Seu app Gazeta do Povo está desatualizado.

ATUALIZAR

story
Enkontra.com
PUBLICIDADE

Música

Os ‘eslavosambas’ de Cacá Machado

O músico e historiador Cacá Machado: disco de estreia aos 40 |
O músico e historiador Cacá Machado: disco de estreia aos 40
 
0 0 COMENTE! [0]
TOPO

Climachauska, Nestrovski, Wisnik, Nikitin, Stolarski. O quadro de sobrenomes dos parceiros de Cacá Machado reunidos em seu álbum de estreia, para início de conversa, já davam um título brincalhão inspirado nos Afro-sambas de Baden Powell e Vinicius de Moraes: Eslavosamba. As primeiras notas da faixa de abertura, “Sim”, não à toa são inspiradas no violão de Baden.

Mas o músico e produtor paulista, que é também acadêmico, puxa o fio e traz uma série de conexões que permeiam todo o disco, lançado em março, que reúne de Elza Soares a Arrigo Barnabé entre os convidados. “Eslavosamba” virou conceito. Liga a etimologia da palavra eslavo – “escravo” – ao uso poético da palavra samba como síntese da canção brasileira.

“Estamos todos escravos do samba – de um jeito de pensar o Brasil como uma país particular, como a capacidade de criar canções de um jeito único, com força gigantesca”, explica Machado, por telefone. “E é um samba vindo desse lugar branco, de eslavos, esse lugar frio – mas que, nem por isso, não é quente.”

A orientação conceitual não é regra, mas seus diálogos relacionados geram desconstruções como a faixa “Violeta” (com Guilherme Wisnik), que surgiu como samba, mas foi para o disco em compasso de valsa (gênero, aliás, comum na Europa central). O mesmo acontece com “Pagode Polaco Vinheta”, “Pagode Polaco” e “Valsa Lunar” – cujo clima camerístico é subvertido por atabaques de candomblé e pela “explosão do crocodilo” da voz de Arrigo Barnabé. “É um eslavosamba de raiz”, brinca Machado.

Arrigo, autor de Clara Crocodilo (1980) – uma das “experiências formativas da Vanguarda Paulista”, para Machado – não é um dos convidados de Eslavosamba à toa. O compositor se inscreve em uma tradição de desconstrução da música de São Paulo que Cacá Machado continua, reunindo gerações distintas e misturando a sofisticação acústica (vide Swami Jr. e Zeca Assumpção em faixas como “Valsa Lunar”) e elétrica (na banda formada por Rodrigo Campos, Kiko Dinucci, Meno del Picchia e Gui Kastrup, coprodutor do disco). “Tinha a intuição da desconstrução. Não gratuita, mas acho que tenho esse pensamento de fundo de que o universo popular e o erudito precisam ser sempre friccionados”, diz. “Mas, o tempo todo, me preocupei em fazer de um jeito gostoso, leve, musical. Porque afinal, música é para dançar, ouvir. É ‘divino flerte’”, diz Machado, citando a faixa 11, cantada pela baiana Márcia Castro.

Siga a Gazeta do Povo e acompanhe mais novidades

o que você achou?

deixe sua opinião

PUBLICIDADE

mais lidas de Caderno G

PUBLICIDADE