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Ditadura Militar

Livro resgata o papel das mulheres na ditadura

“Sem Liberdade Eu Não Vivo – Mulheres que Não Se Calaram na Ditadura” foi escrito por duas jornalistas e será lançado nesta quinta na Livraria Cultura

Texto publicado na edição impressa de 03 de outubro de 2013

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“Luta” é substantivo feminino no livro Sem Liberdade, Eu Não Vivo – Mulheres Que Não Se Calaram na Ditadura, escrito a quatro mãos pelas jornalistas Laura Beal Bordin e Suelen Lorianny.

SLIDESHOW: Confira alguns depoimentos de mulheres que sofreram torturas na ditadura

A obra que será lançada hoje, às 19 horas, na Livraria Cultura, resgata o papel de mulheres paranaenses na luta armada e na resistência à opressão da ditadura militar no país (1964-1985).

De acordo com as autoras, a ideia do livro é mostrar uma versão feminina de um trecho da história do Brasil da qual elas também foram protagonistas, mas que, em geral, é contada por homens.

A obra é composta por seis perfis de mulheres – Teresa Urban, Noemi Osna Carriconde, Judite Barboza Trindade, Elisabeth Fortes, Zélia Passos e Clair da Flora Martins – que militaram contra o regime autoritário. Há ainda miniperfis de filhas e irmãs de algumas dessas mulheres, além de um depoimento da ex-militante comunista Elza Correia, que vive em Londrina.

Segundo Suelen, a intenção do livro – que nasceu como um trabalho acadêmico – era mostrar quem eram essas mulheres, como era a vida delas e o que as levou a resistir à violência e à opressão.

Laura Bordin conta que a centelha para a pesquisa surgiu quando ela viu pela televisão a então ministra-chefe da Casa Civil Dilma Rousseff rebatendo o senador Agripino Maia (DEM-RN), que questionava as atividades clandestinas nas quais a atual presidente da República teria se envolvido. “Se ela [a presidente Dilma] teve a coragem de fazer o que fez, eu pensei: ‘muitas outras mulheres também foram à luta. Precisávamos encontrá-las para contar essa história’”, diz.

O primeiro depoimento colhido foi da jornalista e militante Teresa Urban, falecida em maio deste ano. “Ela foi a nossa inspiração”, afirma Laura.

Por meio de indicações e contatos, as autoras chegaram aos outros nomes e às suas histórias de vida – contadas em depoimentos fortes e corajosos.

Dos relatos se extrai que os torturadores usavam com crueldade a desigualdade de gênero para torturar, ainda mais, as mulheres presas pelo regime, e que os próprios militantes também traziam um preconceito patriarcal em relação à atuação feminina na resistência.

“São histórias fantásticas que mostram como era ser mãe, filha, esposa, irmã, mulher durante esse período confuso e intenso”, explica Suelen.

Números

Informações a respeito da presença de mulheres na luta contra o regime militar não são precisos. De acordo com os últimos dados levantados pela Comissão Nacional da Verdade, instituída pelo governo federal em maio de 2012, cerca de 11% dos mortos e desaparecidos no período são mulheres.

Segundo o projeto Brasil Nunca Mais, foram 884 as mulheres presas e denunciadas à Justiça Militar no período. “Acredito que o número é maior, já que muitas – como é o meu caso – não foram levadas à Justiça”, conta Cecília Coimbra, psicóloga e vice-presidente do grupo Tortura Nunca Mais RJ. “A única certeza é que essas histórias precisam ser contadas”, afirma Cecília.

Vítimas

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