teve contrato com a TIM rompido após várias polêmicas. “Mas, por exemplo, quando a Nike foi ligada à exploração do trabalho infantil, alguns atletas abriram mão do patrocínio”, compara.

Histórico

A Friboi também patrocina projetos junto a culinaristas e outros influenciadores. A apresentadora Ana Maria Braga e chefs como Olivier Anquier e Felipe Bronze são parte do projeto Academia da Carne, que mantém um site com receitas e dicas para lidar com o alimento.

Fátima Bernardes, que não podia atrelar a imagem a produtos na época em que dividia a bancada do Jornal Nacional com William Bonner - regra para os profissionais da Central Globo de Jornalismo -, também é o principal rosto da Seara na atualidade e também tem sido cobrada.

O casal Luciano Huck e Angélica é alvo de crítica desde que encarnou o modelo de família vendido pela Perdigão. A apresentadora dizia não comer carne vermelha, mas, além de endossar a marca, foi filmada comendo um cachorro quente em uma das peças publicitárias.

Roberto Carlos também foi garoto propaganda da Friboi em 2014. Mas a empreitada deu errado mais ou menos pelas mesmas razões que Angélica não convenceu muito como admiradora de hot dogs. O Rei, que também sempre se disse vegetariano, teria voltado à dieta carnívora. Na propaganda que protagonizou, elogiou a carne, mas não a comeu. Pegou mal e a rescisão do contrato da parceria publicitária foi controversa. Passados três anos, o episódio adquire traços irônicos.

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