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literatura

Festival em Curitiba quer acabar com a história de “ler por obrigação”

“Janelas de Leitura” traz especialistas no assunto e reúne autores locais para debater os mecanismos necessários para criar o hábito da leitura

  • Matheus Nascimento Especial para a Gazeta do Povo
“Ler porque a escola obriga, com a exigência do vestibular, é ruim. O novo leitor só se entusiasma se aquilo fizer sentido pra ele”, diz Flávio Stein, especialista em processos de leitura | Albari Rosa/Gazeta do Povo
“Ler porque a escola obriga, com a exigência do vestibular, é ruim. O novo leitor só se entusiasma se aquilo fizer sentido pra ele”, diz Flávio Stein, especialista em processos de leitura Albari Rosa/Gazeta do Povo
 
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Todo leitor ávido de livros foi iniciado por alguém nesse hábito, seja em casa, pelos pais e familiares, seja na escola, por professores e amigos. Focando nas figuras que fazem essa mediação entre os livros e quem os escreve com os potenciais novos leitores, começa nesta quinta (23) e vai até domingo (26) em Curitiba o festival Janelas de Leitura, que acontece no espaço Encontro da Amazônia, no Bom Retiro. O evento é gratuito, mas para participar é necessário fazer a inscrição pela internet.

Promovido pela ONG Freguesia do Livro, que espalha caixas com livros pela cidade em parceria com comerciantes e agentes da sociedade civil, o evento terá a presença de especialistas nacionais e internacionais em processos de leitura. No domingo, haverá ainda uma feira de livros com destaque para autores e editoras locais, dos mais diversos gêneros literários.

Josiane Mayr, fundadora e coordenadora da Freguesia, conta que a seleção dos participantes foi feita entre aqueles que se debruçam sobre o assunto há bastante tempo, e diz que a ideia é reverter ideias preconcebidas sobre a relação entre os brasileiros e a leitura. “Muita gente diz que o brasileiro não gosta de ler, mas o brasileiro precisa se descobrir leitor”, afirma.

Flávio Stein, especialista em processos de leitura e mediador de uma das mesas do festival, acredita que as formas de estímulo à leitura a que principalmente os jovens estão expostos no Brasil são pouco eficazes para formar um novo público leitor. “Ler porque a escola obriga, com a exigência do vestibular, é ruim. O novo leitor só se entusiasma se aquilo fizer sentido pra ele”, diz Stein. Ele acredita que esse sentido acontece quando o livro é “oferecido” ao público e assim, passa a ser dele.

Um dos convidados, o filósofo e ex-secretário-executivo do Programa Nacional do Livro e Leitura (PNLL) José Castilho Marques Neto, vê a mediação da leitura como algo com pouca divulgação diante da importância que sempre teve, principalmente na formação de professores no Brasil. “O investimento em mediação não dá placa, inauguração de prédio”, argumenta. Ao mesmo tempo, ele acredita que o PNLL ajudou a produzir na última década um maior reconhecimento, com mais eventos dedicados à formação de leitores e não apenas à venda de títulos. “Feira de livro não necessariamente forma leitores”, considera ele.

Soluções para o cotidiano

A comunicadora Luísa Bonin, uma das voluntárias responsáveis pela organização do festival, diz que o objetivo do evento é incentivar a leitura, algo que leitores mais experientes e apaixonados por esse hábito podem ajudar a fazer. Ela destaca que a leitura pode fazer com que seja mais fácil encontrar soluções inovadoras para o cotidiano em tempos de economia criativa. “O mundo todo tem falado na importância de desenvolver habilidades criativas e digitais, e ler colabora muito pra isso”, acredita.

A abertura do evento ficará a cargo do jornalista e escritor argentino Mempo Giardinelli. Autor de uma dezena de publicações, como os romances “Luna Caliente” e “A Revolução de Bicicleta”, Giardinelli preside uma fundação que leva seu nome e atua na difusão da leitura na Argentina. Ele também já foi professor de jornalismo e literatura nas universidades Iberoamericana, no México, Nacional de La Plata, na Argentina, e da Virgínia, nos Estados Unidos, além de ter sido conselheiro do Ministério da Educação argentino e do plano nacional de leitura do país.

Programação

Quinta-feira (23)

20h – Palestra de abertura com Mempo Giardinelli: “Uma Nação de Leitores”

Sexta-feira (24)

18h30 – Mesa com José Castilho Marques Neto e Zoara Failla: “Caminhos Para a Leitura no Brasil”. Mediação: José Carlos Fernandes

20h30 – Andressa Barichello, Cézar Tridapalli, Etel Frota, Glória Kirinus, Luís Henrique Pellanda e Otávio Linhares: “Antologia Viva – Literatura Feita Aqui” e sessão de autógrafos (não participa Andressa Barichello)

Sábado (25)

14h – Mesa com Eliane Nunes e João Carrascoza: “Ler o Mundo”. Mediação: Flávio Stein

17h30 – Mesa com Dolores Prades e Fabíola Farias: “Literatura Infantil no Brasil: Ainda um Desafio?”. Mediação: Cézar Tridapalli

20h – Leitura pública: Pública “Palavra Doce Cruel Palavra: Vozes da Literatura Brasileira Contemporânea”, com: O Círculo: Núcleo de Leitura

Domingo (26)

10h – Feira de publicações

10h – “Iniciativas Inovadoras de Incentivo à Leitura”, com A Cigarra e A Formiga, Ação Integrada para o Letramento, Editora Voo, Freguesia do Livro, Jovens Infratores e a Leitura, e Manobra Literária

11h30 – Encontro de Pontos de Leitura da Freguesia do Livro

14h30 – Assionara Souza, Flávio de Souza, José Carlos Fernandes, Luci Collin, Marcelo Sandmann e Vanessa Rodrigues: “Antologia Viva: Literatura Feita Aqui” e sessão de autógrafos (não participa José Carlos Fernandes)

14h30 – Contação de histórias para crianças

16h – Oficinas de encadernação e marcador de página em aquarela

19h – Encerramento: show com Garibaldis & Sacis

Local: Encontro da Amazônia (Rua Nilo Peçanha, 1907)

Mais informações na página do evento

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