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Occupy Paiol

Novas bandas e um público renovado dão frescor ao mais tradicional espaço da música em Curitiba

  • Cristiano Castilho
O romântico Paiol: tempos modernos e movimentados |
O romântico Paiol: tempos modernos e movimentados
 
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Occupy Paiol

Um casal, jovem de tudo, balança as pernas freneticamente para acompanhar o ritmo de um rock animado. Com as mãos, ele simula tocar bateria, enquanto ela dá uma olhadela ao redor e finalmente se dá conta: está em polvorosa em um antigo paiol de pólvora. E talvez tenha sido a sua primeira vez ali.

A cena ocorreu no dia 7 de julho, durante o show da banda gaúcha Apanhador Só no Teatro do Paiol, em Curitiba. Mais do que um pequeno momento de catarse, o ocorrido resume de forma simbólica os últimos meses do mítico espaço musical da cidade: há tanto uma renovação de público quanto de atrações – que vão do folk ao pós-rock.

Novas e boas bandas como Rosie and Me, A Banda Mais Bonita da Cidade, Apanhador Só e artistas cultuados por um público específico, como Pélico e Lirinha, pisaram recentemente no palco em que Vinicius de Moraes derramou seu uísque escocês em 1971, para batizar o espaço a seu jeito e criar a magia que vigora desde então. O episódio mais recente – e incrível – foi o show que a banda curitibana ruído/mm fez em um Paiol lotado no último dia 21: o Poetinha ficaria maluco com tanto barulho.

Para Bina Zanette, da San­ta Produção, há três motivos principais para esse novo momento do Paiol. “O primeiro é que o tamanho do teatro [220 lugares] é adequado para esse tipo de show. Depois, ele oferece um baixo custo de locação, nunca passa de R$ 400, com sistema de luz e som inclusos. O mais importante é a história que ele tem com a música em Curitiba.” Ao lado de Heitor Humberto, da Fineza Comunicação & Cultura, Bina produziu os shows de Rosie and Me, Apanhador Só e ruído/mm neste ano – mais atrações estão programadas até o final de 2012 (veja no quadro ao lado).

Já Beth Moura, da Verdura Produções Culturais, pensou em um projeto para celebrar os 40 anos do teatro e saiu-se com o Radar – A Nova Música Brasileira nos 40 Anos do Teatro do Paiol, que traz mensalmente para Curitiba artistas da chamada “música contemporânea brasileira”. “Mesmo não havendo um retorno excelente de público, vemos que está dando certo. A cada apresentação há mais curiosos e comentários de quem esteve lá. E a ideia é essa, atingir a nova geração”, diz Beth. Colaborativo, o projeto Radar estreou em maio, com o show de Anelis Assumpção, e segue até dezembro.

Marcelo Camelo?

Encravado entre o Prado Velho, o Água Verde e o Re­bouças, demonstrando-se rústico com sua fachada sem pintura e funcional devido à sua acústica natural, o Paiol encanta, principalmente quem vai lá pela primeira vez. No show do ruído/mm, um dos presentes era Alex Werner, amigo íntimo e produtor de shows da banda Los Hermanos – e agora de Marcelo Camelo. “Achei incrível. Lugares antigos geralmente têm problemas estruturais, mas, naquela noite, tudo funcionou muito bem. Do início do show no horário marcado à qualidade do som. Fiquei imaginando um show do Marcelo Camelo naquele palco”, disse o tímido Werner, por e-mail.

Bons tempos

Desde sua inauguração como espaço artístico, o Teatro do Paiol passou por bons e maus bocados. “De nada adianta investir mais de Cr$ 200 mil na reforma do Teatro do Paiol sem oferecer bons espetáculos ao público”, escreveu o jornalista Aramis Millarch em 1978, no jornal O Estado do Paraná. Já em 1981, o mesmo jornalista lastimava o pouco número de pessoas presentes no show do Quarteto em Cy, que comemorava os 10 anos do espaço.

Nos anos seguintes, a MPB feita em Curitiba, notadamente no Conservatório, teve o Paiol como espaço fixo. Blindagem e Grupo Fato eram, talvez, o contraponto da programação, que foi se tornando eclética ao longo do tempo.

Para Beto Lanza, superintendente da Fundação Cultural de Curitiba, tocar no Paiol é sinal de prestígio e qualidade. “Isso tem a ver com a excelência da música desses grupos. A nova cena curitibana ocupando o espaço reflete o bom momento da música na cidade”, diz Lanza, que espanta qualquer sinal de preferência por este ou aquele gênero.

“Não há uma indução a determinado segmento. Nosso propósito é gerar massa crítica, não determinar gênero. O Paiol é eclético.”

Como resultado secundário da “ocupação” recente do Paiol, a cidade, em uma escala maior, também sai ganhando. Hoje há um estacionamento dedicado aos frequentadores do espaço e a movimentação de pessoas por ali “ilumina” aquela região próxima da Vila das Torres – onde o tráfico de drogas e a criminalidade são grandes. “O aparato cultural qualifica o espaço urbano”, concorda Lanza.

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