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Opinião

Interpretação de Siviero é destaque em concerto

Na apresentação da Orquestra Acadêmica de Madrid, que aconteceu nesta quarta (22) em Curitiba, o público pode apreciar a regência de Iñigo Pirfano e a boa participação do pianista Siviero

Orquestra Acadêmica de Madrid se apresentou em Curitiba |
Orquestra Acadêmica de Madrid se apresentou em Curitiba
 
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Interpretação de Siviero é destaque em concerto

Curitiba tem uma vida musical insuficiente e pouco variada, de modo que qualquer concerto de bom nível é sempre mais do que bem-vindo. O concerto da Orquestra Acadêmica de Madrid que aconteceu nesta quarta (22) na capital sob regência de Iñigo Pirfano e participação do pianista Alvaro Siviero, foi um episódio a somar no repertório de experiências culturais do público local, apesar de não ter sido aquele tipo de evento capaz de marcar para sempre a existência de alguém.

A orquestra madrilenha é um bom conjunto, competente e entrosado, muito bem dirigido. Mas não é um conjunto muito acima das orquestras brasileiras, como talvez seria de se esperar.

O repertório do concerto também foi desigual: a obra de Arriaga pode ser classificada como de interesse local, de preservação da cultura musical espanhola histórica. A de Granados poderia entrar no mesmo filão. Como obras de importância histórica e estética inegável entraram o Schumann e o Falla.

O concerto de Schumann já foi ouvido aqui em Curitiba em 2011, com Cristina Ortiz e a OSP, já tendo recebido comentário deste crítico. Continuo dizendo que o concerto tem problemas com a orquestração – a orquestra pouco faz além de repetir trechos da música do piano. Exceto talvez pela belíssima melodia tocada em uníssono por cellos e violas no segundo movimento.

A escrita pianística de Schumann já é orquestral, sobra pouco para os demais músicos. Siviero nos deu uma interpretação brilhante, que mostra porque é um dos maiores pianistas brasileiros: som cheio, romantismo intenso e ótima comunicação com o público. Pirfano conseguiu também um melhor equilíbrio entre solista e orquestra, sem abafar a parte do piano.

Mas o maior momento da noite foi mesmo o balé de Falla, infelizmente executado sem as partes de mezzo-soprano. Ali a orquestra apareceu com todo seu brilho, e mostrou suas qualidades de forma completa. Com precisão rítmica e expressão perfeita em todos os maravilhosos timbres imaginados pelo compositor, empolgou o público tanto quanto o solista da primeira parte da noite.

A única coisa a se lastimar é o pouco valor dado em Curitiba a este tipo de evento. Em São Paulo foram dois concertos com casa cheia. Em Curitiba, um Guaíra a pouco menos da metade. Faltou divulgação? Talvez. Mas a principal diferença é que os paulistanos tem ganas de serem percebidos no resto do mundo como uma cidade culturalmente importante. O curitibano parece satisfeito em ser apenas a principal cidade do Paraná.

** André Egg, é doutor em História Social pela USP e professor da Faculdade de Artes do Paraná

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