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Do Paraná à Índia: crônicas retratam o mundo pelos olhos de Cecília Meireles

Global Editora traz antologia de crônicas de viagem da poeta e viajante brasileira

 | Ilustração: Felipe Lima
Ilustração: Felipe Lima
 
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Poeta, jornalista, professora, palestrante… e viajante. A antologia “Crônicas de Viagem”, publicada pela Global Editora, mostra mais um lado de Cecília Meireles, sempre curiosa por conhecer mais do mundo.

Reconhecida principalmente pelo livro “Romanceiro da Inconfidência”, em que narra em forma de poemas os acontecimentos da Inconfidência Mineira, a carioca escreveu também diversas crônicas sobre suas viagens para jornais e revistas entre a década de 40 e sua morte em 1964.

A autora, que nasceu em 1901, recebeu postumamente o Prêmio Machado de Assis pelo conjunto da obra e chegou até a ilustrar as cédulas de cem cruzados novos. Pela projeção que recebeu como escritora, era frequentemente convidada para proferir palestras em universidades estrangeiras, tendo assim a oportunidade de viajar para vários países - experiências que narrou em crônicas e poemas.

“Viajar com ela é conhecer o mundo, deliciar-se com magníficos instantâneos, percorrer grandes universidades europeias e americanas, participar de congressos internacionais, entrar em contato com personalidades de vários domínios da cultura, comer pratos exóticos, conversar com gente humilde do povo, admirar a paisagem e valorizar o tempo humano, em sua grandeza e precariedade”, escreve Leodegário A. de Azevedo Filho, organizador da coletânea, na apresentação do livro.

Cecília fazia uma grande distinção entre turistas e viajantes. “O primeiro”, escreve, “é uma criatura feliz que parte por esse mundo com a sua máquina fotográfica a tiracolo”. Já o viajante é para ela aquele que quer “morar em cada coisa, descer à origem de tudo, amar loucamente cada aspecto do caminho”. Considerando-se parte do segundo grupo, conta em seu textos seus sentimentos, descobertas e interpretações conforme acumula novas experiências e carimbos no passaporte.

“Porque viajar é ir mirando o caminho, vivendo-o em toda sua extensão e, se possível, em toda a sua profundidade, também. É entregar-se à emoção que cada pequena coisa contém ou suscita. É expor-se a todas as experiências e todos os riscos, não só de ordem física, - mas, sobretudo, de ordem espiritual. Viajar é uma outra forma de meditar”.

Trecho de “Crônicas de Viagem”

O box de três volumes traz crônicas reflexivas e poéticas feitas durante as viagens - desde uma pequena pousada de litoral até sua amada Índia. Entre outros temas recorrentes estão também o olhar familiar sob sua cidade natal, o Rio de Janeiro, e sua maneira própria de viajar - gosta tanto dos trajetos que dedica algumas crônicas ao percurso de viagem do Rio de Janeiro até o Uruguai, passando pelas paisagens do sul brasileiro.

“Há um momento feliz em todas as viagens: quando na bruma da distância já se adivinha a presença dos amigos; quando se descobre o primeiro sorriso de boas-vindas e o coração se emociona sobre o primeiro ramo de flores”.

Trecho de “Crônicas de Viagem”

O tema viagem é tão recorrente na obra da autora que a Global Editora publicou também o Poemas de Viagem (R$ 49), livro que reúne as poesias da autora sobre suas experiências em países como Marrocos e China. Mais do que tudo, os poemas mostram como as viagens impactaram profundamente a obra de uma das maiores poetas brasileiras. É a primeira vez que esses poemas são publicados em um volume separado.

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