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Memória

O extenso legado de Lucio Dalla

Autor de “Caruso”, o cantor italiano que morreu na última quinta-feira aos 68 anos deixa obra que cobre vários gêneros musicais e é ligada ao Brasil

  • Agência O Globo
O cantor italiano durante uma de suas últimas apresentações, no Festival de San Remo, Itália: Chico Buarque gravou versão de sua “Gesù Bambino” |
O cantor italiano durante uma de suas últimas apresentações, no Festival de San Remo, Itália: Chico Buarque gravou versão de sua “Gesù Bambino”
 
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O grande sucesso de Lucio Dalla foi “Caruso”, canção que ele fez em 1986 falando dos últimos dias de vida do lendário tenor Enrico Caruso (1973-1921). A música correu mundo nas gravações de Luciano Pavarotti, Andrea Bocceli, Julio Iglesias e Zizi Possi. O cantor, instrumentista e compositor italiano, que completaria amanhã 69 anos, morreu na última quinta-feira, de ataque cardíaco, em Montreux, na Suíça, onde daria prosseguimento a uma série de shows pela Europa.

No Brasil, o legado desse saxofonista, clarinetista e pianista que emprestou sua voz ao rock (“Balla, Ballerino”), ao jazz (“Tania Delcirco”), ao reggae (“Attenti al Lupo”) e à ópera será mesmo “Minha História”, versão de Chico Buarque para “Gesù Bambino” (“Jesus Menino”, em tradução literal), canção sua em parceria com Paola Palotino.

Lucio Dalla tornou-se amigo de Chico em 1969, quando o brasileiro estava em seu autoexílio italiano. Depois que “Minha História”, fez grande sucesso, Dalla ainda levou um terceiro lugar no Festival de San Remo de 1971 com a canção, só que com um novo título “4/3/1943” (sua data de nascimento), já que o anterior foi julgado desrespeitoso (a canção que fala de um filho de mãe prostituta).

“Eu conheci o Chico Buarque aqui na Itália. Morávamos muito próximos e nos víamos muito na casa do Toquinho. A música deles e de outros compositores brasileiros, como Milton Nascimento e Caetano Veloso, me influenciou muito”, disse Lucio Dalla em 1992, quando se apresentou pela primeira vez no Brasil.

“Ele era um músico de uma criatividade e uma flexibilidade musical enormes”, conta Toquinho. “E era também muito generoso. Gravamos um especial de tevê juntos e, quando o produtor foi pagar o cachê, ele disse que queria apenas uma camisa autografado do Corinthians, que logo eu consegui para ele.”

A admiração de Lucio Dalla pelos brasileiros era mesmo grande. Em 1995, num show em São Paulo, ele cantou alguns versos do samba “O Que É, o Que É?”, de Gonzaguinha. No mesmo ano, chamou Caetano Veloso para participar de um show em homenagem a Caruso em Nápoles. Já em 1996, gravou no CD Canzoni a música “Ayrton”, feita por Paolo Montevecchi para lembrar o campeão de Fórmula 1 falecido dois anos antes.

Parte de uma privilegiada geração de artistas italianos da canção, que revelou nomes como Rita Pavone, Sergio Endrigo, Nico Fidenco e Gianni Morandi, Lucio Dalla criou trilhas sonoras para a televisão e o cinema, desenvolveu projetos musicais com a Universidade de Bolonha (cidade onde nasceu), atuou em filmes, escreveu livros e fez inúmeros shows. Nunca poupou críticas aos males da era moderna: “Acho que a sociedade da palavra está desaparecendo e vem surgindo a da imagem, talvez mais violenta”, disse, no Brasil, em 1992.

Surpresa

A última aparição de Lucio Dalla na tevê foi há dez dias, no Festival de San Remo (onde, ironicamente, se apresentava pela primeira vez em 40 anos). Ele regeu a orquestra que acompanhava o jovem cantor Pierdavide Carone na canção “Nanì”, da qual ele é coautor.

A morte do artista surpreendeu o fotógrafo e amigo Roberto Serra. Ele disse que, na quarta-feira, havia falado com o artista, e que ele e estava “bem, feliz e tranquilo” com a turnê europeia iniciada em Lucerna, que deveria passar por Zurique e Montreux. A turnê de Dalla estava prevista para se encerrar em 30 de março, em Berlim, na Alemanha.

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