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literatura

Curitiba ganha nova editora; ganhadora do Nobel está entre os lançamentos

Olho de Vidro tem cinco lançamentos previstos para 2017, o primeiro agendado para o próximo sábado (25); proposta é produzir pouco, mas com qualidade

  • Gisele Eberspächer Especial para a Gazeta do Povo
Marcelo Del’Anhol, idealizador da editora Olho de Vidro | Henry Milleo/Gazeta do Povo
Marcelo Del’Anhol, idealizador da editora Olho de Vidro Henry Milleo/Gazeta do Povo
 
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Depois de trabalhar 15 anos no mercado editorial, Marcelo Del’Anhol resolveu empreender - no próximo sábado (25) realiza o lançamento do primeiro livro de sua editora, a Olho de Vidro. Junto com o sócio e amigo Moacir Karas, deve lançar outros quatro livros ainda em 2017.

“A ideia da editora é procurar livros que de alguma forma contribuam para que o leitor veja o mundo com outros olhos, reflita melhor sobre si mesmo e seu lugar no mundo. É apresentar um ponto de vista diferente e como se colocar no lugar do outro”, conta Del’Anhol.

Del’Anhol já tinha pensado várias vezes em abrir uma editora, ideia que só se concretizou no ano passado, quando “estava com vontade de fazer coisas novas”, comenta. Conversando com o amigo Karas sobre isso, conseguiu um sócio para o novo negócio. Saiu do emprego de coordenador editorial de literatura da editora Positivo em outubro de 2016 para se dedicar à empresa.

Na bagagem, traz a experiência de ter editado vários livros, alguns vencedores de prêmios importantes, como “Visita à Baleia”, escrito por Paulo Venturelli e ilustrado por Nelson Cruz - obra que ganhou os prêmios Jabuti e Fundação Nacional do livro Infantil e Juvenil. “É um dos livros que deu muito orgulho de ter editado. Foi exposto em feiras internacionais importantes e alcançou sucesso de crítica e público”, explica Del’Anhol.

O nome da editora, Olho de Vidro, vem de uma espécie de obsessão literária de Del’Anhol pela questão do olhar: “é um tema que sempre me instigou e eu acabei lendo muito sobre isso”. O interesse dele é tamanho que virou tema do mestrado que começa esse ano.

Em suas referências literárias, Del’Anhol tem os dois pés na literatura brasileira: Osman Lins, Raduan Nassar, João Anzanello Carrascosa, Graciliano Ramos e Clarice Lispector estão entre seus autores preferidos.

Para ele, a literatura é justamente uma maneira de mudar o olhar que as pessoas têm sobre o mundo. “Ela ajuda a tornar as pessoas mais sensíveis e fazer com que olhem o mundo com outros olhos. Ela pode sim nos tornar melhores, nos humanizar”, afirma.

Mercado

Para Del’Anhol, o mercado editorial mostra algumas mudanças, sendo a principal o fim dos programas de governo, uma das grandes fontes de renda para várias editoras. Mesmo assim, ele acredita que o cenário é favorável para a abertura de uma nova casa editorial.

“Tanto no Brasil como fora existe um movimento de valorização das pequenas editoras. No Brasil temos um calendário intenso de pequenos eventos com editoras independentes. Hoje já são muitas editoras pequenas fazendo um bom trabalho, ganhando prêmios. É um movimento muito bacana”, conta.

Com a aposta de produção de cinco livros no primeiro ano, a proposta da editora é produzir pouco, mas com qualidade. “O papel de um editor não é fazer livros apenas. O editor pode ajudar a colocar em destaque bons autores, resgatar títulos relevantes que estejam fora de catálogo, publicar livros que proporcionem reflexões importantes, sobretudo nestes tempos sombrios”, finaliza.

Ganhadora do Nobel

Para o ano de lançamento, Del’Anhol planeja o lançamento de cinco livros. O primeiro deles, previsto para o próximo sábado (25), é “A Alma Secreta dos Passarinhos”, de Paulo Venturelli, com ilustrações de Elisabeth Teixeira. O conto é sobre a curiosidade infantil e a importância de observar o mundo.

Está prevista também uma nova edição de “Rosa”, de Odilon Moraes, livro vencedor do prêmio João de Barro. Com uma proposta gráfica diferente, que alia imagens e textos para a criação da história, o livro dialoga com a obra de João Guimarães Rosa.

Outro livro previsto ainda para o primeiro semestre é a coletânea de artigos “Temas Polêmicos na Literatura”, organizada pela pesquisadora Nilma Lacerda. Os textos abordam como a literatura pode ser uma ferramenta de discussão de temas considerados difíceis em sala de aula. “Existem temas como sexualidade, religião e morte que são parte da vida, mas são difíceis de abordar em sala de aula. E se não for pela literatura, onde vai se tratar disso? Esse é um livro para professores pensarem sobre isso”, explica o editor.

Dois livros estão previstos para o segundo semestre. Um deles é uma antologia de poemas da poeta chilena Gabriela Mistral, vencedora do Prêmio Nobel de Literatura em 1945, com tradução de Leo Cunha. A ideia de publicação desse livro partiu de uma viagem de Del’Anhol pelo Chile e pela ausência de publicações atuais da autora no Brasil.

A editora lança também uma versão ilustrada do texto “Se os Tubarões Fossem Homens”, de Bertold Brecht, com tradução de Sérgio Tellaroli. “É um texto muito provocativo, sobre classes, divisão do mundo, política. É um livro inteligente, concordando ou não com ele. Os leitores brasileiros merecem ler e refletir mais sobre Brecht”, explica Del’Anhol.

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